Crítica (do grego κριτικός, kritikós, "apto a julgar") é uma opinião ou juízo de valor. Quando acrescido do sufixo "ismo", tem um significado mais amplo. Na filosofia, é um ramo do racionalismo, e faz referência a um conceito formulado por Immanuel Kant. Atualmente, o termo se aplica principalmente a ramos como artes plásticas, cinema, jornalismo, etc.. Crítica de arte A crítica de arte é a discussão ou avaliação da arte. Os críticos de arte geralmente criticam arte no contexto da estética ou da teoria da beleza. Um dos objetivos da crítica de arte é construir uma base racional para a apreciação da arte, mas é questionável se tal crítica pode transcender circunstâncias sociopolíticas dominantes.
A variedade de movimentos artísticos resultou em uma divisão da crítica de arte em diferentes disciplinas que podem usar diferentes critérios em seus julgamentos. A divisão mais comum no campo da crítica é entre crítica e avaliação histórica, que é uma forma de história da arte, e a crítica contemporânea do trabalho de artistas vivos.
Apesar da percepção de que a crítica de arte é uma atividade de muito menor risco do que fazer arte, opiniões sobre a arte corrente são sempre sujeitas a drásticas correções com a passagem do tempo. Críticos do passado são, frequentemente, ridicularizados por favorecer artistas agora ridicularizados (como os pintores acadêmicos do fim do século XIX), ou por rejeitar artistas agora venerados (como o trabalho inicial dos impressionistas. Alguns movimentos artísticos chegam a ser nomeados depreciativamente pelos críticos, com o nome sendo adotado posteriormente pelos artistas do estilo como uma espécie de emblema de honra do movimento (por exemploː impressionismo, cubismo), com o sentido original negativo sendo esquecido.
Os artistas, frequentemente, têm uma relação difícil com seus críticos. Usualmente, os artistas precisam de opiniões positivas dos críticos para que seus trabalhos sejam vistos e comprados; infelizmente para os artistas, às vezes somente as futuras gerações são capazes de entender suas obras.
Existem muitas variáveis que determinam o julgamento artístico de alguém, como estética, conhecimento ou percepção. Metodologia A crítica de arte inclui um aspecto descritivo, onde a obra de arte é traduzida em palavras. A avaliação da obra de arte que se segue à descrição (ou é intercalada com ela) depende tanto do trabalho do artista quanto da experiência do crítico. Uma atividade com tal alta dose de subjetividade possibilita que existam diversas maneiras de exercê-la. Como extremos em um possível espectro, enquanto alguns simplesmente registram suas impressões imediatas sobre a obra, outros preferem uma abordagem mais sistemática, baseada em conhecimento técnico, teoria estética e conhecimento do contexto sociocultural no qual o artista está inserido, para descobrir suas intenções. História Os críticos de arte, provavelmente, surgiram junto com a arte, como evidenciado nas obras de Platão, Vitrúvio ou Agostinho de Hipona, que contêm formas iniciais de crítica de arte. Ricos mecenas empregaram, pelo menos desde o início da renascença, avaliadores intermediários de arte para ajudá-los na aquisição de obras. Origens A crítica de arte, como um gênero literário, adquiriu sua forma moderna no século XVIII. O primeiro uso da expressão "crítica de arte" foi obra do pintor inglês Jonathan Richardson, na sua publicação de 1719 "Um ensaio sobre toda a arte da crítica". Na sua obra, ele tentou criar um sistema objetivo para ranquear as obras de arte. Sete categorias, incluindo desenho, composição, invenção e coloração, receberam notas de zero a dezoito, que se combinavam para formar uma nota final. A expressão que ele introduziu rapidamente se popularizou, especialmente conforme a classe média inglesa começava a ser mais consciente em suas aquisições de obras de arte, como símbolos de ostentação do seu status social.
Na França e Inglaterra de meados do século XVIII, o interesse público por arte começou a se disseminar, e arte era regularmente exibida nos salões de Paris e nas exibições de verão de Londres. Os primeiros escritores que adquiriram reputação como críticos de arte na França do século XVIII foramː Jean-Baptiste Dubos, com seu "Reflexões críticas sobre a poesia e sobre a pintura" (1718), que angariou a aclamação de Voltaire pela sagacidade de sua abordagem à teoria estética; e Étienne La Font de Saint-Yenne, com seu "Reflexões sobre algumas causas do estado presente da pintura na França", que falava sobre o salão de 1746, comentando sobre a estrutura socioeconômica da produção do então popular estilo barroco, o que levou à percepção de sentimentos antimonarquistas no texto.
O escritor francês do século XVIII Denis Diderot desenvolveu muito a crítica de arte. Seu texto "O salão de 1765" foi uma das primeiras tentativas de capturar a arte em palavras. De acordo com o historiador de arte Thomas E. Crow, "quando Diderot assumiu a crítica de arte, estava iniciando a primeira geração de escritores profissionais que viviam de oferecer descrições e julgamentos de pintura e escultura contemporânea. A demanda por tais comentários era produto da igualmente nova instituição de exibições públicas, gratuitas e regulares de arte contemporânea".
Enquanto isso, na Inglaterra, uma exibição da Real Sociedade de Artes em 1762 e, posteriormente, em 1766, provocou uma enxurrada de panfletos críticos anônimos. Jornais do período, como o "Crônica de Londres", começaram a publicar colunas de crítica de arteː uma forma que deslanchou a partir da criação da Academia Real Inglesa em 1768. Na década de 1770, o "Crônica da manhã" se tornou o primeiro jornal a comentar, sistematicamente, a arte exposta nas exibições. Século XIX Do século XIX em diante, a crítica de arte se tornou uma profissão mais comum, desenvolvendo, às vezes, métodos formais baseados em teorias estéticas particulares. Na França, na década de 1820, surgiu uma divisão entre os proponentes das tradicionais formas neoclássicas de arte e a nova moda romântica. Os neoclássicos, liderados por Étienne-Jean Delécluze, defendiam o ideal clássico e preferiam formas finamente acabadas na pintura. Os românticos, como Stendhal, criticavam os velhos estilos por estes seguirem excessivamente fórmulas e serem isentos de qualquer emoção. Ao contrário, defendiam as novas nuanças emocionais, idealísticas e expressivas da arte romântica. Um debate similar, porém menos ruidoso, também ocorreu na Inglaterra.
Um dos proeminentes críticos na Inglaterra da época foi William Hazlitt, um pintor e ensaísta. Ele escreveu sobre seu profundo prazer na arte e sua crença de que as artes poderiam ser usadas para estimular a generosidade de espírito da humanidade. Ele fez parte de uma maré crescente de críticos ingleses que começava a ficar descontente com a direção crescentemente abstrata das paisagens de William Turner.
Um dos grandes críticos do século XIX foi John Ruskin. Em 1843, ele publicou "Pintores modernos", no qual ele defendeu, vigorosamente, o trabalho de William Turner dos ataques de seus críticos, os quais acusavam Turner de ser infiel à realidade. Através de diligente análise e atenção ao detalhe, Ruskin conseguiu demonstrar o contrário, no que o historiador Ernst Gombrich chamou de "o mais ambicioso trabalho de crítica científica de arte já tentado". Ruskin se tornou famoso por sua prosa rica e fluente. Posteriormente, ele diversificou sua atuação, publicando trabalhos sobre arquitetura e arte renascentista, incluindo "As pedras de Veneza".
Outra figura dominante na crítica de arte do século XIX foi o poeta francês Charles Baudelaire. Seu primeiro trabalho publicado foi a crítica "Salão de 1845", que atraiu imediata atenção por sua ousadia. Muitas de suas opiniões críticas era novidade na época, como por exemplo sua defesa de Eugène Delacroix. Quando a famosa pintura Olympia (1865), de Édouard Manet, um retrato de uma cortesã nua, gerou escândalo por seu flagrante realismo, Baudelaire apoiou, secretamente, seu amigo. Ele dizia que a crítica deve ser parcial, apaixonada, política - ou seja, baseada num ponto de vista único, mas também baseada num ponto de vista que abre as portas para o maior número possível de horizontes". Ele tentou retirar o debate das velhas posições binárias das décadas anteriores, dizendo que "o verdadeiro pintor será aquele que conseguir extrair, da vida contemporânea, seu aspecto épico, nos fazendo ver e entender, em cores ou através de desenho, quão grandes e poéticos nós somos, com nossas gravatas e botas polidas".
Em 1877, John Ruskin ridicularizou a pintura "Noturno em preto e douradoː o foguete cadente", depois que seu autor, James McNeill Whistler, a exibiu na galeria Grosvenorː "eu já havia visto, e ouvido, muita insolência cockney; mas nunca esperei ouvir um tolo pedir duzentos guinéus para arremessar um pote de tinta no rosto das pessoas". A crítica levou Whistler a processar Ruskin por difamação. O processo judicial subsequente revelou ser uma vitória pírrica para Whistler. Virada para o século XX Por volta do final do século XIX, um movimento em direção à abstração, em oposição a algum conteúdo específico, começou a ganhar terreno na Inglaterra, sob a liderança do dramaturgo Oscar Wilde. No início do século XX, essas atitudes começaram a se unir numa filosofia coerente, através dos trabalhos dos membros do Grupo de Bloomsbury Roger Fry e Clive Bell. Sendo um historiador de arte na década de 1890, Fry ficou intrigado com a nova arte modernista e sua fuga da representação tradicional. A exibição de 1910 do que ele chamou de "arte pós-impressionista" atraiu muitas críticas por sua iconoclastia. Ele defendeu a si próprio vigorosamente em uma palestra, argumentando que a arte estava tentando descobrir a linguagem da pura emoção, mais do que a severa e, na sua opinião, desonesta captura científica do cenário. O argumento de Fry provou ser muito influente na época, especialmente entre a elite progressista. Virginia Woolf observouː "por volta de dezembro de 1910 [quando Fry deu sua palestra], o caráter humano mudou".
Independentemente, e ao mesmo tempo, Clive Bell argumentou, em seu livro "Arte" (1914), que toda obra de arte tinha sua própria "forma significante", e que o assunto convencional era irrelevante. Esse livro criou as bases para a abordagem formalista da arte. Em 1920, Fry argumentou que "para mim, tanto faz se eu represento Cristo ou uma panela, pois é a forma, e não o objeto em si, que me interessa". Além de ser um proponente do formalismo, ele argumentou que o valor da arte reside na habilidade de produzir uma distinta experiência estética no observador, uma experiência que ele chamou de "emoção estética". Ele a definiu como uma experiência que é provocada por uma forma significante. Ele também sugeriu que a razão pela qual nós experimentamos emoção estética em resposta à forma significante de uma obra de arte é que nós percebemos essa forma como uma expressão da experiência que o artista teve. A experiência do artista, por sua vez, ele sugeriu, é a experiência de ver objetos ordinários no mundo como forma puraː a experiência de ver objetos não como um meio, mas como um fim em si mesmo.
Herbert Read foi um campeão dos artistas britânicos modernos, como Paul Nash, Ben Nicholson, Henry Moore e Barbara Hepworth. Ele ficou associado ao grupo de arte contemporânea de Nash "Unidade Um". Ele focou no modernismo de Pablo Picasso e Georges Braque, e publicou, em 1929, um influente ensaio sobre o significado da arte na revista "O Ouvinte". Ele também editou a revista criadora de tendências Burlington (1933–38), e ajudou a organizar a Exposição Surrealista Internacional de Londres, em 1936. A partir de 1945