O Waldorf–Astoria foi um hotel de luxo localizado em Manhattan, Nova Iorque, Estados Unidos. Ele na verdade se originou como dois hotéis, o Waldorf Hotel e o Astoria Hotel, construídos lado a lado por parentes rivais, o primeiro em 1893 e o segundo em 1897, ambos na Quinta Avenida. O Waldorf–Astoria foi fechado e demolido em 1929 para dar lugar ao Empire State Building. Seu sucessor, o Waldorf Astoria New York, foi inaugurado em 1931 na Avenida Park.
O Waldorf original foi inaugurado em 13 de março de 1893 na esquina da Quinta Avenida com a 33ª Rua, no local onde o milionário John Jacob Astor III havia anteriormente construído sua mansão. O edifício foi projetado por Henry Janeway Hardenbergh no estilo renascentista alemão, possuindo 69 metros de altura, quinze aposentos públicos, 450 quartos e mais cem quartos para empregados, com as instalações de limpeza localizadas nos andares superiores. Ele foi mobiliado com móveis europeus trazidos pelo proprietário fundador George Boldt e sua esposa Louise. O Salão Empire era o maior aposento do Waldorf, tornando-se um dos melhores restaurantes da cidade pouco depois de sua abertura.
O Astoria foi inaugurado em 1 de novembro de 1897 na esquina da Quinta Avenida com a 34ª Rua, bem ao lado do Waldorf. Ele também foi projetado por Hardenbergh no mesmo estilo renascentista alemão, tendo 82 metros de altura, 25 aposentos públicos e 550 quartos para hóspedes. O salão de bailes foi decorado no estilo Luís XIV e era considerado o elemento mais distinto do hotel, possuindo uma capacidade de setecentos lugares para banquetes e 1700 para concertos musicais. A Sala de Jantar Astor era uma reprodução fiel da sala de jantar original que existia na mansão que ocupava o terreno.
Os dois hotéis se fundiram em 1897 e foram conectados por um corredor de trezentos metros apelidado pela imprensa de "Beco do Pavão", tendo ao todo 1300 quartos, tornando-se o maior hotel do mundo na época. O Waldorf–Astoria foi pensado especificamente para satisfazer as necessidades da classe alta de Nova Iorque e visitantes estrangeiros importantes. Foi o primeiro hotel do mundo a oferecer luz elétrica completa e banheiros particulares. O Waldorf ganhou renome mundial por seus jantares e bailes para arrecadação de fundos, assim como seu maître Oscar Tschirky.
História Waldorf e início thumb|esquerda|220px|O Waldorf em 1893. John Thompson comprou em 1799 um terreno de oito hectares por 482 libras esterlinas, aproximadamente entre a Avenida Madison, 36ª Rua, Sexta Avenida e 33ª Rua, imediatamente ao norte da fazenda de Caspar Samler. John Jacob Astor comprou o terreno de Thompson em 1826, assim como o de John e Mary Murray, que eram donos de uma fazenda na Colina Murray, área que hoje vai da Avenida Madison até a Avenida Lexington, entre a 34ª e 38ª Ruas. Seu filho, William Backhouse Astor, comprou metade da propriedade em 1827 por 20.500 dólares, incluindo a Quinta Avenida da 32ª a 35ª Rua. Ele construiu uma modesta casa de tijolos vermelhos na esquina sudoeste da Quinta Avenida com a 34ª Rua, enquanto o filho deste, John Jacob Astor III, levantou uma casa na esquina noroeste da 33ª Rua.
William Waldorf Astor, parcialmente motivado por uma briga com sua tia Caroline Schermerhorn Astor, construiu o Waldorf Hotel ao lado da casa dela, no local da antiga mansão de seu pai na esquina da 33ª Rua. O hotel foi erguido segundo as espeficicações do proprietário fundador George Boldt, que também era dono do Bellevue-Stratford Hotel, um hotel de luxo na Filadélfia, Pensilvânia, junto com sua esposa Louise Kehrer Boldt. Os planos originais era para que o Waldorf tivesse onze andares. Entretanto, Louise Boldt acreditava que treze era seu número da sorte e conseguiu persuadir o marido a adicionais mais dois andares ao edifício. A briga entre Caroline e William piorou ainda mais depois da decisão dele de construir um hotel ao lado da casa da tia, porém, com o auxílio de Boldt, John Jacob Astor IV conseguiu convencer sua mãe a mudar-se para outra casa. O Waldorf Hotel, nomeado em homenagem a pequena cidade de Walldorf na Alemanha, o lar ancestral dos Astor, foi inaugurado em 13 de março de 1893.
O Waldorf no início foi alvo de chacota devido seu grande número de banheiros e ficou brevemente conhecido como "Folly de Boldt" ou "Folly de Astor", com a percepção geral sendo que tal hotel palaciano não tinha lugar em Nova Iorque. Ele parecia destinado ao fracasso. Novaiorquinos ricos ficaram bravos por acharem que a construção do Waldorf estava arruinando um bairro bom. Viajantes à negócios o achavam muito caro e muito longe dos centros comerciais. Sabendo de tudo isso, Boldt resolveu realizar no hotel no dia de sua inauguração um concerto beneficente para o Hospital de Santa Maria para Crianças. O hospital era uma caridade favorita daqueles no Registro Social norte-americano. Apesar da chuva, o salão de bailes lotou com muitas das famílias ricas da cidade, que pagaram cinco dólares pelo concerto e por um jantar no Waldorf. A Orquestra Sinfônica de Nova Iorque, sob a regência do maestro Walter Damrosch, proporcionou a música para o concerto. As mulheres da época normalmente não aventuravam-se para dentro de hotéis, mesmo quando propriamente acompanhadas, porém na ocasião da inauguração elas realizaram um tour especial pelo estabelecimento.
Boldt também fez notícias ao insistir que todos os garçons do Waldorf tivessem a barba raspada, apesar dele mesmo ter uma barba, porém sua decisão de contratar o jovem Oscar Tschirky como maître foi um dos principais fatores que levaram ao sucesso do hotel. Tschirky era bem-apessoado, humilde e muito disposto a cuidar das necessidades de seus hóspedes individualmente. Trinta anos depois, ele ainda era capaz de lembrar do dia da inauguração e dos nomes dos presentes naquele dia. Os negócios logo melhoraram e o Waldorf fez 4,5 milhões de dólares em seu primeiro ano, valor exorbitante para o período. O Waldorf adicionou mais cinco andares em 1895. Isto desceu seu salão de bailes para o andar térreo; esta mudança trouxe muitas festas e jantares que costumavam ocorrer em casas particulares. Adjacente estava o Salão de Carvalho, onde podia-se sentar ao lado de grandes lareiras que sempre ficavam acesas. Os garçons, durante os invernos, ofereciam batatas assadas com manteiga para os hóspedes.
Astoria e fusão thumb|230px|O Astoria em 1901. Quando foi tomada a decisão de construir um segundo hotel ao lado do Waldorf, disposições de trégua foram estabelecidas entre os Astor para que certos direitos de propriedade fossem mantidos. O projeto usava corredores para conectar os dois edifícios, existindo até mesmo uma provisão para que os corredores fossem selados caso necessário. John Jacob Astor IV inaugurou o Astoria Hotel em 1 de novembro de 1897, bem ao lado do Waldorf. Ele foi nomeado em homenagem à cidade de Astoria no Oregon, que fora fundada em 1811 por John Jacob Astor, ficando localizado no local da antiga casa de William Backhouse Astor e sendo alugado por Boldt.
Os dois hotéis ficaram sob uma única gestão de Boldt e acabaram renomeados como o Waldorf–Astoria. O hotel ficava na Quinta Avenida e era cercado por ruas em todos os lados. O estabelecimento ficou com dimensões de 61 metros de largura por 110 metros de comprimento, possuindo ao todo treze entradas que davam diretamente para as ruas ao redor. Ele ainda estendia-se treze metros no subsolo para uma área adicional de 23 metros por 74 metros em direção da Broadway, onde ficavam localizados as caldeiras, cozinhas, instalações de limpeza e até mesmo a Waldorf-Astoria Cigar Company. A distância da calçada até o teto do observatório era de 76 metros. Era o maior hotel do mundo na época. O custo combinado dos dois hotéis, excluindo as mobílias, foi de quinze milhões de dólares em valores da época. O valor avaliado em 1897 era de 12,125 milhões de dólares, fazendo do Waldorf–Astoria o segundo local mais valorizado na Quinta Avenida depois da loja da B. Altman and Company. Segundo o autor Sean Dennis Cashman, o hotel transformou-se em "um símbolo bem sucedido da opulência e realização da família Astor".
O hotel passou a enfrentar competição forte no começo do século XX, com uma grande variedade de hotéis surgindo em Nova Iorque, como por exemplo o Hotel Astor em 1904, o The St. Regis também em 1904, o Knickerbocker Hotel em 1906 e o Savoy-Plaza Hotel em 1927. O hotel estava ficando datado no começo da década de 1920, com a vida social elegante de Nova Iorque tendo se mudado para muito mais ao norte da 34ª Rua. A família Astor por fim vendeu o hotel para os desenvolvedores do Empire State Building, com o Waldorf–Astoria sendo fechado em 3 de maio de 1929 e demolido pouco depois. Seu novo edifício, localizado na Avenida Park entre 49ª e 50ª ruas, foi inaugurado em 1 de outubro de 1931. Seus registros originais estão preservados na Biblioteca Pública de Nova Iorque.
Sociedade
O Waldorf desde o início sempre foi uma "hospedagem obrigatória" para dignitários estrangeiros. Li Hongzhang, vice-rei da China, hospedou-se no hotel em 1896 e comeu pratos feitos com ovos de cem anos de idade que havia trazido consigo. Li também trouxe seus próprios fogões, chefs e criados para que preparassem e servissem suas refeições. Ele ordenou assim que foi embora que uma cesta cheia de rosas fosse entregue a todas as hóspedes mulheres do hotel, também sendo muito generoso com os presentes que deu para os funcionários. Um jantar luxuoso foi organizado em 1902 para o príncipe Henrique da Prússia; além disso, o Waldorf tinha construído uma entrada privativa na 33ª Rua e instalado um elevador. A equipe também fora chamada para formar uma "brigada de baldes" para poder preparar o banho do príncipe depois de ter ocorrido um problema com o encanamento da suíte real. Um dos primeiros residentes ricos foi o empresário John Warne Gates de Chicago, que costumava apostar no mercado de ações e depois jogar pôquer no hotel. Ele pagava cinquenta mil dólares por ano para alugar suítes, tendo sua própria entrada e elevador particulares. A grã-duquesa Vitória Feodorovna da Rússia foi convidada na década de 1920 para hospedar-se no hotel.
O Waldorf–Astoria ganhou renome por seus bailes e jantares de arrecadação de fundos, que regularmente atraíam pessoas notáveis como Andrew Carnegie. Banquetes para figuras proeminentes e nobres estrangeiros eram frequentemente realizados no salão de bailes. Tschirky realizou em 11 de fevereiro de 1899 um jantar que o New York Herald Tribune descreveu como o mais caro na história da cidade. Cada convidado pagou aproximadamente 250 dólares, tendo sido servidos ostras azuis, sopa de tartaruga, lagosta, pato avermelhado e framboesas azuis. Alguns meses depois, 120 marinheiros do cruzador USS Raleigh receberam um banquete, durante o qual o ambiente foi decorado com estandartes de seda e bandeiras. Um artigo de jornal do mesmo ano afirmou que em qualquer momento o hotel tinha pelo menos sete milhões de dólares em objetos de valor guardados em seu cofre, uma prova da riqueza de seus hóspedes. Banquetes, comparecidos por centenas, foram realizados em 1909 para o explorador Frederick Cook em setembro e para Elbert Henry Gary, um dos fundadores da U.S. Steel, no mês seguinte. O comitê de inquérito do Senado sobre o naufrágio do RMS Titanic foi aberto no hotel em 19 de abril de 1912 e continuou lá até mudar-se para Washington, D.C..