, também conhecido simplesmente por Street Fighter II, é um jogo competitivo de videogame desenvolvido pela Capcom e originalmente lançado para os sistemas de Arcade em 1991. É o segundo jogo da série Street Fighter e a sequência de Street Fighter, jogo lançado em 1987. Trata-se do décimo quarto título da Capcom a utilizar a placa de sistema de Arcade CP System. Street Fighter II melhorou vários dos conceitos introduzidos no primeiro jogo, incluindo o uso de golpes especiais baseados em comandos e uma configuração de Joystick com seis botões, enquanto ofereceu aos jogadores uma seleção maior de personagens jogáveis, cada um com seu próprio estilo de luta, e introduziu o sistema de Combos.

Street Fighter II se tornou o título mais vendido desde a era de ouro dos jogos de Arcade. Em 1994, o jogo tinha sido jogado por mais de 25 milhões de pessoas somente nos Estados Unidos, em casa e nos Arcades. Devido ao sucesso, uma série de versões atualizadas oferecendo recursos e personagens adicionais foi lançada. Todas as versões de Street Fighter II venderam mais de 200 mil gabinetes de Arcade e mais de 15 milhões de unidades de Software por todo o mundo, e estima-se que elas tenham lucrado mais de 10 bilhões de dólares em vendas totais, fazendo do jogo um dos três jogos mais lucrativos de todos os tempos até 2017, e o jogo de luta mais vendido até 2019. A versão de Super Nintendo de Street Fighter II vendeu mais de 6.3 milhões de cartuchos, fazendo dela o título mais vendido da Capcom pelas próximas duas décadas e seu jogo mais vendido em uma só plataforma.

Street Fighter II é reconhecido como um dos melhores jogos eletrônicos de sempre, e em particular o mais importante e influente jogo de luta já criado. Seu lançamento é visto como um momento revolucionário no seu gênero, e são creditados a ele a popularização de jogos de luta durante os anos 90, incitando outros produtores a criarem as suas próprias séries. Despoletou um renascimento dentro da indústria, criando um enorme impacto nos jogos competitivos, na cultura popular assim como música e filmes.

Jogabilidade

Street Fighter II continua a ter muitas das convenções e regras estabelecidas pelo seu antecessor em 1987, bem como características base que foram transportadas para as subsequentes edições de Street Fighter II. O jogador enfrenta o seu adversário em combates um-contra-um num ambiente fechado, em séries de melhor de três. O objetivo de cada ronda é esvaziar a energia do oponente dentro do tempo limite. Se ambos os oponentes "morrem" ao mesmo tempo ou o temporizador chega ao fim e em que ambos os lutadores tenham a mesma quantidade de energia, acontece um "KO duplo" ou "jogo empatado", deste modo é declarado que haverá mais rondas adicionais, que serão jogadas até à morte súbita. No primeiro Street Fighter II, um combate pode durar até dez rondas, se não houver um vencedor; tal foi reduzido para quatro rondas em Champion Edition. Se mesmo assim não houver um vencedor na última ronda, assim e por defeito, nem o oponente controlado pelo computador ganhará num combate contra um jogador, bem como ambos os lutadores perdem num combate entre dois jogadores. Se o jogador derrotar o seu adversário sem sofrer danos, é-lhe atribuído um "Perfeito", recebendo assim o limite máximo de bónus.

Após três combates, o jogador participa num "Minijogo" para adicionar mais pontos. Os minijogos incluem (por ordem) a destruição de um automóvel (similar a Final Fight); um jogo de partir barris, onde estes são largados na direção do jogador a partir de uma plataforma rolante; e a destruição de contentores inflamáveis, apinhados uns em cima dos outros. Os jogos bónus foram retirados da versão arcade de Super Street Fighter II Turbo (apesar de estarem incluídos na versão para Game Boy Advance).

Tal como no original, o jogo usa uma configuração de um joystick de oito direções e seis botões de ataque. O joystick é usado para saltar, agachar e mover o personagem na direcção ou contra o oponente, bem como para defender/bloquear os ataques do adversário. Existem três botões destinados ao murro e três destinados ao pontapé, diferenciados em força e velocidade (Leve, Médio e Forte). O jogador pode fazer uma série de movimentos básicos em qualquer posição, incluindo ataques de agarrar/atirar, que não existiam em Street Fighter original. O jogador também pode criar movimentos/ataques especiais fazendo uma combinação com a direção do joystick juntamente com os botões de ataque.

Street Fighter II difere do seu antecessor por oferecer ao jogador uma seleção múltipla de personagens jogáveis, cada um com o seu próprio estilo de luta e movimentos especiais, com Ryu e Ken a serem os únicos com movimentos idênticos.

Um erro sem intenção no código do jogo, dava a possibilidade ao jogador de "cancelar" as animações de alguns movimentos ao fazer outro movimento de seguida, permitindo uma combinação de vários movimentos básicos e especiais. De acordo com o IGN, "ataques ligados que não podem ser bloqueados se feitos no tempo certo, apareceram mais ou menos por acidente. Os produtores não queriam que tal acontecesse, mas os jogadores do jogo original eventualmente descobriram que certos movimentos fluíam naturalmente para outros". Este sistema de "combinações" (combos) foi mais tarde adoptado como padrão em jogos deste género e expandido nos jogos seguintes da série Street Fighter.

Personagens O Street Fighter II original dá a possibilidade ao jogador de escolher oito personagens; a lista inclui Ryu e Ken (os protagonistas do jogo original), mais seis novos personagens de várias nacionalidades. O jogador luta contra sete dos personagens principais, antes de enfrentar os quatro adversários finais controlados pelo CPU, conhecidos como os "Quatro Grandes Mestres". Street Fighter II decorre vários anos depois do primeiro torneio, quando Ryu derrotou Sagat na final. M. Bison, um ditador da Tailândia, organiza um novo torneio e convidou os melhores lutadores do mundo para competir.

Chun-Li é notável por ser uma das primeiras mulheres protagonistas nos videojogos, mais bem sucedidas e mais populares. Quando Street Fighter II foi editado, as personagens femininas nos jogos existiam apenas com o objetivo de serem salvas, ou então faziam parte do elenco de outros personagens secundários, como habitantes de uma cidade, namoradas, oponentes ocasionais, ou simplesmente como decoração em segundo plano. Para além do género RPG, havia poucas heroínas nos videojogos baseados em acção. Depois do sucesso de Street Fighter II e com a popularidade de Chun-Li, protagonistas femininos tornaram-se cada vez mais comuns. Desde então, em jogos onde se pode escolher personagens, pelo menos, há sempre no geral, uma ou duas personagens femininas que se pode seleccionar.

Na versão arcade, se o jogador acabasse o jogo apenas com uma moeda, nos créditos finais aparecia as fotos da equipa de produção, como uma espécie de recompensa pelo feito obtido.

Personagens jogáveis Ryu, um karateka japonês, à procura de se tornar o "verdadeiro guerreiro". Ryu já tinha ganho o primeiro torneio mundial, ao derrotar Sagat. Ken, companheiro de treino e rival de Ryu, dos Estados Unidos. Ken entra no torneio encorajado por Ryu. Chun-Li, uma lutadora de artes marciais chinesa (Kung Fu), que trabalha como oficial da Interpol, à procura de vingar a morte do seu pai. Guile, um ex-militar das Força Aérea dos Estados Unidos, que quer derrotar o homem que matou o seu melhor amigo. Luta usando uma combinação de diferentes artes marciais, com destaque para movimentos de wrestling. Blanka, um homem-besta do Brasil, criado na selva. Luta com um estilo de luta autodidata baseado em movimentos ferais e tem o poder de criar descargas elétricas. Dhalsim, um mestre de ioga, da Índia. Pacifista, apenas entrou no torneio para ganhar dinheiro para a sua aldeia pobre. Zangief, um lutador de sambo da União Soviética. Entrou no torneio apenas para representar o seu pais. E. Honda, um lutador de sumo do Japão. Participa no torneio para provar que o sumo é o melhor estilo de luta do mundo. Chefes controlados apenas pelo CPU Balrog (M. Bison na versão japonesa), um pugilista Afro-americano, desenhado com uma aparência similar a Mike Tyson. Vega (Balrog na versão japonesa), um espanhol lutador de jaula, que usa um estilo único de ninjutsu. Sagat, um mestre de Muay Thai e o chefe final do Street Fighter original, que ficou com uma enorme cicatriz no peito feita por Ryu na final do torneio anterior. Busca se vingar de Ryu. M. Bison (Vega na versão japonesa), o oponente final do jogo e o líder da organização criminosa Shadaloo. M. Bison usa um poder misterioso conhecido como "Psycho Power".

Foi revelado pela Capcom que os dois personagens que aparecem na introdução do jogo tem o nome Scott e Max.

Diferenças regionais Exceptuando Sagat, os Grande Mestres tinham nomes diferentes na versão japonesa. O pugilista afro-americano Balrog foi desenhado como um “pastiche” do lutador real Mike Tyson e originalmente tinha o nome M. Bison (abreviatura de "Mike Bison") nas versões japonesas, enquanto que Vega e M. Bison tinham os nomes Balrog e Vega respectivamente. Quando o jogo foi editado para o mercado externo, os nomes dos chefes foram trocados, temendo que a semelhança do personagem com Tyson criasse um processo de violação dos direitos pessoais. Por causa disso, são muitas vezes referidos como "Garra" (Vega/Balrog), "Ditador" (M. Bison/Vega) e "Pugilista" (Balrog/M. Bison), para evitar confusões entre jogadores de diferentes nacionalidades. Esta alteração de nomes manteve-se nos futuros jogos da série.

Os personagens na versão japonesa tinham mais do que uma frase de vitória, e se o jogador perde-se um combate contra o CPU, aparecia um conselho/recomendação no ecrã de "continuar?". Enquanto que as frases finais dos personagens eram traduzidas de um modo literal, foram feitas algumas mudanças devido a diferenças criativas existentes no pessoal de marketing da Capcom norte-americana. Por exemplo, o nome do amigo falecido de Guile (que iria aparecer mais tarde como jogável em Street Fighter Alpha) foi trocado de Nash para Charlie, isto por que um dos membros da equipa da Capcom USA sentia que a palavra "Nash" não tinha um som tipicamente britânico.

Desenvolvimento

Apesar do Street Fighter original não ter sido muito popular nos Estados Unidos, a Capcom fez dos jogos de luta a sua prioridade depois do sucesso comercial de Final Fight. Consequentemente, a Capcom EUA acabou por requisitar uma sequela. Yoshiki Okamoto relembra que "a ideia básica da Capcom era de ressuscitar Street Fighter, um conceito de um jogo bom, mas fazer dele melhor para jogar nas máquinas arcade." Cerca de 35 a 40 pessoas trabalharam em Street Fighter II, com Noritaka Funamizu a produtor e Akira Nishitani e Akira Yasuda responsáveis pelos desenho do jogo e das personagens, respectivamente. Funamizu fez notar que os produtores não deram prioridade ao balanço da jogabilidade de Street Fighter II; descreve apenas que o sucesso do jogo teve a ver com os seus padrões de animações muito apelativos. A qualidade da animação beneficiou-se do uso que os produtores fizeram do hardware CPS-1, com vantagens que incluíam a habilidade de diferentes personagens ocuparem diferentes quantidades de memória; por exemplo, Ryu podia ocupar até 8Mbit e Zangief 12Mbit. A produção do jogo demorou dois anos.

O sistema de combinações (combos) aconteceu por acidente:

Música