Eurípedes Waldick Soriano (Caetité, 13 de maio de 1933 – Rio de Janeiro, 4 de setembro de 2008) foi um cantor e compositor brasileiro, ícone da música romântica popular, pejorativamente chamada brega.BONFIM, Carlos. EU NÃO SOU CACHORRO, MESMO: MÚSICA POPULAR URBANA, CULTURAS JUVENIS E IDENTIDADE CULTURAL. V ENECULT - Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura. Faculdade de Comunicação/UFBa, Salvador-Bahia-Brasil.WALDIK Soriano. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa531189/waldik-soriano>. Acesso em: 29 de Jun. 2021. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7FONSECA, Diogo. Entre o “brega” e o rock: a ressignificação da Música de Odair José. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) - Curso de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2015. p. 58 a 60
Biografia Nascido no distrito de Brejinho das Ametistas, em Caetité,ARAÚJO, P. C. de. Waldick Soriano e o mistério do brega . Revista USP, [S. l.], n. 87, p. 184-196, 2010. DOI: 10.11606/issn.2316-9036.v0i87p184-196. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/13840. Acesso em: 30 jun. 2021. Bahia, filho de Manuel Sebastião Soriano, comerciante de ametistas no distrito de Brejinho das Ametistas, em sua cidade natal. Fato marcante de sua infância foi o abandono do lar pela mãe, Eudóxia Evangelista Garcia, a quem era muito apegado.
Em Caetité viveu sua juventude, sempre boêmia, até um incidente num clube local, que o fez buscar o destino fora da cidade. Desde muito novo era um inveterado namorador e aventureiro e, seguindo o caminho de muitos sertanejos, foi tentar a vida em São Paulo.
Antes de ingressar na carreira artística, trabalhou como lavrador, engraxate e garimpeiro. Apesar das dificuldades, conseguiu se tornar conhecido nos anos 50 com a música "Quem és tu?".
Ele se destacava por suas canções sobre "dor-de-cotovelo" e seu visual revolucionário para a época: sempre usava roupas negras e óculos escuros.
Seus maiores sucessos foram "Tortura de amor" e "Eu não sou cachorro não". Também se tornaram conhecidas outras músicas suas, tais como "Paixão de um Homem", "A Carta", "A Dama de Vermelho", "Se Eu Morresse Amanhã" e "Perfume de Gardênia".
Além disso, no cinema, foi protagonista em filmes como "Paixão de um Homem" (1972), de Egydio Eccio, baseado na vida real do cantor, e "O Poderoso Garanhão" (1973), de Antônio B. Thomé. Segundo a ANCINE, o primeiro filme contou com 1 033 912 espectadores, enquanto o segundo apenas 544.277. Em seu livro biográfico "A Vida de Waldik Soriano", Waldick disse que: "Desejava fazer filmes de qualquer jeito, expressei pela imprensa este interesse. Logo apareceram produtoras, propondo condições para as filmagens. (p. 130)”. Também fez participação especial em um capítulo do seriado "O Bem-Amado" (1980), produzido por Daniel Filho e pela Rede Globo.
O "fenômeno" Waldick Soriano direita|miniaturadaimagem|234x234px|Waldick Soriano (à esquerda), na década de 1970, com Flávio Cavalcanti
Batizado como Eurípedes Waldick Soriano, utilizou-se apenas do "Waldick Soriano" como nome artístico. Ganhando popularidade, tendo um nome um tanto incomum, Waldick conviveu, até o fim de sua carreira, com os erros na grafia do seu nome. Em alguns discos, seu nome aparece "Waldik", sem o "c", outras vezes, seu primeiro nome com o "V" no lugar do "W".
A posição quase marginal que o ritmo "cafona" ocupou, mereceu uma análise mais acurada e científica pelo historiador e jornalista Paulo Cesar de Araújo. Intitulado "Eu não sou cachorro, não: música popular cafona e ditadura militar" (lançado em 2002), o livro traz, já em seu título, uma referência ao cantor e sua música de maior sucesso. Ali o autor reitera, de forma veemente, seu estilo musical próprio, somente dele. Araújo conta de quando Waldick teve sua música "Tortura de Amor" censurada, em 1974, quando foi reeditada. Apesar de ser uma composição de 1962, o regime não tolerava que se falasse a palavra "tortura".
A revista "Nossa História", de dezembro de 2005, refere-se ao cantor como "o mais folclórico dos cafonas" (ano 3, nº 26, ed. Vera Cruz).
Num dos programas do apresentador Jô Soares, o músico Ubirajara Penacho dos Reis - Bira - declarou que nos anos 1960 tocava apenas os sucessos de Waldick.
Incentivado pelo radialista Haroldo de Andrade (que foi morador da Praia da Bica), Waldick Soriano morou por muitos anos na carioca da Ilha do Governador; Waldick morando em Caetité, na Bahia, Haroldo arranjou a casa na Rua Magno Martins, no bairro insulano da Freguesia, no Rio de Janeiro
Na sua cidade natal, Waldick sempre foi tratado com certo menosprezo. Na aristocrática Caetité, mantinha apenas nas camadas mais populares uma fiel admiração. Ali teve dois de seus filhos, gêmeos, de forma quase despercebida, em 1966. Em meados da década de 1990, porém, a cidade teve num político o resgate do filho ilustre. O vereador Edilson Batista protagonizou uma grande homenagem, que nomeou uma das principais avenidas com o nome de Waldick. Pouco tempo depois, o SBT realizava ali um documentário, encenado por moradores locais, retratando a juventude de Waldick, sua paixão pela professora Zilmar Moura, a mudança para o sul.
Silvio Santos aliás, protagonizou com Waldick uma das mais inusitadas cenas da televisão brasileira: no abraço que deram, foram perdendo o equilíbrio até ambos caírem, abraçados, no chão. Ali, então, simularam um affair, provocando risos. No início dos anos 90, mudou-se para a cidade de Teresina onde iniciou uma parceria com o violonista Fernando Fonseca, com quem fez shows pelo país inteiro naquela que seria sua última incursão pelos palcos. Dois anos depois mudou-se para Fortaleza. Na capital cearense, ao lado do pianista Oliveira Junior continuou fazendo pequenas apresentações até ter diagnosticada a doença que o levaria à morte.
Em sua homenagem, em Praia Grande, São Paulo, foi nomeada a rua Cantor Waldick Soriano, no bairro Tupiry.
Doença e morte Waldick Soriano teve diagnosticado um câncer de próstata, em 2006. Em 2 de julho de 2008 foi divulgado que seu estado de saúde era grave,"Estado de saúde do cantor Waldick Soriano é grave" - Terra, 02/07/2008 pois já ocorrera metástase. Morreu em 4 de setembro do mesmo ano, no Instituto Nacional do Câncer (Inca), em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro. Foi sepultado no Cemitério do Caju, na Zona Portuária do Rio.Cantor Waldick Soriano morre no Rio aos 75 anos - Folha Online, 04/08/2008
Em 6 de maio de 2022, após intensos pedidos de fãs e familiares, os restos mortais de Waldick foram trasladados e sepultados no Cemitério Bosque da Paz, em Caetité, sua cidade natal, juntamente com os restos mortais de Manoel Sebastião Soriano, seu pai, e João Lima Soriano, seu sobrinho.
Discografia Álbum Selo Ano Quem és tu?/Só você Chantecler 1960 Ninguém é de ninguém Chantecler 1960 Dona do meu coração/Mais uma desventura Chantecler 1961 Perdão pela minha dor/Amor de Vênus Chantecler 1961 Sede de amor/Renúncia Chantecler 1961 Waldick Soriano Chantecler 1961 Fujo de ti/Tortura de amor Chantecler 1962 Ciúmes/Desunião Chantecler 1962 Homenagem a Recife/Amor numa serenata Sertanejo 1962 Cantor apaixonado Chantecler1962 Quem é você?/Vestida de branco Chantecler 1963 Foi Deus/Errei Senhor Chantecler 1963Pobre do pobre/Se eu morresse amanhã Chantecler 1963 Motivos banais/É melhor eu ir embora Chantecler1963 A justiça de Deus/Tu és meu mundo Chantecler 1963 Manaus, meu paraíso/Pisa no calo dele Sertanejo 1963 Enfim você voltou/Pensei que estava sonhando Chantecler 1964 Eu vou ao casamento dela/A maior injustiça do mundo Chantecler 1964 O elegante Waldick Soriano Chantecler 1964Novamente elegante Chantecler1964 Como você mudou pra mim Chantecler 1965A música é minha vidaChantecler1965Flores perfumadas para alguémChantecler1966 Waldick sempre Waldick Copacabana 1967 Boleros para ouvir, amar e sonhar Copacabana 1967O melhor de WaldickCopacabana1968 Waldick Soriano Continental 1968Em ritmo de boleroContinental 1968Waldick Soriano Continental 1969Waldick Soriano Continental 1969Amorosamente para vocêTropicana1970 No coração do povo Continental 1970O áz de ouro do boleroContinental 1970O sucessoContinental 1970A voz do povoContinental 1971Leva este chapéu Continental 1971Waldick Soriano em espanholContinental 1971Amor queridoContinental 1972 Eu também sou gente RCA 1972 Ele também precisa de carinho RCA 1972O poeta do povoRCA1973Waldick SorianoChantecler1973 Segue o teu caminho RCA 1974 Quero ser teu escravo RCA 1978 Minha Ultima Noite Gema 2000 Ao Vivo Gema 2001 Ao Vivo - Só Sucesso Gema 2002 Ao Vivo "Som Livre" Som Livre 2007
Filmografia
Waldick, Sempre no Meu Coração (2007), direção de Patrícia Pillar.
Bibliografia
ARAÚJO, Paulo César de. Eu não sou cachorro, não: música popular cafona e ditadura militar. Rio de janeiro: Record, 2010. 7ª. Ed. 458p. SORIANO, Waldik e CAMPOS, Bernardino. A Vida de Waldik Soriano. Rio de Janeiro: Editora Codrecri, 1977. Coleção Edições do PASQUIM - Vol. 14.
Ligações externas
Waldick Soriano Waldick Soriano Waldick Soriano Waldick Soriano Categoria:Mortes por câncer de próstata Categoria:Mortos no Rio de Janeiro (cidade)