A mamba-negra (Dendroaspis polylepis) é uma espécie de cobra grande e extremamente venenosa pertencente à família Elapidae. É nativa de partes da África Subsariana. Descrita pela primeira vez formalmente por Albert Günther em 1864, é a segunda cobra venenosa mais longa depois da cobra-real; espécimes adultos geralmente excedem 2 m e normalmente crescem até 3 m, mas já foram encontrados indivíduos de 4,3 a 4,5 m.

Ao contrário das outras espécies do mesmo género, vive a maior parte do tempo no solo, mas pode escalar árvores com facilidade. A espécie é tanto terrestre (vida no solo) quanto arbórea (vida na árvore); habita savanas, bosques, encostas rochosas e, em algumas regiões, florestas densas. É diurna e é conhecida por atacar pássaros e pequenos mamíferos. Em superfícies adequadas, pode se mover a velocidades de até 16 km/h por distâncias curtas. As mambas-negras adultas têm poucos predadores naturais. É encontrada na África do Sul, Quênia, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue, Moçambique, Botswana, Angola e Namíbia.

A mamba-negra não tem este nome devido à cor do seu corpo, já que tem uma cor acinzentada (variável), mas ao interior preto da sua boca, que ela exibe em sinal de ameaça. É capaz de atacar a distâncias consideráveis e pode realizar uma série de mordidas em rápida sucessão. Seu veneno é composto principalmente de neurotoxinas, que frequentemente induzem sintomas em dez minutos e é potencialmente fatal, a menos que o soro antiofídico seja administrado. Sem o tratamento é mortal em 100% dos casos. Apesar de sua reputação como uma espécie altamente agressiva, a mamba-negra ataca humanos apenas se for ameaçada ou encurralada. É classificada como Pouco Preocupante na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN.

Taxonomia A primeira descrição formal da mamba-negra foi feita em 1864 pelo zoólogo Albert Günther. Um único espécime foi uma das muitas espécies de cobra coletadas por John Kirk, um naturalista que acompanhou David Livingstone na segunda expedição ao Zambeze de 1858-1864. Este espécime é o holótipo e está depositado no Museu de História Natural de Londres.

O nome genérico da espécie é derivado do grego antigo, dendron (δένδρον), "árvore", e aspis (ἀσπίς), "escudo". O nome específico polylepis é derivado do grego antigo poli (πολύ), que significa "muitos", e lepis (λεπίς), que significa "escama". O nome "mamba" deriva do zulu, "imamba".

Em 1873, o naturalista alemão Wilhelm Peters descreveu uma espécie Dendraspis antinorii com base em um espécime no museu de Gênova, coletado pelo explorador italiano Orazio Antinori no que hoje é o norte da Eritreia. Posteriormente, foi considerada uma subespécie, e não é mais considerada distinta.

Em 1896, o zoólogo belga-britânico George Albert Boulenger combinou a espécie Dendroaspis polylepis como um todo junto à mamba-verde-oriental (Dendroaspis angusticeps), o que permaneceu em vigor até 1946, quando a herpetologista sul-africana Vivian Fitz-Simons novamente as dividiu em espécies diferentes.

Uma análise genética de 2016 demonstrou que a mamba-negra e verde-oriental são as parentes mais próximas uma da outra, e estão mais remotamente relacionados com a mamba-de-Jameson (Dendroaspis jamesoni).

Descrição miniaturadaimagem|O interior preto da boca de uma mamba-negra A mamba-negra é uma cobra longa, delgada e cilíndrica, com uma distinta cabeça estreita em forma de caixão. Sobrancelha pouco pronunciada e olhos de tamanho médio, com a pupila arredondada. O comprimento da cobra adulta geralmente varia de 2–3 metros, mas já foram encontrados espécimes com 4,3–4,5 metros. É a segunda maior espécie de serpente venenosa do mundo, ficando atrás apenas da cobra-real. A mamba-negra é uma cobra proteroglífica (com presas dianteiras), com presas de até 6,5 mm de comprimento, localizadas na frente da maxila.

A cauda da espécie é longa e fina, com as vértebras caudais representando 17–25% do comprimento corporal. A massa corporal das mambas-negras foi calculada em cerca de 1,6 kg, embora um estudo com sete indivíduos tenha encontrado um peso médio de 1,03 kg, variando de 520 g para uma amostra de comprimento total de 1,01 m, a 2,4 kg para uma amostra de 2,57 m comprimento total.

Os indivíduos da espécie podem variar entre as cores verde-oliva, marrom-amarelado, cáqui, bronze e cinza. As cobras juvenis são mais claras do que as adultas; geralmente são cinza ou verde-oliva e escurecem com o envelhecimento.

As escamas de algumas podem apresentar um brilho arroxeado. Os indivíduos ocasionalmente apresentam manchas escuras na parte posterior, que podem aparecer na forma de faixas cruzadas diagonais. As mambas negras têm ventres branco-acinzentados. O nome comum é derivado da aparência da parte interna da boca, de cinza-azulado escuro a quase preto. Os olhos variam entre o castanho-acinzentado e os tons de preto; a pupila é circundada por uma cor branca prateada ou amarela.

Distribuição e habitat miniaturadaimagem|291x291px|Juvenil em uma árvore, Parque Nacional Kruger, África do Sul A mamba-negra possui uma ampla distribuição na África subsariana, sendo encontrada em Burkina Faso, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Etiópia, Eritreia, Somália, Quênia, Uganda, Tanzânia, Burundi, Ruanda, Moçambique, Essuatíni, Malawi, Zâmbia, Zimbabwe, Botswana, Namíbia, África do Sul e Angola. A distribuição da mamba-negra em partes da África Ocidental foi contestada. Em 1954, a mamba-negra foi registrada na região de Dakar, no Senegal. Esta observação e uma observação subsequente que identificou um segundo espécime na região em 1956 não foram confirmadas e, portanto, a distribuição da cobra nesta área é inconclusiva.

A mamba-negra é mais comumente encontrada em savanas semiáridas bem arborizadas ou florestas ribeirinhas, especialmente em áreas com abundância de colinas rochosas e árvores grandes. Também pode ser encontrada na mata costeira, savana úmida e seca e florestas de planície. Raramente é encontrada em altitudes acima de 1 000 metros, com exceção do Quênia e na Zâmbia, onde pode ser encontrada a 1 800 m e a 1 650 m de altitude, respectivamente. A espécie é classificada como uma espécie Pouco Preocupante na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), com base em sua ampla distribuição na África Subsariana e nenhum declínio populacional documentado.

Comportamento e ecologia esquerda|miniaturadaimagem|Uma mamba-negra em postura defensiva. Como as cobras, a mamba-negra pode estender o pescoço em um capuz para intimidar ameaças potenciais (mostrado aqui) A mamba-negra é encontrada predominantemente no solo, mas também é arbórea. No solo, move-se com a cabeça e o pescoço levantados e normalmente se abriga em cupinzeiros, tocas abandonadas, fendas nas rochas e rachaduras em árvores. As mambas-negras são diurnas.

Arisca e muitas vezes imprevisível, a mamba-negra é muito ágil e pode se mover rapidamente. É um animal tímido, que prefere ficar longe do contato humano. Quando percebe uma ameaça, geralmente foge e se esconde em um arbusto ou buraco. Quando confrontada, é provável que faça um sinal de ameaça, abrindo a boca para expor sua boca preta e sacudindo a língua. Também como alerta de ataque, ela emite um sinal alto, também chamado de sibilo.

Durante a exibição de ameaça, qualquer movimento repentino do intruso pode fazer com que a cobra execute uma série de ataques rápidos, causando envenenamento grave. O tamanho da mamba-negra e sua capacidade de elevar a cabeça a uma grande distância do solo permite que ela lance até 40% do comprimento do corpo para cima, portanto, mordidas de mamba em humanos podem ocorrer na parte superior do corpo. A reputação da mamba-negra de estar pronta para atacar é exagerada; geralmente é provocada por ameaças percebidas, como o bloqueio de seus movimentos e à capacidade de recuar. A velocidade da espécie também foi exagerada; ela não pode se mover mais rapidamente do que 20 km/h (12 mph).

Reprodução e expectativa de vida A temporada de reprodução da mamba-negra vai de setembro a fevereiro, após a queda na temperatura que ocorre de abril a junho. Os machos disputam entre si pela fêmea, entrelaçando seus corpos e lutando com seus pescoços. Alguns observadores confundiram isso com cortejo. Durante o acasalamento, o macho deslizará sobre o lado dorsal da fêmea enquanto agita sua língua. A fêmea sinalizará que está pronta para acasalar levantando o rabo e ficando parada. O macho então se enrolará em torno da extremidade posterior da fêmea e alinhará sua cauda ventrolateralmente com a da fêmea. O acasalamento pode durar mais de duas horas e o par permanece imóvel, exceto por espasmos ocasionais do macho. miniaturadaimagem|Mambas-negros machos engajados em combate A mamba-negra é ovípara; a fêmea bota uma ninhada de 6 a 17 ovos. Os ovos são alongados em formato oval, tipicamente 60–80 mm em comprimento e 30–36 mm em diâmetro. Ao nascer, os jovens variam de 40 a 60 cm em comprimento. Eles podem crescer rapidamente, chegando a 2 m em um ano. As mambas-negras juvenis são muito apreensivas e podem ser tão mortais quanto as adultas. A mamba-negra foi registrada vivendo até 11 anos e pode viver mais.

Alimentação A mamba-negra geralmente caça a partir de uma toca permanente, para o qual retornará regularmente se não houver perturbação. Ataca principalmente pequenos vertebrados, como aves, pequenos mamíferos como roedores, morcegos, hiracoides e galagos. Geralmente prefere presas de sangue quente, mas também pode comer outros répteis. Em Transvaal, na África do Sul, quase todas as presas registradas eram bastante pequenas, consistindo em grande parte de roedores e outros mamíferos pequenos ou juvenis de tamanho semelhante, bem como pássaros passeriformes, com o peso estimado de apenas 1,9-7,8% da massa corporal da mamba. A mamba-negra normalmente não segura sua presa após a mordida; em vez disso, libera a presa e espera que ela sucumba à paralisia e à morte antes de engolir. O sistema digestivo da cobra é extremamente potente e pode digerir a presa totalmente em oito a dez horas.

Predação Mambas adultas possuem poucos predadores naturais além das aves de rapina, como a águia-cobreira-castanha, a águia-rapace e a águia-marcial.Steyn, P. (1983). Birds of prey of southern Africa: Their identification and life histories. Croom Helm, Beckenham (UK). 1983. Mambas-negras juvenis também são predadas por outras espécies de serpente, como a Limaformosa capensis.

Outros predadores conhecidos são os mangustos, pequenos mamíferos carnívoros que possuem certa resistência ao veneno da mamba e geralmente são ágeis o suficiente para evitar uma mordida. O ratel também possui resistência ao veneno da mamba-negra.https://www.roxannereid.co.za/blog/voices-of-botswana-honey-badger-vs-black-mamba Ambos os mamíferos possuem essa resistência possivelmente por conta de um mecanismo que faz com que seus receptores nicotínicos de acetilcolina não se liguem às neurotoxinas-alfa da cobra.https://doi.org/10.1016/j.toxicon.2015.03.007 As mambas-negras também foram encontradas entre os conteúdos estomacais de crocodilos-do-Nilo.

Veneno