O processo de desenvolvimento de fármacos é um processo vagaroso e complicado que necessita de uma grande demanda de tempo e dinheiro. De acordo com Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA) em 2011 foram gastos 96 bilhões de dólares pelas 20 principais empresas farmacêuticas do mundo, considerando que apenas 20% das drogas aprovadas possuem lucros maiores que os gastos para produção esse é um investimento de grande riscoKHANNA, Ish. Drug discovery in pharmaceutical industry: productivity challenges and trends. Drug Discovery Today, [s.l.], v. 17, n. 19-20, p.1088-1102, out. 2012. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.drudis.2012.05.007.. Desse modo, métodos in silico têm sido buscados como uma maneira de permitir que esse processo seja acelerado e mais acessível economicamente. Além disso, essas ferramentas permitem, de maneira racional, uma melhor escolha do composto líder e uma previsão para suas posteriores otimizações.Algumas abordagens utilizadas no desenvolvimento de fármacos são relações estrutura-atividade (SAR) e a relação estrutura-atividade quantitativa (QSAR). A adição orientada de grupos metila, cloro, hidroxila ou benzoíla no composto-molde pode melhorar propriedades farmacológicas da molécula. A QSAR é uma relação matemática que permite a correlação entre a atividade biológica de um sistema molecular com suas características geométricas e químicas, como o coeficiente de partição, P. Além disso, o desenho de fármacos com base na estrutura foi possível a partir da década de 80 com a determinação de estruturas moleculares por técnicas como cristalografia de raios X e Ressonância magnética. Desse modo, é possível o planejamento do composto baseado na estrutura do alvo a ser modulado por um agonista ou bloqueado antagonista. O composto-molde é a molécula que apresenta o efeito biológico desejado e apresenta algumas características determinantes, como alta afinidade ao seu alvoVOET, Donald; VOET, Judith. Bioquímica. Porto Alegre: Artmed, 2013..
Desenvolvimento de novos compostos químicos Muitos aspetos do desenvolvimento de medicamentos estão centrados no cumprimento dos requisitos regulamentares para um pedido de aprovação de um novo medicamento. Em geral, isto inclui uma série de testes destinados a determinar as principais propriedades tóxicas de um novo composto antes da sua primeira utilização em seres humanos. A legislação exige uma avaliação da toxicidade para os principais órgãos, bem como dos efeitos sobre outras partes do corpo que possam ser afetadas pelo medicamento. Esses testes preliminares são realizados utilizando métodos in vitro, mas muitos testes só podem ser realizados em animais experimentais, a fim de demonstrar a complexa interação entre o metabolismo, a exposição ao medicamento e a toxicidade. O processo de aprovação de medicamentos inclui várias etapas paralelas de avaliação no âmbito da indústria farmacêutica. A avaliação paralela permite que as agências analisem os pedidos simultaneamente.
No entanto, além dos requisitos regulamentares, existe uma ampla gama de outros fatores, como as necessidades dos pacientes, que são considerados no processo de desenvolvimento e teste.
Os ensaios clínicos incluem quatro etapas: A primeira fase dos ensaios clínicos, geralmente com a participação de voluntários saudáveis, determina a segurança e a dosagem. A segunda fase dos ensaios clínicos é utilizada para obter uma avaliação inicial da eficácia e para estudar mais aprofundadamente a segurança num pequeno número de pacientes com a doença-alvo do novo composto químico. Os ensaios clínicos de fase III são estudos amplos e fundamentais destinados a determinar a segurança e a eficácia num número suficientemente grande de pacientes com a doença-alvo. Se a segurança e a eficácia forem devidamente demonstradas, os ensaios clínicos podem ser interrompidos nesta fase, e o novo composto químico passa para a etapa de apresentação do pedido de aprovação de novo medicamento (NDA). Os ensaios clínicos de fase IV são ensaios realizados após a aprovação do medicamento, que por vezes constituem uma condição obrigatória estabelecida pela FDA e também são chamados de estudos pós-comercialização.
Referências
Categoria:Design experimental