João Pereira de Sampaio (Rio de Janeiro, 25 de julho de 1893 – Capão da Canoa, 26 de setembro de 1963) foi um juiz de direito, desembargador e político brasileiro que ficou conhecido como Desembargador Sampaio.
Biografia Formou-se em Direito no Rio de Janeiro e em 1920 prestou concurso para o cargo de Juiz de Direito e, aprovado, foi servir no Rio Grande do Sul, primeiramente na Comarca de Santo Ângelo, e no ano seguinte foi para a Comarca de São Luiz Gonzaga.
Permaneceu em São Luiz Gonzaga por cerca de 7 anos, período em que veio a conhecer sua esposa, Dulce Gomes Sampaio, com quem teve cinco filhos. Dentre os filhos estão os cartunistas SamPaulo e Sampaio, além de João, Iolanda e Theresa.
No período em que João Pereira de Sampaio atuava na Comarca de São Luiz Gonzaga como juiz houve a formação da Coluna Prestes quando teve o primeiro contato com o líder revolucionário Luiz Carlos Prestes que posteriormente aderiu ao comunismo.
Em 24 de maio de 1938, João Pereira de Sampaio toma posse como Desembargador, vindo a ser o 83º desembargador a atuar no Tribunal de Justiça do RS, desde a criação do Tribunal da Relação, no século XIX.
Como juiz e desembargador, João Sampaio participou da criação da Associação dos Magistrados Sul Riograndenses, mais conhecida como Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS), estando presente na reunião de instalação da Associação dos Magistrados Sul Riograndenses, em 11 de agosto de 1944, assumindo a diretoria provisória.
Após a sua aposentadoria, foi solicitado e concordou em ser candidato a Governador do Estado do Rio Grande do Sul, em 1954.
Desembargador Sampaio era artista plástico e circulava no meio artístico porto-alegrense ao lado do artista plástico espanhol Benito Castañeda.
Carreira Política
Defesa da Paz Em 1951, João Sampaio foi um dos membros da comissão executiva da elaboração do manifesto pela convocação para a Conferência Continental Americana de Defesa da Paz. A Comissão Executiva, bem como os signatários do manifesto eram personalidades de diversos países da América do Norte, do Sul e Central. Além de João Pereira de Sampaio, faziam parte da Comissão Executiva: Gabriel Mistral (Chile) prêmio Nobel de Literatura; Salvador Allende, ex-presidente do Chile; Leonidas Barletta, diretor do Teatro do Povo de Buenos Aires, Argentina, dentre outros. A convocação foi assinada por todos os membros da Comissão Executiva, além de representantes de 16 países, dentre os quais estão Candido Portinari, Graciliano Ramos e Oscar Niemeyer, do Brasil; Jorge Galvez, do Peru; Roberto Fuentes, da Guatemala; Carlos Chang Marin do Panamá; Jean Jules Richard, do Canadá; Benjamin Cevallos Arigaza, do Equador; dentre outros.
Em 1952, diante da proibição da Conferência Continental Americana pela Paz, que aconteceria em março daquele ano no Rio de Janeiro, João Pereira de Sampaio assina junto com outras personalidades gaúchas um telegrama endereçado ao presidente Getúlio Vargas. Dentre as personalidades que assinam o telegrama estão: Temperani Pereira, na ocasião, presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre; Rubens Maciel, professor da Faculdade de Medicina; Paulino de Vargas Vares, advogado; José Antônio Aranha, advogado (que veio a ser vereador de Porto Alegre e também prefeito municipal); Manoel Braga Gastal, vereador; Candido Norberto, deputado estadual; Carlos Candal dos Santos, médico; Cesar Avila, professor da Faculdade de Medicina: Cláudio de Toledo Mércio, presidente do Movimento Estadual da Paz. As mesmas personalidades também assinam o Manifesto ao Povo Gaúcho.
Finalmente, entre 11 e 16 de março de 1952 ocorreu a Conferência Continental Americana pela Paz em Montevideo, Uruguai. João Pereira de Sampaio foi coordenador da delegação brasileira formada por 120 pessoas, dentre eles: Eunice Catunda, Lila Ripoll, Alina Paim, Moacir Werneck de Castro e Carlos Scliar.
Candidatura ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul Em 1954, disputou o cargo de governador nas Eleições estaduais no Rio Grande do Sul em 1954. Apesar de ter aberto mão da candidatura em apoio à Alberto Pasqualini, seu apareceu nas cédulas e ganhou 73 votos.
Sua candidatura fazia parte de uma estratégia de formação de uma frente popular e tinha como reinvindicações:
pelo congelamento de preços; pelas liberdades democráticas, contra o golpe venha de onde vier, pela garantia das eleições de 3 de outubro; pela reforma agrária; contra a exploração latifundiária e imperialista norte-americana; contra o artigo 32 e contra o atestado de ideologia para os candidatos ao pleito eleitoral; pela anistia aos presos políticos; pela legalidade do Partido Comunista Brasileiro; pela paz; pelo livre intercâmbio comercial e cultural do Brasil com todos os países do mundo; pela defesa da economia brasileira; pela emancipação nacional.
Demais atividades
Defesa do Petróleo João Pereira de Sampaio presidiu o II Congresso Gaúcho de Defesa do Petróleo, realizado em Porto Alegre em 1951.
Assembleia Nacional de Mulheres Durante a II Assembleia Nacional de Mulheres, realizada em Porto Alegre, entre 9 e 11 de outubro de 1953, João Pereira de Sampaio participou compondo a mesa de abertura ao lado de Lila Ripoll Guedes, Eunice Catunda, Flora Moura e Cunha, Dra. Enilda Ribeiro, Cláudio de Toledo Mércio, Jornalista Cícero Soares e Ernesto Ferreira. O evento foi convocado pela Federação de Mulheres do Brasil.
Festival Crioulo pela Paz Entre 14 e 15 de novembro de 1953, realizou-se o Festival Crioulo pela Paz, em Porto Alegre e João Pereira de Sampaio foi um dos avaliadores (jurados) e responsáveis por divulgar o resultado final ao lado de Claudio Mércio, Lila Ripoll e Vitorio Veloso, Edson Nequete, Rubens Belém e Nelson Souza.
Homenagem Em Porto Alegre, cidade onde o desembargador atuou profissionalmente e viveu os últimos anos de sua vida, uma rua foi nomeada em sua homenagem no bairro Jardim Sabará: a rua Desembargador João Pereira de Sampaio.
Ver também Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS)
Ligações externas
João Pereira de Sampaio na Imprensa Popular Genealogia de João Pereira de Sampaio no WikiTree
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