Esfendadates I Camsaracânio (, Sphendadátе̄s; , Spandarat) foi um nobre armênio do , membro da família Camsaracânio, que esteve ativo no reinado do rei . Relativamente pouco se sabe sobre sua vida. Era filho de e o sucedeu como chefe da família. Diz-se que foi o único sobrevivente do expurgo de sua família conduzido por Ársaces II.

Nome

Esfendadates (; , Sphendadátе̄s) ou Espandiates (, Spandiátе̄s) são as formas grega e latina do parta *Espandadata (, spndt; *Spandadāt(a-)) e Espandataque (Spanddātak [spndtk]). Essas formas surgiram do iraniano antigo Espantadata (*Spanta-dāta-) e do avéstico Espentodata (, Spəntōdāta-), que é formado por *spənta, "santo, sagrado", e *dāta, "dado, concedido", e significa "santamente concedido". Foi registrado em persa médio como Espandade (, spndʾtʾn; Spanddād), em persa novo como Espandiate (, Spandyāt), Ispandiade (, Ispandiyād), Isfandiar (, Isfandiyār) e Isfandiade (, Isfandiyād), em báctrio como Aspandolado (), em soguediano como Espandate (, ʾspnδʾt; Espandat), em aramaico como Espantadate (, Spntdt), em armênio em Espandarate (, Spandarat) e em georgiano como Espandate (, Sṗandaṭ).

Vida

Esfendadates nasceu em data incerta ao longo do . Moisés de Corene afirma que era filho de , uma afirmação não corroborada por Fausto, o Bizantino. A data exata da morte de Arsaviro não é conhecida, mas se especulou que tenha sido 355. Esfendadates é mencionado a primeira vez após a execução de , que é estimada em 365. De acordo com Fausto, Esfandadates era uma criança quando o massacre ocorreu. Diz-se que o , aproveitando-se da ausência do patriarca patriarca Narses , aniquilou muitas famílias nobres (nacarares), confiscando suas propriedades e aumentando seu tesouro. Dentre os afetados, estavam os Camsaracânios, cujos domínios em Siracena e Arsarúnia foram tomados. Esfendadates teria sido salvo por , que o protegeu até ser capaz de reivindicar seus domínios. Ársaces aproveitou-se da situação para construir a fortaleza impenetrável de Artogerassa em Arsarúnia e utilizou o distrito para abastecê-la. Nada mais é dito sobre Esfendadates depois disso.

thumb|upright=1.05|esquerda|Dinar de thumb|esquerda|upright=1.05|Soldo de Valente

Moisés fornece um relato muito diferente. Segundo ele, Ársaces II estava enfurecido pela destruição de sua cidade recém-fundada de Arsacavana pela nobreza e marchou contra os responsáveis com tropas que trouxe do Reino da Ibéria. Em decorrência da invasão simultânea do reino pelo imperador Valente e pelo xainxá , Ársaces II e os nobres aceitaram o arbítrio de Narses e cessaram o conflito. Quando o patriarca foi exilado algum tempo depois disso, Ársaces quebrou os pactos que firmou com ele e conduziu um expurgo sistemático de várias casas nobres, dentre as quais os Camsaracânios. Diz-se que invejava a posse deles da fortaleza de Artogerassa e da cidade de Eruandaxata e convidou os senhores Camsaracânios com seus familiares ao palácio abandonado de Armavir a pretexto de honrá-los. Ao chegarem, Ársaces ordenou a execução de todos, incluindo mulheres e crianças. Esfendadates não esteve presente na ocasião, pois havia querelado com seu tio e foi viver com sua esposa Arxanoixe da dinastia arsácida nas terras ancestrais dela em Taraunitis e Astianena Ao saber do ocorrido, fugiu com sua esposa e seus dois filhos, e Savarso, para o Império Romano.

Mais tarde, em 369, a pedido de Narses, o imperador Valente (Moisés anacronicamente menciona , 378–395) concordou em nomear Papa, filho de Ársaces que estava em exílio na corte romana, como rei. Para isso, enviou o pretendente com Esfandadates e o general Terêncio; Fausto coloca que foi a pedido de que o imperador consentiu com a coroação de Papa, enquanto Amiano Marcelino atribuiu esse pedido a Cílaces e Arrabanes. Seja como for, segue Moisés, quando Papa e seus companheiros chegaram, encontraram o reino sob controle de , a mando do xainxá Sapor II. Eles foram capazes de repelir Meruzanes, que fugiu, mas antes ordenou que as esposas dos príncipes (sepus) das casas nobres fossem penduradas nas muralhas das cidades e deixadas para morrer. Mais tarde, Sapor (para Moisés, por instigação de Meruzanes) decidiu realizar uma grande expedição contra a Armênia, que culminaria na Batalha de Vagabanta de 371. O cronista alega que Esfandadates participou da batalha ao lado do exército armeno-romano. Enfrentou o grande destacamento liderado por Xerguir, rei dos legas, que foi morto. Em recompensa por seus serviços, Papa restaurou as propriedades confiscadas de Esfendadates. O destino dele é incerto depois dessa data. Cyril Toumanoff propôs que deve ter vivido até ca. 378/87.

Notas

Bibliografia

Categoria:Partas do século IV Categoria:Armênios do século IV Categoria:Naapetes da família Camsaracânio