Nada a Perder: Contra Tudo. Por Todos. é um filme biográfico brasileiro de drama sobre a trajetória do bispo evangélico, escritor e empresário Edir Macedo. Foi dirigido por Alexandre Avancini e roteirizado por Stephen P. Lindsay e Emílio Boechat.

É baseado na trilogia homônima Nada a Perder e no livro O Bispo: A História Revelada de Edir Macedo, de Douglas Tavolaro. É estrelado por Petrônio Gontijo, interpretando o protagonista, Day Mesquita interpretando sua esposa Ester Bezerra e Beth Goulart interpretando a mãe Dona Geninha. É também a primeira representação de Silvio Santos no cinema. A sequência — Nada a Perder 2 — foi lançada em 15 de agosto de 2019.

Sinopse A primeira parte do filme conta a trajetória do bispo evangélico Edir Macedo, a partir da infância, fundação da Igreja Universal do Reino de Deus, compra da TV Record, até o momento de sua prisão por charlatanismo. A história do país nos anos 60, 70, 80 e 90 é pano de fundo para a trajetória de Edir Macedo, sempre cercada de momentos turbulentos e controversos.

Elenco Ator/Atriz Personagem Petrônio Gontijo Edir Macedo Day Mesquita Ester Bezerra Beth Goulart Eugênia Macedo (Geninha) Dalton Vigh Juiz Ramos André Gonçalves R. R. Soares Eduardo Galvão Monsenhor José Maria Marcello Airoldi Henrique José Victor Pires Edir Macedo (jovem) Giovanna Chaves Cristiane Cardoso Rafael Gevú Renato Cardoso Raphael Viana Evandro Otávio Martins Ministro Francisco Bittencourt Greta Antoine Elcy Paulo Coronato Bernadino André Garolli Delegado Leo André Bicudo Silvio Santos Kathia Calil Maria Eduarda Camila Czerkes Madalena Larissa Ferrera Edna Leonardo Franco Albino Ana Elisa Mattos Lucia César Mello Paulo Pedro Henrique Moutinho Policial Silva Joana Rodrigues Viviane Freitas Enzo Barone Edir Macedo (criança)

Produção Desenvolvimento As filmagens do filme começaram em maio de 2017 em São Paulo. No papel de Edir, Petrônio Gontijo vive seu primeiro protagonista no cinema. Na caracterização, o ator precisou usar uma prótese nas mãos para retratar a deficiência física das mãos de Edir Macedo: "Nas cenas em que eu precisava usar as mãos, eu tive que treinar muito, reaprender a pegar objetos, como copos e xícaras, reaprender a escrever sem o auxílio dos polegares", afirma Gontijo. Sobre a maquiagem e envelhecimento, Emi Sato, profissional responsável pela caracterização, disse: "Algumas maquiagens demoraram cerca de 6 horas, como no caso do ator Marcello Airoldi (que fez Henrique, o pai do bispo Edir Macedo). A Beth Goulart, que interpreta a mãe do bispo, ficou cerca de 4 horas na maquiagem", relatou. Para a segunda parte do longa, Petrônio optou por raspar a cabeça ao invés de prótese como parte da caracterização. Veículos antigos ajudaram a recriar o clima de época dos anos 60 aos 90 em cenas externas. Nas gravações, foram usados mil carros antigos, entre eles um Chevrolet 1941 e um Cadillac 1954. Já um Fusca vermelho de 1954 representou o carro de Edir Macedo.

Durante seis meses uma equipe de preparação trabalhou com Petrônio e Day Mesquita. O protagonista passou por uma reeducação corporal onde emagreceu e mudou o modo de se portar e andar. Os próprios livros, fotos e materiais em vídeo de Edir Macedo foram também estudados. Um encontro com Macedo também ocorreu durante esse processo. Questionado sobre como montou o personagem, Petrônio disse que recebeu conselhos do próprio religioso: "Eu me lembro dele falando só uma coisa: eu sou um homem revoltado, ponha essa firmeza lá (no filme)". Este foi seu único pedido. Fora isso tive muita liberdade", revelou Petrônio. Os protagonistas revelaram que fizeram cerca de 12 a 14 horas de filmagens por dia. As filmagens também ocorreram no Rio de Janeiro, Nova York, Jerusalém e Joanesburgo.

Divulgação No dia 4 de fevereiro foi divulgado o trailer do filme. Para a divulgação, a Record produziu uma série especial para o Jornal da Record, além de diversas reportagens para o Domingo Espetacular. Na época, o plano previa a exibição de 16 chamadas diárias até o dia do lançamento. A Paris Filmes comprou espaços comerciais na Rede Globo para anunciar o filme, sendo a primeira vez que a emissora anuncia produtos ligados à Igreja Universal. Em setembro de 2017, foi divulgado que a Netflix comprou os direitos de exibição do filme. A empresa pagou o maior preço já pago por um filme de língua não inglesa. Nada a Perder entrou na plataforma no dia 29 de junho de 2018, estando disponível nos 190 territórios onde a Netflix está presente.

Trilha sonora A música "Marcas da Vida", do cantor Pr. Lucas, é a música-tema do filme, exibida nos créditos finais. Uma orquestra com 60 músicos foi contratada para produzir a trilha sonora do longa, composta e regida por Otavio de Moraes.

Lançamento Bilheteria A rede de cinema Cinemark disponibilizou a pré-venda dos ingressos para o filme em 2 de fevereiro de 2018. No final do mês, a pré-venda já ultrapassava os 2 milhões de ingressos vendidos e em março já havia chegado aos 3.1 milhões, se tornando a maior bilheteria do ano antes de seu lançamento, superando Os Dez Mandamentos, outra produção da Paris Filmes com a Record. O site UOL citou esse impulso na compra de ingressos devido a um sorteio promovido pela Cinemark de uma viagem a Israel e mais dez viagens para visitar o Templo de Salomão, em São Paulo.

Perto de sua estreia, a pré-venda já tinha vendido mais de 4 milhões. O jornal O Globo chegou a consultar as principais redes de cinema para saber se fizeram acordo com a Igreja Universal na venda de ingressos, trazendo em perspectiva uma possível repetição do que aconteceu com o lançamento do filme Os Dez Mandamentos, recordista em vendas de ingressos mas registrando salas vazias. A Kinoplex confirmou ter vendido pacotes de ingressos para pastores e grupos a partir de cem pessoas, onde todos pagam meia entrada. Em resposta, a IURD emitiu comunicado afirmando que estimulou o público a assistir o filme, mas negou que pagou por ingressos, criticando a imprensa e a chamando de "rancorosa e preconceituosa".

Nada a Perder estreou na liderança em sua primeira semana de exibição, com 2.186.065 entradas comercializadas e a quinta maior estreia nacional do ano, inferior aos números da pré-venda, e arrecadando 25.8 milhões de reais. No entanto, registros feitos no dia do lançamento mostravam salas vazias ou com menos da capacidade. Uma reportagem do O Globo relatou que alguns espectadores afirmaram que os ingressos estavam sendo distribuídos pela IURD. A comunicação social da IURD chamou de "vergonhosa a acusação" de que teria comprado ingressos, reiterando em nota publicada em seu portal oficial, além de classificar como mentira uma tentativa "da mídia, os produtores e promotores de fake news" de "espalhar que o êxito do filme foi manipulado".

Mauricio Stycer, em seu blog no UOL, relatou os lugares vazios e a distribuição de ingressos na estreia de Nada a Perder. Destacou ainda que fiéis traziam consigo um lencinho com uma prece — uma passagem de Atos 19:11-12 —, que foi mencionado no final do filme numa aparição de Edir Macedo pedindo para que as pessoas da sessão usassem e levassem o lenço para uma Igreja Universal, prosseguindo a exibição com a cena final. A participação do bispo não havia sido mostrada na pré-estreia. Todos esses elementos foram considerados pelo jornalista "mistérios de Nada a Perder", por não ter recebido resposta oficial da assessoria da igreja. O jornal Folha de S. Paulo relatou também que alunos de escolas públicas eram levados em excursões para assistir Nada a Perder em horário de aula por pessoas e organizações ligadas à Igreja Universal. Em 4 de maio de 2018 o filme tornou-se o maior filme nacional de bilheteria de todos os tempos com 11.285.248 ingressos vendidos, superando Os Dez Mandamentos. Nada a Perder teve arrecadação final de 120 milhões de reais, sendo também a maior arrecadação do cinema nacional. O longa manteve o recorde até janeiro de 2020 quando Minha Mãe É uma Peça 3 arrecadou 137.9 milhões de reais.

Análise da crítica Nada a Perder recebeu críticas mistas, geralmente negativas, sendo considerada por alguns como uma obra de ficção, por deixar de fora as polêmicas envolvendo Edir Macedo, retratando o bispo como um tipo fantasioso de herói. André Miranda, do jornal O Globo, criticou o uso do líder religioso como personagem de ficção, classificando como "raso". Ele nota a construção da imagem perfeita de Edir Macedo — visto como herói, deixando de lado todas as polêmicas — e alia isso ao filme como "um vídeo de campanha política que serve para atrair votos". Miranda também destaca a aparição do próprio bispo, ao final do filme, realizando uma oração, descrevendo o momento "como se ele próprio se autodenominasse herói, santo, mártir, redentor, uma espécie de messias que enfrentou todas as dificuldades em nome de ajudar as pessoas". O jornalista Maurício Stycer elogiou a produção e a reconstituição dos anos 1970 e 1980, além do desempenho de Petrônio Gontijo como protagonista. Além disso, ressaltando o subtítulo do filme, Stycer afirma que ele "reproduz de forma apropriada o tema principal do filme – as dificuldades e agruras de Macedo em toda a sua vida". Ele também notou a falta de menções à Rede Globo, emissora que Macedo já chegou a citar na biografia O Bispo (2007) como sua "inimiga" e menciona o fato da Paris Filmes ter comprado espaços comerciais na emissora para promover Nada a Perder. Stycer também citou o crítico de cinema Roberto Sadovski, que chamou Nada a Perder de "peça de propaganda da Universal". Para Sadovski, Nada a Perder "É uma obra que prega aos convertidos, já que qualquer um que não seja membro da igreja ou fã de Macedo vai sair do cinema exatamente com a mesma informação que tinha ao entrar".

No site Internet Movie Database (IMDb), o filme estreou com nota 10, com base em 14.468 avaliações de usuários computados pelo UOL em 5 de abril de 2018, enquanto que 266 usuários deram nota 1. Em 8 de abril, a Record destacou em reportagem o desempenho do filme no IMDb, comparando com as avaliações de filmes reconhecidos como O Poderoso Chefão, Um Sonho de Liberdade e A Forma da Água, este último premiado como Melhor Filme na premiação do Oscar em 2018, que obtiveram nota inferior ao longa brasileiro. Logo após a exibição da reportagem, Mauricio Stycer relatou denúncias de internautas que afirmavam que várias avaliações eram falsas e que estariam sendo aplicadas por robôs. Com isso, a nota começou a cair (naquele momento, 15 mil usuários já haviam dado nota 10 ao filme). Em maio, Nada a Perder ingressou na lista de 100 Piores Filmes da História pelo IMDb, com uma nota de 2.4 atribuída pelos críticos do site.

Projeto Cinema Solidário Através do projeto intitulado "Cinema Solidario", desenvolvido em parceria entre a empresa BRAVOS Technology e o grupo Universal, a exibição de Nada a Perder ocorreu também em localidades sem acesso a cinema. Dessa forma, foi preparado um ônibus que levou o filme a diferentes locais, desde territórios indígenas até presídios urbanos. A estrutura montada permitiu que a produção fosse exibida com a mesma qualidade do cinema tradicional.

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