Angolanidade é a identidade nacional de Angola. Também pode ser descrita como um patriotismo cultural angolano. Muito do que hoje é considerado angolanidade foi criado pelos intelectuais angolanos como um esforço consciente para realçar uma visão idealizada do que significa ser angolano.

História e construção do conceito A angolanidade começou a se desenvolver nas décadas de 1940 e 1950, quando os angolanos negros começaram a diferenciar-se dos colonos brancos ao abraçar e reivindicar os aspetos da cultura tradicional africana. A angolanidade adotou alguns aspetos da negritude. As ideias defendidas pelo movimento negritude foram adaptadas à cultura angolana pelos intelectuais angolanos, como os poetas Mário Pinto de Andrade e Viriato Clemente da Cruz. Da Cruz codificou o conceito em 1948 como um movimento literário com a frase de efeito "Vamos Descobrir Angola!", apoiado pela publicação da revista "A Mensagem". No entanto, foi o sociólogo português Alfredo Margarido que primeiramente identificou, em 1962, a partir da análise das publicações das revistas "A Mensagem", "O Imbondeiro" e "Cultura", bem como dos trabalhos da Sociedade Cultural de Angola, da Casa dos Estudantes do Império e do Centro de Estudos Angolanos, que o conceito de angolanidade ultrapassava os aspectos literários e tornava-se a expressão completa de uma cultura angolana. Outros nomes associados ao surgimento da angolanidade como expressão mais ampla estão o radialista e produtor fonográfico Sebastião Coelho Ferreira e o jornalista e ensaísta Leonel Cosme, que conceituaram a necessidade do despertar da autonomia angolana pela cultura, como uma forma de reterritorialização. O professor, radialista e pensador marxista Adolfo Maria, por sua vez, revestiu a angolanidade de uma densa roupagem política, como instrumento de resistência ao colonialismo e à libertação plena do povo angolano, removendo o aspecto tribalista e dando a angolanidade a sua visão plurirracial que se tornou a base para a construção da nacionalidade angolana.

Os escritores do movimento, incluindo António Jacinto, Alda Lara, José Luandino Vieira, Pepetela e Agostinho Neto, este que mais tarde seria presidente de Angola, identificaram e destacaram a vibrante cultura dos musseques angolanos, como um contraponto direto à perspetiva do governo colonial de que tais lugares eram miseráveis e cheios de crimes. A partir desta mesma perspectiva, os três nomes iniciais da construção da angolanidade musical foram Lourdes Van-Dúnem, Belita Palma e Liceu Vieira Dias, seguidos por Ruy Mingas, Bonga, Carlos Lamartine, Waldemar Bastos e David Zé. A construção da angolanidade em outras expressões culturais se deu com José Mena Abrantes, Ruy Duarte de Carvalho, Andiki Guerra, Ndunduma wé Lépi, Ruth Lara e Raúl Indipwo. Embora o movimento tenha diminuído em grande parte na década de 1960, muito graças às prisões e perseguições promovidas pelo salazarismo aos nacionalistas em Angola, a sua influência cultural permaneceu. Na época da Guerra da Independência de Angola, de 1961 a 1974, abraçar a angolanidade e declarar autonomia cultural tornou-se uma forma de empurrar para trás a opressão do colonialismo.

Aspetos culturais A literatura, a dança, a música, e a moda são os principais aspetos de como a angolanidade é criada, perpetuada e expressa. Especialmente na capital de Luanda, que foi historicamente associada a colonos, os angolanos negros foram encorajados a usar o vestuário tradicional como uma forma de distinção cultural e a construir um sentimento de nacionalismo entre as pessoas. Optar por usar roupas tradicionais também indicava uma recusa em se assimilar e, portanto, perder a cultura ao colonialismo.

Música e dança A música e dança são o centro da angolanidade. A historiadora Marissa Moorman argumenta que "através da música popular urbana, e não das canções em si, mas da cena musical e das relações sociais desenvolvidas em torno da produção e do consumo de música, produzida inicialmente nos musseques ao redor de Luanda, angolanos e angolanas forjaram a nação e desenvolveram expetativas sobre o nacionalismo". A música angolana começou a ser explicitamente política na década de 1950, apoiando os movimentos de libertação angolanos que estavam começando a criar raízes. Alguns cantores angolanos eram membros do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e as suas experiências policiais influenciavam a sua música, o que por sua vez influenciava o seu público. Ao usar instrumentos locais e línguas nacionais como o quimbundo e umbundo na música, os músicos angolanos rejeitaram a assimilação e reforçaram o conceito de angolanidade.

Ver também Zairização Negritude Cultura de Angola

Bibliografia

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