O Acordo Estados Unidos-México-Canadá (, USMCA; , CUSMA; , T-MEC; , ACEUM) é um acordo de livre comércio entre o Canadá, México e os Estados Unidos cujas negociações foram concluídas e acordadas. Tem sido referenciado como "NAFTA 2.0", por ser o acordo que substitui o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA). O acordo é resultado da renegociação do NAFTA em 2017-2018 pelos Estados membros, que concordaram informalmente com os termos em 30 de setembro de 2018 e formalmente em 1º de outubro. O documento foi assinado pelo primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, e pelos presidentes dos Estados Unidos e do México, Donald Trump e Enrique Peña Nieto, respectivamente, em 30 de novembro de 2018, durante a Cúpula do G20 de 2018, em Buenos Aires, na Argentina. Ainda se faz necessário que o acordo seja aprovado por todas as casas legislativas dos países membros para que o mesmo entre em vigor.
O USMCA moderniznou várias provisões assinadas vinte e cinco anos antes no NAFTA, especialmente no que diz respeito à propriedade intelectual e comércio digital e utilizou muito do linguajar contido no RCEP, dos quais Canadá e México são signatários. As principais mudanças em relação ao seu antecessor incluem aumento das regulamentações ambientais e de trabalho; maiores incentivos à produção de automóveis nos Estados Unidos (com cotas para a produção automotiva canadense e mexicana); mais acesso à indústria de laticínios canadense; e um maior limite de isenção de impostos para canadenses que compram produtos online dos Estados Unidos.
No geral, contudo, o USMCA é bem similar ao NAFTA, transportando muitas das mesmas disposições e fazendo apenas mudanças modestas, principalmente cosméticas,Geoffrey Gertz, 5 things to know about USMCA, the new NAFTA , Brookings Institution (2 de outubro de 2018). e deve causar apenas um pequeno impacto econômico.Tory Newmyer, The Finance 202: USMCA isn't expected to have a big impact on the economy , Washington Post (11 de dezembro de 2019).
Antecedentes As relações entre o Canadá, os Estados Unidos e o México são baseadas no Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), acordo de livre comércio que passou a entrar em vigor efetivamente em 1º de janeiro de 1994. O Tratado é resultado de mais de um ano de negociações, incluindo ameaças tarifárias dos Estados Unidos contra o Canadá, além da possibilidade de acordos bilaterais independentes.
Durante a eleição presidencial de 2016, Donald Trump prometeu em campanha renegociar ou cancelar o Tratado. Após a eleição, Trump iniciou uma série de mudanças que afetaram as relações comerciais com outros países: abandono do Acordo de Paris, deixando de fazer parte das negociações da Parceria Transpacífico e aumento significativo das tarifas contra a China.
Assinatura e Ratificação alt=O presidente do México, Enrique Peña Nieto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e o primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau assinando o Acordo Estados Unidos-México-Canadá, que substitui o NAFTA.|miniaturadaimagem|Cerimônia de assinatura do Acordo Estados Unidos-México-Canadá durante a Cúpula dos países do G20 em Buenos Aires, na Argentina, em 30 de novembro de 2018.
O acordo foi assinado pelo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do México, Enrique Peña Nieto, em 30 de novembro de 2018 durante a cúpula do G20 de 2018 em Buenos Aires, na Argentina. No entanto, ainda será necessário que o documento seja ratificado pelas casas legislativas dos países membros para entrar em vigor.
Impacto econômico É projetado que o USMCA gere efeitos muito pequenos nas economias de seus signatários. Um trabalho publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de março de 2019 afirmou que o acordo teria um efeito "negligenciável" na economia da América do Norte.Mary E. Burfisher, Frederic Lambert & Troy D Matheson, NAFTA to USMCA: What is Gained? , International Monetary Fund Working Paper No. 19/73 (26 de março de 2019). O estudo do FMI projetou que o USMCA "afetaria negativamente o comércio nos setores automotivo, têxtil e de vestuário, [...] levando também maior acesso a produtos no mercado, com um efeito negligenciável no PIB." O estudo do FMI observou que os benefícios econômicos da USMCA seriam muito aumentados se houvesse um fim para a guerra comercial de Trump (ou seja, se os Estados Unidos eliminassem as tarifas sobre as importações de aço e alumínio do Canadá e do México, e o Canadá e o México reduzissem as tarifas retaliatórias sobre as importações dos Estados Unidos).
Em abril de 2019, a Comissão Internacional de Comércio fez uma análise onde afirmaram que era estimado que o USMCA quando implementado completamente (seis anos após sua ratificação) aumentaria o PIB nos Estados Unidos em 0,35% e aumentaria o emprego em 0,12% (176 000 novos postos de trabalho).<ref name=ITC>United States-Mexico-Canada Agreement: Likely Impact on the U.S. Economy and Specific Industry Sectors </ref> Uma outra análise feita pelo Serviço de Pesquisa do Congresso descobriu que o acordo não teria um efeito mensurável sobre empregos, salários ou crescimento econômico em geral.
Em dezembro de 2019, Thea M. Lee e Robert E. Scott do Economic Policy Institute criticou o USMCA como "fraco" porque não teria "praticamente nenhum impacto mensurável sobre os salários ou rendimentos dos trabalhadores dos Estados Unidos", afirmando que os benefícios gerais seriam pequenos.Thea M. Lee & Robert E. Scott, Statement: U.S.-Mexico-Canada Agreement—Weak tea, at best , Economic Policy Institution (10 de dezembro de 2019).
Em junho de 2020, o jornal Nikkei Asian Review'' relatou que as montadoras japonesas estavam optando por "triplicar os salários dos mexicanos em vez de se mudar para os Estados Unidos", a fim de evitar tarifas sobre peças automotivas.
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