Elaine é um dos poemas de Idílios do Rei de Alfred Tennyson para cuja ilustração, na edição em francês de 1867, o artista francês Gustave Doré criou nove desenhos com base nos quais foram produzidas as gravuras que apareceram no livro.

Idílios do Rei () de Alfred Tennyson é um conjunto de 12 poemas sobre a lenda do Rei Artur e as personagens do Ciclo Arturiano, tendo Gustave Doré ilustrado os quatro primeiros poemas publicados, Enide, Viviane, Elaine e Guinevere, com 9 desenhos em cada um dos poemas, num total de 36, publicados inicialmente em 1867. via Google Books

Elaine reconta a história do amor não correspondido de Elaine de Astolat por Lancelote.

Gustave Doré (1832–83), um brilhante gravador não só pelo domínio da técnica como pelo nível artístico do desenho, foi um dos mais prolíficos e bem-sucedidos ilustradores de livros do final do século XIX, tendo criado um conjunto de 36 belas ilustrações para os quatro primeiros poemas de Idílios do Rei.

Tal como muitas das suas obras, as ilustrações de Doré para Idílios possuem um grande nível dramático, detalhe e impacto, estando impregnadas de um sentimento melancólico e sobrenatural. A sua técnica magistral é evidente em cenas idealizadas esplêndidas, ilustrando o envolvimento romântico de quatro damas adoráveis: Enide, a esposa de Geraint, um dos cavaleiros de Artur, a "astuta Viviane", uma beleza intrigante que tenta seduzir o mago Merlim, "a bela Elaine", tragicamente apaixonada por Lancelote, e Guinevere, a pérfida esposa do rei Artur.Doré's Illustrations for "Idylls of the King", Amazon,

Resumo da história e descrição das imagens No seu quarto, no andar mais alto de uma torre, Elaine, a bela, a amável, a menina branca de Astolat, guardava o escudo sagrado de Lancelote. Ela o colocou onde os primeiros raios da manhã o atingiam e o lhe davam brilho. Mais tarde, temendo a ferrugem ou alguma mancha, ela fez uma bainha de seda e brocou com todos os brasões estampados no escudo, com as cores que lhes eram próprias; ela acrescentou uma borda de fantasia composta de folhas e flores, e passarinhos com gargantas amarelas em seu ninho. Não contente com isso, todos os dias deixando ela subia para a torre do leste, trancava a porta, tirava a tampa do escudo e tentava ler os seus sinais. Às vezes adivinhava nas armas um significado oculto, às vezes contava a si mesma uma linda história sobre todos os golpes que o escudo havia recebido, todos os arranhões que a lâmina havia feito, com conjeturas da hora e local em que tinham ocorrido: "Este corte é recente, aquele tem dez anos; esse golpe deve ter sido dado em Carlisle, aquele em Caerleon, este em Camelot. Ah! Bom Deus, que espadeirada! Aqui está outro: como não foi ele morto? Deus quebrou a lança forte do seu inimigo, que rolou no chão salvando o paladino". Ela vivia assim presa do sonho.Alfred Tennyson, "Elaine", Ilustrador: Gustave Doré, tradutor do inglês para o francês: Francisque Michel, Librairie Hachette et Cie., 1868, in The Project Gutenberg, .

Como estava Elaine na posse daquele lindo escudo de Lancelote, ela que nem sabia sequer o nome do cavaleiro? Ele o deixara para ela, quando ia para o torneio do diamante organizado pelo rei Artur.

A coroa, quando caiu, rolou sobre um ponto iluminado e, girando sobre si mesma, deslizou como uma corrente brilhante para a lagoa thumb|direita|"A coroa, quando caiu, rolou sobre um ponto iluminado e, girando sobre si mesma, deslizou como uma corrente brilhante para a lagoa" (1867), desenho de Gustave Doré Porque Artur muito antes de o povo o escolher para rei, vagueando pelos ermos do Léonnais, encontrou um vale, arribas rochosas e um lago negro com aspecto lúgubre. Naquele lugar, dois irmãos, um dos quais era rei, encontraram-se, lutaram e mataram-se mutuamente e ali ficaram caídos no vale maldito. O que fora rei tinha uma coroa de diamantes, um na frente e quatro de cada lado. Artur passava a custo no desfiladeiro sob um luar com neblina quando, sem o saber, pisou o esqueleto do coroado e o crânio separou-se da nuca. A coroa, quando caiu, rolou sobre um ponto iluminado e, girando sobre si mesma, deslizou como uma corrente brilhante para a lagoa. Artur mergulhou da escarpa, apanhou a coroa, colocou-a na cabeça e ouviu um murmúrio no coração: "Tu também serás rei".

Quando chegou a rei, Artur destacou as pedras preciosas da coroa, mostrou-as aos seus cavaleiros, dizendo-lhes: "Estas jóias, que eu encontrei, pertencem ao reino e não a mim; devem servir ao bem público: haverá no futuro, em cada ano, um torneio para cada um deles. Vamos saber quem de nós é o mais valoroso, e assim crescer na prática das armas e do cavalheirismo!" E em oito anos houve torneios e Lancelote sempre ganhou o prémio, com a intenção, quando os ganhasse todos de os dar à rainha Genebra, mas nunca falara da sua intenção.

Chegou o diamante do centro, o último e o maior, tendo Artur, que tinha a corte junto do rio, convocado o torneio para Camelot. A rainha Genebra que estivera doente, disse que não poderia ir assistir ao torneio. O rei disse-lhe que ela ia perder os grandes feitos de Lancelote. Este, que estava sentado ao lado do rei, julgou ler o pensamento de Genebra para ficar também e ansioso para satisfazer o menor desejo da Rainha (embora ele desejasse ardentemente completar o conjunto dos diamantes para o presente que tinha em vista), levou-o a trair a verdade e a dizer: "Senhor, meu velho ferimento ainda não está sarado e me faria cair dos estribos". O rei olhou para ele, depois para a rainha e foi embora para Camelot.

Até que seguiu por um caminho levemente sombreado, que, como uma corrente, atravessava os vales até ao castelo de Astolat. Lá, a oeste, ele viu uma luz anunciando as torres à distância thumb|esquerda|"Até que seguiu por um caminho levemente sombreado, que, como uma corrente, atravessava os vales até ao castelo de Astolat. Lá, a oeste, ele viu uma luz anunciando as torres à distância" (1867), desenho de Gustave Doré O rei não tinha saído há muito, e Genebra continuou: "É indesculpável, Lancelote. Por que você não vai a esse torneio? Pelo menos metade dos cavaleiros são nossos inimigos, e a multidão murmurará contra aqueles que se entregam descaradamente a passatempos." Lancelote, zangado por ter mentido inutilmente respondeu: "Você se tornou tão sábia? Não o foi no verão em que começou a me amar. Então não tinha mais consideração pela multidão do que pelos grilos da campina. Quanto aos cavaleiros, posso seguramente reduzi-los ao silêncio; mas agora o meu amor caiu no domínio público; muitos bardos, sem pensar no mal que causam, uniram os nossos dois nomes nas suas lais: Lancelote, a flor da bravura, Genebra, a pérola da beleza; Artur disse alguma coisa? ou você, agora cansada da minha corte, resolveu ser mais fiel ao seu marido?"

Genebra soltou uma risada irónica: "Artur, o rei sem mácula, essa perfeição apaixonada (mas quem pode contemplar o sol no céu?), nunca me dirigiu uma reprovação, nunca teve a menor suspeita da minha infidelidade. Apenas hoje um lampejo de suspeita apareceu em seus olhos; pelo contrário, ele só pensa na Távola Redonda e leva as pessoas a fazer votos impossíveis. Mas, para mim, meu amigo, quem não tem culpa, está cheio dela. Eu sou sua, não de Artur, exceto pelo vínculo matrimonial. Ouça o meu conselho: vá ao torneio".

Lancelote respondeu: "Com que cara vou aparecer em Camelot, após o pretexto que dei, diante do rei que honra a sua palavra como se fosse a de Deus?" Respondeu a rainha que "Ouvimos que os homens caem antes de serem tocados pela lança, apenas ao saber que você é Lancelote; o seu nome é suficiente para torná-lo vitorioso: esconda-o, apresente-se sem ser conhecido, e ganhe o prémio. Por este beijo que lhe dou, você será vitorioso, e o rei aceitará a sua desculpa, como tendo obtido a glória custosamente; pois ninguém mais do que ele corre atrás da glória. Ganhe o prémio e volte".

Lancelote, zangado consigo mesmo, montou a cavalo. Não querendo ser reconhecido, deixou o caminho batido, tomou um trilho que apresentava raras pegadas, e solitariamente, entre montes, muitas vezes mergulhado em devaneios, perdeu-se; até que seguiu por um caminho levemente sombreado, que, como uma corrente, atravessava os vales até ao castelo de Astolat. Lá, a oeste, ele viu uma luz anunciando as torres à distância. Tendo tocado na entrada, veio um homem mudo, com o rosto coberto de rugas, que o levou a um quarto e o desarmou. Lancelote, espantado com o homem silencioso, saiu e encontrou o Senhor de Astolat com dois filhos vigorosos, Torre e Lavaine, que vieram ao seu encontro, seguidos de Elaine, a donzela da casa. Já não tinham mãe. Então o senhor de Astolat perguntou-lhe: "De onde vem, e qual é o seu nome? pois pelo seu porte e presença posso adivinhar que é dos que tomam lugar na Távola de Artur. Eu vi-o; quanto aos outros cavaleiros da sua Távola Redonda, por mais famosos que sejam, são desconhecidos para mim".

Ele falou e ficou em silêncio. A jovem Elaine, de tez clara, conquistada pela voz melodiosa que ouvira antes de olhar, ergueu os olhos e leu as feições de Lancelote. thumb|direita|"Ele falou e ficou em silêncio. A jovem Elaine, de tez clara, conquistada pela voz melodiosa que ouvira antes de olhar, ergueu os olhos e leu as feições de Lancelote" (1867), desenho de Gustave Doré Lancelote respondeu: "Eu sou conhecido e pertenço à Távola de Artur; o meu escudo, que trouxe por puro acaso, também é; mas dado que vou participar como desconhecido em Camelot para o diamante, não me questione. Você saberá mais tarde quem eu sou e conhecerá o meu escudo. Empreste-me um, peço-lhe, pelo menos com outros brasões que não o meu."

Disse então o senhor de Astolat: "Aqui está o escudo de Torre, meu filho. Ele foi ferido no primeiro torneio. pode levá-lo." Depois o jovem Lavaine pediu ao pai permissão para ir a Camelot com aquele nobre cavaleiro. Lancelote agradeceu tê-lo como guia para não se perder e se puder, ganhar o diamante, para dá-lo a esta donzela, se ela quiser. Um diamante, comentou Torre, é feito para rainhas e não para simples donzelas. Então Lancelote olhando para ela com cortesia, mas sem falsidade, disse que a donzela era digna de usar a jóia mais bonita do mundo.

Ele falou e ficou em silêncio. A jovem Elaine, de tez clara, conquistada pela voz melodiosa que ouvira antes de olhar, ergueu os olhos e leu as feições de Lancelote. O grande e culpado amor que ele tinha à rainha, combatido por aquele que tinha ao seu soberano, secara seu rosto e o marcara antes do tempo. Aos olhos de Elaine, ele pareceu o homem mais digno com quem já se sentara à mesa e o mais nobre, embora tivesse mais que o dobro da idade dela, marcado e bronzeado pelo sol. Ela olhou para cima e para baixo e o amou com um amor que lhe seria fatal.

Ele olhou, e mais surpreendido do que se atacado por sete homens, viu a donzela de pé à luz da manhã thumb|esquerda|"Ele olhou, e mais surpreendido do que se atacado por sete homens, viu a donzela de pé à luz da manhã" (1867), desenho de Gustave Doré Então o grande cavaleiro entrou no salão rústico; Eles o deleitaram com o melhor que tinham em comida e vinho, e acrescentaram a prosa e a música dos menestréis. Fizeram muitas perguntas sobre a corte e a Távola Redonda, e Lancelote sempre respondeu com clareza e sem hesitação; mas quando a conversa caiu sobre Genebra, ele mudou de conversa. Então Lancelote falou detalhadamente, nas batalhas em que participara com Artur, na foz do Glem, nas quatro batalhas na costa de Duglas, em Bassa, na guerra nas encostas de Celidon e ainda perto do castelo Gurnion. Em Caerleon, e também em Cathregonion Agned e, mais abaixo, nas margens de Trath Treroit, onde morreram muitos pagãos. Para o rei, por doce que fosse estar em casa, animava-o o fogo sagrado da guerra contra os pagãos; e concluiu: "Não há capitão maior!".