A história das placas de identificação de veículos no Brasil é composta por uma sequência de padrões desde o início do século XX, poucos anos após o início da circulação de veículos automotores no Brasil, em 1891.
Sistemas pioneiros (1901-1941) Sistema descentralizado sem categorização (1901-1915) alt=O primeiro emplacamento registrado no Brasil é de 1901. O modelo inicial das placas foi usado até 1915|miniaturadaimagem|O primeiro emplacamento registrado no Brasil é de 1901. O modelo inicial foi usado até 1915 Inicialmente, de 1901 a 1915, não havia padronização e as placas, embora fossem sempre de fundo preto, tinham os caracteres com cores variáveis, conforme o material de fabricação, feita a mando não do órgão público licenciante, sempre municipal, mas sim pelo proprietário. Os caracteres eram sempre numéricos, em formato de unidades (1), dezenas (12) ou centenas (123), o que era suficiente para a incipiente frota circulante à época.
Sistema descentralizado com categorização (1915-1941) thumb|200px|Placa de veículo de aluguel no sistema de emplacamento brasileiro utilizado 1915 e 1941. alt=Placa de carro particular (P) no modelo usado entre 1915 e 1941|miniaturadaimagem|Placa de carro particular (P) no modelo usado entre 1915 e 1941 Entre 1915 e 1941, o sistema de emplacamento continuou sendo de competência municipal e sem padronização. As placas, em geral, eram iguais em todo o território nacional, com fundo preto e letras brancas, constando de uma letra inicial (onde P significava "Particular" e A significava "Aluguel", utilizada em veículos que realizavam transporte remunerado, isto é, caminhões, ônibus e táxis) seguidas de uma quantidade de números que variava de 1 a 5 algarismos. Por exemplo: P 6, P 43, A 25, P 532, A 587, P 1·349, P 12·879. Nas capitais e em boa parte dos municípios, não havia indicação do município de registro e a placa traseira recebia uma tarjeta trocada anualmente, a título de licenciamento.
Sistema numérico (1941-1969) thumb|201x201px|Placa de identificação para veículos - categoria particular. Utilizado entre 1941 e 1969, e instituído pelo Decreto-Lei 3.651/1941, nos artigos 84 a 98, o novo sistema adota um sistema numérico separado por pontos na altura média, sem a utilização de letras. O controle das placas permanece sob controle municipal e o nome do município seguido da sigla da Unidade da Federação na qual está registrado passa a ser informado nas placas (Município-UF), e como continuidade ao que ocorria nos sistemas anteriores, as placas pertenciam aos proprietários e não aos veículos.
Além destas novidades, as cores das placas passam a indicar a sua utilização. Assim, as placas com fundo alaranjado (a partir de 1960 passam a tê-lo na cor amarela) com letras pretas passam a indicar a utilização como veículo particular, as vermelhas com letras brancas indicam a utilização como veículos de aluguel e as brancas com letras pretas indicam o automóvel como oficial.
As placas de motocicletas passam a ser ovais e apresentam apenas a sigla do estado (como era comum nas placas traseiras de outros veículos), com o ano da expedição da placa na parte inferior.
Como o controle permaneceu no âmbito municipal, o formato iniciava-se na combinação de um único algarismo e seguia sequencialmente conforme a demanda por novos registros. Os municípios iniciavam sua sequência no 1 e iam sendo acrescidos, sendo que a quando as combinações atingem a centena e o milhar passam a ser utilizados um ponto para separar e manter as combinações por dezenas (12, 1·23 e 12·23, 1·23·45 e 12·34·56), facilitando a visualização. Em alguns estados, como São Paulo, nos anos finais passa a ser utilizado a sequência para todo o estado, chegando a serem registrados veículos com a placa no formato 1·23·45·67. alt=Placa de táxi no modelo usado no Brasil entre 1941 e 1970. A indicação "Guanabara" começou a ser usada na cidade do Rio de Janeiro em 1960|miniaturadaimagem|Placa de táxi no modelo usado no Brasil entre 1941 e 1970. A indicação "Guanabara" começou a ser usada na cidade do Rio de Janeiro em 1960 Neste sistema, portanto, era possível emplacar até 9.999.999 por município/estado porém, devido à dificuldade de controlar vários veículos com a mesma placa no mesmo estado e também no país, foi aos poucos se tornando inviável, levando à adoção de um novo sistema a partir do final de 1969.
"Placa paulistinha" Durante a vigência do terceiro sistema, citado acima, o estado de São Paulo passou a adotar um sistema diferenciado e exclusivo, em paralelo com o sistema nacional e com os mesmos padrões de categorias e cores deste, no qual as placas se iniciavam com a letra S, seguidas ou não, de outra letra que indicava a região administrativa, com o nome do município de emissão na parte superior, sem a sigla da unidade federativa. Esse sistema, que nunca foi homologado pelos órgãos federais de trânsito, tendo sido considerado ilegal por estes, perdurou até a substituição gradativa das placas pelo sistema alfanumérico de duas letras e quatro números.
Combinação alfanumérica Região Administrativa S São Paulo (município)SA AraçatubaSB BauruSC CampinasSG Grande São PauloSJ São José dos CamposSO SorocabaSP Presidente PrudenteSR Ribeirão PretoSS SantosST São José do Rio Preto
Sistema alfanumérico - duas letras e quatro números (1970-1990) thumb|200px|Placa particular para automóveis em geral (exceto motocicletas) no sistema utilizado de 1970 até a implementação do sistema RENAVAM, entre 1990 a 1999. Em 12 de fevereiro de 1970, o Decreto 66.199 alterou o artigo 122 então Código de Trânsito Brasileiro (CTB) (Decreto 62.127, de 16 de janeiro de 1968, revogado em 1998) sistema de placas, adotado em 1970 e utilizado até 1990 de forma exclusiva e que subsistiu até 1999 em alguns estados, novas mudanças são adotadas. A combinação passa a ser alfanumérica de duas letras e quatro números para automotores de quatro ou mais rodas, no formato AB 1234 e duas letras e três números para automotores de 2 ou três rodas (no formato AB 123), o que permitia o registro de uma frota máxima de 7.434.648 veículos por estado, sendo 675.324 Região Administrativa de similares e 6.759.324 automóveis, ônibus e caminhões. alt=Placa alfanumérica amarela usada em carros particulares no Brasil entre 1970 e a década de 90|miniaturadaimagem|Placa alfanumérica amarela usada em carros particulares no Brasil entre 1970 e a década de 90 A principal mudança foi a transferência da responsabilidade pela gestão do trânsito para o nível estadual, deixando esta de ser municipal. Isso permitiu que as combinações passassem a ser distribuídas para cada município e dentro do estado deixariam de existir dois veículos com a mesma combinação, como ocorria até então. Por serem vinculados aos municípios de registro, até 1969, as placas eram trocadas toda vez que o veículo fosse vendido para um cidadão que morasse em outro município. O município e estado de registro passaram a ser exibidos no formato UF - MUNICÍPIO e foram mantidos padrões de cores indicativas de categorias do sistema anterior. Além disso, na maioria dos municípios era adotada uma combinação diferente para cada categoria de veículo e apenas nos anos finais do sistema esta utilização foi abolida, devido à restrição de combinações disponíveis. Outra característica do sistema era a reutilização de combinações após os veículos originários serem transferidos para outros municípios ou quando eram baixados como sucata.
Principais problemas deste sistema Depois que os sistemas de bancos de dados computadorizados começaram a ser implantados, surgiram incompatibilidades, dentre as quais: A placa AB0123 poderia existir em cada um dos estados; as motocicletas usavam uma sequência paralela com apenas três números. A placa AB123 (motocicleta) seria confundida pelos computadores com a placa AB0123. O número máximo de prefixos disponíveis por estado era de apenas 673 combinações (26 X 26, exceto as combinações CU, KU e QU), não havendo disponibilidade de prefixos para todos os municípios uma vez que em alguns estados o número de municípios é quase o mesmo de prefixos ou até maior, como em Minas Gerais, agravado pelo fato de que nos municípios mais populosos as combinações necessárias chegavam a centenas.
O sistema de duas letras coexistiu por vários anos com o sistema posterior, de três letras, com uma substituição que se estendeu por vários anos, conforme cada Detran foi aderindo ao sistema Renavam:
Sequência Unidade da federação Sigla Substituição ocorrida em 1.º Paraná PR 2.º Minas Gerais MG 3.º São Paulo SP 4.º Maranhão MA 5.º Mato Grosso do Sul MS 6.º Rio Grande do Sul RS 7.º Ceará CE 8.º Pará PA 9.º Bahia BA 10.º Sergipe SE 11.º Amazonas AM 12.º Mato Grosso MT 13.º Distrito Federal DF 14.º Piauí PI 15.º Goiás GO 16.º Pernambuco PE 17.º Rio de Janeiro RJ 18.º Espírito Santo ES 19.º Santa Catarina SC 20.º Paraíba PB 21.º Alagoas AL 22.º Tocantins TO 23.º Rio Grande do Norte RN 24.º Acre AC 25.º Roraima RR 26.º Rondônia RO 27.º Amapá AP
Assim, com o advento da Resolução 99/1999, que facultou aos Detrans a possibilidade de estabelecer calendários próprios para a substituição das placas de duas letras pelas de três letras, sem exceder a data-limite de 31 de dezembro de 1999, é que os emplacamentos anterior deixaram de ser válidos.
Sistema alfanumérico - três letras e quatro números (1990-2018) thumb|200px|Modelo de placa veicular brasileiro, em caracteres DIN Mittelschrift, adotado até 2008 em muitos estados As limitações técnicas do sistema com duas letras e quatro números levaram à implantação, a partir de 1990, de um novo sistema de identificação dos veículos com o acréscimo de uma letra ou de uma letra e um dígito (passando do formato AB123 para motocicletas e AB1234 para ABC·1234 em todos os veículos), além de outras modificações, sendo a mais perceptível delas, a mudança da cor do fundo das placas de veículos particulares do amarelo para o cinza.
A nova formatação adotada foi a ABC·1234 com um hífen ou ponto entre as letras e os números. Acima da combinação passou a haver uma tarjeta metálica com a sigla da unidade federativa e o nome do município onde o veículo está registrado (UF-Município), devendo esta ser substituída quando o veículo fosse transferido de município sem que houvesse a necessidade de trocar toda a placa, como acontecia até então. Este procedimento era feito rompendo-se o lacre de segurança (de plástico ou chumbo) e efetuando-se a troca por novo lacre. Esse lacre era a garantia no sistema de que a placa pertencia ao veículo e não podia estar rompido, nem o arame que o liga ao veículo, sob pena de infração gravíssima e apreensão do veículo. Originalmente em 1990, previa-se que tanto os veículos particulares quanto os veículos oficiais teriam placas com caracteres pretos em fundo branco, tendo estes últimos uma diferença: a presença de uma tarja diagonal em verde-e-amarelo, as cores nacionais. No entanto, já em 1993 já se dizia que o padrão dos veículos particulares era com placas cinza.
A criação de um cadastro nacional unificado de veículos, denominado RENAVAM (Registro Nacional de Veículos Automotores), permitiu a criação desse novo sistema, uma vez que a quantidade máxima de combinações passou a ser de 175.742.424 (26 X 26 X 26 X 9.999, uma vez que as placas com final 0000 não são utilizadas): em 2015 a previsão era que o sistema durasse apenas mais dez anos.
A combinação alfanumérica atribuída a um veículo não pode ser transferida, substituída nem reaproveitada, mesmo após o sucateamento, A exceção é no caso dos veículos "clonados" ou "dublês", que tiveram copiadas a placa veicular e/ou os dados do sistema (número Renavam, número de identificação do chassi mediante adulteração, que segundo a Resolução 670/2017 do Denatran
thumb|200px|esquerda|Modelo de placa veicular brasileiro, a partir de 2008, em caracteres Mandatory, conforme a Resolução 231 do Contran