Caio Júlio Antíoco Epifanes Filopapo (; ; –), conhecido apenas como Filopapo, foi um príncipe do Reino de Comagena que se tornou um dos mais proeminentes gregos do Império Romano, sendo inclusive nomeado cônsul sufecto para o nundínio de maio a agosto de 109 com Cneu Antônio Fusco.
É conhecido principalmente por causa do Monumento de Filopapo, erigido por sua irmã, Júlia Balbila, em Atenas depois de sua morte e ainda existente.
Família e primeiros anos Filopapo era o primogênito do príncipe grego de Comagena, Caio Júlio Arquelau Antíoco Epifanes com uma greco-egípcia chamada Cláudia Capitolina. Sua irmã mais nova, Júlia Balbila, era uma conhecida poeta e amiga do imperador Adriano e da imperatriz Víbia Sabina. Seus pais eram parentes distantes, pois a avó paterna de Cláudia Capitolina era a princesa grega Aca II de Comagena, que era bisneta do rei Antíoco I Teos de Comagena, e seu pai era o primogênito do rei Antíoco IV de Comagena com a rainha Júlia Jotapa, que eram irmãos e descendentes de Antíoco I Téos.
Os avós maternos de Filopapo eram Tibério Cláudio Balbilo e uma romana de nome desconhecido. Balbilo foi astrólogo e erudito e serviu como prefeito do Egito. Ele e seu pai, o gramático e astrólogo greco-egípcio Trásilo de Mendes (ou Tibério Cláudio Trásilo), eram amigos dos primeiros imperadores romanos, incluindo Tibério, Cláudio e Vespasiano. Seus avós paternos eram os já citados rei Antíoco IV de Comagena e a rainha Júlia Jotapa. Através deles, Filopapo era descendente direto dos reinos gregos Síria selêucida e do Egito ptolemaico.
Filopapo nasceu em Samósata, a capital do Reino de Comagena, na corte de Antíoco IV, e viveu lá até 72. Seu nome de nascimento era Caio Júlio Antíoco Epifanes e o nome pelo qual ele é mais conhecido, Filopapo, lhe foi dado por sua relação próxima com seu Antíoco IV e, possivelmente, também com Tibério Balbilo, seus avôs: "Philopappos" significa "que ama o avô". Em 72, Lúcio Cesênio Peto, o governador romano da Síria, escreveu a Vespasiano acusando Antíoco IV, o pai de Filopapo, Antíoco Epifanes, e o irmão dele, Calínico, de conspirarem contra os romanos com o Império Parta. Sem saber se as acusações eram verdadeiras ou falsas, o imperador decidiu que não era mais seguro deixar Antíoco IV no comando da vital cidade de Samósata, que guardava um ponto estratégico de travessia do Eufrates, e deu ordens para que ele fosse destituído. Peto então invadiu Comagena à frente da Legio VI Ferrata com o apoio dos reis Aristóbulo de Cálcis e Soemo de Emesa.
No dia em que os exércitos romanos supostamente enfrentariam os comagenos, Epifanes e Calínico fugiram para a Pártia com suas famílias e Antíoco seguiu para a Cilícia. É possível que os dois primeiros tenham tentado alguma forma de resistência antes de fugirem. Quando ficou claro que não havia perigo, Vespasiano ordenou que Epifanes, Calínico e Antíoco fossem levados a Roma de forma honrada e os três, juntamente com suas famílias, viveram lá até o final de seus dias. A Comagena foi anexada como parte da província romana da Síria.
Carreira Júlia Balbila, a irmã de Filopapo, nasceu neste mesmo ano, 72, já em Roma. Depois da morte de seus dois avôs, Epifanes e Cláudia Capitolina se mudaram com a família para Atenas, na Grécia romana. Epifanes morreu em 92 e Capitolina e Balbila se mudaram para Alexandria, no Egito romano, onde Capitolina se casou novamente com o político romano Marco Júnio Rufo. Filopapo permaneceu em Atenas e Balbila se juntou a ele depois de passar um tempo com sua mãe.
Por toda sua vida, Filopapo se considerou como tendo o status de um monarca aliado de Roma. Por causa de sua ascendência, Filopapo era membro da elite romana e se tornou amigo do imperador Trajano e de seu herdeiro, Adriano. Como cidadão romano e ateniense, serviu como arconte em Atenas e patrocinou diversos filósofos gregos, através dos quais conheceu Plutarco, que o descreveu como "muito generoso e magnificente em suas recompensas" e "bem-humorado e ansioso por instrução". Além disto, Filopapo serviu como corego duas vezes, como agonóteta uma vez e foi membro do demo dos Besa. Em Roma, Filopapo foi admitido entre os irmãos arvais e participou de suas cerimônias em 105 até 116. Por sua amizade com Trajano, Filopapo foi elevado ao status pretoriano e admitido no Senado (adlectio), um fato raríssimo para alguém que não era de família senatorial. O ápice de sua carreira foi o consulado sufecto em 109.
Não se sabe se Filopapo casou ou se teve filhos.
Quando Filopapo morreu, em 116, Julia Balbila e os cidadãos de Atenas erigiram um túmulo em mármore na colina das Musas, a sudoeste da Acrópole de Atenas, conhecido atualmente como monumento de Filopapo.
Ver também
Bibliografia Fontes primárias
Ateneu, Dipnosofistas VIII.350c Flávio Josefo, Guerra dos Judeus 238-243 Pausânias, Descrição da Grécia I.25.8 Plutarco, Quaestiones Convivales 628a; Quomodo ab adulatore discernatur amicus 48e & 66c IG II² 1759, 3112, 3450, 3451, & 4511; IG V.2.524; Inscriptions du Colosse de Memnon nos. 28-31, & OGIS 408
Fontes secundárias
Ligações externas
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