Carlos Filipe Porfírio (São Pedro, Faro, 29 de março de 1895 — Faro, 25 de novembro de 1970) foi um artista poliedro: poeta, pintor, ator, cineasta e ainda etnólogo e museólogo português, tendo participado no movimento futurista, designadamente como diretor da revista Portugal Futurista, publicada em 1917.

Biografia Carlos Filipe Porfírio nasceu em Faro, na freguesia de São Pedro, a 29 de março de 1895, tendo sido batizado a 24 de fevereiro de 1897, um dia após o casamento dos pais. Era filho do pintor José Filipe Porfírio, falecido a 19 de janeiro de 1929, e de Gertrudes Vitória, doméstica, ambos também naturais de Faro, mas da freguesia da Sé.

Frequentou o liceu de Faro, onde teve como professor Carlos Augusto Lyster Franco (1880-1959). Em Faro estudou pintura com Adolf Haussmann.

A 5 de setembro de 1914, casou primeira vez civilmente, em Faro, com Maria Inês Mascarenhas Felripa, de quem se divorciou litigiosamente por sentença de 4 de outubro de 1921. Do casamento nasceu um filho, falecido com 19 anos.

Inscreveu-se por duas ocasiões, em 1913 e 1914, na Escola de Belas-Artes em Lisboa, tendo reprovado por faltas em ambas as situações. Regressou a Faro, onde participa na sua primeira exposição coletiva em 1917. A partir deste ano dirige a rubrica "Futurismo – Gente Nova" no jornal O Heraldo de Faro, sob a direção de Carlos Lyster Franco, onde publicou poesias de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e José de Almada Negreiros. Publicou também versos seus sob o pseudónimo "Nesso" e de outros poetas algarvios. Ainda em 1917 dirige a revista Portugal Futurista.

Em 1920, participou como ator no filme No Paiz das Mouras Encantadas, da produtora Sancho Limitada, fundada por José Dias Sancho.

Em 1921, partiu para Espanha, onde expôs em Sevilha, tendo regressado a Faro pouco depois.

De novo em Lisboa, expõe no Salão da Ilustração Portuguesa em 1922 e faz a sua primeira exposição individual no ano seguinte. Uma das sua obras expostas é o conhecido retrato de Judith Teixeira, que ilustra a capa do livro da poetisa Decadência (1923). Em 1924, foi diretor artístico da Grande Exposição de Arte em Olhão e delegado da Exposição Comercial, Industrial e Artística do Algarve.

Em 1926, partiu para o estrangeiro, vivendo em Madrid e Paris. Fixa residência na capital francesa, onde trabalha durante vários anos e conhece diversos artistas e intelectuais, designadamente Pablo Picasso e Simone de Beauvoir, mas também realizadores, como Carl Theodor Dreyer. Viveu no bairro de Montmartre e foi designer de padrões em tecidos para roupa feminina. Frequentou cursos superiores de Pintura Artística e Decoração de Interiores.

Em 1937, decorou o gabinete do Presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar, no Palacete de São Bento.

A 3 de maio de 1939, casou segunda vez civilmente, em Veneux-les-Sablons (França), com Hélène Laure de Coninck (1890 — 24 de dezembro de 1963), que já tinha dois filhos de um casamento anterior: Lionel e Chantal de Roulet.

Tal como sucedera a alguns dos seus camaradas na I Grande Guerra, Carlos Porfírio regressou a Portugal em 1939, com a deflagração da II Guerra Mundial, estabelecendo-se novamente em Faro com a esposa e o enteado, Lionel.

Em 1940, foi autor do projeto geral da Exposição das Comemorações Centenárias no Algarve. Com o enteado, Lionel, fundou e integrou a direção do Círculo Cultural Camões, em Faro (posteriormente Círculo Cultural do Algarve).

Na década de 1940, época áurea do cinema português, realizou três longas-metragens.

Em 1960, perdeu a voz após uma laringectomia total.

Mais tarde fundou ainda o Museu Etnográfico Regional de Faro (atual Museu Regional do Algarve), inaugurado em 1962, do qual foi diretor e coordenador das obras de ampliação no final da década de 1960, tendo realizado a sua última pintura, Procissão da Mãe Soberana, para este museu. Em 1963, esteve envolvido na organização do Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão, na Capitania do Porto de Faro, para o qual realizou o tríptico A Tourada do Mar.

A 7 de dezembro de 1967, casou terceira vez com Olga Tavares da Cruz.

Carlos Filipe Porfírio faleceu em Faro, a 25 de novembro de 1970, tinha 75 anos de idade. Foi sepultado no Cemitério da Esperança, em Faro.

Filmografia 1945 Sonho de Amor 1945 A Revolução de Maio II 1948 Um Grito na Noite

Bibliografia

AA.VV. (1996) Carlos Porfírio: Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário, 1895/1995, Faro, Câmara Municipal e Conservatório Regional do Algarve. JÚDICE, Nuno (org.) (1981), Poesia Futurista Portuguesa: Faro 1916-1917, Porto, A Regra do Jogo, 1981; MARREIROS, Glória Maria (2001), Quem foi quem?: 200 Algarvios do Século XX, 2ª ed. Lisboa, Edições Colibri. SOUSA PINTO, Manoel de (1922) "As Exposições – Carlos Porfírio" in Ilustração Portuguesa n.º 831, pp. 68-70

Ligações externas

MODERN!SMO – Arquivo Virtual da Geração de Orpheu CINEPT – Cinema Português Museu Regional do Algarve

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