A escola metódica é um movimento da história surgido na França ao final do século XIX. Neste período, buscava-se consagrar à História o status de ciência com a utilização de métodos científicos que a distanciassem da literatura e da filosofia. Hippolyte Taine, Ernest Renan, Fustel de Coulanges, Gabriel Monod, Charles Victor Langlois, Charles Seignobos e todos os demais historiadores que viriam a ser compreendidos como metódicos começam a ser vistos como um grupo coeso no início do século XX, quando se iniciam os principais questionamentos e criticas a respeito de suas abordagens metodológicas. O termo Escola Metódica foi usado pela primeira vez em 1976 pelo historiador Charles-Olivier Carbonell em sua obra Histoire et historiens, dentro de um contexto de reavaliação do papel da história por historiadores da Nouvelle Histoire. miniaturadaimagem|302x302px|Primeiro número da Revue HistoriqueO marco inicial da Escola Metódica é a publicação da revista Revue Historique, fundada por Gabriel Monod e Gustave Charles Fagniez, em 1876, cujo objetivo era ser uma coletânea da ciência positiva e um espaço de livre discussão. Outro marco para a Escola Metódica é manual Introdução aos Estudos Históricos, publicado em 1898 por Charles Victor Langlois e Charles Seignobos. Inspirado pela Revue Historique, o manual contém os métodos que os historiadores deveriam se basear para o seu ofício, além dos pensamentos de Seignobos e Langlois.

Em busca de uma História Cientifica, a Escola Metódica tem em sua base a independência política e religiosa da História enquanto disciplina. Movida por um sentimento nacionalista e revanchismo em relação a Alemanha, a escola estabeleceu o compromisso de fortalecer a pesquisa histórica dentro da França, tendo importante papel na construção da identidade nacional, da ideia de Estado-nação e da constituição histórica de valores e memórias nacionais. Com o objetivo de construir uma erudição histórica na França, os metódicos se propuseram a elevar o nível de cientificidade, entendida enquanto algo construído com base no levantamento bibliográfico e na análise crítica das fontes, no intuito de melhorar a qualidade das produções históricas.

Entre 1890 e 1910, a história metódica encara duras criticas, que visam censurar sua busca por objetividade e especificidade do processo histórico e acusam sua preocupação pelo particular e individual. As primeiras décadas do século XX marcam o declínio do prestígio da Escola Metódica, acusada de ser historicizante, positivista e narrativista. Um dos primeiros críticos da escola metódica, François Simiand, em sua obra Método Histórico e Ciência Social, de 1903, levanta criticamente a ideia de imparcialidade do historiador e a admiração por “ídolos”. Na década de 1920, o golpe fatal a Escola Metódica parte da crítica de jovens membros da Escola dos Annales, como Lucien Febvre e Marc Bloch cujas criticas serviriam também como uma autoafirmação de novidade.  

História

Origem do termo Hippolyte Taine, Ernest Renan, Fustel de Coulanges, Gabriel Monod, Charles Victor Langlois e todos os demais historiadores que viriam a ser compreendidos como representantes da Escola Metódica, começam a ser vistos como um grupo coeso no início do século XX, quando se iniciam os principais questionamentos a respeito de suas abordagens metodológicas. Entretanto, é apenas com a reavaliação do papel da história por historiadores da Nouvelle Histoire, na década de 1970, que o trabalho desses historiadores da Terceira República tornou-se objeto de estudo. Dentro desse contexto, foi Charles-Olivier Carbonell quem utilizou pela primeira vez o termo Escola Metódica a esse grupo de historiadores franceses, em sua obra Histoire et historiens, de 1976.

Segundo Carbonell, após a década de 1860, surgiu uma nova forma de escrita da história na França com a chegada de historiadores protestantes a posições de influência. Para ele, historiadores protestantes e positivistas viam a história de forma diferente dos católicos, e a unidade da Escola Metódica era mais vinculada a preferências religiosas e preconceitos políticos do que ao uso de qualquer metodologia particular. Em certo sentido, Carbonell tentou mostrar a reviravolta protestante da história como simultânea ao surgimento do republicanismo e do nacionalismo modernos.

Início As obras de Hippolyte Taine e Ernest Renan têm, no século XXI, sido o foco de diversos estudos historiográficos, sob a ótica, especialmente, da filosofia do conhecimento, no caso de Taine, e da história da religião, no caso de Renan. Taine tinha grande preocupação e interesse acerca das leis e causas diretas das ações históricas, enquanto Renan tinha como foco as causas da agência humana. Para historiadores como Charles-Olivier Carbonell, Taine e Renan estariam mais bem situados entre os precursores da Escola Metódica do que entre seus membros. Na visão de Carbonell, Taine se distinguiria dos historiadores profissionais como Gabriel Monod, Ernest Lavisse, Charles Victor Langlois e Charles Seignobos por oferecer uma versão mais antiga, não profissional, do método histórico. Outra perspectiva coloca Taine e Renan entre os metódicos. Em seu livro Writing History in the Third Republic, Isabel Noronha-DiVanna afirma não ver estes historiadores como metodologicamente diferentes dos demais metódicos. Indo contra a interpretação de Carbonell, DiVanna afirma também que as inclinações políticas não republicanas de Renan, e mesmo antirrepublicanas de Taine, não possuem consequência direta em seus entendimentos de como a história se desenrolava, nem de como deveria ser escrita. A questão política, portanto, não os separava dos demais metódicos. Apogeu alt=|miniaturadaimagem|Pintura que retrata a guerra Franco-Prussiana de Nicolas Alberto Delsouc|199x199pxO marco inicial da escola é a publicação da Revue Historique em 1876, que teve como objetivo ser uma coletânea da ciência positiva e um espaço de livre discussão. A independência política e religiosa da disciplina História estava na base do surgimento da escola metódica. A História deveria ser estudada tendo como fim a si mesma, e não servir a outros fins. A escola estabeleceu o compromisso de fortalecer a pesquisa histórica dentro da França. Nutridos por um sentimento de revanchismo com relação à Alemanha e a derrota na guerra franco-prussiana, queriam que a França voltasse a estar no lugar de superioridade intelectual que um dia esteve.

Em seu livro Writing History in the Third Republic, Isabel Noronha-DiVanna examina os trabalhos de Fustel de Coulanges, Gabriel Monod e Ernest Lavisse como representantes do apogeu da escola metódica, sendo suas metodologias e conhecimentos de história inspiradas pelos trabalhos de historiadores mais velhos, como Hippolyte Taine e Ernest Renan.

Com o objetivo de construir uma erudição histórica na França, os metódicos se propuseram a elevar o nível de cientificidade, entendida enquanto algo construído com base no levantamento bibliográfico e na análise crítica das fontes, no intuito de melhorar a qualidade das produções históricas. O trabalho proposto pelos metódicos se opunha ao modelo de história produzido pelos seus antecessores Augustin Thierry, François Guizot, Jules Michelet, Adolphe Thiers, entre outros. De acordo com Gabriel Monod, a história produzida por esses historiadores poderia ser chamada de literária por causa de sua forma de escrita; pelo fato de que esses historiadores, em sua maioria, eram autodidatas, não tendo passado por uma formação acadêmica; e por eles não retomarem suas obras afim de efetuar correções visando o progresso da ciência.

Decadência Charles Victor Langlois e Charles Seignobos apreenderam as ideias de Gabriel Monod e produziram, vinte anos depois do lançamento da Revue Historique, um manual intitulado Introdução aos Estudos Históricos, publicado em 1898, e que contém ideias e métodos de análise que os historiadores deveriam se basear para o seu ofício. Essa obra foi uma das principais no que diz respeito aos métodos difundidos pela Escola Metódica, sendo referência para gerações de historiadores. Interessava a esses historiadores atingir uma imparcialidade e objetividade na produção historiográfica, e para isso se propuseram a elaborar técnicas de análise visando uma história profissional. Langlois e Seignobos afirmaram a importância da crítica para o trabalho histórico, pois entendiam que o documento não falava por si mesmo, sendo necessário que o historiador realizasse a sua análise crítica.

Entre 1890 e 1910, a história metódica encara duras criticas, que visam, por um lado, censurar sua busca por objetividade e especificidade do processo histórico e, por outro, acusam sua preocupação pelo particular e individual. As primeiras décadas do século XX marcam o declínio do prestígio da Escola Metódica. Sendo um dos primeiros a criticar a escola metódica, François Simiand em sua obra Método Histórico e Ciência Social, de 1903, articula críticas diversas, em especial acerca de Langlois e Seignobos. Entre suas principais críticas, levanta a ideia de imparcialidade do historiador e a admiração por “ídolos”. O golpe fatal, na década de 1920, partiu da crítica de jovens membros da Escola dos Annales, como Lucien Febvre e Marc Bloch.

Inspiração alemã miniaturadaimagem|315x315px|Seminário Schöntal, cartão postal, 1900, Stadtmuseum Ulm. Diversos pesquisadores, como Gabriel Monod, apontam o importante papel que a Alemanha teve no avanço da ciência histórica. Historiadores de todo o globo, como o francês Charles Seignobos, o estadunidense Herbert Baxter Adams, o argentino Ernesto Quesada e o belga Paul Fredericq, que visitaram diferentes universidades alemãs entre o fim do século XIX e o inicio do século XX reconheciam a superioridade das instituições alemãs em comparação aquelas em seus países. Apesar de não existir consenso na historiografia acerca das origens da profissionalização da história, expressões como "método" e "seminário" são constantemente associadas às experiências germânicas educacionais do final do século XVIII ao início do século XIX. A preeminência das instituições de ensino superior alemãs, em especial em relação às francesas, estadunidenses, inglesas e hispânica, no início do século XIX, era reconhecida por historiadores de todo o mundo, entre eles o próprio Seignobos.

Em muitos aspectos, a Alemanha se encontrava, no final do século XIX, mais organizada e modernizada em comparação com outros lugares do mundo, especialmente em relação à França. A Alemanha contava com uma estrutura forte no campo educacional, possuía muitas universidades e um elevado investimento em ciência. O ensino acompanhou as vicissitudes que ocorreram progressivamente durante os séculos, as tradições eclesiásticas foram perdendo espaço enquanto a laicidade passou a ser valorizada. A combinação desses fatores possibilitou um grande número de pesquisas e o progresso intelectual. Os fundadores da Escola Metódica percebiam que para superar o atraso científico francês deveriam realizar um trabalho metódico que serviria de base para a uma verdadeira erudição histórica. Dentre as ações nesse sentido, estiveram a publicação de textos, a crítica minuciosa, a utilização de documentos e o fortalecimento no campo educacional. Foi na Alemanha que inicialmente foi dado grande importância ao levantamento e à crítica documental.