O Retábulo dos Reis Magos, também designado por Retábulo de Antuérpia, é um retábulo misto de escultura e pintura, em tríptico, sendo a peça central uma cena escultórica em madeira e os dois painéis laterais duas pinturas a óleo sobre madeira pintadas de ambos os lados presumivelmente na década de 1520 em Oficina de Antuérpia de que se desconhece a identidade e que se destinou a decorar a Capela dos Reis Magos, na localidade de Estreito da Calheta, onde ainda se encontra.
O Retábulo dos Reis Magos é uma notável peça do património madeirense que ainda se encontra no local para onde foi encomendada pela família dos instituidores, uma modesta capela que nos evoca o tipo de construções religiosas do início da economia açucareira, sendo uma das poucas peças de arte de origem flamenga que não se encontram no Museu de Arte Sacra do Funchal. thumb|right|S. Antão Abade e Doador (c. 1520-30), anverso do painel esquerdo do Retábulo dos Reis Magos, de Oficina de Antuérpia Descrição O Retábulo dos Reis Magos quando está aberto apresenta no centro um conjunto escultórico em madeira, em baixo relevo, dourado e policromado, com a cena da Adoração dos Reis Magos composta em pirâmide.
A ladear esta peça central estão dois volantes em que estão representados o casal de doadores, vendo-se no lado esquerdo Francisco Homem de Gouveia sob a proteção de S. Antão Abade, e no lado direito, D. Isabel Afonso sob a proteção de S. Francisco de Assis.
Os volantes quando fechados apresentam uma Anunciação, dado que no verso de um deles está representada a Virgem Maria e no outro o Arcanjo S. Gabriel. O conjunto é rematado na base por uma predela recortada, com a cena central representando uma Verónica sustentando o véu, tendo à esquerda a cena da Lamentação e à direita Santo António e São Bartolomeu Apóstolo.
Ignace Vandevivere, professor da Universidade de Louvain-la-Neuve, e a conservadora-restauradora madeirense Ana Paula Abrantes, publicaram um estudo, em 1971, sobre este Retábulo misto de uma oficina de Antuérpia, Retábulo que ainda hoje se encontra no altar-mor da pequena Capela dos Reis Magos para decoração da qual foi adquirido.Fernando António Baptista Pereira, Arte flamenga, atualizado a 05.09.2016, na página web Aprender Madeira, thumb|right|S. Francisco de Assis e Doadora (c. 1520-30), anverso do painel direito do Retábulo dos Reis Magos, de Oficina de Antuérpia Capela dos Reis Magos A capela dos Reis Magos foi instituída por Francisco Homem de Gouveia e sua mulher, D. Isabel Afonso, em 1529, conforme testamento. A capela foi imposta nos bens da terça do casal e edificada junto da sua casa de morada, com obrigação de três missas rezadas cada semana, e anualmente uma missa cantada no dia de reis e três alqueires de pão cozido oferecido aos pobres. A administração desta capela passou para os filhos dos fundadores, Gaspar Homem e Francisco Homem, o “moço”, e desde inícios de seiscentos esteve nas mãos dos governadores do Porto Santo.
É um templo de cunho popular, cuja construção arquitetónica é semelhante a muitas outras ermidas edificadas no arquipélago da Madeira ao longo do primeiro século do povoamento. No seu interior destaca-se o tecto original, com uma estrutura simples de modelo hispano mourisco de alvenaria de alfarge, e o retábulo primitivo, “Tríptico dos Reis Magos”, obra quinhentista de oficina da Antuérpia, e modelo raro por apresentar uma composição mista, escultura e pintura, hoje integrado num altar já do século XVIII.
A Capela do Reis Magos está classificada como imóvel de interesse público (1940).Luís Rocha, "Projecto ‘Capelas ao Luar’ no Estreito da Calheta", 21 Abril 2016, Blog no World Press,
Galeria Imagens dos reversos dos dois painéis laterais do Retábulo dos Reis Magos, que em conjunto representam a Anunciação, e da Predela:
Referências
Categoria:Pinturas da década de 1520 Categoria:Pinturas do flamengo primitivo Categoria:Pinturas do século XVI Categoria:Pintura do Renascimento Categoria:Pinturas religiosas Categoria:Séries de pinturas Categoria:Calheta (Madeira) Categoria:Retábulos