Handbuch politisch-sozialer Grundbegriffe in Frankreich 1680-1820 (em português: Manual de Conceitos político-sociais Básicos na França 1680-1820) é uma obra coletiva, editada por Rolf Reichardt e Eberhard Schmitt, considerada uma das contribuições mais significativas da história dos conceitos alemã.

Sobre O Handbuch politisch-sozialer Grundbegriffe in Frankreich 1680-1820, publicado inicialmente em 1985, foi o último dos três grandes projetos pioneiros da história dos conceitos alemã, antecedido pelo Historisches Wörterbuch der Philosophie e pelo Geschichtliche Grundbegriffe. Coeditado pelos historiadores Rolf Reichardt e Eberhard Schmitt, a ênfase deste projeto se deu sobre os conceitos utilizados antes, durante e depois da Revolução Francesa, seguindo uma abordagem influenciada pela história social, pela história das mentalidades populares - da forma como concebida pelos pensadores da Escola dos Annales - bem como da sociologia do conhecimento de Peter L. Berger e Thomas Luckmann, que trataram a linguagem como um fenômeno primordialmente social e criaram definições mais práticas para a noção de realidade. Composta por vinte e um livros organizados em dezesseis volumes, a obra é apresentada por Reichardt, em nome dos demais editores, como um estudo de semântica histórica e de história social voltada para o contexto do Antigo Regime na França, começando em 1680 e continuando através dos grandes eventos históricos posteriores, como a Revolução e a Restauração, fechando o recorte temporal em 1820. A proposta do Manual, de acordo com os próprios editores, se situa entre a perspectiva teórica e interpretativa do Conceitos Históricos Básicos, e a lexicometria francesa, caracterizada pela abordagem quantitativa.

De acordo com Reichardt, a história dos conceitos praticada no Geschichtliche Grundbegriffe possuía pontos a serem criticados, mesmo que reconhecesse a influência central de Reinhart Koselleck, outrora seu professor, para o desenvolvimento da proposta do Handbuch. Se, por um lado, mantém algumas premissas teóricas deste último acerca do surgimento do mundo moderno, por outro lado afirma que o conteúdo do projeto antecessor é excessivamente focado na cultura das elites, particularmente na inclusão apenas do grandes pensadores e escritores. Outra crítica feita pelos editores do Manual foi em relação ao método. Em função da proposta, considerada de difícil realização, de identificar as transformações a longo prazo da semântica dos conceitos, retornando à Idade Média e na Antiguidade, para só então comparar os significados anteriores com o seu correspondente moderno, o Conceitos Históricos Básicos teria perdido parte da complexidade da configuração dos conceitos modernos, reforçando ainda mais o enfoque nas elites intelectuais.

Volumes

Volume 1-2 (1985) Bibliografia Geral e Introdução por Rolf Reichardt; Die Wörterbücher in der Französischen Revolution (Os Dicionários na Revolução Francesa), de Brigitte Schlieben-Lange. Volume 3 (1985) Philosophe, Philosophie (Filósofo, Filosofia), de Hans Ulrich Gumbrecht e Rolf Reichardt; Terreur, Terroriste, Terrorisme (Terror, Terrorista, Terrorismo), de Gerd van den Heuvel. Volume 4 (1986) Civilité (Civilidade), de Roger Chartier; Fanatique, Fanatisme (Fanático, Fanatismo), de Thomas Schleich. Volume 5 (1986) Critique (Crítica), de Martin Fontius; Financier, Banquier, Capitaliste (Financeiro, Banqueiro, Capitalista), de Annette Höfer; Matérialisme, Matérialiste (Materialismo, Materialista), de Rolf Geißler. Volume 6 (1986)Analyse, Expérience (Análise, Experiência), de Sylvain Auroux e Barbara Kaltz;Cosmopolite, Cosmopolitisme (Cosmopolita, Cosmopolitismo), de Gerd van den Heuvel;Démocratie, Démocrates (Democracia, Democratas), de Horst Dippel. Volume 7 (1986)Honnête homme, Honnêteté, Honnêtes gens (Homem honesto, Honestidade, Pessoas honestas), de Anette Höfer e Rolf Reichardt;Nation (Nação), de Elisabeth Fehrenbach. Volume 8 (1988)Barbarie, Civilisation, Vandalisme (Barbárie, Civilização, Vandalismo), de Pierre Michel;Économie politique (Economia política), de Jean-Claude Perrot. Volume 9 (1988)Bastille (Bastilha), de Rolf Reichardt;Citoyen-Sujet, Civisme (Cidadania, Civismo), de Pierre Rétat. Volume 10 (1988)Féodalité, féodal (Feudalismo, Feudal), de Gerd van den Heuvel;Parlements (Parlamento), de Michael Wagner.

Volume 11 (1991)Utopie, Utopiste (Utopia, Utopista), de Hans-Günter Funke. Volume 12 (1992)Agiotage, agioteur (Agiotagem, Agiota), de Anette Höfer;Constitution, constitutionnel. Droit (Constituição, constitucional. Direito), de Wolfgang Schmale. Volume 13 (1992)Débauche, Libertinage (Deboche, Libertinagem), de Michel Delon;Domestique, Valet (Doméstico, Escolha), de Claude Petitfrère;Propriété, Propriétaire (Propriedade, Proprietário), de Elisabeth Botsch. Volume 14-15 (1993)Corruption, Décadence (Corrupção, Decadência), de Dieter Gembicki;Ordre, Désordre (Ordem, Desordem), de Michael Scotti-Rosin;Progrès (Progresso), de Dieter Gembicki e Rolf Reichardt. Volume 16-18 (1996)Femme (Mulher), de Anette Hofer e Annette Keilhauer;Liberté (Liberte), de Gerd van den Heuvel;Modération, Modéré, Modérantisme (Moderação, Moderado), de Georges Benrekassa;Mœurs (Hábitos), de Georges Benrekassa;Petits-maîtres, Muscadins, Incroyables, Merveilleuses (Dândis, Moscadins, Incríveis, Maravilhosos), de Anette Hofer;Siècle (Século), de Dieter Gembicki. Volume 19-20 (2000)Humanité (Humanidade);Laboureur, Paysan (Lavrador, Agricultor);Luxe (Luxo);Réforme (Reforma);Subsistances (Subsistência). Volume 21 (2012)Politique (Política), de Martin Papenheim;République, Républicanisme, Républicain'' (República, Republicanismo, Republicano), de Raymonde Monnier.

Bibliografia

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Categoria:Livros de história