O Campeonato Brasileiro de Futebol de 1971, originalmente denominado Campeonato Nacional de Clubes pela CBD, foi a 16.ª edição do Campeonato Brasileiro. Este torneio era considerado pela CBF como a primeira edição do Brasileirão entre 1976 e 2010, quando a entidade aprovou unificação reconhecendo a Taça Brasil (1959 a 1968) e o 'Robertão' (1967 a 1970) como títulos brasileiros. O certame foi vencido pelo Atlético Mineiro, que conquistou o seu segundo título de campeão brasileiro.

Em 2021, a CBF lançou a marca "Brasileirão Assaí 50 anos", que "marca o tempo de existência do Campeonato Brasileiro com este nome (chamado de Campeonato Nacional de Clubes pela antiga CBD), ou seja, desde 1971". Ressaltou, porém, que os títulos anteriores a essa data também são reconhecidos como "campeonatos brasileiros". Em 2023, a CBF oficializou o Torneio dos Campeões de 1937 como primeira edição do Campeonato Brasileiro, em uma unificação semelhante a de 2010. Com a decisão, o Atlético-MG voltou a ter o posto de "primeiro campeão brasileiro" e, como consequência colateral, o I Campeonato Nacional de Clubes deixou de ser a 15ª edição, passando a ser a 16ª.

A fórmula de disputa da edição do Campeonato Brasileiro de 1971 foi semelhante à da Taça de Prata do ano anterior. A maior diferença foi que o regulamento inicial previa uma fase classificatória mais curta, com jogos apenas dentro de cada grupo e com duas vagas reservadas para os clubes com a melhor média de renda. Porém, devido as muitas denúncias de compra de ingressos pelos clubes e uma revolta dos jogadores do Flamengo, que deveriam perder o jogo contra o Santos para poderem se classificar, fizeram com que a CBD recuasse e modificasse o regulamento, estendendo a fase inicial e eliminando a classificação por renda.

O número de participantes também foi semelhante, as únicas alterações se deram no representante paranaense, que voltou a ser o , campeão de seu estado, e no quinto clube paulista, que deixou de ser a para dar novamente lugar à , além de ser acrescentado mais uma equipe de Minas Gerais (América Mineiro) e outra de Pernambuco (Sport) e a inclusão de mais um estado, o Ceará, que foi representado pelo Ceará Sporting Club. Assim, o campeonato passou a ter vinte clubes, ao invés de dezessete, não sofrendo nenhuma mudança drástica em relação a edição anterior. A média de público também manteve-se semelhante, na casa dos vinte mil pagantes.

A divisão mais alta era denominada "Divisão Extra", com "Primeira Divisão" sendo usado para o torneio de acesso (desde então conhecido por Campeonato Brasileiro Série B).Túnel do Tempo Tal campeonato foi vencido pelo Villa Nova (MG). Porém, não existia rebaixamento, mas houve promoção — foi o vice-campeão Remo, e não o campeão Villa Nova, que ficou com a vaga para disputar o Nacional de 1972.

História O Brasil já contava com a realização de campeonatos nacionais desde 1959. Quando a Taça Brasil começou a ser disputada, entretanto, devido a questões econômicas, de transporte e de calendário, esta competição contemplava, geralmente, apenas as equipes campeãs estaduais, além de seu campeão do ano anterior. Em 1967, como o Brasil já se encontrava um pouco mais estruturado, tendo meios de transporte melhores, foi possível ousar em um campeonato mais integrado, surgindo assim, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata, que tornou-se na primeira competição nacional a englobar os principais clubes brasileiros.

Porém, devido a grande popularidade do futebol no Brasil, o governo militar enxergou uma excelente oportunidade para promover o ufanismo e a imagem de integração nacional, passando a intervir regularmente no esporte. Colocando, na prática, o futebol no ambicioso Plano de Integração Nacional (PIN). Com a elite política (desde governadores a vereadores, passando por prefeitos e deputados interessados em ver suas cidades representadas no certame nacional) convencida dos benefícios e dos dividendos eleitorais da instrumentalização da maior paixão nacional, o futebol. No entanto, não somente os políticos tinham interesse no campeonato nacional, pois diversos outros agentes sociais perceberam que poderiam se beneficiar da competição. Como a revista Placar, que desde sua criação adotou uma postura crítica em relação à administração do futebol nacional e considerava o modelo administrativo usado pelos dirigentes ultrapassado, defendia a organização de um campeonato que reunisse as principais agremiações do Brasil e que fosse totalmente integrado. Em consequência natural destas reivindicações, apareceria as propostas de criação de um Campeonato Nacional de clubes. Os primeiros argumentos utilizados seriam aqueles ligados à ampliação do mercado dos clubes dentro do País e a maior facilidade para a elaboração de um calendário racional. Uma visão evolucionista dá o tom das argumentações, como se um campeonato de proporções nacionais fosse um estágio obrigatório para o desenvolvimento do futebol brasileiro, mesmo sabendo-se que isso poderia acarretar na falência das pequenas agremiações. Com uma chamada de capa que dizia: "Senhores Dirigentes, Eis o Campeonato Nacional", os jornalistas da revista apresentam a alguns dirigentes, exceto aqueles ligados à Confederação Brasileira de Desportos que não aceitaram dialogar com a reportagem, um calendário ideal, com férias, espaço para as excursões ao exterior e uma tabela racional, aonde os clubes fariam deslocamentos de uma maneira a reduzir os custos com passagens aéreas, deixando a competição viável economicamente. Até mesmo como seria a participação da televisão no orçamento dos clubes era ponto de debate pela Placar.

No decorrer desse processo político, surge em 1971, um novo torneio, o Campeonato Nacional de Clubes, que viera com a proposta de englobar times de todas as regiões do País. Este novo certame ficaria conhecido, a partir de 1976, como sendo a primeira edição do Campeonato Brasileiro, excluindo a versão anterior, apesar de disputado sob formato similar ao do "Robertão" — em seus boletins oficiais entre 1971 e 1975, a CBD colocava as edições do Robertão em igualdade de condições com as edições do Campeonato Nacional de Clubes, apenas mantendo os nomes próprios, excluindo esta informação a partir do boletim de 1976. Entretanto, a primeira edição do campeonato pareceu muito mais com o velho Robertão do que com uma competição que realmente integrasse totalmente os clubes de futebol do País — isso aconteceu porque a edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata de 1970 foi utilizada como base para a criação da nova competição. O Ceará, o Sport e o América Mineiro foram os únicos clubes acrescentados, sendo que só os cearenses representavam um Estado diferente; ou seja, o campeonato passou a ter vinte clubes, em vez de dezessete, não sofrendo nenhuma mudança drástica em relação à edição anterior da Taça de Prata. Além disso, a fórmula seguia parecida com a da competição anterior, com a criação de uma segunda divisão. No entanto, não existia rebaixamento, mas havia promoção — foi o vice-campeão Remo, e não o campeão Villa Nova, que ficou com a vaga para disputar o Campeonato Nacional de 1972. Devido a estas características do certame, a revista Placar, que lutara durante todo o ano de 1970 pela criação do Campeonato Nacional de Clubes, acabou adotando uma postura cautelosa após a criação da nova competição. Sob o título "Até que enfim um Campeonato Nacional — mas tem que melhorar", a revista criticava a hegemonia dos fatores políticos em detrimento dos aspectos futebolísticos. Para a revista, o Nacional "não passava de um Robertão um pouco diferente", o que não contribuía para alterar a estrutura arcaica do futebol brasileiro. A Placar reclama da falta de um sistema verdadeiro de acesso e descenso, dos critérios de seleção dos clubes participantes que era atrelado aos campeonatos estaduais, não ficando claro quais eram os parâmetros usados para o número de vagas de cada Estado, deixando muitas federações de fora da competição (como Rio de Janeiro, Goiás, Santa Catarina e Amazonas). Estas federações ignoradas, lideradas por Goiás, organizaram um campeonato paralelo, o Torneio de Integração Nacional.

Fórmula de disputa Primeira Fase: Os vinte participantes foram divididos em duas chaves de dez clubes cada, mas jogaram todos contra todos em turno único, primeiro contra os times da sua chave e depois contra os da outra chave. Os seis primeiros colocados de cada chave se classificavam para a segunda fase.

Segunda fase: Os doze clubes classificados foram divididos em três grupos com quatro clubes cada, jogando em dois turnos, classificando-se o primeiro lugar de cada grupo.

Fase final: Triangular decisivo, um turno apenas.

Participantes Equipe Cidade Estado Título(s) Rio de Janeiro GB 0 (não possui) Belo Horizonte MG 0 (não possui) Belo Horizonte MG 1 (1937) Salvador BA 1 (1959) Rio de Janeiro GB 1 (1968) Fortaleza CE 0 (não possui) São Paulo SP 0 (não possui) Curitiba PR 0 (não possui) Belo Horizonte MG 1 (1966) Rio de Janeiro GB 0 (não possui) Rio de Janeiro GB 1 (1970) Porto Alegre RS 0 (não possui) Porto Alegre RS 0 (não possui) São Paulo SP 4 (1960, 1967, 1967, 1969) São Paulo SP 0 (não possui) Recife PE 0 (não possui) Santos SP 6 (1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1968) São Paulo SP 0 (não possui) Recife PE 0 (não possui) Rio de Janeiro GB 0 (não possui) Notas RGP. Em 1967 e 1968, foram realizados dois Campeonatos Brasileiros. Esta colocação refere-se ao torneio denominado na época de Torneio Roberto Gomes Pedrosa. TB. Em 1967 e 1968, foram realizados dois Campeonatos Brasileiros. Esta colocação refere-se ao torneio denominado na época de Taça Brasil.

Primeira fase

Primeiro Turno

Rodada 1 07/08 - Santa Cruz 1 x 4 Corinthians - Ilha do Retiro/PE 07/08 - São Paulo 0 x 3 Grêmio - Morumbi/SP 08/08 - Coritiba 0 x 2 Cruzeiro - Couto Pereira/PR 08/08 - Ceará 0 x 0 Vasco - Presidente Vargas/CE 08/08 - Palmeiras 1 x 0 Portuguesa - Pacaembu/SP 08/08 - Internacional 0 x 0 Fluminense - Beira-Rio/RS 08/08 - Sport 1 x 0 Flamengo - Ilha do Retiro/PE 08/08 - Bahia 0 x 0 Santos - Fonte Nova/BA 08/08 - Atlético Mineiro 1 x 1 América Mineiro - Mineirão/MG 08/08 - Botafogo 0 x 0 América - Maracanã/RJ

Rodada 2 11/08 - Cruzeiro 2 x 1 Portuguesa - Mineirão/MG 11/08 - Ceará 0 x 1 Corinthians - Presidente Vargas/CE 11/08 - Bahia 1 x 1 Flamengo - Fonte Nova/BA 11/08 - América 0 x 2 Grêmio - Maracanã/RJ 11/08 - Sport 0 x 2 Santos - Ilha do Retiro/PE 12/08 - Santa Cruz 1 x 0 Vasco - Ilha do Retiro/PE

Rodada 3 14/08 - Santos 3 x 1 São Paulo - Morumbi/SP 14/08 - Botafogo 1 x 1 Flamengo - Maracanã/RJ 14/08 - América Mineiro 1 x 1 América - Mineirão/MG 15/08 - Grêmio 1 x 1 Atlético Mineiro - Olímpico/RS 15/08 - Bahia 3 x 0 Sport - Fonte Nova/BA 15/08 - Coritiba 2 x 1 Portuguesa - Couto Pereira/PR 15/08 - Corinthians 0 x 0 Palmeiras - Morumbi/SP 15/08 - Fluminense 0 x 1 Vasco - Maracanã/RJ 15/08 - Ceará 0 x 0 Santa Cruz - Presidente Vargas/CE 15/08 - Cruzeiro 2 x 0 Internacional - Mineirão/CE

Rodada 4

18/08 - Fluminense 2 x 1 Coritiba - Maracanã/RJ 18/08 - Bahia 0 x 1 São Paulo - Fonte Nova/BA 18/08 - Santos 0 x 0 Botafogo - Pacaembu/SP 18/08 - América Mineiro 0 x 0 Grêmio - Mineirão/MG

Rodada 5

21/08 - Flamengo 0 x 1 Atlético Mineiro - Maracanã/RJ 21/08 - Corinthians 0 x 0 Cruzeiro - Pacaembu/SP 21/08 - Internacional 2 x 1 Palmeiras - Beira-Rio/RS 22/08 - Coritiba 1 x 0 Santa Cruz - Couto Pereira/PR 22/08 - Ceará 1 x 0 Fluminense - Presidente Vargas/CE 22/08 - Vasco 0 x 3 Portuguesa - Maracanã/RJ 22/08 - Sport 0 x 0 São Paulo - Ilha do Retiro/PE 22/08 - Santos 0 x 0 América - Parque Antártica/SP 22/08 - Grêmio 1 x 1 Botafogo - Olímpico/RS

Rodada 6

25/08 - Sport 2 x 2 Fluminense - Ilha do Retiro/PE 25/08 - Coritiba 0 x 1 Internacional - Couto Pereira/PR 25/08 - Palmeiras 1 x 1 Cruzeiro - Pacaembu/SP 25/08 - Botafogo 2 x 1 América Mineiro - Maracanã/RJ 25/08 - Grêmio 2 x 0 Sport - Olímpico/RS