Maurice Michael Otunga (Chebukwa, 31 de janeiro de 1923 - Nairobi, 6 de setembro de 2003) foi um cardeal queniano da Igreja Católica, arcebispo de Nairóbi. Ele foi o primeiro queniano a se tornar padre, bispo, arcebispo e cardeal.

Família e formação

Otunga nasceu em Chebukwa, diocese de Kisumu. Era filho de Wasike Lusweti 'Sudi', um chefe tradicional supremo dos Bakhone (ou Bukusu), que tinha cerca de setenta esposas reconhecidas como legítimas, e da adivinha Rosa Namisi. Recebeu o nome de "Otunga", derivado de um cajado no qual os idosos ou doentes se apoiam. O nome original era Odunga, mas a língua Lubukusu não possui o som "d", então foi eventualmente alterado para Otunga. Converteu-se ao catolicismo e foi batizado em 1935 em Kabibii; adotou o nome de Maurice Michael. Seu pai foi batizado em 1963 e sua mãe em 1965.

Após realizar seus estudos em algumas escolas, ingressou no Seminário Menor São Pedro Apóstolo de Mukumu, Kakamega, e, em seguida, no Seminário Maior de Ggaba, Campala, Uganda (filosofia e teologia). Em 1947, Maurice recusou-se a tornar-se chefe supremo quando seu pai se aposentou. Ingressou na Pontifícia Universidade Urbaniana onde estudou entre 1947 e 1950, obtendo o doutorado em teologia em setembro de 1951. Nesse tempo, residiu no Pontifício Colégio Urbano de Propaganda Fide, em cuja capela foi ordenado.

Sacerdócio Foi ordenado sacerdote em 3 de outubro de 1950, em Roma, pelo Cardeal Pietro Fumasoni Biondi, prefeito da Sociedade Sagrada para a Propagação da Fé. Viajou pela Europa durante alguns meses em 1951, visitando o norte da Itália, Paris, Lourdes, Inglaterra e Irlanda. Ao retornar ao Quênia, foi professor de teologia no Seminário de São Pedro, em Kakamega, de 1951 a 1954. Secretário do arcebispo James Robert Knox, delegado apostólico na África Britânica, de 1954 a 1956; Otunga residiu em Mombaça e viajou extensivamente pela África com o delegado. Designado para a paróquia de Makupa, em Nairóbi, em 1956.

Episcopado O Papa Pio XII o nomeou bispo titular de Tacape e bispo auxiliar de Kisumu em 17 de novembro de 1956. Foi consagrado em 25 de fevereiro de 1957, no terreno do seminário de Kakamega, por James Robert Knox, delegado apostólico na África Britânica, assistido por John Joseph McCarthy, arcebispo de Nairóbi, e por Frederick Hall, bispo de Kisumu. Seu lema episcopal era "Per ipsum et cum ipso et in ipso".

Monsenhor Otunga foi transferido para a diocese de Kisii em 21 de maio de 1960. Participou do Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965. Foi primeiro chanceler da Universidade da África Oriental, além de vigário militar do Quênia, em 20 de janeiro de 1964. Otunga ficou conhecido por converter parte de sua extensa família. Quando o Quênia conquistou a independência em 1963, ele foi o clérigo católico romano que abençoou a nova bandeira durante a cerimônia oficial.

Promovido a arcebispo titular de Bomarza e nomeado coadjutor de Nairóbi, com direito de sucessão, em 15 de novembro de 1969. Assumiu a sé metropolitana de Nairóbi em 24 de outubro de 1971. Também serviu como presidente da Conferência Episcopal do Quênia, vice-presidente da Associação das Conferências Episcopais da África Oriental (AMECEA) e membro da Comissão Permanente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (SECAM).

Cardinalato Criado cardeal-presbítero no consistório de 5 de março de 1973; recebeu o barrete vermelho e o título de São Gregório Barbarigo alle Tre Fontane em 5 de março de 1973. Participou da Terceira Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, em 1974; da Quarta Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, em 1977; e foi membro de seu secretariado geral de 1977 a 1980.

Apesar de seus altos cargos, Monsenhor Otunga viveu em acomodações humildes, dispensando o carro com motorista; em vez disso, dirigia seu próprio Peugeot 304. Ele visitou o presidente Daniel Arap Moi para instá-lo a implementar reformas democráticas. Porém, Otunga desaprovava o envolvimento dos padres de sua arquidiocese em controvérsias políticas ou sociais. Ele defendia tenazmente os ensinamentos contra o controle de natalidade e o papel das mulheres na Igreja. Quando Moi encerrou o currículo de educação sexual nas escolas, o cardeal apoiou publicamente a decisão. Fez oposiçaõ à distribuição de preservativos para prevenir a disseminação do HIV/AIDS e defendia a abstinência. Otunga chegou a se encontrar com líderes islâmicos locais para uma fogueira cerimonial que queimou caixas de preservativos em uma manifestação em Nairóbi.

Cardeal Otunga participou dos dois conclaves de 1978, o de agosto, que elegeu o Papa João Paulo I, e o de outubro, que elegeu o Papa João Paulo II. Participou da Primeira Assembleia Plenária do Sacro Colégio Cardinalício, no Vaticano, em 1979; da Quinta Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, em 1980; e foi membro de seu secretariado geral de 1980 a 1983. Ordinário militar para o Quênia, em 24 de janeiro de 1981. Foi membro do Conselho de Cardeais para o Estudo dos Problemas Organizacionais e Econômicos da Santa Sé, em 31 de maio de 1981. Participou da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a África, no Vaticano, em 1994. Renunciou ao governo pastoral da arquidiocese em 14 de maio de 1997 e ao ordinariato militar em 13 de setembro do mesmo ano. Após sua aposentadoria, Monsenhor Otunga decidiu viver em um lar para idosos. Perdeu o direito de participar do conclave ao completar 80 anos, em janeiro de 2003. Passou seus últimos dias, até falecer, no lar para idosos Nyumba ya Wazee, administrado pelas Irmãzinhas dos Pobres. Enquanto cardeal, Monsenhor Otunga foi Cavaleiro da Grã-Cruz da Justiça da Sagrada Ordem Militar Constantiniana de São Jorge.

Cardeal Maurice Michel Otunga faleceu em 6 de setembro de 2003, às 6h45, de parada cardíaca, na unidade de terapia intensiva do Hospital Mater Misericordiae, em Nairóbi. Conforme seu testamento, o arcebispo emérito foi sepultado no Cemitério de Santo Agostinho, em Msongari, Nairóbi, um cemitério tradicional para padres ou diáconos da igreja; Otunga foi o clérigo de mais alta patente sepultado ali.

Em fevereiro de 2005, com o início dos preparativos para sua beatificação, o primeiro passo seria o translado de seus restos mortais para o Cemitério da Ressurreição, em Karen, Nairóbi, em uma capela construída especialmente em sua homenagem. Essa medida foi imediatamente contestada pela comunidade Bukusu, de onde o falecido cardeal era originário, sob o argumento de que a transferência poderia trazer uma maldição para a comunidade. Seus restos mortais foram secretamente sepultados às 13h do dia 24 de agosto de 2005, no Cemitério da Ressurreição.

Em 2016, o governo queniano nomeou uma rua de Nairóbi, perto da Basílica Menor da Sagrada Família, em homenagem ao Servo de Deus, Cardeal Maurice Michael Otunga.

Processo de beatificação O processo de beatificação teve início em setembro de 2009, após o postulador da causa, Padre Anthony Bellagamba, IMC, ser nomeado pelo Cardeal John Njue, arcebispo de Nairóbi. Após a morte de Bellagamba, em 2011, seu substituto é o Dr. Waldery Hilgeman.

A causa, por virtudes heroicas, recebeu o rescrito de nihil obstat em 1 de março de 2010. O inquérito diocesano em Nairóbi foi realizado de 11 de novembro de 2011 a 28 de setembro de 2013. Após entrevistar 171 pessoas em todo o Quênia, o tribunal presidido pelo Dr. Hilgeman compilou um documento de 23.955 páginas sobre o falecido Otunga; a documentação foi entregue ao núncio apostólico, arcebispo Charles Daniel Balvo, que a encaminhou para a Congregação para as Causas dos Santos. O inquérito foi validado por decreto de 9 de maio de 2014.

Bibliografia Margaret A. Ogola, Margaret Roche. Cardinal Otunga. A gift of grace. Nairobi, Paulines, 1999.

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