A arte da Alemanha Nazista era a arte aprovada pelo governo que foi produzida no Terceiro Reich entre 1933 e 1945. Ao tornar-se ditador em 1933, Adolf Hitler deu à sua preferência artística pessoal força de lei, a um nível raramente visto antes. No caso da Alemanha, a inspiração eram as artes clássica grega e romana, vistas por Hitler como uma arte cuja forma exterior encarna um interior racial ideal.Grosshans 1983, p. 87 Deveria, além disso, ser compreensível para o cidadão médio.Richard Overy, The Dictators: Hitler's Germany, Stalin's Russia, p. 335. Esta arte deveria ser heróica e romântica. Os nazistas viam a cultura do período de Weimar com nojo. Sua resposta decorreu em parte da estética conservadora e, em parte, de sua determinação de utilizar a cultura como propaganda.

Teoria miniaturadaimagem|240x240px|A Casa da Arte Alemã em Munique|alt=|esquerda Conforme indicado pelo historiador Henry Grosshans em seu livro Hitler e os Artistas, Adolf Hitler, que chegou ao poder em 1933: "via a arte grega e Romana, como não contaminada por influências judaicas. A arte moderna era [percebida por ele como] um ato de violência estética dos judeus contra o espírito alemão. Isso era real para Hitler, mesmo que apenas Liebermann, Meidner, Freundlich, e Marc Chagall, entre aqueles que fizeram contribuições significativas para o movimento alemão modernista, fossem judeus. Porém, Hitler tomou para si a responsabilidade de decidir quem, em matéria de cultura, pensou e agiu como um judeu".Grosshans 1983, p. 86 A suposta natureza judia de uma arte que era indecifrável, distorcida, ou que representava assuntos "depravados" era explicado através do conceito de degeneração, que considerava que uma arte distorcida e corrompida era sintoma de uma raça inferior.

Propagando a teoria da arte degenerada, os nazistas combinaram seu antissemitismo com o desejo de controlar a cultura, consolidando, assim, o apoio público para ambas as campanhas.Barron 1991, p. 83 Seus esforços neste sentido foram, sem dúvida, auxiliados por uma hostilidade popular para o modernismo que antecedia ao seu movimento.Frederic Spotts, Hitler and the Power of Aesthetics, p. 161. A visão de que tal arte refletia a falência moral e econômica da Alemanha era generalizada, e muitos artistas agiam de maneira que abertamente minava ou desafiava os valores populares de moralidade.Richard Overy, The Dictators: Hitler's Germany, Stalin's Russia, p. 358.

Em julho de 1937, duas exposições patrocinados pelo Estado, abriram suas portas em Munique: Entartete Kunst (Exposição de Arte Degenerada), que exibia arte moderna em uma instalação deliberadamente caótica, acompanhada por rótulos difamatórios que encorajaram o público a humilhá-la; e a Große Deutsche Kunstausstellung (Grande Exposição de Arte Alemã) fez sua estreia em meio a muita pompa. Esta exposição, realizada no palaciano Haus der deutschen Kunst (Casa de Arte Alemã), apresentava trabalhos de artistas aprovados oficialmente como Arno Breker e Adolf Wissel. "O público que entrava pelos portais do novo museu, já apelidado de "Palazzo Kitschi" e "Terminal de Arte de Muniqueal", para uma exibição estupidificante e cuidadosamente limitada a famílias camponesas alemãs idealizadas, nus comerciais, e cenas heroicas de guerra, incluindo não poucas obras do jurista Ziegler."Nicholas 1995, p. 20 "...O show foi essencialmente um fiasco e a participação foi baixa. As vendas foram ainda piores e Hitler acabou comprando a maioria das obras para o governo." Em quatro meses, a Entartete Kunst atraiu mais de dois milhões de visitantes, cerca de três vezes e meia o número que visitou a Grosse deutsche Kunstausstellung.Adam 1992, pp. 124-125

Contexto histórico O início do século XX foi caracterizado por uma surpreendente mudança de estilos artísticos. Em artes visuais, inovações como o cubismo, o dadaísmo e o surrealismo, seguidos pelo simbolismo, o pós-Impressionismo e o fauvismo, não foram universalmente apreciadas. A maioria das pessoas na Alemanha, como em outros lugares, não se apreciava a nova arte, que muitos criticavam como elitista, moralmente suspeita e, muitas vezes, incompreensível.Adam 1992, p. 29 No entre-guerras, a Alemanha se tornouum grande centro de arte avant-garde. Foi o berço do Expressionismo na pintura e escultura, das composições musicais atonais de Arnold Schoenberg, da obra influenciada pelo jazz de Paul Hindemith e Kurt Weill. O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene e Metrópole, de Fritz Lang, trouxeram o expressionismo para o cinema.

Criação do Reichskulturkammer direita|miniaturadaimagem|Joseph Goebbels com a diretora Leni Riefenstahl em 1937 Em setembro de 1933, foi estabelecido o Reichskulturkammer (Câmara da Cultura do Reich), sob a direção de Joseph Goebbels, que atuava como Reichminister für Volksaufklärung und Propaganda (Ministro de Esclarecimento Público e Propaganda do Reich).Richard Overy, The Dictators: Hitler's Germany, Stalin's Russia, p. 361.  A Câmara de Cultura do Reich era dividida em: "imprensa, rádio, literatura, cinema, teatro, música e artes visuais."Baez, 2004 pp. 211 "O propósito desta câmara foi estimular a arianização da cultura alemã e proibir, por exemplo, a música judia atonal, o blues, o surrealismo, o cubismo e o dadaísmo."

Leis sobre a cultura no Terceiro Reich Em 1935, a Câmara de Cultura do Reich tinha 100.000 membros. Goebbels deixou claro que: "No futuro, somente aqueles que forem membros da câmara terão permissão de ser produtivos em nossa vida cultural. A associação é aberta apenas a aqueles que satisfazem a condição de entrada. Desta forma, todos os elementos indesejados e prejudiciais foram excluídos."Adam 1992, p. 53 No entanto, houve entre 1933 e 1934 alguma confusão dentro do Partido sobre a questão do Expressionismo. Goebbels e alguns outros acreditavam que as obras impactantes de artistas como Emil Nolde, Ernst Barlach e Erich Heckel exemplificavam o espírito nórdicos; como o Ministro explicou: "Nós, nacionais-socialistas, não somos não-modernos, somos os portadores de uma nova modernidade, não só na política e em questões sociais, mas também em assuntos artísticos e intelectuais."Adam 1992, p. 56 Contudo, uma facção liderada por Rosenberg desprezava o Expressionismo, o que levou a uma amarga disputa ideológica, resolvida somente em setembro de 1934, quando Hitler declarou que não haveria lugar para a experimentação modernista no Reich.

Documento Nº 2030-PS: Decreto Relativo aos Deveres do Ministério de Esclarecimento Público e Propaganda do Reich de junho de 1933, afirma que: "O Ministro de Esclarecimento Público e Propaganda do Reich tem jurisdição sobre todo o campo de doutrinação espiritual da nação, da propaganda, o Estado, da propaganda cultural e econômico, de esclarecimento público, no país e no estrangeiro; além disso, é responsável pela administração de todas as instituições que servem a esses fins"Document No. 2030-PS. Accessed Feb. 2014. Yale Law School. Isto aumentou da competência do  Ministro de Esclarecimento Público e Propaganda do Reich incluindo "o esclarecimentoem países estrangeiros; arte; exposições de arte; imagens em movimento e do esporte no estrangeiro" ( ... ) [e o aumento da competência nacional] "Imprensa (incluindo o Instituto de Jornalismo); Rádio; hino nacional; Biblioteca alemã em Leipzig; Arte; Música (incluindo a Orquestra Filarmônica); Teatro; Imagens em Movimento; Campanha contra literatura suja e obscena" ... Propaganda para o turismo." Assinado pelo Chanceler do Reich, Adolf Hitler.Document No. 2030-PS. Accessed Feb. 2014. Yale Law School Documento Nº 2078-PS: Decreto sobre a criação do Ministério da Ciência, Educação e Cultura Popular do Reich de 1 de Maio de 1934, afirma que: "O Chanceler do Reich irá determinar as várias funções do Ministério da Ciência, Educação e Cultura Popular do Reich."Document No. 2078-PS. Accessed Feb. 2014. Yale Law School. Assinado pelo Presidente do Reich, von Hindenburg, e O Chanceler do Reich, Adolf Hitler. Documento Nº 1708-PS: O programa do NSDAP afirma que: apenas os membros da raça alemã podem ser cidadãos ( aos judeus, especificamente, é negada a cidadania), e que os não-membros da raça só podem viver na Alemanha como 'convidados'. Ponto 23 declara: "Demandamos procedimento judiciais contra formas artísticas e literárias que exerçam uma influência destrutiva sobre a vida nacional, e o encerramento das organizações que se opõem às exigências acima feitas .Document No. 1708-PS. Accessed Feb. 2014. Fordham University: The Jesuit University of New York. miniaturadaimagem|320x320px|Die Partei, estátua de Arno Breker representando o espírito do Partido Nazista Gêneros do Terceiro Reich A crença em um espírito germânico - definido como a místico, rural, moral, portador de uma sabedoria antiga, nobre em face a um destino trágico - já existia muito antes da ascensão dos nazistas; Richard Wagner celebrava esses ideais em seu trabalho.Adam 1992, pp. 23-24 Os escritos do arquiteto e pintor alemão Paul Schultze-Naumburg, desde antes da I Guerra Mundial já invocavam teorias raciais para condenar a arte e arquitetura modernas, forneceu muito das bases para a crença de Adolf Hitler de que a Grécia clássica e a Idade Média eram as verdadeiras fontes da arte ariana.Adam 1992, pp. 29-32.

A arte nazista tem uma estreita semelhança com o estilo propagandista soviético de arte do Realismo Socialista, e o termo realismo heróico por vezes tem sido usado para descrever ambos os estilos artísticos. Entre os artistas bem conhecidos endossada pelos nazistas foram os escultores Josef Thorak e Arno Breker, e pintores Werner Peiner, Arthur Kampf, Adolf Wissel e Conrad Hommel. Em julho de 1937, quatro anos depois que chegar ao poder, o partido nazista instalou duas exposições de arte em Munique. A Grande Exposição de Arte alemã foi concebida para mostrar obras que Hitler aprovou, retratando loiras esculturais nuas, juntamente com soldados e paisagens idealizados. A segunda exposição, que teve lugar numa galeria na mesma rua, mostrou o outro lado da arte alemã: moderno, abstrato, não-representativa - ou como os nazistas a definiam, "degenerada".

De acordo com Klaus Fischer, "a arte nazista  em suma, era colossal, impessoal, e estereotipada. As pessoas eram destituídas de toda individualidade e tornavam-se meros emblemas expressivos de assumidas verdades eternas. Ao olhar a arquitetura, a arte, ou uma pintura nazista rapidamente se tem a sensação de que os rostos, formas, e cores, servem a uma finalidade  propagandística; são todos as mesmas declarações estilizadas das virtudes nazistas - o poder, a força, a solidez, a beleza nórdica."Fischer 1997, p.368

Pintura miniaturadaimagem|Um São Jorge nazista matando o dragão (folha de um livro sobre Heráldica) miniaturadaimagem|Nenúfares pelo pintor nazista Ludwig Dettmann A arte do Terceiro Reich era caracterizada por um estilo de realismo romântico baseado em modelos clássicos. Enquanto proibiam estilos modernos, considerados como degenerados, os nazistas promoveram pinturas que eram estritamente tradicionais em suas formas e que exaltam o valores de "sangue e solo" e de pureza racial, militarismo e obediência. Outros temas populares na arte nazista eram o Volk no trabalho nos campos, um retorno às virtudes de Heimat (amor da pátria),  os valores viris das lutas do partido Nacional Socialista, e o apreciação das atividades femininas de gerar e criar os filhos, simbolizado pela expressão Kinder, Küche, Kirche ("crianças, cozinha, igreja").