Senhora da Hora é uma cidade portuguesa do Município de Matosinhos e do Distrito do Porto sendo sede da Freguesia de Senhora da Hora.
A Freguesia de Senhora da Hora foi criada no dia 14 de junho de 1933. Em 2013, a Freguesia da Senhora da Hora foi extinta no âmbito de uma reforma administrativa nacional, para, em conjunto com a Freguesia de São Mamede de Infesta, formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de São Mamede de Infesta e Senhora da Hora, com sede em Senhora da HoraDiário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 21 de março de 2014.. Em 2025, as freguesias agregadas foram repostas às suas características iniciais.
A vila de Senhora da Hora foi elevada à categoria de cidade em 12 de Junho de 2009.
miniaturadaimagem|402x402px|Junta de Freguesia da Senhora da Hora miniaturadaimagem|alt=Fotografia da Fonte das Sete Bicas|Fonte das Sete Bicas|302x302px
Geografia Senhora da Hora situa-se no Norte de Portugal, no Distrito do Porto, no Município de Matosinhos. A sua área geográfica comum ficou definida em 380 hectares.
A norte faz fronteira com Custóias e Guifões. A leste com São Mamede de Infesta. A oeste com Matosinhos. A sul com Ramalde e Aldoar, sendo estas duas últimas, da cidade do Porto, cuja fronteira é a Estrada da Circunvalação do Porto.
Bairros
Alto do viso Do latim altus que significa elevado e viso que significa cume de outeiro Localidade onde existiu uma torre de vigia e defesa no período Romano Azenha de Cima Barbeitos Barranha Carriçal Cruz de Pau Fonte do Cuco Lagoa Lavadores de Baixo Lavadores de Cima Madorninha Monte dos Burgos Padrão da Légua Quatro Caminhos Real São Gens
Certas parcelas de alguns destes territórios entram pelo termo de outras circunscrições, designadamente Matosinhos, Custóias e São Mamede de Infesta.
Património
Cultural e Civil Casa e Quinta de São Gens Centro Cultural da Senhora da Hora Monumento dos Centenários Vila Etelvina ou Palacete Sapage (agora serve o CIVAS)
Templos
Capela de Nossa Senhora da Penha de França Capela de Nossa Senhora da Hora Igreja da Nossa Senhora da Hora
Parques
Parque das Sete Bicas Parque de Jogos Manuel Pinto de Azevedo Parque do carriçal
Fontes Fonte da Azenha de Cima Fonte das Sete Bicas Fonte do Carriçal Fonte dos Lagos
Comercial
Centro Comercial Londres Feira da Senhora da Hora Galeria Avenidas Hipermercado Continente NorteShopping
Industrial Casa de Máquinas e Chaminé da Efanor
Germen - Moagem de Cereais S.A.
Escolas
Colégio Efanor Escola Básica da Barranha Escola Básica da Quinta de São Gens Escola Básica da Senhora da Hora Escola Básica de Quatro Caminhos Escola Secundária da Senhora da Hora Externato Arco-Íris
Universidades
Escola Superior de Artes e Design Instituto Superior de Serviço Social do Porto Porto Business School Universidade Sénior Ser+
Saúde
Centro de Saúde da Senhora da Hora Hospital Pedro Hispano
Desporto
Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos Estádio do Mar Pavilhão Municipal da Senhora da Hora
Estações de metro
Estádio do Mar NorteShopping - Sete Bicas Pedro Hispano
Senhora da Hora (antiga Estação Ferroviária da Senhora da Hora) Vasco da Gama
Coletividades
Associação Betesda Associação de Apoio a Pessoas com Cancro Associação de Pais da Senhora da Hora CIVAS - Centro de Infância, Velhice e Ação Social Passo Positivo Porto Canal
Clubes
Barranha Sport Clube Clube Desportivo da Quinta Seca GD4Caminhos (Grupo Desportivo Quatro Caminhos) Leixões Sport Club Lions Clube da Senhora da Hora Núcleo Desportivo de Veteranos da Senhora da Hora Padroense Futebol Clube Rotary Club da Senhora da Hora Sport Clube Senhora da Hora
População +População da Freguesia de Senhora da HoraInstituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes1940195019601970198119912001201120215 1605 8567 4359 94413 32119 98826 54327 74726 988+13,49%+26,96%+33,75%+33,96%+50,05%+32,79%+4,54%-2,74%
Distribuição da população por grupos etários Ano 0-14 anos 15-24 anos25-64 anos > 65 anos 0-14 anos 15-24 anos25-64 anos > 65 anos2001 4 524 3 752 15 730 2 537 17,0% 14,1% 59,3% 9,6%2011 3 901 3 188 16 797 3 861 14,1% 11,5% 60,5% 13,9%
Economia
Agricultura A agricultura desempenha desde longa data um papel relevante no contexto económico da Senhora da Hora, favorecida pela camada humosa do solo, abundância de água e clima propício ao desenvolvimento e variedade de culturas. No presente, o milho graúdo de sequeiro e regadio é a principal cultura, usado como recurso alimentar para o agricultor e manutenção do gado bovino.
Os terrenos são enriquecidos, do ponto de vista orgânico, com estrume de curral, cabeça e tripa de sardinha, sargaço, entre outros, sendo este último o mais apreciado, devido à sua riqueza proteica no adube de solos siliciosos, características da região. Em áreas de cultivo intensivo, nomeadamente na exploração de produtos hortícolas e pomares, em terrenos frescos e férteis, utilizam frequentemente estrume e outros corretivos orgânicos, em fertilizações várias, que provocam um enriquecimento no solo em matéria orgânica e elementos nutritivos.
Devido ao aproveitamento intensivo dos terrenos e atendendo ao seu declive, fez-se a estabilização com muros de suporte. A existência de linhas de água, obrigou à abertura de valas de enxugo ou drenagem. A adoção de regadio implicava a construção de poços, tanques, entre outros.
No tocante à exploração cerealífera, a cultura dominante é o milho, seguindo-se o trigo e o centeio.
Nos quintais e quintas dos agricultores do passado, recaía uma gama notável de culturas, de ciclo anual, com base numa alternância de culturas de inverno, como o cereal, forragens, couves e nabal com culturas de verão, designadamente milho, batatas, cenouras, feijão, cebolas, tomates, pimentos, alhos, abóboras, alfaces, couves, espargos, melancias, melões, pepinos e mais tarde favas e ervilhas.
A vinha é pouco significativa, mas existe um grande número de ramadas, em que as vides são conduzidas a serem suportadas por vigas de ferro, que na primavera e verão sombreiam entradas, pátios e caminhos. Um outro tipo é o de parreiras altas arrimadas a árvores, para produção de vinho verde e americano.
No que concerne à cultura de pomares e árvores frutíferas isoladas, é relativamente notório o cultivo de macieiras, pereiras, pessegueiros, figueiras, limoeiros, nespereiras, laranjeiras, tangerineiras, cerejeiras, diospireiros, entre outros.
Pecuária A pecuária bovina tem uma implantação tradicional na Senhora da Hora e assentava essencialmente na exploração de lameiros para sua manutenção, mas alargava-se a outras áreas, ultimamente recorre-se ao uso de rações.
Outrora caracterizava-se pela sua dupla função, de fornecedora de carne e trabalho, uma vez que o amanho dos terrenos de cultivo mais extensos se fazia através do arado e charrua por eles puxados, cuja produção seria mais tarde transportada em carros de bois, em madeira, utilizado também na recolha de lenha para cozinhar e aquecimento no inverno. O uso deste sistema tradicional milenar de lavra e transporte, foi substituído na última metade do século XX pelo trator. Os quintais e terrenos de menor extensão, normalmente preparavam-se para a sementeira pelo trabalho braçal do homem, com enxada.
Nas últimas décadas do século XX, a raça bovina tradicional sofreu uma redução acentuada, cedendo lugar a outras de função leiteira, sobretudo a turina. O gado cavalar, muar e asinino era também utilizado para lavrar, puxar carro e como meio de transporte.
Conforme consta em atas de vereações da Câmara de Bouças, sediada na altura na Senhora da Hora, aqui existiam diversos rebanhos de gado ovino e caprino, em que esta e a do Porto, combinavam quais deveriam ser os locais de pasto a utilizar, de forma a que nenhum município saísse prejudicado. Ocupava um lugar de destaque na exploração pecuária para produção de carne, leite e queijo de rebanhos mistos de ovelhas e cabras com pastoreio por vezes no restolho de áreas cerealíferas, vegetação herbácea espontânea dos campos, entre outros.
A criação de gado suíno inseria-se na tradição do lavrador, que cebava para proceder à matança do porco no inverno, a servir para sua alimentação durante o ano, o qual lhe fornecia o presunto e outras partes do animal, que conservava por salga os chouriços, e salpicões e morcelas por fumo.
A criação de aves de capoeira, nomeadamente, frangos, alguns capões, galinhas, garnizés, perus, parrecos, gansos, assumia um papel de destaque no contexto económico regional e familiar.
Indústria No século XX, a Senhora da Hora passou por uma revolução industrial, com destaque para a Empresa Fabril do Norte, a primeira fábrica do país a produzir linhas para máquinas de costura.
Além desta, outras empresas instalaram-se na Senhora da Hora, nomeadamente a Fábrica dos Caulinos, Fábrica José Ribera, Germen - Moagem de Cereais S.A., Fábrica Casas & Tomás, Fábrica de Penas de Aço, Fábrica de Tecidos Finos, entre outros.
A construção da Estação Ferroviária da Senhora da Hora foi a razão primordial para os empresários nortenhos investirem na Senhora da Hora.
Fábrica da Moagem Foi fundada em 1900, em carácter familiar por Joaquim Pinto. No dia 5 de maio de 1920 tornou-se pertença da Sociedade Fomento Industrial Lda. No dia 13 de novembro de 1990, constituiu-se a Germen - Moagem de Cereais S.A., pela concentração de duas empresas congéneres: Sociedade de Fomento Industrial Lda e a Companhia Aveirense de Moagens, S.A. de Aveiro.
Atualmente tem uma capacidade de ensilagem de 9000 toneladas de cereal em grão, trigo e centeio e 2500 toneladas de farinha, apoiando uma moenda diária de 460 toneladas. A farinha destina-se a padarias, confeitarias, fabrico de bolachas e consumo doméstico.
Exploração de granito nas pedreiras do Monte de S. Gens No Monte de S. Gens, de 448 metros no seu ponto mais elevado, o granito apresenta-se mais compacto, com planos divisórios, com diversas aplicações, nomeadamente para pedras de cantaria, esteios para vinhas e ramadas, pavimentação de vias, entre outros.
A exploração de granito nesta pedreira serviu para construção da Doca do Porto de Leixões, para a Igreja do Bom Jesus de Bouças em Matosinhos, Câmara do Porto, entre outros.
Fábricas de Caulino Em 1934 existiam na Senhora da Hora duas empresas, uma fundada em 1900 por A. Guimarães, com montagem de lavagem e secagem apropriadas. A segunda pertencente à Companhia Anglo-Portuguesa de Caulinos, que aqui se estabeleceu em 1923.
A exploração de caulino tinha diversas aplicações, designadamente borrachas, tintas e plásticos. No atual momento, já não é feita a produção de caulino na Senhora da Hora.
José Ribera, Lda Foi fundada em 1935 por José Ribera, oriundo de Espanha. A empresa era especializada em linhas finas para bordar, rendas e bordados de aplicação. O fabrico, além de ser escoado por todo o país, destinava-se essencialmente às ex-Províncias Ultramarinas.
A empresa foi posteriormente adquirida por Belmiro de Azevedo que a uniu à EFANOR. Depois de 1999, o engenheiro Soares Lopes comprou toda a maquinaria produtora da rendas e instalou-a em Monte Xisto da Ribeira, Guifões, com a denominação de Rendibor.
Fábrica Casas & Tomás Em 1920, fundou-se a Fábrica "Casas & Tomás", especializada no fabrico de correias utilizadas na tecelagem mecânica. Foi também especializada no tratamento e curtumes de couros industriais, assim como o fabrico de todos os artigos de couro para o exército, indústria e desporto.
História
Antecedentes históricos A ancestralidade da Senhora da Hora remonta à Pré-História, atestada pela presença de monumentos megalíticos existentes no Monte de S. Gens.