thumb|350px|Gráfico mostrando a inflação mensal (IGP-DI) e as quedas provocadas pelos principais planos econômicos. A hiperinflação no Brasil ocorreu entre os três primeiros meses de 1990. As taxas mensais de inflação entre janeiro e março de 1990 foram de 71,9%, 71,7% e 81,3%, respectivamente. Conforme aceito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a hiperinflação é definida como um período de tempo em que o nível médio de preços de bens e serviços aumenta mais de 50% ao mês.
O Brasil experimentou mais de uma década de inflação muito alta – muitas vezes inflação mensal de dois dígitos – precedendo o período hiperinflacionário. A nação sustentou a hiperinflação por menos de meio ano. Este evento econômico foi o culminar de uma série de aspectos estruturais da economia brasileira, incluindo, mas não exclusivamente, comércio exterior limitado e alta dívida pública externa, bem como medidas preventivas malsucedidas.
O governo brasileiro respondeu à hiperinflação usando vários períodos de congelamento de preços para interromper artificialmente a inflação. Isso foi eficaz no gerenciamento da hiperinflação por alguns meses. Em julho de 1990, os controles de preços foram suspensos e a hiperinflação voltou.
O período de hiperinflação foi resolvido após a implantação do Plano Real (1994). A economia brasileira tinha recursos financeiros limitados para sustentar uma política fiscal expansionista. O Plano Real envolvia ancorar a economia em uma unidade de conta separada, a Unidade Real de Valor (URV), em vez da moeda, o cruzeiro. A função de pagamento foi então transferida para a URV que passou a ser o real. A separação e reintegração da função do dinheiro foi bem sucedida em limitar a inflação no curto e longo prazo.
Histórico
Planos de estabilização
A inflação vinha a níveis elevados desde antes da ditadura militar brasileira (1964-1985), gerada principalmente pela expansão monetária e crise do petróleo. Ao final do regime, neste período a média de inflação anual foi de 69,89% a.a., com pico de 235% em 1985.
Por isso, alguns planos de estabilização monetária ocorreram já sob a ditadura, em especial durante o governo João Figueiredo. A tabela a seguir mostra os planos de estabilização da ditadura em diante.
+Planos de estabilização econômicaPlanoDataPresidenteMinistro da FazendaRef1Plano Delfim I1979João FigueiredoAntônio Delfim Netto(Ministro do Planejamento)2Plano Delfim II1981João Figueiredo3Plano Delfim III1983João Figueiredo4Plano Dornellesabril-junho de 1985José SarneyFrancisco Dornelles5Plano Cruzado28 de fevereiro de 1986José SarneyDilson Funaro6Plano Cruzado II21 de novembro de 1986José SarneyDilson Funaro;Decreto-lei Nº 2.290, de 21 de novembro de 1986. Estabelece normas sobre a desindexação da economia e dá outras providências.7Plano Bresser12 de junho de 1987José SarneyLuiz Carlos Bresser-PereiraDecreto-Lei nº 2.335, de 12 de junho de 1987. Dispõe sobre o congelamento de preços e aluguéis, reajustes mensais de salários e vencimentos, institui a Unidade de Referência de Preços (URP) e dá outras providências.Decreto-Lei nº 2.336, de 15 de junho de 1987. Altera a redação de dispositivos do Decreto-lei nº 2.335, de 12 de junho de 1987. 8Feijão com Arroz06 de janeiro de 1988José SarneyMaílson da Nóbrega9Plano Verão15 de janeiro de 1989José SarneyMaílson da Nóbrega;Medida provisória nº 32, de 15 de janeiro de 1989. Institui o cruzado novo, determina congelamento de preços, estabelece regras de desindexação da economia e dá outras providências.Lei nº 7.730, de 31 de janeiro de 1989. Conversão da MPV nº 32, de 1989. Institui o cruzado novo, determina congelamento de preços, estabelece regras de desindexação da economia e dá outras providências.10Plano Collor15 de março de 1990Fernando Collor de MelloZélia Cardoso de MelloCarvalho, Calos Eduardo. As origens e a gênese do Plano Collor. Nova Economia. Vol.16 No.1. Belo Horizonte. Janeiro-Abril de 2006. Acessado em: 8 set. 2007.11Plano Erismaio-dezembro de 1990Fernando Collor de MelloZélia Cardoso de Mello12Plano Collor II31 de janeiro de 1991Fernando Collor de MelloZélia Cardoso de Mello13Plano Marcílio10 de maio de 1991Fernando Collor de MelloMarcílio Marques Moreira;14Plano Real01 de Julho de 1994Itamar FrancoFernando Henrique Cardoso
Plano Cruzado
thumb|upright|Ex-presidente José Sarney Instituído em 28 de fevereiro de 1986, este Plano era basicamente o congelamento de preços, corte de 3 zeros na moeda com a troca do Cruzeiro pelo Cruzado (1 Cruzado = 1 000 Cruzeiros), mantendo a inflação baixa enquanto vigorava o plano. O governo não tinha responsabilidade fiscal e, durante a vigência do plano, a base monetária do governo continuava a expandir. Em março de 86 a base monetária estava em CR$ 70 029 000,00 e, em novembro de 1986, já estava em CR$ 172 456 000,00, um aumento de 146,3%Sistema gerenciador de Séries Temporais do Banco Central do Brasil, série cód. 1788, BM - Base monetária restrita (saldo em final de período). https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/telaCvsSelecionarSeries.paint na quantidade de moeda em circulação.
Plano Cruzado II Durante a vigência do Plano Cruzado em 86 o desabastecimento de vários produtos deu origem a um mercado negro, o que levou o governo a lançar um plano de reajuste econômico em 2 de novembro de 86. Os impostos das bebidas e cigarros foram reajustados e o preço de alguns produtos foram descongelados fazendo com que o preço de alguns produtos dobrasse, trazia também aumento de impostos como um aumento de 100% no IPI Além de uma lista de aumento de preços: 60% para a gasolina e o álcool; 80% para os automóveis; 25% para o açúcar; 30% para as tarifas de telefonia; 80% para as tarifas postais e 40% para a energia elétrica.
Em 20 de fevereiro de 1987 o Governo declarou moratória da dívida, que se estendeu até setembro de 88.
Plano Bresser thumb|esquerda|Luiz Carlos Bresser-Pereira, a autoridade responsável pelo plano. O Plano Bresser foi instituído em 12 de junho de 1987, através dos Decretos-Lei nº 2.335/87, nº 2.336/87Decreto-Lei nº 2.336, de 15 de junho de 1987. Altera a redação de dispositivos do Decreto-lei nº 2.335, de 12 de junho de 1987. e nº 2.337/87Decreto-Lei nº 2.337, de 18 de junho de 1987. Altera os artigos 13 e 14 do Decreto-lei nº 2.335, de 12 de junho de 1987, e dá outras providências. durante o governo José Sarney, quando Luiz Carlos Bresser-Pereira era o Ministro da Fazenda. O plano Bresser seguiu o Plano Cruzado II, que havia fracassado na tentativa de controlar a inflação.
No dia 12 de junho, Bresser anuncia o novo plano de estabilização: congelamento, por 90 dias, de preços, salários e de câmbio, depois de realizar a conversão dos primeiros pelo pico, dos segundos pela média e do terceiro com uma desvalorização de 10%. Pretendia, com a desvalorização do câmbio, conter as importações que haviam arrebentado as contas externas no Plano Cruzado. Como os preços já tinham sido corrigidos, imaginava que não haveria pressão por reajustes. Mas não é o que acontece, até porque o impacto da desvalorização cambial passa a ser repassado, pelos empresários, aos preços. De fato, para preços e salários o Plano previa um "gatilho" baseado na média de inflação do trimestre anterior, chamado de URP (Unidade de Reajuste de Preços), mas, na prática, esse reajuste controlado acabou valendo somente para os salários.
Com Bresser, o Brasil decreta nova moratória em julho, desta vez ao Clube de Paris, e propõe grandes cortes de gastos e de subsídios, com demissões de pessoal no setor público, enxugamento da máquina governamental e cortes nos investimentos públicos. Ao mesmo tempo, tenta retomar negociações externas, mas a recepção dos credores é ruim. Greves de trabalhadores e protestos empresariais (sobretudo das montadoras de automóveis: a Autolatina chega a fazer lockout por alguns dias) crescem contra o plano econômico no segundo semestre, e alguns reajustes começam a ser liberados para preços e tarifas.
Plano Verão thumb|Maílson da Nóbrega, ex-Ministro da Fazenda O Plano Verão foi instituído em 15 de janeiro de 1989, através da medida provisória nº 32, (depois convertida na Lei nº 7.730), durante o governo do presidente José Sarney, tendo sido implementado pelo Ministro da Fazenda Maílson Ferreira da Nóbrega, que havia assumido o lugar de Bresser-Pereira.
O Plano Verão modificava o índice de rendimento da caderneta de poupança, congelava preços e salários, criava uma nova moeda, o cruzado novo (inicialmente atrelada em paridade com o dólar). A lei também dispunha sobre a desindexação da economia, como estratégia de combate à inflação. Assim, foi a Obrigação do Tesouro Nacional (OTN), título público cuja variação era usada como índice de correção monetária. Assim como ocorreu no Plano Bresser, o Plano Verão também gerou grandes desajustes às cadernetas de poupança, cujas perdas chegaram a 20,37%.Depois do Bresser, é hora de reaver perdas do Plano Verão. Uol, 1º de junho de 2007. Justiça manda banco pagar diferenças relativas ao Plano Verão. Por Marina Diana. UOL, 4 de dezembro de 2007.Perdas de poupadores com Plano Verão chegam a R$ 70 bi. Por Marina Diana. 20 de junho de 2007.
Prometeu-se um ajuste fiscal amplo com extinção de ministérios, demissão de servidores, privatizações e controle de despesas em regime de caixa. Graças as greves de trabalhadores pedindo por reposição salarial em abril foram autorizados os primeiros reajustes de preços e o governo concedeu reposição salarial adicional de até 13,1%, dependendo da categoria profissional. Em maio de 1989 o ágio no mercado paralelo de dólares alcançava 200%. As eleições de novembro realizaram-se sob uma inflação de 45% ao mês. De fevereiro de 1986 até novembro de 1989 o Índice IPCA acumulado já era de 107.492,07%.Sistema Gerenciador de Séries Temporais - BACEN; série 433 - Índice nacional de preços ao consumidor-amplo (IPCA) - Var. % mensalCalculadora do Cidadão do Banco Central do Brasil, Calculo do IPCA acumulado de 02/1986 até 11/1989 - disponível em https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/corrigirPorIndice.do?method=corrigirPorIndice
Plano Collor
thumb|esquerda|upright|Zélia Cardoso de Mello foi uma das economistas que desenvolveu o Plano Collor.
O Plano Collor, idealizado e lançado pelo presidente da república em vigor, Fernando Collor de Melo, entrou em vigor por Medida Provisória , o que significa que não foi debatido pelo Congresso Nacional, não foi citado durante sua campanha eleitoral e pegou todos de surpresa em 16 de março de 1990 com um pronunciamento do próprio Collor explicando o plano. As principais medidas foram: preços deveriam voltar aos valores de 12 de março de 90, mudança da denominação da moeda de Cruzados Novos para Cruzeiros sem corte de zeros, confisco das poupanças de quem tivesse valores acima de 50 000 Cruzeiros, início do processo de privatização das estatais, reforma administrativa com o fechamento de ministérios, autarquias e empresas públicas, demissão de funcionários públicos, abertura do mercado brasileiro ao exterior com a extinção de subsídios do governo e flutuação cambial sobre controle do governo.