O Livro de Mirdad é a mais conhecida obra do autor libanês Mikhail Naimy — um dos dirigentes da The Pen League, associação literária árabe-americana formada por escritores e poetas árabes, entre eles, Khalil Gibran, grande amigo de Naimy.

O livro foi publicado pela primeira vez no Líbano, em 1948.

No Brasil, a obra é publicada pela Pentagrama Publicações — editora ligada ao Lectorium Rosicrucianum.Pentagrama Publicações, ,1 de janeiro de 2014

Esboço A história se passa nas ruínas de um antigo mosteiro — outrora muito famoso — no pico de uma montanha. Seguindo a tradição, nele habitam nove monges. Certo dia, após o falecimento de um dos nove, chega ao mosteiro um estranho, que solicita acolhimento. Trata-se de Mirdad, a quem o ingresso como monge é negado, mas que foi admitido como servo. Por sete anos, ele trabalha em total silêncio. Até que, no oitavo, começa a falar.

A trama do livro desenrola-se, então, em uma série de diálogos entre Mirdad, o prepotente monge superior do mosteiro e seus discípulos. A personagem narra diversas alegorias com referência a diversos temas como sofrimento humano, amor, fé, silêncio, entre outrosO Livro de Mirdad, pp. 4-7 , Pentagrama Publicações, 2005.

Por meio das alegorias expressas no livro, Naimy apela à união de diferentes grupos de pessoas em amor universal, assim como critica o materialismo e os rituais religiosos vazios.

Os diálogos de Mirdad encerram ensinamentos que parecem querer mostrar como é possível transformar a consciência humana e dissolver a dualidade como entendimento e percepção do mundo e da vida para, assim, encontrar a Deus não nas coisas exteriores, mas no interior de cada ser. O Livro de Mirdad, p. 113, capítulo 13 (Da Oração), Pentagrama Publicações, 2005

Diz-se que O Livro de Mirdad baseia-se em uma variedade de filosofias, incluindo a de Leon Tolstói e do Islã Sufi.

Edições e recepção

O livro foi publicado pela primeira vez no Líbano, em 1948. Inicialmente foi escrito em inglês, já que Naimy pretendia publicá-lo em Londres, onde foi rejeitado por aparentar ser uma “religião com um novo dogma”. O próprio autor tratou de traduzir a obra para o árabe tempos depois.

O místico indiano Osho menciona O Livro de Mirdad em sua obra A Song Without Words, em que menciona: “Eu não apenas gostei [do livro] — eu li milhares de livros e nenhum é comparável a este”Osho, , OSHO International Foundation. Mikhail Naimy também recebeu boas críticas da Philosophy East and West, revista acadêmica norte-americana fundada em 1952, por seu “poder de persuasão e entusiasmo”.

Por muitos, O Livro de Mirdad é considerado uma obra-prima de sabedoria espiritual, figurando no mesmo patamar de O Profeta, de Khalil Gibran. Pelo caráter alegórico do enredo, a obra foi comparada a O Peregrino, de John Bunyan. Também há comparações com O Livro de Khalid, obra de Ameen Rihani`s, a qual, acredita-se, influenciou o trabalho de Naimy.

Para Mikhail Naimy, O Livro de Mirdad é o “pináculo de seu pensamento e a essência de sua visão da vida”.

Categoria:Livros de 1948