Jeová Motta (Maranguape, Ceará, 12 de fevereiro de 1907 — Rio de Janeiro, 1 de fevereiro de 1992) foi um militar e político brasileiro. Exerceu o mandato de deputado federal constituinte pelo Ceará entre1934 e sua renúncia em 1937. Era sobrinho do escritor Capistrano de Abreu.

Vida militar Jeová, filho de Clodoaldo Mota e de Rita Machado Mota, começou sua carreira militar logo no início da vida, estudando no Colégio Militar do Ceará, em 1919, se formando em 1924. Acabou sentando praça no Rio de Janeiro, no ano seguinte. Neste colégio, onde permaneceu durante três anos, foi aluno do tenente Humberto de Alencar Castelo Branco.

Serviu no 11º Regimento de Infantaria, local onde conheceu sua esposa. Já em 1929, voltou ao Ceará, para servir no 23° Batalhão de Caçadores, e logo foi promovido a segundo-tenente e posteriormente a primeiro-tenente.

Jeová Mota integrou um batalhão enviado pelo governo do Ceará para a Revolução Constitucionalista de 1932, tendo, inclusive, sido ferido durante a campanha. Em decorrência de seu ferimento na luta contra os revolucionários paulistas, foi promovido a capitão em fevereiro de 1933, quando cursava a Escola de Estado-Maior do Exército.

Política Ele foi partidário da "Revolução de 1930" que depôs o então presidente Washington Luís e levou Getúlio Vargas ao poder. Com isso, ficou detido num quartel em Recife, onde cumpriu pena por 30 dias, acusado de conspiração. O resultado foi sua fuga e tomada da frente nas ações rebeldes.alt=Jeová Mota com o uniforme da Legião Cearense do Trabalho|miniaturadaimagem|Jeová Mota com o uniforme da Legião Cearense do Trabalho|esquerda

Com o fim da Revolução de 1930, ajudou a fundar em 1931, a Legião Cearense do Trabalho (LCT), que foi um movimento trabalhista pensado a partir de um programa nacional-sindicalista. Ao mesmo tempo, foi nomeado presidente do Tribunal Legionário, órgão que cuidava de tentar arrumar soluções amigáveis aos possíveis conflitos entre chefes e proletariados.

No ano seguinte, em 1932, unido a Hélder Câmara e Severino Sombra, começaram uma correspondência com Plínio Salgado, que entraram em acordo para estudar as bases de um movimento a ser lançado em todo o país. Ao ser fundada a Ação Integralista Brasileira (AIB) em outubro de 1932, a Legião Cearense do Trabalho a ela se incorporou.

No pleito de maio de 1933, elegeu-se deputado à Assembleia Nacional Constituinte por seu estado com o apoio da Liga Eleitoral Católica (LEC). Em agosto seguinte publicou no Correio do Ceará um ensaio sobre Plínio Salgado, chefe nacional da AIB, que chegaria ainda naquele mês a Fortaleza, iniciando sua primeira viagem de pregação integralista pelo Nordeste. Nesse período colaborou também no semanário integralista A Ofensiva.

Em 23 de setembro de 1933, chefia uma caravana de oradores pelo interior do Ceará, em propaganda do Integralismo e da LCT.

Assumindo o mandato em novembro de 1933, participou dos trabalhos constituintes. Em fevereiro do ano seguinte chefiou a delegação cearense ao I Congresso Integralista, realizado em Vitória. Com a promulgação da nova Carta Constitucional (16/7/1934) e a eleição do presidente da República no dia seguinte, teve o mandato prorrogado até maio de 1935. Em abril desse último ano organizou o primeiro grupo profissional integralista, o dos bancários do Rio de Janeiro, cumprindo a resolução do I Congresso Integralista de organizar os sindicatos. Em maio de 1935 assumiu novo mandato de deputado federal, para o qual se elegera na legenda da LEC no pleito de outubro do ano anterior. Foi o primeiro deputado eleito dentro do movimento integralista.

A renúncia ao Parlamento No início de 1937, o deputado Jeovah foi indicado por Plínio Salgado para assumir a chefia dos integralistas em São Paulo. No entanto, no dia 7 de junho desse ano, redigiu uma carta à Câmara dos Deputados, na qual renunciava à AIB e a seu mandato parlamentar. Na carta, declarava que, apesar de nutrir respeito pela AIB e pelos integralistas, acreditava que esta iniciativa jamais seria “um adequado instrumento de luta em prol da justiça social”, pois não comportava uma intensa atividade sindicalista operária. Além disso, discordava do ponto de vista de que a salvação do povo viria de fora, convicto de que viria do próprio povo. Sua atitude teve grande repercussão no Ceará, desencadeando conflitos na seção local da AIB e determinando a intervenção de Gustavo Barroso para apaziguar os ânimos. Com isso, foi acusado de haver-se tornado comunista.

Depois desse episódio, se afastou da política partidária. Retornou às atividades no Exército, no qual reformou-se General. Na época da Segunda Guerra Mundial, manteve um programa semanal na Ceará Rádio Clube em apoio à expedição brasileira na guerra contra a Alemanha. Publicou suas pesquisas acadêmico-militares em sua obra Formação do oficial do Exército (1976).

Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, ainda foi candidato pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) para o cargo de Senador do Ceará nas eleições de 1945, ao lado de Carlos Prestes. Porém, ficou em último lugar na disputa.

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