Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno (ADHONEP) ou Full Gospel Business Men's Fellowship International (FGBMFI) é uma organização internacional pentecostal sem fins lucrativos, voltada para "empresários, profissionais liberais, autoridades civis e militares", que se reúnem em restaurantes ou salas de conferências de hotéis. Sua sede é em Irvine (Califórnia), Estados Unidos e seu presidente é Francis Owusu.
História A associação foi fundada em outubro de 1951 em Los Angeles, nos Estados Unidos por Demos Shakarian, um fazendeiro pentecostal.Randall Herbert Balmer, Encyclopedia of Evangelicalism: Revised and expanded edition, Baylor University Press, USA, 2004, p. 274 A expressão "Evangelho Pleno" no nome da associação é fundamental para a visão da organização.J. Gordon Melton, Martin Baumann, Religions of the World: A Comprehensive Encyclopedia of Beliefs and Practices, ABC-CLIO, USA, 2010, p. 1082 A primeira conferência realizou-se com 200 empresários, e foi animada pelo televangelista Oral Roberts, que posteriormente constituiu-se num parceiro importante. Depois de um começo difícil, com uma doação de US$ 1.000 iniciou-se uma pequena publicação chamada Full Gospel Business Men's VOICE. Isso permitiu o crescimento e o desenvolvimento de capítulos (núcleos regionais) em outras cidades, e depois em outros países. A organização também foi apoiada pelos pastores Kenneth Hagin e Kenneth Copeland, reconhecidos televangelistas.Allan H. Anderson, To the Ends of the Earth: Pentecostalism and the Transformation of World Christianity, OUP USA, USA, 2013, p. 205 Em 1972, a organização tinha 300.000 membros.Randall Herbert Balmer, Encyclopedia of Evangelicalism, Westminster John Knox Press, USA, 2002, p. 274 Em 1988, existiam 3.000 capítulos em 90 países.Robert H. Krapohl, Charles H. Lippy, The Evangelicals: A Historical, Thematic, and Biographical Guide, Greenwood Publishing Group, USA, 1999, p. 74
Após a morte de Demos Shakarian em 1993, seu filho Richard Shakarian assumiu a liderança da organização.Allan Anderson, An Introduction to Pentecostalism: Global Charismatic Christianity, Cambridge University Press, UK, 2013, p. 160
A organização estava presente em 85 países, em 2023.FGBMFI, OUR HISTORY, fgbmfi.org, USA, acessado em 20 de fevereiro de 2023 Neste mesmo ano, Francis Owusu foi eleito presidente da FGBMFI.
ADHONEP no Brasil Histórico No Brasil, a entidade começou a funcionar por iniciativa do industrial Custódio Rangel Pires, proprietário da Plastigel (indústria de plásticos em São Gonçalo, RJ), e à época, presbítero da Assembleia de Deus de Niterói (RJ) e diretor-executivo da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). Durante uma viagem de volta ao mundo em 1973, o empresário Rangel Pires conheceu Demos Shakarian, e foi convidado a visitar a associação, nos Estados Unidos; ali, ele impressionou-se "com a eficácia do evangelismo para homens de negócios por homens de negócios", decidindo que iria trazer a organização para o Brasil tão logo fosse possível.
A entidade foi fundada no Brasil em 8 de novembro de 1976, e inicialmente recebeu a denominação "Associação dos Homens de Negócio Pentecostais", tendo como primeiro presidente o industrial e advogado Emílio Nunes do Amaral Semblano. Apenas em 1982, quando Rangel Pires retorna aos Estados Unidos para o congresso mundial da entidade e reencontra Shakarian (que o nomeia diretor internacional no Brasil), passaria a adotar o nome ADHONEP, pelo qual é conhecida hoje.
Além de fundar a ADHONEP, Rangel Pires também foi o primeiro editor da revista da associação, "A Voz", cujo primeiro número em português foi, na verdade, impresso nos Estados Unidos, bem como do jornal "InformADHONEP". Na época, as atividades da entidade eram conduzidas numa sala da Plastigel, empresa de Rangel Pires. Posteriormente, o empresário construiu uma sede de operações em São Gonçalo, o único prédio próprio da ADHONEP, a qual costuma valer-se da estrutura existente em hotéis para realizar seus eventos.
Rangel Pires também foi o responsável por, através da ADHONEP, expandir a atuação da FGBMFI nas Américas, particularmente após a morte do fundador Demos Shakarian. Ele abriu capítulos em várias cidades da América Latina, Estados Unidos, Europa, Índia e até mesmo no Japão. Tendo a FGBMFI começado sob os auspícios de um pastor que pregava a teologia da prosperidade (Oral Roberts), Rangel Pires não se esquivou em justificar sua opção preferencial pelos ricos:
Custódio Rangel Pires morreu em 2012, aos 90 anos de idade, tendo seu genro Altomir Régis da Cunha assumido a presidência da organização.
Estrutura A entidade se organiza em capítulos (ou células), que são "o núcleo da Adhonep em uma cidade". Os capítulos possuem servidores ("oficiais"), alegadamente voluntários e oriundos de diversas denominações evangélicas, que trabalham para suprir várias tarefas administrativas (basicamente, organizar jantares e eventos realizados nos moldes da organização). Dentro da hierarquia de cada capítulo, há uma diretoria composta por presidente, vice-presidente, tesoureiro e vice-tesoureiro, primeiro e segundo secretários, bem como um "homem Voz", responsável pela aquisição e distribuição da revista "A Voz" pelos locais da cidade usualmente frequentados por empresários, bem como pelo envio de mailing list; diversos voluntários exerceriam tarefas auxiliares diversas. Haveria ainda uma função remunerada, de "Assessor de Expansão", que como o nome indica, ficaria responsável por expandir a implantação de novos capítulos em municípios vizinhos àqueles onde já há filiais implantadas. Em 2010, data do estudo aqui utilizado, qualquer membro pertencente a uma igreja evangélica poderia se filiar à ADHONEP, pagando uma anuidade equivalente a um salário mínimo.
Um diretor regional ocuparia a posição hierárquica entre o capítulo e a diretoria nacional. Ao diretor regional caberia a orientação de 5 a 10 capítulos, em sua cidade e na região circunvizinha.
Acima das diretorias regionais, posiciona-se a diretoria nacional, composta por presidente, vice-presidente, secretária-executiva e tesoureiro. O custeio da manutenção desta diretoria nacional e da estrutura administrativa da sede da organização, é feito com a arrecadação da anuidade paga pelos membros. A diretoria nacional age "em consonância com o comitê deliberativo", o qual é composto por líderes da ADHONEP de diversos estados do país. O comitê se reúne anualmente, durante a Convenção Nacional, ou em caráter extraordinário quando é necessário definir uma estratégia de ação da entidade.
Um importante grupo dentro da ADHONEP é constituído pelo Apoio Feminino, que conta com a participação de mulheres orientadas por esposas de diretores, as quais, "submissas a autoridade do presidente do capítulo, e ao capítulo, realizam chás da tarde". Estas mulheres serviriam como exemplo de comportamento a ser seguido, pois "mulheres que se convertem nos chás levam seus maridos, que já percebem mudanças em seus comportamentos, aos jantares onde também se convertem à fé evangélica". A literatura publicada pela ADHONEP, não deixa dúvidas sobre qual é o papel esperado da mulher na sociedade:
Outro grupo, responsável por atrair jovens evangélicos para a entidade, é o Apoio Jovem. Novamente, pelo exemplo dado pelos recém-convertidos, membros de suas famílias acabariam sendo atraídos para os eventos promovidos pela ADHONEP, onde era esperado que igualmente se convertessem.
Estratégias de crescimento Dentre as estratégias de crescimento empregadas pela ADHONEP, a realização de eventos assume o maior destaque. Os cinco principais são:
Jantar (ou "banquete"): evento de uso mais generalizado, é seguido pela apresentação de música com temática religiosa e testemunhos; estes são de curta duração (cinco minutos), seguidos por um de extensão maior, apresentado por um preletor escolhido para "testemunhar sua experiência com Cristo". O palestrante é "sempre leigo, profissional liberal, empresário ou de função não religiosa; em raros casos, um pastor, mas é apresentado pela sua ocupação secular". Trata-se de uma estratégia pensada para "não 'assustar' os participantes não cristãos", e pelo mesmo motivo, os filiados evitam o uso de termos associados aos evangélicos, como "irmão", e sequer portam Bíblias nas reuniões. Segundo o estudo aqui utilizado, ao final dos encontros, cerca de 20% a 30% dos convidados manifestam interesse em aderir "à fé cristã", sendo encaminhados pelos "oficiais" (associados) para diversas igrejas evangélicas das quais os mesmos fazem parte. Café da manhã: evento que ocorre em hotéis ou mesmo em empresas ou outras instituições. Mais informal do que o jantar, também apresenta testemunhos, os quais supõe-se sejam de menor duração pela própria natureza da reunião. Reuniões plenárias: geralmente são realizadas em hotéis, e podem ser temáticas. Além de testemunhos de convertidos, podem apresentar leigos "com expressiva posição social ou profissional" como convidados. Chás (apenas para mulheres): realizados pelo Apoio Feminino; uma mulher leiga faz a palestra, narrando situações de sua vida antes e depois da conversão ao cristianismo, e ao final, faz o chamamento para a conversão das convidadas. Coquetéis e almoços: voltados para um público mais jovem. Dão destaque à música como meio de atrair o público-alvo.
Convenções As convenções são realizadas anualmente e servem para avaliação dos resultados obtidos e traçar as metas para o ano seguinte. Também apresentam palestras de convidados "de destaque nacional e internacional" sobre temas como "orientação de saúde, financeira, familiar, etc."
Convenções regionais: realizadas em datas que antecedem as convenções estaduais e nacionais, reúnem oficiais de capítulos de cidades específicas ou de uma região estadual. Convenções estaduais: nestas, ocorre a "a unção pelo presidente nacional ou pelo vice-presidente aos oficiais que desempenham ministério na associação", incluindo as esposas destes. Convenção nacional: sempre seria realizada no Rio de Janeiro, devido "a proximidade com o escritório internacional" (localizado em São Gonçalo); congrega associados de toda a América Latina, não somente do Brasil. O Riocentro é citado como a sede costumeira do evento, embora isso possa ter variado nos anos posteriores ao estudo aqui abordado. Convenção internacional: convenção realizada pela ADHONEP (ou por sua matriz estadunidense) noutro país.
Além de todos os eventos citados, a entidade organiza fóruns, seminários e treinamentos avançados para suas lideranças e recém-convertidos (como o SATL, "Seminário Avançado de Treinamento de Liderança").
Clamor do Povo de Deus Realizado trimestralmente em praça pública, simultaneamente em todo o país, o clamor reúne lideranças de igrejas locais para pedir a Deus que reduza a "corrupção, a criminalidade, a prostituição, a fome" e que melhore "justiça, paz, melhores colheitas, prosperidade, reconhecimento do evangelho de Cristo". Segundo o estudo,
Ministério de Prisões Mais do que evangelização, este é um ministério voltado para a criação de linhas de produção industrial em presídios, visando a "reintegração do indivíduo na sociedade". Todavia, o estudo informa que um dos ex-detentos supostamente ressocializados, planejou o sequestro do presidente da ADHONEP, Custódio Rangel Pires, o que o fez voltar para a prisão.
Influência política