275px|thumb|Modelos típicos de vários fabricantes do automóvel brasileiro de combustível flexível, popularmente conhecidos como "flex", que operam com qualquer mistura de álcool (E100) e gasolina (E20 a E25).

Veículo flex () ou veículo de combustível duplo () está equipado com um motor de combustão interna a quatro tempos (Ciclo Otto) que tem a capacidade de ser reabastecido e funcionar com mais de um tipo de combustível, misturados no mesmo tanque e queimados na câmara de combustão simultaneamente.

O FFV mais comum disponível comercialmente no mercado mundial é o veículo flex a etanol, com cerca de 60 milhões de automóveis, motocicletas e caminhões leves fabricados e vendidos em todo o mundo até março de 2018, e concentrados em quatro mercados, Brasil (30,5 milhões de veículos leves e mais de 6 milhões de motocicletas) Estados Unidos (27 milhões até o final de 2021), Canadá (1,6 milhões até 2014), e Europa, liderada pela Suécia (243 100). Além dos veículos flex movidos a etanol, na Europa e nos EUA, principalmente na Califórnia, houve programas de teste bem-sucedidos com veículos flex a metanol, conhecidos como veículos flex M85. Também houve testes bem-sucedidos usando combustíveis da série P com veículos flex E85, mas a partir de junho de 2008, este combustível ainda não está disponível para o público em geral. Estes testes bem-sucedidos com combustíveis da série P foram realizados em veículos Ford Taurus e Dodge Caravan flex.

O veículo de combustível flexível mais comum disponível no mercado mundial utiliza etanol como segundo combustível. Um sensor detecta a mistura do combustível e ajusta a injeção de acordo com a mistura. Assim, pode-se usar tanto álcool quanto gasolina, ou uma mistura dos dois em qualquer proporção. No caso do Brasil, o ajuste da injeção é feito com software automotivo desenvolvido por engenheiros brasileiros.

Devido à ampla aceitação dos veículos flexíveis que utilizam etanol como combustível, o uso comum do termo veículo flex virou sinônimo de veículo flexível que usa etanol como combustível. Na Europa são conhecidos como "flexifuel" e nos Estados Unidos como "flex-fuel", "FFVs" () ou veículos E85, já que pelo clima frio a mistura máxima é de 15% de gasolina e 85% de álcool.

Terminologia thumb|O Fiat Siena Tetrafuel 1.4 é um carro multicombustível que pode operar como flex com gasolina pura, ou gasolina E25, ou álcool (E100); ou opera automaticamente como bicombustível com gás natural (GNV). Mostrados os tanques do GNV e a logomarca Tetrafuel.

O veículo de combustível duplo () fornece ambos os combustíveis armazenados e misturados no tanque na câmara de combustão ao mesmo tempo e a injeção é ajustada segundo a mistura detectada por sensores eletrônicos, que no caso da tecnologia brasileira, é feito com software automotivo que não precisa de sensores adicionais. No Brasil é popularmente conhecido como veículo flex. No uso comum do termo no Brasil, o veículo flex é chamado de veículo bicombustível, sem fazer a diferença dos termos que existe na língua inglesa. O veículo bicombustível () tem tanques separados para armazenar dois combustíveis, normalmente gasolina e gás combustível (GNV). O veículo pode trocar de combustível manual ou automaticamente. O veículo multicombustível funciona com mais de dois combustíveis. No Brasil, existem automóveis flex, tipicamente taxis no Rio de Janeiro e São Paulo, adaptados para operar com gás natural (GNV), permitindo assim ao motorista escolher entre três combustíveis: gasolina E25 e álcool E100 em qualquer proporção, ou usar somente com GNV. Em 2006 a FIAT introduziu no mercado o modelo Fiat Siena Tetrafuel, um automóvel desenvolvido com tecnologia da Magneti Marelli do Brazil. O Siena Tetrafuel pode operar com 100% de álcool hidratado (E100), com gasolina E25, a mistura oficial do Brasil, gasolina pura (não disponível no Brasil), e gás combustível (GNV). Este artigo argumenta que ainda que a Fiat chamou o carro de tetra fuel, na verdade somente opera com três combustíveis: gás natural, álcool e gasolina. O Siena Tetrafuel troca de combustível de forma automática, dependendo da potência que as condições de rodagem demandar. Se o motorista deseja operar somente como veículo flex, precisa fechar a válvula do gás no motor em forma manual. O veículo híbrido flex permite que o carro seja movido a eletricidade, gasolina ou etanol. A Toyota do Brasil anunciou o lançamento do primeiro carro híbrido flex em dezembro de 2018. Testes foram realizado com um Toyota Prius como protótipo desde março de 2018. O projeto foi desenvolvido pela Toyota a partir de 2015 em parceria entre a montadora e universidades federais brasileiras. Toyota planeja investir um bilhão de Reais em unidade brasileira para iniciar a produção na segunda metade de 2019. A montadora considera que o desenvolvimento foi possível pelo programa federal Rota 2030, que oferece previsibilidade para as empresas investirem no longo prazo no país e estimula a fabricação de veículos mais eficientes.

História esquerda|thumbnail|O modelo Ford T foi o primeiro veículo comercial de combustível flexível. Foram desenvolvidas versões permitindo operar com gasolina ou álcool ou uma mistura de ambos. O primeiro veículo flex comercial vendido no mundo foi o Ford modelo T, produzido desde 1908 até 1927. O automóvel era fabricado com um carburador de injeção ajustável que permitia o uso de gasolina, etanol ou uma mistura de ambos.Hunt, V, D, The Gasohol Handbook, Industrial Press Inc., 1981, pp 9, 420,421, 442 (em Inglês) Outros fabricantes americanos de veículos também ofereceram motores para operar com álcool. Henry Ford advogou pelo uso do etanol como combustível para os automóveis ainda durante a época da Lei seca ou proibição americana. Porém, o combustível que prevaleceu foi a gasolina devido ao baixo custo do petróleo, até que aconteceu a crise do petróleo de 1973, que resultou em preços altos e desabastecimento de gasolina em vários países, criando assim consciência sobre os perigos da dependência do petróleo.

Esta crise abriu uma nova oportunidade para o uso do álcool (etanol) combustível, assim como para outros combustíveis alternativos, como o metanol combustível, os combustíveis gasificados como o gás natural veicular (GNV) e o gás de petróleo liquefeito (GLP), e também para as células combustíveis de hidrogênio. Também publicado no “Journal of Scientific & Industrial Research” Vol. 62, Janeiro-Fevereiro 2003, pp. 97-105 O etanol, o metanol e o gás natural GNV são os três combustíveis alternativos que receberam maior apoio governamental, permitindo assim o desenvolvimento de tecnologias, veículos e adaptações comercialmente viáveis em vários países do mundo.

Desde a segunda metade da década de 70, e como resposta à primeira crise do petróleo, o governo brasileiro implementou o Programa Pró-Álcool, uma iniciativa de alcance nacional financiada pelo governo para lograr uma redução progressiva de todos os veículos que utilizavam combustível derivado de petróleo e incentivando a substituição da gasolina pelo etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A primeira medida foi a de estabelecer a mistura de álcool anidro com gasolina convencional. Esta mistura é utilizada desde então, e o conteúdo de etanol está determinado por lei entre E-20 a E-25, estando agora em vigência a mistura com 25% de álcool (conhecido como gasolina E25). Em Julho de 1979, e como resposta à segunda crise do petróleo, foi fabricado o primeiro veículo com combustível de etanol puro, o Fiat 147.

O governo brasileiro impulsionou a indústria do etanol como combustível mediante três medidas importantes: compras garantidas da empresa petrolífera estatal Petrobras; empréstimos com interesse de baixo custo para as empresas do setor agroindustrial de etanol; e preços fixos para a gasolina e o etanol. Depois de alcançar uma frota de quase 9 milhões de veículos operando com etanol puro, ao final dos anos 80, o uso de veículos E100 começou a diminuir bruscamente devido ao aumento dos preços do açúcar provocando escassez do combustível E100. thumb|O VW Gol 1.6 Total Flex modelo 2003 foi o primeiro veículo de combustível flex produzido e comercializado no Brasil, com capacidade para operar com qualquer mistura de gasolina e etanol (E20-E25 a E100). thumb|Primeiro carro híbrido flex testado com um Toyota Prius como protótipo.

Após extensas investigações, um segundo impulso ao etanol como combustível teve lugar em maio de 2003, quando a subsidiária brasileira da Volkswagen iniciou a produção comercial do primeiro veículo completamente 'flex', o Gol 1.6 Total Flex. Vários meses depois foi seguido por modelos de outros fabricantes de automóveis brasileiros, e para 2008, Chevrolet, Fiat, Ford, Peugeot, Renault, Volkswagen, Honda, Mitsubishi, Toyota e Citroën fabricam modelos populares e alguns modelos de luxo com motor de combustível flex, aceitando gasolina e etanol em qualquer proporção. A adoção dos veículos flex com etanol como combustível teve tanto êxito que a produção de veículos flex passou de 40 mil unidades em 2003 a 1,7 milhões em 2007.

Nos Estados Unidos, o apoio inicial para desenvolver veículos de combustível alternativo por parte do governo foi, também, uma resposta à crise do petróleo de 1973, e posteriormente, com o objetivo de melhorar a qualidade do ar. O desenvolvimento de combustíveis líquidos teve preferência sobre os gasosos, não apenas porque tem uma melhor densidade de energia por volume como também porque são mais compatíveis com os sistemas de distribuição de combustível e motores existentes, evitando assim um distanciamento das tecnologias existentes e aproveitando os veículos e a infraestrutura existentes.Califórnia foi o estado que liderou a busca por alternativas sustentáveis com particular interesse no metanol. Ford Motor Company e outras fabricantes automotivas americanas responderam ao pedido da Califórnia de desenvolver veículos com etanol como combustível. Em 1981, a Ford entregou 40 veículos Escort que funcionavam com metanol puro (M100) ao Condado de Los Angeles, sem embargo, apenas quatro postos de combustíveis foram habilitadas. O maior desafio para o desenvolvimento da tecnologia de veículos com álcool como combustível foi confeccionar os materiais que proporcionassem mais reatividade química do combustível. O metanol foi um desafio ainda maior que o etanol, mas, felizmente, a experiência prévia do Brasil na produção de veículos que utilizavam etanol puro como combustível, foi transferida ao metanol. O êxito da pequena frota experimental de veículos M100 levou o estado da Califórnia a solicitar mais veículos, principalmente para a frota estatal. Em 1983, a Ford construiu 582 veículos M100, 501 foram para a Califórnia e o restante para Nova Zelândia, Suécia, Noruega, Reino Unido e Canadá.

Como resposta à falta de infraestrutura para abastecer os veículos, a Ford começou a desenvolver veículos flex em 1982, e entre 1985 e 1992, 705 veículos flex experimentais foram construídos e entregues na Califórnia e Canadá, incluindo o Escort 1.6L, o Taurus 3.0L e o LTD Crown Victoria 5.0L. Estes veículos podiam funcionar com gasolina ou metanol com o mesmo sistema de combustível. Na época foram aprovadas leis para incentivar a indústria automobilística americana a produzir veículos flex, que começou em 1993 quando a Ford produziu veículos flex M85. Em 1996, o novo veículo flex da Ford, Ford Taurus, foi desenvolvido com versões capazes de operar com metanol ou etanol, misturados com gasolina, M85 e E85 respectivamente. Esta versão do Taurus foi o primeiro modelo comercial de veículo flex E85. Fuente original: 1996 North American International Auto Show Press Release O impulso dos programas de produção de veículos flex continuou nos Estados Unidos, mesmo que no final dos anos noventa a ênfase que se deu a versão E85 é a mesma que está até hoje.