Marco de Canaveses é uma cidade portuguesa localizada na sub-região do Tâmega e Sousa, pertencendo à região do Norte e ao Distrito do Porto.

É sede do Município de Marco de Canaveses que tem uma área total de 201,89 km2,Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 (ficheiro Excel zipado) 49 546 habitantes em 2021 e uma densidade populacional de 265 habitantes por km2, subdividido em 17 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Amarante, a leste por Baião, a sul por Cinfães, a sudoeste por Castelo de Paiva e a oeste por Penafiel.

Nascida num relevo instável a cidade tem a seus pés e como porta principal o Rio Tâmega, tendo sido servida pela autoestrada A4 e tem uma estabelecida ligação ferroviária à Linha do Douro através das estações de Marco de Canaveses, Livração e Juncal. Marco de Canaveses é o término de uma das linhas dos comboios suburbanos do Porto, operados pela ferroviária estatal, Comboios de Portugal.

O Marco de Canaveses é berço de figuras ilustres, que projetaram além-fronteiras o nome desta terra, destacando-se no panorama artístico a figura de Carmen Miranda, no ramo empresarial Belmiro de Azevedo, no mundo da ciência, o historiador Aníbal Barreira e o farmacêutico Ângelo da Cunha Pinto e no campo religioso o atual bispo titular de Lamego D. António Couto natural da freguesia de Vila Boa do Bispo.

Topónimo O topónimo "Marco de Canaveses" é composto por dois elementos. Para o primeiro, "Marco", são apresentadas duas principais possibilidades: um marco fronteiriço que separava as antigas freguesias de Fornos, S. Nicolau e Tuías ou um marco/poial que facilitava o apear do cavaleiro no seu cavalo e que se localizaria muito perto da atual Praça Movimento da Forças Armadas, freguesia do Marco. O segundo elemento, "Canaveses", plural de canavês, designa os campos de cânhamo, outrora abundantes nesta região, nomeadamente nas encostas do rio Tâmega.

Uma explicação alternativa tem por base uma lenda na qual a rainha D. Mafalfa, enquanto observava a reconstrução da ponte sobre o rio Tâmega (a metros da ponte atual que liga as freguesias do Marco e de Sobretâmega) terá tido sede e pediu água a um pedreiro que lhe terá dado uma cana para que a rainha bebesse diretamente do rio. Com isso, D. Mafalda ter-lhe-á dito "Guardai-a porque a cana é boa às vezes".

História

Da antiguidade até meados do século XIX O povoamento do território a que corresponde o atual município de Marco de Canaveses remonta a épocas bastante remotas, tendo sido encontrados importantes vestígios do período neolítico, nomeadamente alguns monumentos funerários.

Mais tarde, no que é a atual freguesia do Marco (mais particularmente, na freguesia do Freixo, antes da reorganização administrativa de 2013), havia instalada uma importante cidade romana com o nome de Tongóbriga (). Tongóbriga terá tido o seu apogeu no século I e início de século II e era um lugar por onde passavam várias vias de comunicação, nomeadamente uma estrada romana que ligava Braga a Mérida. A importância histórica do lugar apenas foi descoberta em 1980, quando aquele terreno era utilizado como terreno agrícola, tendo sido começadas imediatamente as escavações. Atualmente e após as escavações, é possível ver áreas habitacionais, necrópoles, um fórum, um teatro e o edifício das termas, estando ainda soterrada sob a atual vila do Freixo, no entanto, grande parte do que terá sido a antiga cidade romana. A Estação Arqueológica do Freixo e as respetivas ruínas estão abertas para visitas do público, assim como o museu, onde estão expostos vários artefactos recolhidos nos trabalhos de escavações. No lugar, também se encontra a funcionar a Escola Profissional de Arqueologia.

Nas margens do Rio Tâmega terá existido uma ponte romana, muito perto da ponte atual que faz ligação entre as freguesias de Sobretâmega e do Marco. Perto dessa ponte existiam águas termais (que, mais tarde, deram origem às Caldas de Canaveses) que eram aproveitadas pelos romanos e onde foram encontrados vários vestígios da sua presença. Mais tarde, no século XII, D. Mafalda, a primeira rainha de Portugal, mandou reconstruir a velha ponte romana, tendo sido terminada no reinado de D. Dinis. Perto dela, na atual Rua de S. Nicolau, construiu o seu Paço Real onde viveu enquanto dirigia a construção da ponte, de uma albergaria, duma capela e dum hospital de leprosos. O primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, também ter-se-á prolongando em Canaveses durante visitas à sua esposa. O Paço Real, a albergaria e a capela ainda hoje existem, contudo, sofreram várias alterações ao longo dos anos. O hospital de leprosos desapareceu durante a construção da estada nacional e a ponte foi desmontada para a construção de uma nova em 1944, mais adequada para o trânsito automóvel. Essa última ficou em parte submersa, em 1988, após a construção da Barragem do Torrão e foi consequentemente destruída, sendo edificada a ponte atual a montante dessas antigas. Esse local, em território de ambas margens do rio, recebia o nome de Canaveses e foi elevada à condição de beetria (designação de localidade que gozava do direito de eleger todos os seus magistrados) por testamento de D. Mafalda. Mais tarde, a Beata Mafalda de Portugal, D. Sancho I e, portanto, neta de D. Mafalda também viveu algum tempo no Paço Real edificado pela sua avó em S. Nicolau. Essa vila de Canaveses foi um dos grandes elementos impulsionadores para a importância que, várias centenas de anos mais tarde, a cidade de Marco de Canaveses ainda ocupa. Portanto, a história de Marco de Canaveses está intimamente ligada com a história da pequena vila de Canaveses.

Desse período, chegam até aos dias de hoje vários exemplos de arquitetura românica. São exemplo dessa arquitetura no concelho: a Igreja de São Martinho de Soalhães, a ponte do Arco (na Folhada, sobre o rio Ovelha), o Mosteiro de Santa Maria de Vila Boa do Bispo, a Igreja de Santa Maria de Sobretâmega, a Igreja de São Nicolau de Canaveses, a Igreja do Salvador de Tabuado, entre outras edificações que ainda hoje podem ser visitadas.

Por terras de Canaveses, durante o século XIV, também terão passeado os dois apaixonados amantes D. Pedro e D. Inês de Castro, antes desta ser assassinada a mando do pai do então infante D.Pedro, o rei D. Afonso IV. Foi, também, em Canaveses, mais precisamente na Rua Direita de Sobretâmega que D.Pedro acampou com o seu exército durante a luta contra seu pai. A paz entre ambos acabou por ser assinada com mediação de D. Gonçalo Pereira, arcebispo de Braga, que ia e vinha do Porto a Guimarães e a Canaveses, onde se encontrava D. Pedro.

Nos séculos que se seguem, o território que atualmente corresponde ao concelho de Marco de Canaveses foi habitação de várias famílias da nobreza que nos deixaram vários solares e casas senhoriais. A Casa dos Arcos (construída no século XVII), a Igreja do Mosteiro de Alpendurada (construída no século XVIII) e as inacabadas Obras do Fidalgo (estilo barroco, com construção entre 1740 e 1760) são exemplos de monumentos em Marco de Canaveses.

Em 1809, com o começo da segunda invasão francesa, liderada pelo Marechal Soult, correram notícias de que as tropas francesas estavam perto de Canaveses e, portanto, por temer a violência que já era associada aos invasores, decidiu-se cortar a ponte de Canaveses (a que havia sido edificada por D. Mafalda) e demolir parte dela, impedindo a passagem dos franceses pelo rio. De facto, esta decisão tornou-se eficaz, tendo impedido com sucesso a entrada das tropas invasoras em Canaveses. Contudo, a passagem para a outra margem foi feita mais tarde por Amarante, permitindo que Soult atravessasse o rio, mas por pouco tempo. Da defesa da ponte de Canaveses contra os invasores, fica este relato de um soldado francês:

"O General Caulaincourt, que nos comandava, pretendeu apoderar-se de Canaveses a fim de não deixar inimigos entre si e o Porto. Formou um destacamento de 500 cavalos e marchámos para Canaveses; não encontrámos ninguém até à nossa chegada a uma altura que domina a povoação: aí avistámos a alguma distância bandos de 15 a 20 paisanos que aparentavam não esperar senão o sinal para nos atacarem. Vestidos de negro ou de cor sombria, entre rochedos acinzentados, tinham o ar de fantasmas devotados à nossa perseguição e que nos vinham acusar da infelicidade do seu país: seguiam de longe os nossos movimentos e paravam quando nós fazíamos alto (…) Após duas horas de um combate muito vivo (sic) no qual tivemos 80 homens feridos todos pela frente, o destacamento regressou às alturas onde lutámos com os habitantes que nos tinham atacado de todos os lados, desde que a luta se tinha desencadeado sobre a ponte. (…) Operámos uma retirada sobre Penafiel, conduzindo os feridos. Fomos perseguidos até aos nossos bivaques por uma multidão de paisanos que pareciam sair da terra ou tombar das nuvens, desde que nos afastássemos um pouco".

Da formação do atual concelho à atualidade

É importante lembrar que, por essa altura, Marco de Canaveses ainda não existia como concelho. Ao longo da história, o atual território esteve dividido em cinco concelhos — Benviver, Soalhães, Canaveses, Riba Tâmega e Portocarreiro — , seis coutos — Alpendurada, Tabuado, Entre os Rios, Tuías, Vila Boa do Bispo e Vila Boa de Quires — e uma beetria — Canaveses.

Em 1836, a Vila de Canaveses e o concelho de Tuías unem-se ao concelho de Soalhães, formando o concelho do Marco de Soalhães, administrado por Adriano José de Carvalho e Melo (que também foi comissário da Polícia no Porto e Governador Civil do Distrito de Bragança). Em 1852, com a união dos concelhos de Benviver e Marco de Soalhães, dá-se a fundação do atual concelho de Marco de Canaveses. Em 1853, Marco de Canaveses absorve uma parcela do concelho de Portocarreiro — Vila Boa de Quires, Maureles e uma parte de São Pedro de Canaveses.

E, por último, em 1855 a superfície total e atual do concelho de Marco de Canaveses ficou completa com a entrada das freguesias de Constance, Banho, Carvalhosa, Santo Isidoro e Toutosa (que antes pertenciam ao ex-concelho de Santa Cruz de Riba Tâmega).

Em 7 de janeiro de 1852, ano da fundação do concelho, Zé do Telhado, um famoso salteador português, muitas vezes descrito como o “Robin Hood português", e a sua quadrilha juntam-se próximo à Capela de Fandinhães (ainda hoje no mesmo local) para planear um assalto que se realizaria no dia seguinte. No dia 8, uma quadrilha de trinta homens, liderados por Zé do Telhado, assaltaram o solar do Carrapatelo e mataram a tiro o criado que se opôs à entrada da quadrilha. Este evento criou uma grande insegurança na população. Nesse momento, Adriano José de Carvalho e Mello, deputado e administrador do concelho de Soalhães, jurou que prenderia Zé do Telhado. No entanto, a lei não permitia à justiça de uma comarca entrar noutra, sem autorização do seu administrador. Esse entrave burocrático dificultaria a ação de Adriano de José de Carvalho e Mello e portanto, este solicita, envolvendo notáveis figuras do movimento da Regeneração, que seja criado um concelho que reúna em si os vários concelhos e comarcas vizinhos.

Em 31 de março de 1852, D. Maria II satisfaz a vontade de Adriano José de Carvalho e Mello, criando o concelho de Marco de Canaveses que anexa os concelhos de Benviver, Canaveses, Soalhães, Portocarreiro, parte dos de Gouveia e Santa Cruz de Riba Tâmega. E portanto, Adriano José de Carvalho e Mello fica para a história como o fundador do concelho de Marco de Canaveses, e dele é possível hoje ver um busto no Jardim Municipal.