Oona Margareta Lönnstedt (Suécia, 23 de fevereiro de 1985), é uma bióloga marinha graduada pela universidade James Cook na Austrália. Ela conseguiu publicar em um ano tanto quanto a maioria dos professores fazem em uma década. Ao longo de sua carreira, publicou diversos estudos sobre comportamento e ecologia de peixes, incluindo pesquisas sobre os efeitos dos microplásticosEnvironmentally relevant concentrations of microplastic particles influence larval fish ecology Science 03 de junho de 2016: Vol. 352, Edição 6290, pp. 1213-1216 - DOI: 10.1126/science.aad8828 e e sobre o comportamento social do peixe-leão.
Em 2016, Lönnstedt e Peter Eklöv publicaram um estudo que investigava os efeitos da exposição a microplásticos sobre larvas de peixe. O trabalho relatava alterações no comportamento alimentar e no desenvolvimento dos animais, além de aumento da mortalidade. Segundo os autores, as larvas expostas aos microplásticos apresentavam preferência por essas partículas em relação ao zooplâncton.Larvas de peixe preferem comer microplástico a alimento natural (2016) Entretanto, as amostras foram supostamente coletadas em Gotland, uma ilha no Mar Báltico.Paper about how microplastics harm fish should be retracted, report says por Martin Enserink (2017)Posteriormente, o estudo passou a ser questionado e foi retratado após uma investigação apontar problemas relacionados aos dados apresentados. O caso ganhou repercussão no debate sobre integridade científica e sobre os mecanismos de verificação e reprodução de resultados de pesquisas.Researcher in Swedish fraud case speaks out: ‘I’m very disappointed by my colleague’ publicado na Revista Science por Martin Enserink (2017)
Outro trabalho de Lönnstedt, publicado na revista Biology Letters em 2014, também foi posteriormente questionado. O estudo analisava o comportamento social do peixe-leão.Entre as preocupações levantadas durante as investigações estavam o número de animais supostamente utilizados no experimento e a utilização de imagens que pareciam representar os mesmos espécimes em mais de uma ocasião. Algumas imagens também apareciam invertidas, o que poderia fazer com que um mesmo peixe parecesse representar indivíduos diferentes.
As dúvidas sobre os trabalhos realizados durante sua passagem pela James Cook University levaram a investigações formais. A universidade abriu inquérito sobre o doutorado e pesquisa associada conduzido pela Dra. Lönnstedt entre 2010 e 2013. Uma audiência ocorreu em Townsville em 28-29 de janeiro de 2020. Como resultado, a JCU encontrou uma série de violações do Código de Pesquisa e relatórios inadequados de dados foram identificados em vários artigos pela Dra. Lönnstedt, mas concluiu que não havia fundamentos para caracterizar Lönnstedt como responsável por má conduta de pesquisa nesse processo específico.
Questionamentos sobre a reprodução dos resultados O caso também ganhou destaque em uma investigação publicada pela revista Nature em 8 de janeiro de 2020. A reportagem examinou oito estudos produzidos na James Cook University sobre os efeitos das mudanças climáticas em peixes de recifes de coral. Um dos trabalhos havia sido escrito por Lönnstedt. Tentativas posteriores de reprodução dos experimentos não obtiveram os resultados descritos originalmente nos oito estudos, levando os pesquisadores envolvidos a questionar a validade de suas conclusões.
Os cientistas suecos Josefin Sundin e Fredrik Jutfelt foram os primeiros a comunicar suas suspeitas à Universidade de Uppsala. A investigação informal realizada pelos pesquisadores e as evidências reunidas por eles contribuíram para o início de uma investigação formal.
Entre as questões levantadas sobre o estudo do peixe-leão estavam o número considerado improvável de animais utilizados e inconsistências nas imagens apresentadas como registros dos espécimes. As análises identificaram imagens que pareciam corresponder a alguns dos mesmos peixes e duas imagens que haviam sido invertidas, fazendo com que dois indivíduos parecessem representar quatro animais diferentes.
Após deixar a James Cook University e retornar à Suécia, Lönnstedt também esteve envolvida em outro estudo realizado na Universidade de Uppsala. Uma investigação posterior concluiu que dados haviam sido fabricados nesse trabalho, que acabou sendo retratado.
Em 2019, Lonnstedt abandonou sua carreira nas ciências.
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