O Incidente de OVNI em Washington de 1952(Peebles, p. 73) foi uma série de relatórios de avistamento de OVNIs entre os dias 12 de julho a 29 de julho de 1952, em Washington, D.C. Os avistamentos mais divulgados ocorreram em finais de semana, entre 19 de julho e 20 de julho e 26 de julho a 27 de julho. O historiador e ufólogo Curtis Peebles chamou o incidente de "o clímax ufológico de 1952". "Nunca antes nem depois o Projeto Blue Book recebeu tantos relatos de OVNIs", completou Peebles.(Peebles, p. 78) Testemunhas alegaram ter vistos objetos desconhecidos em radares, enquanto outros alegaram terem vistos luzes no céu. O governo dos Estados Unidos argumentou que, na verdade, os objetos seriam causados por uma inversão de temperatura ou fenômenos naturais, enquanto a maioria das testemunhas discordaram da explicação dada pelo governo.

Eventos do primeiro fim de semana Às 11:40 da noite do sábado, 19 de julho de 1952, Edward Nugent, um controlador de tráfego aéreo no aeroporto nacional de Washington (hoje Aeroporto Nacional Ronald Reagan de Washington), avistou sete objetos em seu radar.Carlson, Peter; Carlson, Peter (21 July 2002). "50 Years Ago, Unidentified Flying Objects From Way Beyond the Beltway Seized the Capital's Imagination". Washington Post. Os objetos foram localizados a 24 km do sudoeste da cidade; Nenhuma aeronave conhecida estava na área e os objetos não estavam seguindo nenhum caminho de voo estabelecido. O superior de Nugent, Harry Barnes, um controlador de tráfego aéreo experiente no aeroporto, que observou os objetos no radar de Nugent, disse em um livro:

Sabíamos que estávamos presenciando uma situação muito estranha... os movimentos dos objetos eram completamente radicais comparados com os de aeronaves comuns.(Clark, p. 653)

Barnes tinha dois dispositivos para verificar se o radar de Nugent estava funcionando; Eles descobriram que ele estava funcionando normalmente. Barnes então chamou a torre de controle de radares do aeroporto nacional; os controladores de lá, Howard Cocklin e Joe Zacko, disseram que eles também tinham objetos não identificados em sua tela de radar, e que eles tinham visto "uma luz brilhante pairando no céu... a luz decolou, ampliando a sua velocidade incrível".Carlson, Peter; Carlson, Peter (21 July 2002). "50 Years Ago, Unidentified Flying Objects From Way Beyond the Beltway Seized the Capital's Imagination". Washington Post. Cocklin disse a Zacko "você viu aquilo? Que diabos foi isso?".Carlson, Peter; Carlson, Peter (21 July 2002). "50 Years Ago, Unidentified Flying Objects From Way Beyond the Beltway Seized the Capital's Imagination". Washington Post.

Neste ponto, outros objetos apareceram em todos os setores do escopo do radar; quando passaram sobre a Casa Branca e o Capitólio dos Estados Unidos, Barnes chamou a base da força aérea Andrews, localizada a 16 km do Aeroporto Nacional. Embora a base da força aérea Andrews informasse que eles não tinham objetos incomuns em seu radar, um aviador logo chamou a torre de controle da base para relatar o avistamento de um objeto estranho. O aviador William Brady, que estava na torre, disse que viu "um objeto que parecia ser como uma bola de fogo laranja, com uma cauda". "Era diferente de tudo que eu já tinha visto antes", completou Brady. Enquanto Brady tentava alertar o resto do pessoal da torre, o estranho objeto "decolou a uma velocidade inacreditável". Em uma das pistas do Aeroporto Nacional, S.C. Pierman, um piloto da Capital Airlines, estava esperando na cabine de sua DC-4 para permissão para decolagem. Depois de detectar o que ele acreditava ser um meteoro, foi-lhe dito que o radar da torre de controle tinha detectado objetos desconhecidos se aproximando de sua posição. O Piloto observou seis objetos — "brancos, descolados e rápidos" — durante um período de 14 minutos. O piloto estava em contato por rádio com Barnes durante seu avistamento, e Barnes mais tarde disse que "cada avistamento coincidiu com os objetos que podíamos ver perto de seu avião. Quando ele informou que a luz listrada estava em alta velocidade, ela desapareceu do nosso escopo", concluiu Barnes."Saucers Full of Secrets".

Na base da força aérea Andrews, enquanto isso, o pessoal da torre de controle estava rastreando no radar o que alguns pensavam ser objetos desconhecidos, mas outros suspeitavam, e em um dos casos eram capazes de provar, que eram simplesmente estrelas ou meteoros.(Peebles, p. 74) No entanto, o sargento Charles Davenport observou uma luz laranja vermelha ao sul; a luz "parecia estar imóvel, em seguida, fez uma mudança brusca de direção e altitude... isso aconteceu várias vezes", concluiu Davenport. Em um ponto ambos os centros de radar no aeroporto nacional e o radar na base da força aérea Andrews estavam rastreando um objeto pairando sobre um farol de rádio. O objeto desapareceu em todos os três centros de radar ao mesmo tempo.(Ruppelt, p. 160) Ás 3 da manhã, pouco antes de dois jatos de caça F-94 Starfire chegarem a Washington, todos os objetos desapareceram do radar no aeroporto nacional. No entanto, quando os jatos ficaram com pouco combustível e saíram, os objetos voltaram, o que convenceu Barnes de que "os OVNIs estavam monitorando o tráfego de rádio e se comportando adequadamente"."Saucers Full of Secrets". Os objetos foram detectados pela última vez por radares às 5:30 da manhã.

Publicidade e reação da força aérea Os avistamentos de 19 a 20 de julho de 1952, tiveram manchetes de primeira página em jornais de todo o país. Um exemplo foi a manchete da Cedar Rapids Gazette, de Iowa, com a manchete "exame de discos voadores em Washington" em grande letra preta.(Michaels, p. 22) Por coincidência, o Capitão Edward J. Ruppelt, o supervisor da força aérea do Projeto Blue Book, uma investigação sobre avistamentos de OVNIs, estava em Washington na época. No entanto, ele não tinha conhecimento sobre os avistamentos até segunda-feira, 21 de julho, quando leu as manchetes em um jornal da área de Washington.(Ruppelt, p. 210) Depois de falar com os oficiais de inteligência do Pentágono sobre os avistamentos, Ruppelt passou várias horas tentando obter um staff car para que ele pudesse viajar em torno de Washington para investigar os avistamentos, mas foi recusado de usar, já que apenas generais e coronéis experientes poderiam usar carros deste tipo. Foi-lhe dito que ele poderia alugar um táxi com seu próprio dinheiro. Com a recusa do staff car, Ruppelt ficou frustrado e deixou Washington, voltando de volta para a sede do Projeto Blue Book em Wright-Patterson, Ohio.(Ruppelt, p. 162) Antes de sair de Washington, Ruppelt falou com um especialista em radar da força aérea, o Capitão Roy James, que acreditava que condições meteorológicas incomuns poderiam ter causado os alvos de radar desconhecidos.(Ruppelt, p. 163)

Eventos do segundo fim de semana Às 8:15 horas de sábado, 26 de julho de 1952, um piloto e uma aeromoça em um voo da National Airlines em Washington observaram algumas luzes estranhas acima do avião. Em poucos minutos, ambos os centros de radar do aeroporto nacional, e o radar da base da força aérea Andrews, estavam rastreando objetos desconhecidos.(Peebles, pp. 75-76) Um dos funcionários da base de Andrews observou visualmente os objetos; anos depois disse que "estas luzes não tinham as características de estrelas cadentes. Não havia uma marca de passagem... elas viajaram mais rápido do que qualquer estrela cadente que eu já vi."

Enquanto isso, Albert M. Chop, o porta-voz de imprensa do Projeto Blue Book, chegou ao aeroporto nacional e, devido a preocupações de segurança, negou vários pedidos de repórteres para fotografar as telas dos radares. Ele então se juntou ao pessoal do centro de radares.(Ruppelt, p. 164) Por volta desse horário (9:30 da noite) o centro de radares estava captando objetos desconhecidos em todos os setores. Às vezes os objetos viajavam lentamente; em outras vezes eles alcançavam velocidades calculadas de até 11.000 quilômetros.(Ruppelt, p. 159) Ás 11:30 da noite, dois aviões F-94 starfire da força aérea dos EUA da base aérea de New Castle em Delaware chegaram a Washington. O Capitão John McHugo, o líder de voo, foi ordenado a ir para o objeto que estava no radar mas não viu nada, apesar de tentativas repetidas de ver algo.(Peebles, p. 76) No entanto, o seu co-piloto, o Tenente William Patterson, viu quatro "luzes" brancas e perseguiu-as. Ele disse: "eu tentei fazer contato com os inimigos, eu estava na minha velocidade máxima... Eu parei de persegui-los porque eu não vi nenhuma chance de alcança-los". De acordo com Albert Chop, quando o controle de terra perguntou a Patterson "se ele viu alguma coisa", Patterson respondeu que os objetos estavam a seu redor e perguntou o que fazer, mas não obteve resposta, porque não sabiam o que dizer a ele.

Depois da meia-noite de 27 de julho, o Major Dewey Fournet, o coordenador do Projeto Blue Book no Pentágono, e o Tenente John Holcomb, um especialista em radar da Marinha dos Estados Unidos, chegaram ao centro de radar do aeroporto nacional. Durante a noite, o Tenente Holcomb recebeu uma chamada da estação nacional de meteorologia de Washington. Os meteorologistas disseram que uma pequena inversão de temperatura estava presente sobre a cidade, mas Holcomb não achava que isso explicaria os objetos capturados pelos radares.(Ruppelt, p. 166) Mais dois F-94s da base da força aérea de New Castle foram verificar os supostos objetos durante a noite. O primeiro piloto não viu nada de anormal; o outro piloto viu uma luz branca que "desapareceu" quando ele se moveu em direção a ela. Além disso, aviões civis voando em Washington relataram ter visto estranhos objetos brilhantes em lugares onde o radar estava apontando os objetos. Como em 20 de julho, os avistamentos e avisos nos radares terminaram ao nascer do sol.(Ruppelt, p. 165)

Preocupação da Casa Branca e interesse da CIA Os avistamentos de 26 de Julho e de 27 de julho também tiveram manchetes de primeira página, o que levou o Presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, a chamar Ruppelt e pedir uma explicação dos avistamentos e objetos nos radares desconhecidos.(Peebles, p. 77) Ruppelt, lembrando a conversa que teve com o Capitão James, que disse a Ruppelt que os avistamentos poderiam ter sido causados por uma inversão de temperatura, geralmente esse fenômeno ocorre quando o solo esfria muito rápido a noite favorecendo o efeito estufa. Esta condição pode causar falsos objetos nos radares. No entanto, Ruppelt ainda não tinha entrevistado nenhuma das testemunhas nem tinha conduzido uma investigação formal.

O historiador da CIA, Gerald Haines, em seu livro de 1997 sobre a história da CIA com OVNIs, também menciona a preocupação de Truman. "Havia um acúmulo maciço de avistamentos ufológicos sobre os Estados Unidos em 1952, especialmente em julho, alarmado a Truman. Em 19 e 20 de julho, escopos de radar no aeroporto nacional de Washington e na base da força aérea Andrews rastrearam objetos misteriosos. Em 27 de julho, os objetos reapareceram."Publicação da CIA sobre OVNIs A CIA reagiria à onda de avistamentos de OVNIs em 1952 formando um grupo de estudo especial dentro do escritório de inteligência científica e do escritório de inteligência atual para rever a situação. Edward Tauss relatou para o grupo que a maioria dos avistamentos de OVNIs poderiam ser facilmente explicados. No entanto, ele recomendou que a agência continuasse a monitorar o problema. A preocupação da CIA com a questão levaria à criação, em janeiro de 1953, do Painel Roberston.

Explicação da força aérea