O caracaxá é uma entidade do folclore do litoral sul do Estado de Santa Catarina. Descrito como uma bola de fogo ou pássaro capaz de criar fogo com o bater de suas asas, o caracaxá aparece frequentemente em relatos de moradores do Balneário de Ilhas, localizado no município de Araranguá.

Guarda muitas semelhanças com o boitatá, ser mítico que alguns autores associam ao fenômeno do fogo fátuo.

Relatos Considerando que o Balneário de Ilhas está localizado na foz do rio Araranguá, sua população é predominantemente composta por pescadores e suas famílias. Consequentemente, grande parte dos relatos de aparição do caracaxá ocorrem durante a atividade pesqueira ou próximo do ambiente marítimo e/ou ribeirinho. Em “Do Pino do Meio-Dia à Meia-Noite Velha” (2007), Micheline Rocha compilou diversas histórias do folclore desse distrito araranguaense, o que inclui também o caracaxá.

Para alguns dos entrevistados, era uma luz que acendia em cima do Morro dos Conventos, transitando à noite entre essa localidade e Ilhas. Gerando um clarão capaz de iluminar a noite, sua aproximação muitas vezes causava medo e fascínio nas pessoas. Às vezes se aproximava das canoas dos pescadores que, se suficientemente assustados, poderiam até cair de suas embarcações.

Outras histórias e relatos de moradores localizam a aparição do Caracaxá sobre uma furna no Morro dos Conventos. Nesse mesmo local há registro de um sítio arqueológico chamado “Abrigo Sob-rocha”, cuja presença de remanescentes ósseos humanos ameríndios - possivelmente pertencente a antepassados dos atuais Guaranis - foi observada tanto por pesquisadores quanto por moradores ao longo das décadas passadas. Esse sítio foi bastante descaracterizado pelo uso inadequado do local, o que implicou na destruição ou desaparecimento de muitos desses vestígios arqueológicos.

Uma outra característica do caracaxá seria sua aparição quando desafiado ou incomodado pelas pessoas. Esse aspecto do caracaxá aparece especialmente nas histórias em que é descrito como um pássaro que gerava fogo ao bater asas. Em sua pesquisa sobre o imaginário araranguaense da primeira metade do século XX, Jonatã Clemes produziu a seguinte entrevista junto do pescador Ernesto José Julio:“O meu sogro é que contava pra mim. Do tempo dele, tinha o tal de Caracaxá. Ele dizia que era tipo um passarinho. Que voa batendo tudo, soltando faisquinha. Ele dizia, que tinha dois (pescadores) pescando no Morro dos Conventos. [...] Depois foram tomar café, (fizeram) fogo bem acesso. E aí, dizem que apareceu um bicho daquele. Quando apareceu, os dois inticaram: “ei, vem aqui perante o fogo vem!”. Daqui a pouco, ele veio soltando (faísca) lá em cima deles, assim, naquela altura ali, [...] depois ele veio e deu um estouro lá em cima paaaauuuu! Incendiou fogo por tudo! Eles aqui, ó (fugiram). Ele voou de novo, e o Caracaxá saiu. [...] Tinham (medo)! Era uma coisa que ninguém sabia o que era, né “

Cultura Popular O caracaxá foi retratado em uma peça de teatro chamada “Viva Caracaxá” no ano de 1993. Descrito como uma aparição fantasmagórica dos pescadores de Ilhas, sua aparição causava a fuga de intrusos. Escrito e dirigido pelo escritor e teatrólogo Alexandre Rocha, o espetáculo foi originalmente encenado no Cine Roxy em Araranguá, sendo reapresentado diversas vezes nos meses subsequentes.

Ver também

Boitatá Raio globular

Categoria:Folclore de Santa Catarina