O Grupo Wagner (em russo Группа Вагнера, transliterado Grupa Vagnera) ou também PMC Wagner (, transliterado ChVK «Vagner») e atualmente como Africa Corps () na África, é uma organização paramilitar de origem russa. É descrito como sendo uma empresa militar privada, uma rede semioficial de mercenários e/ou um exército privado com fortes ligações ao governo russo que atua em várias regiões pelo mundo, principalmente no leste da Ucrânia (Donbass), na Síria e na África. Outros descrevem o Grupo Wagner como sendo um grupo de fachada do Departamento Central de Inteligência (GRU) das Forças Armadas Russas, que é utilizado como braço de apoio em conflitos onde a Rússia está engajada, onde pode ser necessária a negação plausível, e como forma de acobertar o número de baixas e custos financeiros da população russa. O grupo recebe equipamento e usa instalações das Forças Armadas Russas.

O Grupo Wagner era operado e financiado por Yevgeny Prigozhin, um oligarca russo e confidente pessoal de Vladimir Putin. O grupo é acusado de cometer crimes de guerra onde são inseridos, incluindo saques, estupros e massacres de civis, e de tortura e execução sumária de prisioneiros de guerra e supostos desertores. Além de frequentemente recrutar neonazistas em suas fileiras.

O Grupo Wagner recruta principalmente veteranos e ex-membros das Forças Armadas da Rússia, mas também já recrutou estrangeiros, como Sérvios, Ucranianos (principalmente Russófonos do Donbas), e Árabes Sírios e Líbios. Antes da Invasão Russa da Ucrânia em 2022 o grupo tinha um efetivo cerca de tropas. Devido a falta de pessoal e altas baixas durante a invasão, Wagner começou a recrutar presidiários em suas fileiras. De acordo com o oficial do Pentágono John Kirby, o Grupo Wagner operava mercenários na Ucrânia, sendo contratados e ex-prisioneiros em dezembro de 2022. Ganhou notoriedade pelo papel de protagonismo em ofensivas e conquistas no leste ucraniano.

Em 23 de junho de 2023, após meses de conflitos internos com o Ministério da Defesa da Federação Russa, o Grupo Wagner organizou um motim contra o alto comando das Forças Armadas, acusando as tropas russas de atacar seus homens. Durante a noite de 23 para 24 de junho, o Grupo Wagner capturou a cidade da Rostóvia do Dom, onde fica o Quartel-General do Distrito Militar Sul e partiu com um comboio para Moscou. O comboio chegou a ficar a cerca de 200 quilômetros de Moscou, mas interrompeu o avanço após Prighozhin anunciar um acordo com o governo.

Em 23 de agosto de 2023, os líderes do Grupo Wagner Prigozhin e Dmitry Utkin, morreram em um acidente de avião na Rússia. Alega-se que o avião foi deliberatamente abatido pelos militares russos.

História Fundação thumb|esquerda|200px|Sede do grupo em São Petersburgo A organização teria sido fundada por volta de 2014, na Rússia. Seu primeiro e mais influente líder foi o ex-oficial do exército russo Dmitriy "Wagner" Valeryevich Utkin.

Utkin é um veterano da Primeira e Segunda Guerras na Chechênia. Até 2008 ou 2013, Utkin fez parte da Spetsnaz (forças especiais) do GRU onde chegou à patente de tenente-coronel e teria sido condecorado com a "Ordem da Bravura". Em 2013 foi recrutado para o "Corpo Eslavo", uma empresa militar privada russa registrada em Hong Kong que recrutava veteranos russos para atuar na Guerra Civil Síria em prol do governo sírio. Utkin também é acusado de ser um neonazista, possuindo tatuagens neonazistas em seu corpo, e ele é caracterizado por ter grande admiração pelo Terceiro Reich. Seu codinome "Wagner" (que dá o nome à companhia) provém de Richard Wagner, compositor favorito de Adolf Hitler, que foi transformado em símbolo pela Alemanha Nazista. Ele também é membro da "Fé Nativa Eslávica", um movimento neopagão com grande aderência por nacionalistas russos. esquerda|miniaturadaimagem|Prigozhin (esquerda) e Utkin (direita) No entanto, acredita-se que Utkin seria apenas o comandante militar ou testa-de-ferro; o verdadeiro dono e financiador seria o oligarca russo Yevgeny Prigozhin, amigo próximo de Vladimir Putin.

Prigozhin negou qualquer comunicação com Wagner, até setembro de 2022, quando admitiu ter criado o grupo em um post na rede social russa VKontakte. Prigozhin afirmou: "Eu mesmo limpei as armas antigas, separei os coletes à prova de balas e encontrei especialistas que poderiam me ajudar com isso. A partir desse momento, em 1º de maio de 2014, nasceu um grupo de patriotas, que mais tarde passou a ser chamado O Batalhão Wagner". Anteriormente, Prigozhin havia processado Bellingcat, Meduza e o Echo of Moscow por relatarem suas ligações com o grupo mercenário.

Utkin lutou na Guerra Civil Síria em 2013 como parte do Corpo Eslavo, uma empresa militar privada que recrutava veteranos de guerra russos para lutar a favor do governo de Bashar al-Assad. Em 2014, ao retornar da Síria após operações desastrosas com o Corpo Eslavo, Utkin foi recrutado por Prighozin, juntamente com ex-combatentes do Corpo Eslavo e das Forças Armadas Russas, para formar e liderar um pequeno exército privado para fornecer soldados com negação plausível que não fossem conectados diretamente ao governo russo para a operação da Anexação da Crimeia à Federação Russa, grupo que ficou conhecido como os homenzinhos verdes.

Segundo Amy Mackinnon, do Foreign Policy, o Grupo Wagner oficialmente não existe e pode ser melhor descrito como uma rede informal de mercenários usados pela Rússia. Segundo ela, "não existe uma única empresa registrada chamada 'Wagner'. Em vez disso, o nome passou a descrever uma rede de negócios e grupos de mercenários [...] envolvidas em uma ampla gama de atividades, incluindo repressão protestos pró-democracia, em espalhar desinformação, mineração de ouro e diamantes e envolvimento em atividades paramilitares". Apesar de trabalhar diretamente para o governo russo, a legislação russa não permite o mercenarismo ou a existência de empresas militares privadas, fazendo, assim, o Grupo Wagner operar fora da lei na Rússia.

Com a invasão russa da Ucrânia em 2022, o Grupo Wagner ganhou maior papel e foi mais legitimado e oficializado pelo governo russo. Em janeiro de 2023, o Grupo Wagner foi registrado como uma entidade legal na Rússia como uma sociedade anônima chamada "PMC Wagner Center", o que incluiu a abertura um grande escritório em São Petersburgo.

Em Dezembro de 2023, foi anunciado que o Grupo Wagner na África foi renomeada para Africa Corps (). O que foi comparado com imutos ao Afrika Korps, a força expedicionária da Alemanha Nazista na África.

Atividades thumb|upright=1.6|Mapa de países com a presença do Grupo WagnerOs primeiros relatos da existência da organização emergiram por volta de 2014, durante a Guerra civil no leste da Ucrânia, quando soldados do exército ucraniano enfrentaram membros de uma organização militar misteriosa, cujos soldados falavam russo, depois disso relatos da presença dessa organização emergiram em vários países do mundo, principalmente na Síria e no Sudão, dois fortes aliados da Rússia que estão passando por guerras.

A existência da organização foi confirmada pelo governo russo em 2016, logo após fotos de um encontro que Utkin teve com o presidente da Federação Russa Vladimir Putin. Hoje, o grupo é considerado uma das maiores organizações militares privadas do mundo, apesar de muitos analistas afirmarem que a organização é na verdade um esquadrão secreto do governo russo, designado para intervir em conflitos onde a Rússia está envolvida. Há comprovações de que em suas fileiras encontram-se atuando não somente russos, como também ucranianos e sérvios, estes últimos em menor número, até mesmo por tratar-se de uma organização extremamente xenófoba com notícias de ligações com organizações neonazistas.

Ucrânia

Crise da Crimeia O Grupo Wagner estiveram ativos pela primeira vez em fevereiro de 2014 na Crimeia durante Crise da Crimeia, onde operaram em linha com unidades regulares do exército russo, desarmaram o exército ucraniano e assumiram o controle das instalações. A aquisição da Crimeia foi quase sem derramamento de sangue. Os mercenários, juntamente com os soldados regulares, eram chamados de "pessoas educadas" na época devido ao seu comportamento bem-educado. Eles se mantinham isolados, carregavam armas que não estavam carregadas e, na maioria das vezes, não faziam nenhum esforço para interferir na vida civil. Outro nome para eles era "homenzinhos verdes", pois usavam máscaras, usavam uniformes verdes do exército sem identificação e sua origem era inicialmente desconhecida.

Guerra em Donbas Após a tomada da Crimeia, cerca de 300 mercenários foram enviados para a região do Donbass, no leste da Ucrânia, onde começou um conflito entre o governo ucraniano e as forças pró-russas. Com sua ajuda, as forças pró-Rússia conseguiram desestabilizar as forças de segurança do governo na região, imobilizar operações de instituições governamentais locais, apreender depósitos de munição e assumir o controle de cidades. Os PMCs realizaram ataques furtivos, reconhecimento, coleta de informações e escoltavam VIPs. O Grupo Wagner atuava majoritariamente na República Popular de Lugansk. miniaturadaimagem|176x176px|Insígnia do Grupo Rusich. Unidade do Grupo Wagner que atua parte das Forças separatistas Pró-Rússia de Donbas. O principal destacamento do Grupo Wagner ativa no Donbass é o Grupo Rusich. Uma unidade de Forças Especiais especializada em reconhecimento, sabotagem e assalto, atuando na época dentro do Exército do Sudeste (futura Milícia Popular de Luhansk). O Grupo Rusich é notável pelos laços explícitos com movimentos de extrema-direita na Rússia,Šmíd, Tomáš & Šmídová, Alexandra. (2021). Anti-government Non-state Armed Actors in the Conflict in Eastern Ukraine. Czech Journal of International Relations, Volume 56, Issue 2. pp.48–49. Quote: "Another group of Russian citizens who became involved in the armed conflict in Eastern Ukraine were members of the so-called right-wing units of the Russian Spring. Here we mean mainly extreme-right activists" ... "the members of Rusich around Milchakov are activists of various Russian extreme-right groups". recrutamento de soldados dentro de movimentos neonazistas, neofacistas e supremacistas brancos. Sua insígnia é uma Kolovrat, a suástica eslava, usada por extremistas de extrema-direita na Rússia, além de seus membros usaram outros símbolos de extrema-direita como a Runa Tiwaz (ᛏ), Valknut e o tricolor amarelo-branco-preto do Império Russo. Foi fundada pelos neonazistas Alexey Milchakov e Yan Petrovsky no verão de 2014, depois de se formarem em um programa de treinamento paramilitar dirigido pela organização neonazista Movimento Imperial Russo.

Após o fim das principais operações de combate e o cessar-fogo na Guerra do Donbass. O governo russo organizou um expurgo das Forças separatistas de Donbas, visando eliminar dissidentes e comandantes agindo de maneira rebelde e independente. O Grupo Wagner auxiliou os serviços de inteligência (o FSB e o GRU) em realizar esses assassinatos. O Grupo Wagner ainda auxiliou em desarmar unidades rebeldes pró-Rússia que se recusavam a se integrar à cadeia de comando da República Popular de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL). Wagner deixou a Ucrânia e voltou para a Rússia no outono de 2015, com o início da intervenção militar russa na Guerra Civil Síria.

Em 2017 houve uma luta pelo poder na República Popular de Lugansk entre o presidente Igor Plotnitsky e o ministro do interior Igor Kornet, que Plotnitsky ordenou que fosse demitido, enquanto Kornet se negou e ameaçou usar tropas sob seu controle para dar um golpe de estado. Durante o tumulto, homens armados em uniformes sem identificação tomaram posições no centro de Luhansk. Os soldados foram posteriormente revelados como membros do Grupo Wagner.

Invasão Russa de 2022