21 Lições para o Século 21 é um livro do historiador Yuval Harari lançado em 30 de agosto de 2018. O autor afirmou que o livro tem como objetivo responder à questão: "o que está acontecendo no mundo hoje, qual é o sentido mais profundo desses eventos e como podemos individualmente nos guiar através deles?" As questões que ele propôs explorar incluem "o que a ascensão de Trump significa, se Deus está de volta ou não, e se o nacionalismo pode ajudar a resolver os problemas do aquecimento global."
A obra reúne artigos já publicados e palestras do autor sobre trabalho, liberdade e vigilância, nacionalismo, religião, imigração, educação, guerras, política, fake news, clima, etc. “O livro procura usar as perspectivas e lições de longo prazo dos primeiros dois livros para dar clareza aos debates políticos atuais”. As duas obras anteriores de Harari foram Sapiens: Uma Breve História da Humanidade e Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã. Essas obras venderam mais de 12 milhões de exemplares em 45 idiomas.
A compra dos direitos de publicação do livro no Brasil foi concretizada durante a Feira do Livro de Frankfurt, de acordo com a editora, Companhia das Letras.
Críticas John Thornhill, do Financial Times, disse que "embora [o livro] 21 lições seja iluminado por lampejos de aventura intelectual e inspiração literária, ele é provavelmente o menos esclarecedor dos três livros" escritos por Harari, e que muitas das observações contidas nele parecem ser recicladas dos dois anteriores.
Gavin Jacobson, para a revista britânica New Statesman, vê o livro como "um estudo cheio de promessas, mas pobre de significado", com conselhos "ou demasiado vagos, ou vazios demais para providenciar qualquer orientação significativa". O livro recebem também elogios, como o do Bill Gates, que chamou o livro "fascinante" e seu autor "um escritor tão estimulante que, mesmo quando eu discordei, eu queria continuar lendo e pensando."
Controvérsia com a tradução russa A tradução russa do livro foi publicada em junho de 2019. Porém, a imprensa russa percebeu que várias passagens do livro sobre o país e seu presidente, Vladimir Putin, foram excluídas da tradução. Mais especificamente, o capítulo sobre a pós-verdade começa, na edição russa, com os discursos de Donald Trump em vez das afirmações falsas de Putin durante a Anexação da Crimeia à Federação Russa.
Principais temas e abordagens Apesar do autor apresentar o Fim da história do cientista político nipo-americano Francis Fukuyama como um conceito duvidoso devido a continuidade das ditaduras no século XXI, ele também apresenta sua interpretação histórica como válida, tendo em vista que o liberalismo e a democracia liberal superaram o monarquismo da era vitoriana, as ditaduras fascistas e as ditaduras comunistas da Guerra Fria e tendendo a ter uma visão otimista do futuro político como uma civilização humana globalizada, democrática, socialmente liberal e com economia dominantemente capitalista—Embora coloque a economia capitalista moderna com duas facetas, uma do neoliberalismo e outra da social-democraciaVale ressaltar que a social-democracia referida não é a social-democracia clássica do modelo de socialismo democrático de mercado, e sim como a social-democracia de terceira via defendida pelo Partido Social-Democrata da Alemanha. .
Harari também comenta muito e com muito entusiasmo sobre o crescimento implacável da inteligência artificial e da automação como forças que vieram para o bem e que irão substituir a vasta maioria dos empregos atualmente exercidos por seres humanos, uma mudança que permitirá mais facilidades e lazer as pessoas. Nesse assunto, Harari apresenta ao leitor o conceito de renda básica universal como uma solução de longo prazo aos humanos que ficaram totalmente desempregados pelas maquinas, reafirmando que a sociedade deve proteger humanos e não empregos. Embora também fale sobre os perigos dessas novas tecnologias em contexto de terrorismo.
Harari aborda também pensamentos filosóficos e antropológicos, como a negação do livre-arbítrio, criticas ao etnocentrismo e como judeu demonstra desgosto ao judaísmo como religião tribal. Ele evoca o leitor para aderir a um pensamento secularista e explica que ser secular não implica em ser ateu, ateocrata ou avesso a sua própria cultura ou tradição.
Sumário
Edições em português 21 Lições para o Século 21, tradução de Rita Canas Mendes. Elsinore, 1a. edição, agosto de 2018.
Ver também Sapiens: Uma Breve História da Humanidade Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã
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