Liberation é o oitavo álbum de estúdio da artista musical norte-americana Christina Aguilera. Lançado através da RCA Records, a sua divulgação ocorreu em 15 de junho de 2018, tornando-se o primeiro material de inéditas da cantora desde Lotus (2012). Atuando como produtora executiva, Aguilera passou quatro anos desenvolvendo o projeto, contando com a participação de uma série de produtores musicais durante esse tempo, incluindo Kanye West e Anderson Paak. O título do disco foi nomeado para se referir ao desejo da artista em se "libertar de qualquer coisa que não fosse sua verdade ou de algum lugar em que se sente sufocada", enquanto sua sonoridade é composta por faixas majoritariamente influenciadas pelo R&B e hip-hop.

O projeto marca o distanciamento da artista da música pop — presente em seus trabalhos anteriores — e após o seu lançamento, foi recebido com opiniões positivas da crítica especializada. Com a maioria dos elogios direcionados aos vocais da artista e a emoção de suas interpretações, também foi considerado como um dos projetos mais independentes de sua carreira. Além disso, foi nomeado como um dos melhores lançamentos do ano por diversas publicações, incluindo Rolling Stone e Cosmopolitan. Comercialmente, o disco chegou à sexta colocação da Billboard 200 dos Estados Unidos e distribuiu cerca de 100 mil unidades no país desde então; em sua estreia pelo mundo, se posicionou entre os três mais comercializados na Espanha, Suíça e Taiwan.

"Accelerate" e "Fall in Line" foram escolhidas como as faixas para auxiliar na divulgação do projeto internacionalmente, mas ambas foram recebidas com um mínimo desempenho comercial nas tabelas musicais em todo o mundo. Além disso, Aguilera se apresentou ao vivo em diversas cerimônias, incluindo na edição anual do Billboard Music Awards, no The Today Show e embarcando em seu primeiro concerto após mais de uma década longe dos palcos, nomeada como The Liberation Tour (2018). No ano seguinte, para a 61.ª cerimônia do Grammy Awards, os temas "Fall in Line" e "Like I Do" foram incluídos na lista de concorrentes pelas categorias de Melhor Performance em Dueto ou Grupo e Melhor Performance de Rap Cantado, respectivamente.

Antecedentes e desenvolvimento thumb|left|190px|Com a dupla A Great Big World, Aguilera voltou ao topo das tabelas musicais, em 2013. Em novembro de 2012, Aguilera lançou seu sétimo disco, Lotus, cujo projeto comercializou cerca de 500 mil unidades em território norte-americano e foi certificado como disco de ouro através da Recording Industry Association of America (RIAA). "Your Body" e "Just a Fool" foram escolhidas como as faixas para a divulgação do álbum; ambas foram recebidas com desempenho moderado nas tabelas musicais. Durante o ano de 2013, a artista participou de dois duetos que lhe renderam lugar entre as faixas mais comercializadas da Billboard Hot 100. "Feel This Moment" com o rapper Pitbull foi a primeira delas, alcançando a oitava colocação na parada; "Say Something" com a dupla A Great Big World foi lançada no final do ano, ocupando a quarta colocação e distribuindo cerca de 6 milhões de cópias nos Estados Unidos. Com esta última, Aguilera foi honrada com o Grammy Award de Melhor Performance em Dueto ou Grupo. Em 2014, a cantora se afastou do quadro de jurados do reality-show The Voice para se concentrar na música e em sua família. No ano seguinte, durante uma entrevista para o programa Today, Aguilera afirmou que estava trabalhando em dois discos — um deles em espanhol, marcando como o seu primeiro projeto no idioma desde Mi Reflejo (2000). No mesmo ano, para o programa Extra, ela afirmou sobre um disco específico:

No início de 2016, Aguilera retornou ao quadro de jurados da décima temporada de The Voice, onde uma de suas participantes, Alisan Porter, saiu vencedora. Em 16 de junho, a cantora lançou a canção "Change" para arrecadar fundos em benefício das famílias dos assassinados no Massacre de Orlando. Para compor a trilha sonora da série original da Netflix, The Get Down, a artista gravou a faixa "Telepathy", uma parceria com Nile Rodgers. O tema alcançou a primeira colocação na Hot Dance Club Songs, tabela musical feita através da Billboard. No final de 2017, foi reportado pela mídia que, para compor seu então próximo disco, Aguilera havia gravado secretamente um dueto com Pink – com esta confirmando a colaboração. Em fevereiro de 2018, Demi Lovato confirmou os rumores de que havia gravado um dueto com a cantora. Em março do mesmo ano, chegou à internet uma versão demo de faixas chamadas "Masochist" e "Fall In Line", com estas sendo associadas à Aguilera.

Gravação e produção

O processo de gravação do disco foi iniciado no começo de 2014. Nos primeiros estágios, o primeiro produtor confirmado no projeto Pharrell Williams — com a cantora afirmando que ambos haviam trabalhado em uma canção em especial que ela se apaixonou. No início de 2015, Aguilera confirmou que ainda estava em processo de composição, além de reunir músicas que seriam eventualmente gravadas. Além disso, confirmou que estava trabalhando com Linda Perry, sua colaboradora de longa data. Em novembro de 2017, a cantora afirmou que já estava "adicionando os toques finais" do disco; no entanto, no mesmo mês, Tayla Parx confirmou que havia entrado em estúdio com a artista, Da Internz, Kanye West e PartyNextDoor. Mais tarde, Aguilera relatou que havia conhecido West no estúdio Shangri La, propriedade de Rick Rubin, quando o mesmo estava encerrando seu disco, The Life of Pablo (2016). Sobre West, ela comentou: "Eu sempre fui uma grande fã de Kanye. Fora desses, você sabe, seus aspectos controversos, eu acho que ele é um grande artista, um criador de músicas e batidas. Os artistas que ele escolhe para arrancar diferentes histórias de vida são bastante interessantes". Além de produzir "Accelerate" — primeira canção de trabalho do disco —, ele produziu a faixa "Maria", escolhida por Aguilera como a sua favorita do projeto.

Em setembro de 2017, Aguilera retornou ao estúdio de gravação para trabalhar com Mark Ronson e Anderson Paak. A artista mencionou como foi trabalhar com Paak, cujo artista colaborou como produtor de duas faixas presentes no projeto, afirmando: "Eu e ele nos conectamos muito bem. Ele estava tipo, 'Oh, eu costumava assistir você no Total Request Live (TRL)'. Ele é um ótimo letrista, cantor de soul e rapper, além de um assassino na bateria". Durante uma entrevista para a revista Billboard, Aguilera afirmou que havia trabalhado em uma composição com Julia Michaels e que seu dueto com Demi Lovato era "ardente". Sobre a escolha de Lovato para a canção, a artista alegou: "Nós passamos por alguns nomes de cantoras. Eu precisava de uma cantora com um alto registro vocal e ela conseguiu levar a faixa para um outro nível. Eu quase chorei quando a ouvi pela primeira vez na música". Jon Bellion confirmou que ele era o produtor por trás de "Fall in Line", além de revelar que Beyoncé havia demonstrado interesse na faixa anteriormente. Além disso, Aguilera afirmou que durante o processo de desenvolvimento do disco havia convidado Cardi B e Childish Gambino para integrar nos trabalhos do disco; no entanto, ela foi "desencorajada" por um produtor de trabalhar com a primeira, enquanto Gambino estava ocupado com as gravações da série Atlanta e não houve tempo para materializar a colaboração. Em junho de 2018, foi especulado que o piloto de Fórmula 1, Lewis Hamilton, seria o vocalista desconhecido presente na faixa "Pipe", mas nenhum dos artistas confirmaram.

Música e letra

De acordo com a revista Billboard, Liberation é um um disco "inspirado no hip-hop e R&B". Aguilera comentou sobre a sonoridade do projeto, afirmando: "Para mim, não há nada mais incrível do que uma batida de hip-hop [...] No final do dia, eu sou uma cantora de soul. Quando você tira as palavras 'estrela popular' e muitas das coisas que eu fiz, cantar com a alma é onde meu núcleo, minha raíz e meu coração estão". O álbum inicia-se com a faixa "Liberation", composta por uma sequência orquestral, enquanto "Searching for Maria" é uma breve introdução de Aguilera interpretando algumas linhas "How Do You Solve a Problem Like Maria?", composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II para o musical The Sound of Music (1959). A terceira faixa, "Maria", fala abertamente sobre "crise de identidade" em uma audaciosa mixagem do motown com o hip-hop, contendo vocais de Michael Jackson ao fundo. "Sick of Sittin'" é uma canção enérgica de rock com influência do funk que se assemelha à trabalhos de Janis Joplin, onde Aguilera expressa "insatisfação sobre a relação da fama e do dinheiro".

A quinta faixa, "Dreamers", é uma introdução onde jovens garotas expressam seus desejos futuros; enquanto "Fall in Line" — em parceria com Demi Lovato — é descrita como um "hino feminista" enraizado na música soul, harmonizada por trompete e fliscorne. Foi descrita por críticos como uma versão revitalizada de "Can't Hold Us Down" (2003), composta por Aguilera. Com participação de Keida e Shenseea, "Right Moves" é um tema inclinado entre trap e dancehall, com influencias do reggae, onde as artistas cantam "sobre o sexo". Com "Like I Do", uma faixa inspirada pelo hip-hop e R&B, Aguilera discursa sobre se "aventurar em um romance com um amante mais jovem e menos bem-sucedido", sendo iniciada por um verso do rapper GoldLink. "Deserve" é uma lenta e explosiva canção de música eletrônica, onde a cantora narra "as formas como sabota seu próprio relacionamento". Em "Twice", Aguilera "pondera entre o pecado, perdão e a redenção" acompanhada apenas de um piano, com inclinação para a música gospel.

A décima primeira canção do disco, "Accelerate" — parceria com os rappers Ty Dolla Sign e 2 Chainz — é um tema moderno de hip-hop com forte energia para os clubes repleta de "letras sugestivas". Inspirada ao som do trap combinada com teclados, "Pipe" é uma característica faixa de R&B que tem como narrativa convidar o amante para uma noite de sexo, recebendo comparações aos trabalhos de R. Kelly e Drake. "Masochist" é uma canção de música pop dos anos 1980s acionada por sintetizadores, onde Aguilera canta sobre "as dificuldades de se recuperar e colocar fim em um relacionamento abusivo", tema que se assemelha a sua canção "Walk Away" (2002). A última faixa do disco, "Unless It's with You", é uma memorável balada romântica ao piano sobre "se casar com a pessoa que você sempre sonhou".

Capa, título e lançamento No final de março de 2018, Aguilera foi fotografada por Zoey Grossman para compor a capa da revista Paper. Na sessão de fotos, a artista aparecia livre de qualquer maquiagem ou manipulação fotográfica, afirmando durante a entrevista: "Eu sempre fui alguém que obviamente gosta de experimentar, adoro teatro, criar um enredo e interpretar um personagem no vídeo ou em um palco. Eu sou uma artista, é quem eu sou por natural. Mas eu estou em um lugar, mesmo musicalmente, onde é um sentimento libertador poder retirar tudo e apreciar quem você é e sua beleza crua". Em 3 de maio, Aguilera disponibilizou ao público a capa de seu então próximo disco, Liberation, posando com um visual natural em frente à uma câmera, recebendo comparações por parte da mídia com a capa da revista que havia estrelado anteriormente. Em um documentário lançado através de sua conta oficial no YouTube, intitulado "Where's Maria?", a intérprete discorre sobre sua nova imagem, afirmando: "Me desculpe se eu luto em aceitar a beleza que está em mim mesma. Me desculpe por cobrir [minhas] sardas. Me desculpe por esconder [minhas] cicatrizes".