Wolter Robilotta (São Paulo, 6 de fevereiro de 1945 Belém, 7 de junho de 2011) mais conhecido como Robilotta, por vezes grafado como Robilota,DA COSTA, Ferreira (2013). Robilota - Arrancou aplausos das duas grandes torcidas. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 255-256 Robillota, Rubilota ou ainda Rabilota,Os artilheiros (abril de 2018). Placar n. 1438. São Paulo: Editora Abril, p. 82 foi um futebolista brasileiro que atuou como atacante. É o 15º maior artilheiro da história do Paysandu, com 70 gols, destacando-se também no arquirrival Remo, clubes que defendeu nas décadas de 1960 e de 1970, acabando por radicar-se em Belém mesmo após parar de jogar. Foi o artilheiro da primeira Série B do Brasileirão, em 1971.
Era um atacante de avaliado como de técnica refinada, complementando-se assim com o estilo rompedor de Bené, por sua vez o maior artilheiro do DA COSTA, Ferreira (2013). Bené - O Furacão da Curuzu. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 55-61 e de quem foi colega,DA COSTA, Ferreira (2013). 1966 - Paysandu forma a dupla Bené-Robilota e conquista o título invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 146-148 e a quem o próprio Robilotta indicara ao time. São considerados a melhor dupla de área da história do futebol paraense, acumulando juntos 319 gols; ambos acabariam eleitos em 2010 para o trio ofensivo do time dos sonhos do clube. No Remo, desenvolveu parceria similar com Alcino.
Carreira Início Robilotta começou no futebol de salão do , ainda em São Paulo, sua cidade natal. Ainda como juvenil, transferiu-se ao em 1964, logo chegando ao time de aspirantes. Havia acabado de chegar ao time vascaíno profissional quando foi contratado pelo , em 1965.
O clube paraense vinha de um ano histórico em 1965, marcado pela vitória por 3–0 sobre um Peñarol que se colocava entre os mais fortes times do mundo, façanha que ecoou inclusive no Rio de Janeiro, onde rendeu crônica de Nelson Rodrigues no jornal O Globo, na época. Um dos destaques dessa partida, realizada em 19 de julho, foi Milton Dias, autor de um gol e uma assistência.DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Paysandu 3 x 0 Peñarol. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 70-71 Ele terminou negociado com a própria equipe uruguaia, não jogando mais o estadual daquele ano após agosto.DA COSTA, Ferreira (2013). 1965 - Paysandu traz Castilho e dá um passeio no certame: É Campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 142-145
O campeonato paralisou-se por cerca de um mês entre setembro e outubro. Foi quando Robilotta então estreou na competição, na primeira rodada do segundo turno, em de outubro. Na ocasião, marcou o primeiro gol da partida vencida por 2–1 sobre o Avante. Uma semana antes, em 10 de outubro, ele já havia estreado no clássico Re-Pa, em amistoso na casa rival vencido por 4–1, com ele também marcando.DA COSTA, Ferreira (2015). 1965. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 96-100
Consagrando-se no Paysandu: tricampeão seguido
No restante do estadual, Robilotta desempenhou boa dupla com outra novidade do elenco, Edson Piola. Marcou em todos os jogos até o título ser garantido, incluindo o único de um clássico com a Tuna. O "Papão", reforçado ainda com o veterano goleiro Castilho e o treinador uruguaio Juan Álvarez, terminou campeão de modo fácil, acumulando dez vitórias em doze partidas. Mesmo só jogando a reta final, Robilotta marcou ao todo seis vezes.DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Campeão de Futebol Profissional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 74-75
No início de 1966, porém, o Paysandu não vinha em boa fase, atravessando uma série de resultados ruins no Re-Pa (derrotas de 3–0 e 3–2) e também no clássico com a Tuna Luso (3–2 e 3–1) em torneio internacional que envolvia também a equipe do Transvaal, da Guiana Neerlandesa. Robilotta então indicou a contratação de Bené, a quem conhecia do time de aspirantes do Vasco. A estreia de Bené veio precisamente na rodada final desse torneio, um novo duelo contra o Remo, que vinha invicto havia 27 partidas. O reforço foi titular. Não chegou a fazer uma grande exibição, sendo inclusive substituído por Luís Zago, mas teve uma estreia auspiciosa: em 25 de março, o Papão venceu a partida por 3–0 - um dos gols, por sinal, foi de Robilotta.DA COSTA, Ferreira (2002). 1966 - Estréias de Bené e Oberdan. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 75-76
Com essa dupla formada, o Paysandu engatou doze jogos de invencibilidade. Robilotta, inclusive, marcou gol em outros Re-Pa amistosos, em abril, em vitória por 2–0 dentro do estádio rival e e em empate em 1–1.DA COSTA, Ferreira (2015). 1966. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 100-102Em maio, começou o campeonato paraense de 1966, que teria um sabor especial de ocorrer no ano em que se celebravam os 350 anos da cidade de Belém,DA COSTA, Ferreira (2002). 1966 - Bicampeão dos 350 Anos de Belém. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 76-77 o que motivou também em paralelo um torneio municipal, vencido de forma invicta pelo clube no mesmo mês.DA COSTA, Ferreira (2002). 1966 - Campeão do Torneio Cidade de Belém. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 77 Nessa competição paralela, Robilotta marcou o gol da vitória por 1–0 no Re-Pa.
O Estadual também veio de forma invicta, no embalo do bom funcionamento da dupla Bené, um atacante rompedor, e Robilotta, de estilo mais clássico. Robilotta marcou treze vezes, sendo o artilheiro dos campeões, com destaque aos três no 5–0 sobre o Avante e aos dois em 5–1 no Combatentes, enquanto Bené fez doze.DA COSTA, Ferreira (2013). 1966 - Paysandu forma a dupla Bené-Robilota e conquista o título invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 146-148
Em 1967, o clube excursionou de forma invicta pelas Guianas e pelo Caribe, chegando a ganhar duas vezes da seleção de Trinidad e Tobago. Robilotta foi o vice-artilheiro da turnê, com seis gols em meio às oito partidas da gira,DA COSTA, Ferreira (2002). 1967 - Excursão invicta ao Exterior. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 78 incluindo dois na vitória por 4-0 sobre a seleção trinitária. Depois, veio conquista de novo título estadual, de forma das mais lembradas, após seis Re-Pas seguidos em um espaço de 26 dias: o segundo turno terminou empatado entre os dois rivais, forçando jogo-extras. O primeiro terminou empatado e o segundo foi vencido pelo Remo. Como os alvicelestes haviam vencido o primeiro turno, fez-se necessário mais jogos. Os dois primeiros terminaram empatados, com a vitória bicolor por 2–0 no terceiro enfim finalizando o campeonato.DA COSTA, Ferreira (2002). 1967 - Tricampeão de Futebol Profissional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 78-79
A disputa acirradíssima do torneio de 1967 também se deu em contratações de treinadores: o ex-goleiro Castilho agora treinava o Paysandu enquanto o Remo era treinado por outro ex-craque, Zizinho. Na campanha, Robilotta destacou-se sobretudo pelos três gols no 4–1 sobre o Liberato de Castro, pelos quatro no 7–2 no Combatentes, pelos três no 4–0 sobre o Júlio César e pelo gol no 1–1 na primeira finalíssima decidida pelo Re-Pa em uma série melhor-de-três.DA COSTA, Ferreira (2013). 1967 - Paysandu levanta o tricampeonato, após 5 clássicos Re-Pa emocionantes. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 149-152 Aquele foi precisamente o ano que mais teve Re-Pas, dezessete, em média um a cada vinte dias.DA COSTA, Ferreira (2015). Fatos e Personagens do Re-Pa. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 216-220
Robilotta foi o artilheiro do elenco campeão, com 17 gols. No Re-Pa, ainda marcou outras duas vezes naquele ano, em amistoso do Torneio Hexagonal do Norte (1–1) e em outro vencido por 1–0.DA COSTA, Ferreira (2015). 1966. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 103-106 Porém, três meses após enfrentar o pela última partida da decisão estadual, em dezembro, já defendia em março o arquirrival no estadual seguinte,DA COSTA, Ferreira (2013). 1968 - Remo mantém Amoroso, o "pé de coelho", e levanta o título de campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 149-152 preferindo não renovar contrato com os alviazuis.
Consagrando-se no Remo: campeão estadual e regional
No , Robilotta fez grande dupla de ataque inicialmente com Amoroso, adquirido em definitivo perante o , de onde estava emprestado e que em troca adquirira Assis. Treinados por Danilo Alvim, Amoroso terminou na artilharia do campeonato, com dez gols, enquanto Robilotta fez oito.
O "Leão" foi campeão com o reforço destacando-se contra os rivais: fez o único gol do clássico com a Tuna no estádio cruzmaltino, no primeiro turno, em que também marcou no 2–0 no Re-Pa, resultado que deu o título do turno aos azulinos. No segundo turno, marcou outro em 5–3 sobre os tunantes. O título foi invicto, e para Robilotta também foi individualmente o quarto título paraense seguido, após ter vencido os três anteriores pelo rival. O Remo também venceu a etapa Norte do Torneio Norte–Nordeste de 1968.
Em 1969, o Paysandu recuperou o título estadual, sem dar margens para qualquer reação.DA COSTA, Ferreira (2013). 1969 - Com artilharia "pesada", Papão garante a conquista do título de Campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 156-159 Os remistas, porém, novamente terminaram o ano como vencedores do Norte no Norte-Nordeste daquele ano, com Robilotta marcando gol em Re-Pa válido pela competição e vencido por 1–0, em novembro. No mês seguinte, fez outro em vitória por 2–0, esta amistosa.DA COSTA, Ferreira (2015). 1969. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 107-109 Também pelo Norte-Nordeste, marcou o único de clássico com a Tuna.
Em 1970, Robilotta chegou a marcar os quatro gols de vitória por 4–0 sobre o Sacramenta. Mas o Remo atravessou sua maior sequência de jogos sem vencer o Re-Pa (treze, com Robilotta presente em seis) e viu o estadual daquele ano ser decidido entre os rivais Paysandu e Tuna Luso.DA COSTA, Ferreira (2015). 1970. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 113-115 Uma reação da diretoria azulina foi efetivar a contratação do atacante Alcino, recomendado por Assis - inicialmente, por empréstimo de três meses.TAVERNARD, Mauro (2017). Assis, o "anjo". Alcino Negão Motora - A História do Gigante do Baenão. Belém: RM Graph Editora, pp. 54-58 Robilotta estava lesionado e isso possibilitou que Alcino logo obtivesse titularidade,TAVERNARD, Mauro (2017). Alegria e vida nova. Alcino Negão Motora - A História do Gigante do Baenão. Belém: RM Graph Editora, pp. 64-75 e suas boas atuações terminaram por aprova-lo na direção do clube apesar das polêmicas extra e intra campo que já causava.TAVERNARD, Mauro (2017). Receita de sucesso: gols e farra. Alcino Negão Motora - A História do Gigante do Baenão. Belém: RM Graph Editora, pp. 76-81
Com Alcino e o recuperado Robilotta juntos, o Remo esteve perto de voltar a ser campeão estadual em 1971. Os dois juntos chegaram a marcar os gols da vitória por 2–0 no clássico com a Tuna, também derrotada por 1–0 com gol de Robilotta. Na competição, o "Leão", campeão do segundo turno, conseguiu abrir 2–0 em Re-Pa na finalíssima dentro do estádio alviazul, mas acabou derrotado por 3–2, em virada inédita e jamais realizada outra vez na história da rivalidade.DA COSTA, Ferreira (2013). 1971 - Papão perdia de 2–0, virou o placar e festejou ruidosamente o título. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 163-166