Desde as eleições anteriores, vários institutos publicaram pesquisas acompanhando a intenção de voto para a eleição presidencial do Brasil em 2018. Entretanto, os 13 candidatos à presidência só foram oficializados em 15 de agosto de 2018.
Os resultados dessas pesquisas estão listados abaixo em ordem cronológica inversa, e incluem partidos cujos candidatos frequentemente pontuem acima de 3% dos votos, bem como o partido na presidência, o MDB. Estão listados apenas cenários estimulados, em que o entrevistado é apresentado a uma lista de candidatos, e que também tenham como universo o eleitorado ou a população de 16 anos ou mais de todo o país. As somas de alguns cenários pode não ser igual a 100% devido a arredondamentos. O intervalo de confiança das pesquisas é de 95%, exceto o das pesquisas XP/Ipespe, cujo intervalo de confiança é, mais precisamente, de 95,45%, e as pesquisas boca-de-urna do IBOPE, que têm intervalo de confiança de 99%. Não há dados sobre o valor do Intervalo de confiança das pesquisas DataPoder360 e Veja/Ideia Big Data e, especificamente, da pesquisa CartaCapital/Vox Populi de 29 de julho–1 de agosto de 2016.
Contexto
As pesquisas de opinião sobre a eleição presidencial de 2018 foram realizadas em grande número e por diferentes institutos, com variações quanto ao método de coleta, tamanho das amostras, margem de erro, contratantes e custos. As pesquisas destinadas à divulgação pública estavam sujeitas ao registro no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) da Justiça Eleitoral, conforme a Resolução TSE nº 23.549/2017 e o artigo 33 da Lei nº 9.504/1997.
Em 2018, aproximadamente 121 empresas realizaram pesquisas eleitorais destinadas à divulgação pública. Deste conjunto, 16 institutos realizaram pesquisas presidenciais de abrangência nacional, enquanto a maioria das empresas atuava em âmbito regional ou estadual.
Até 26 de setembro de 2022, levantamento posterior baseado nos registros do TSE contabilizou 555 pesquisas presidenciais registradas durante as eleições de 2018. O número serviu posteriormente como referência para comparação com o volume muito maior registrado em 2022.
A quantidade de institutos com atuação nacional era relativamente pequena em comparação com o universo total de empresas de pesquisa. Entre os principais institutos que realizaram levantamentos presidenciais estavam Datafolha, Ibope, CNT/MDA, Paraná Pesquisas, Ipespe, Vox Populi, FSB, DataPoder360 e outros.
Os institutos utilizavam métodos diferentes para a realização das entrevistas. Havia pesquisas presenciais, nas quais entrevistadores abordavam eleitores em diferentes municípios, e levantamentos realizados por telefone ou outros meios. A metodologia adotada influenciava o custo, o tamanho da amostra e a forma de seleção dos entrevistados.
A diferença de custos entre os métodos era significativa. Levantamentos presenciais tendiam a apresentar valores superiores aos realizados por telefone. Em uma comparação realizada durante a eleição, uma pesquisa do Datafolha com amostra de 9.072 entrevistados foi registrada com custo de R$ 398.344, enquanto levantamentos telefônicos analisados na mesma reportagem apresentavam custos inferiores.
O tamanho das amostras também variava consideravelmente. Os principais institutos nacionais utilizaram amostras que iam de aproximadamente 1.000 a vários milhares de entrevistados. A diferença de tamanho da amostra estava relacionada tanto à margem de erro pretendida quanto ao desenho da pesquisa e ao custo de sua execução.
Uma pesquisa do Datafolha registrada em junho de 2018, por exemplo, entrevistou uma amostra nacional e teve custo declarado de R$ 34.356,76. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e registrado sob o número BR-05110/2018.
A diferença entre os valores declarados pelos institutos podia ser muito grande. Uma análise realizada durante a campanha encontrou pesquisas nacionais com custos que iam de dezenas de milhares de reais a valores próximos de R$ 400 mil, dependendo do instituto, método de coleta e tamanho da amostra.
Em Goiás, por exemplo, pesquisas realizadas pelo Ibope em 2018 tiveram custo médio de aproximadamente R$ 68.277, enquanto levantamentos do instituto Serpes apresentaram custo médio de R$ 42.800. A comparação foi utilizada para demonstrar a diferença de custos entre empresas nacionais e institutos regionais que trabalhavam com amostras semelhantes.
A existência de institutos regionais era uma característica importante do mercado de pesquisas eleitorais brasileiro. Embora apenas 16 empresas tivessem realizado pesquisas presidenciais de abrangência nacional em 2018, dezenas de outros institutos atuavam na produção de levantamentos para governos estaduais, Senado e Câmara dos Deputados.
O sistema de registro da Justiça Eleitoral permitia consultar informações metodológicas dos levantamentos. Para as eleições de 2018, os registros continham dados relativos ao contratante, período de realização, tamanho da amostra, margem de erro, nível de confiança e demais informações exigidas pela regulamentação.
O Portal de Dados Abertos do TSE disponibiliza atualmente os registros das pesquisas eleitorais de 2018, além de arquivos referentes a notas fiscais, questionários, detalhamento de bairros e municípios, contratantes e pagantes. A base permite a reconstrução da atividade de pesquisa realizada durante aquele processo eleitoral.
O registro de uma pesquisa não significava aprovação prévia da metodologia ou do resultado pela Justiça Eleitoral. O TSE esclarecia que não realizava controle prévio sobre os resultados e que sua atuação ocorria mediante provocação, especialmente por meio de representações apresentadas por partidos, candidatos, coligações ou pelo Ministério Público.
A regulamentação também estabelecia que partidos políticos, candidatos e coligações poderiam impugnar o registro ou a divulgação de pesquisas que não atendessem às exigências da legislação eleitoral ou da resolução específica sobre pesquisas.
A judicialização ocorreu em diferentes momentos da eleição. Em janeiro de 2018, por exemplo, Jair Bolsonaro apresentou ao TSE pedido para impedir a divulgação de uma pesquisa do Datafolha registrada sob o número BR-05351/2018. A representação questionava a formulação do questionário e alegava que determinadas perguntas seriam tendenciosas e poderiam influenciar os entrevistados.
O caso envolvia uma pesquisa realizada ainda no período de pré-campanha e discutia, entre outros pontos, a presença ou ausência de determinados nomes nos cenários apresentados aos entrevistados. A representação alegava que a formulação das perguntas poderia produzir tratamento desigual entre potenciais candidatos.
Em abril, o PT também pediu ao TSE a suspensão de uma pesquisa do Datafolha, registrada sob o número BR-08510/2018. O partido alegou que o questionário continha perguntas tendenciosas e que determinados cenários não incluíam o nome do pré-candidato da legenda.
O ministro Og Fernandes negou o pedido do PT. Segundo a decisão, não havia elementos suficientes para demonstrar tratamento desfavorável ou utilização de recursos destinados a induzir as respostas dos entrevistados. A decisão também observou que, naquele momento, a regulamentação não obrigava os institutos a incluir nas pesquisas todos os pré-candidatos ainda não registrados formalmente.
As disputas judiciais envolvendo questionários mostraram que a controvérsia sobre pesquisas eleitorais não se limitava à composição estatística da amostra. A própria formulação das perguntas, a ordem dos quesitos e a seleção dos cenários apresentados aos entrevistados podiam ser objeto de contestação perante a Justiça Eleitoral.
Em julho, o TSE também reforçou a distinção entre pesquisas eleitorais registradas e enquetes ou sondagens realizadas sem observância das exigências legais. A partir de 20 de julho, a realização e divulgação de enquetes ou sondagens que não obedecessem às regras estabelecidas pela resolução passaram a estar sujeitas às penalidades previstas na legislação eleitoral.
A Justiça Eleitoral também estabeleceu regras relativas aos nomes que deveriam constar dos questionários. A partir da publicação dos editais de registro das candidaturas, os candidatos cujo registro tivesse sido requerido deveriam constar das listas apresentadas aos entrevistados, conforme a regulamentação vigente naquele pleito.
A divulgação de pesquisa fraudulenta constituía crime eleitoral. A legislação previa pena de detenção e multa para a fraude em pesquisas, diferenciando-a da simples divergência entre o resultado de uma pesquisa e o resultado posteriormente verificado nas urnas.
As diferenças entre pesquisas e resultados eleitorais tornaram-se objeto de análise após a eleição. Um dos casos mais discutidos ocorreu na eleição para governador do Rio de Janeiro, na qual diferentes pesquisas realizadas às vésperas do primeiro turno apresentaram estimativas significativamente diferentes do resultado posteriormente registrado nas urnas.
Essas diferenças foram posteriormente utilizadas em debates legislativos sobre a necessidade de aperfeiçoamento da regulamentação das pesquisas eleitorais. Documentos apresentados no Congresso citaram casos de 2018 para defender maior transparência e fiscalização dos levantamentos, embora tais documentos representassem argumentos dos autores das proposições e não conclusões da Justiça Eleitoral sobre fraude ou manipulação.
Estudos posteriores também analisaram estatisticamente o desempenho das pesquisas de 2018. Um estudo publicado pela Escola da Câmara dos Deputados comparou sucessivos levantamentos realizados durante o segundo turno e calculou medidas de erro para avaliar a proximidade das estimativas em relação ao resultado eleitoral.
A análise acadêmica mostrou que a comparação entre pesquisas e resultados deve considerar a margem de erro, o período de coleta e a metodologia utilizada. No segundo turno presidencial, por exemplo, os levantamentos foram realizados em diferentes datas ao longo das semanas que antecederam a votação, o que significa que cada pesquisa representava uma fotografia da opinião pública em determinado momento.
O período de coleta era particularmente importante nos últimos dias da campanha. Pesquisas realizadas vários dias antes da votação poderiam não captar alterações ocorridas posteriormente, de modo que diferenças entre uma estimativa e o resultado final não constituíam, isoladamente, evidência de fraude.
A diversidade metodológica também dificultava comparações diretas entre todos os institutos. Pesquisas presenciais, telefônicas e realizadas por diferentes sistemas de seleção de entrevistados utilizavam procedimentos distintos para formar suas amostras e ponderar os resultados.
Durante a campanha, alguns institutos realizaram séries sucessivas de pesquisas, permitindo o acompanhamento das alterações registradas ao longo do período eleitoral. Datafolha, Ibope, Paraná Pesquisas, CNT/MDA, Ipespe e outros institutos produziram levantamentos em diferentes momentos da disputa.
As pesquisas também apresentavam diferentes tamanhos de amostra. No segundo turno, por exemplo, o Ibope realizou levantamentos com aproximadamente 2.000 entrevistados, enquanto o Datafolha chegou a realizar pesquisas com amostras superiores a 9.000 pessoas.
A diferença de tamanho das amostras não significava necessariamente uma diferença proporcional na margem de erro. A precisão estatística dependia do desenho amostral, da distribuição dos entrevistados e dos procedimentos utilizados pelo instituto, além do número total de entrevistas.
O mercado de pesquisas de 2018 também demonstrava uma diferença entre institutos de abrangência nacional e empresas especializadas em determinadas regiões. Segundo levantamento posterior do Pindograma, somente Ibope e Veritá realizaram pesquisas para governador em todos os estados, enquanto a maioria dos demais institutos tinha atuação regional.