Pontifício Instituto Oriental O Pontifício Instituto Oriental (Oriental) é uma Instituição Católica de Ensino Superior, situado em Roma. O projeto de criar uma Escola de Estudos Superiores sobre o cristianismo oriental foi uma intenção da Igreja Católica desde o pontificado do Papa Leão XIII (1878-1903). No entanto, esse projeto só foi realizado em 1917 com o Papa Bento XV (1914-1921). O Oriental faz parte de um Consortium, juntamente com a Pontifícia Universidade Gregoriana (fundada em 1551) e o Pontifício Instituto Bíblico (fundado em 1909), ambos também situados em Roma. As três Instituições são administradas pela Companhia de Jesus. O Oriental depende da Santa Sé, mas o seu governo é confiado à Companhia de Jesus. O seu Grão-Chanceler é o Prefeito da Congregação para as Igrejas orientais e o seu Vice Grão-Chanceler é o Superior Geral da Companhia de Jesus, enquanto a Congregação para a Educação Católica é o Dicastério que aprovaCl. Soetens, Congrès eucharistique de Jérusalem (1893), Louvain 1977, 725, a ideia começa a circular pela primeira vez em Constantinopla bem como a escolha dos Padres Brancos para dirigi-lo e como renovar o Colégio Grego. os programas acadêmicos do Oriental.

O número de estudantes no ano acadêmico de 2018-2019 é de 351 na Faculdade de Ciências Eclesiásticas Orientais (SEO) e 71 na Faculdade de Direito Canônico (DCO), sendo um total de 422 dentre os quais 242 são estudantes hóspedes de outras Faculdades. A cada ano, além dos professores e dos estudantes, a Biblioteca do Oriental recebe cerca de 400 visitas de estudiosos externos para ali fazerem suas pesquisas.

Missão O Pontifício Instituto Oriental, criado pelo Papa Bento XV em 1917 e confiado à Companhia de Jesus em 1922, é uma Escola de Estudos Superiores que tem como missão particular o serviço às Igrejas orientais. O Oriental possibilita as Igrejas do Oriente que conheçam “as imensas riquezas que... são preservadas nos cofres das suas tradições” (São Giovanni Paolo II, Orientale Lumen 4) e, ao mesmo tempo, favorece ao Ocidente latino o conhecimento dessas riquezas pouco conhecidas. A Missão do Pio visa pesquisa, ensino e publicações relacionadas às tradições das Igrejas orientais sobre sua liturgia, teologia, patrística, história, direito canônico, literatura e línguas, espiritualidade, arqueologia e questões de relevância ecumênica e geopolítica

O escopo do Oriental é educar os alunos que já possuem o primeiro nível de graduação acadêmica, independentemente de sua afiliação religiosa, latinos ou grego-católicos, ortodoxos ou outro, para um aprofundamento de seus conhecimentos sobre o Oriente cristão, sobre suas Igrejas, teologia, espiritualidade, liturgia, disciplina canônica, história e cultura. Os alunos provêm, sobretudo, dos países de igrejas orientais: Médio Oriente, Europa oriental, África (Egito, Etiópia e Eritreia) e Ásia (Kerala e outras partes da Índia, China), com um número significativo de alunos da Europa e das Américas interessados em estudar o Oriente cristão. Hoje, com o influxo dos migrantes e refugiados que provêm de alguns países acima citados, os alunos derivam também das comunidades cristãs orientais em diáspora

História. Os primeiros anos. A primeira sede provisória do Oriental foi nas imediações do Vaticano, no Palácio dos Convertendi, Praça Scossacavalli, que mais tarde deu espaço ao que hoje conhecemos como Via da Conciliação.Roberta Maria Dal Mas, “Il Palazzo dei Convertendi e la casa di Raffaello”, Claudio Parisi Presicce e Laura Petacco (ed.s), La Spina: dall’Agro vaticano a via della Conciliazione, Roma 2016, 129-129, qui 129. Depois o Instituto foi brevemente hospedado, sempre em Roma, nos edifícios do Pontifício Instituto Bíblico, na Via della Pilotta, nº 25, até o ano de 1926 quando recebeu sua atual e definitiva sede na Praça Santa Maria Maior, nº 07.V. Poggi, “Il Pontificio Istituto Orientale”, Per la storia del Pontificio Istituto Orientale, Roma 2000, 15-30, 23. De todas as Igrejas de Roma, a Basílica Santa Maria Maior, localizada na mesma praça do Instituto, é a que mais lembra o Oriente. Os seus famosos mosaicos foram executados sob o Papa Sisto III (432-440) para celebrar o terceiro Concílio Ecumênico de Éfeso (431), o qual afirmou que Jesus Cristo é uma Pessoa, portanto Maria, sua Mãe, era a Mãe de Deus, a Theotókos, como a chamam os Gregos. A Basílica tem a honra de possuir a relíquia da manjedoura e por isso é conhecida, liturgicamente, como “ad Praesepe”, a Igreja da Manjedoura. Além disso, na segunda metade do século IX, os apóstolos dos eslavos, São Cirilo e São Metódio, depositaram ali seus livros litúrgicos como sinal de que, a partir daquele momento, tendo recebido a aprovação do Papa, seria possível celebrar a liturgia em língua eslava eclesiástica. Na rua lateral, em frente ao Oriental, encontra-se a Basílica de Santa Praxedes com seus mosaicos carolíngios que atestam a profunda rejeição do Papa São Pascal I ao Iconoclasmo, que na época da construção da Basílica (817) estava ressurgindo no Oriente. Nas proximidades há uma placa de mármore que nos lembra o local da morte de São Cirilo, o irmão de São Metódio, que morreu aqui no ano 869. Dentro do complexo do quarteirão em que o Oriental está localizado, existe a Igreja de Santo Antão, o Grande (Santo Antão Abade), santo que os orientais têm uma devoção particular. Ele é um santo de grande devoção popular também em Roma, pois ainda hoje as pessoas se lembram dos momentos em que as bênçãos de animais ocorriam nesta Igreja. Ela é administrada pelos jesuítas que vivem no Pontifício Colégio Russo,C. Simon, Pro Russia: The Russicum and Catholic Work for Russia, Rome 2009, 404-432. conhecido como Russicum, que foi fundado em 1929 pelo Papa Pio XI (1921-1939). Em muitos aspectos, o Oriental tem realmente uma posição ideal.

Os primeiros cem anos O Oriental foi criado como uma Instituição gêmea da Congregação para a Igreja Oriental. Esta, em 1967, passou a chamar-se Congregação para as Igrejas Orientais. Sem o vínculo com esse importante órgão da Santa Sé, seria impossível entender o objetivo, a missão e a forma de como o Oriental poderia ter sido fundado em meio ao “massacre inútil” da Primeira Guerra Mundial, em 1917. A questão para a qual a fundação do Oriental quis ser uma resposta veio de longe. Era conhecida como a questão do Oriente, que surgiu pela primeira vez após a humilhante derrota otomana pelas mãos dos russos em 1774 (cf. Tratado de Kutchuk-Kainarji), e que se tornou ainda mais aguda quando Napoleão chegou ao Egito em 1798: o que deveria ter sido feito pelos milhões de cristãos sob os otomanos quando o Império Otomano desapareceu? A questão atingiu seu auge durante o Congresso Eucarístico de Jerusalém, em 1893, quando os Patriarcas católicos orientais deram a conhecer as dificuldades e as demandas de suas comunidades ao representante papal, o Cardeal Benoît Langenieux que, por sua vez, as apresentou ao Papa. Leão XIII imediatamente convocou uma assembleia dos Patriarcas católicos orientais para o ano seguinte (1894). Dessa assembleia emergiu a carta apostólica Orientalium dignitas,Orientalium dignitas Ecclesiarum:  in V. Peri, Orientalium varietas, Roma 1994, 334-339. conhecida como a Carta Magna dos direitos dos católicos orientais.

Após a revolução de fevereiro de 1917 ocorreu o colapso do Império Russo e aquele de Otomano ficou em vista de desaparecer. Por isso, o Papa decidiu agir.Opinamenta et vota quoad pontificiam in Urbe pro ecclesiarum orientalium dissidentium Concordia institutionem, Roma 1917. É o documento que relata as consultas realizadas ao longo dos anos antes da tomada de decisão. Estas consultas foram datilografadas pelo Cardeal N. Marini e não destinadas ao público em geral. Por meio do motu proprio com o título Providentis DeiDei providentis arcano: in V. Peri, Orientalium varietas, Roma 1994, 344-346. (01/05/1917) criou a Congregação Oriental e com o motu próprio Orientis catholici (15/10/1917)Orientis Catholici: em V. Peri, Orientalium varietas, Roma 1994, 372 criou o Oriental.Cfr.: C. Korolevskij, La foundation de l’Institut Pontifical Oriental, in E.G. Farrugia (ed.), The Pontifical Oriental Institute: the First Seventy-five Years 1917-1992, Rome 1993, 65-106, introductione di A. Raes. G.M. Croce editou cinco volumes de grande interesse informativo de Cyrille Korolevskij (1878- 1959), Kniga bytija moego (Le livre de ma vie): Mémoires autobiographiques, 1-5, Vatican City 2007. O Papa reservou a Prefeitura da nova Congregação para si, mas no início ela foi liderada apenas por um Secretário, embora de acordo com o Direito Canônico (cf. can. 257 do Codex Iuris canoniciN. Loda, “Codex Iuris Canonici 1917”, EDCE, 465-466. Pio-BeneditinoO termo Pio-Beneditino refere-se aos dois Papas sob os quais foi promulgado o Codex iuris canonici de 1917. Ele foi iniciado em 1904 com Pio X e finalizado com Bento XV. de 1917 que especificou exatamente isto) deveria ser um Cardeal. Após três anos da fundação do Oriental, Bento XV conferiu ao Instituto, por meio da Constituição Apostólica Quod nobis in condendo, o direito de conferir graus acadêmicosQuod nobis in condendo, in V. Peri, Orientalium varietas, Roma 1994, 373-374. O Papa, desde o início, insistiu sobre a necessidade do Oriental possuir uma rica biblioteca especializadaOrientis catholici, no. VII. In V. Peri, Orientalium varietas, Roma 1994, 373. para facilitar o estudo e a pesquisa de seu corpo docente e discente.

No início, os professores foram escolhidos das várias ordens religiosas e entre os leigos. Os primeiros foram: Antoine Delpuch (1868-1936)V. Poggi, Per la storia del Pontificio istituto Orientale, Roma 2000, 147-153. - dos Padres Brancos - que ocupou o cargo de pró-DiretorV. Poggi, “Il Pontificio Istituto Orientale”, Per la storia del Pontificio istituto Orientale, Roma 2000, 15-30, 18. Poggi chama Delpuch de "diretor delegado" ou "pró-diretor", observando que o Cardeal Marini era o último responsável do Oriental diante do Papa, isso esclarece o fato de que a escolha dos primeiros professores haja sido realizada pelo próprio Cardeal. no primeiro ano de funcionamento do Oriental (1918-1919); dois Beneditinos, entre os quais o beato Alfredo Ildefonso Schuster; três Assuncionistas, entre os quais Martin Jugie (1878-1954), que foi professor no Oriental somente pelos cinco primeiros anos, mas que escreveu uma monumental síntese da história da teologia oriental; um Dominicano; um Mequitarista; quatro jesuítas, entre os quais o famoso arqueólogo Guillaume de Jerphanion (1877-1948); dois russos, um grego e um etíope; e três professores leigos, entre os quais o renomado filólogo e historiador Michelangelo Guidi.V. Poggi, Per la storia del Pontificio istituto Orientale, Roma 2000, 154-174.