Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg (Estocolmo, ) é uma ativista ambiental sueca. É conhecida por ter protestado fora do prédio do parlamento sueco, e por ser a líder do movimento Greve das escolas pelo clima.
O ativismo de Greta Thunberg começou depois de convencer seus pais a adotar várias opções de estilo de vida para reduzir sua própria pegada de carbono. Em agosto de 2018, Thunberg ausentava-se das aulas para protestar, próxima ao parlamento sueco, exigindo por mais ações para mitigar as mudanças climáticas por parte dos políticos de seu país. Eventualmente, estudantes de outras comunidades se organizaram para protestos semelhantes ao de Greta Thunberg. Juntos, Thunberg e os milhares de estudantes que começaram a segui-la fizeram manifestações pelo clima em diversos países, chamado de Sextas para o Futuro. Depois que Thunberg discursou na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2018, greves estudantis aconteceram todas as semanas em algum lugar do mundo. Para evitar voar e emitir carbono, Thunberg atravessou o Oceano Atlântico via veleiro para chegar aos Estados Unidos, onde participou da Cúpula das Nações Unidas sobre Ação Climática de 2019. Seu discurso lá, no qual ela exclamou "How dare you" ("como você se atreve" em português), foi amplamente retomado pela imprensa e incorporado à música. Como adulta, seus protestos incluíram tanto manifestações pacíficas quanto atos de desobediência civil, como desafiar ordens legais para se dispersar, o que levou a prisões, condenações e uma absolvição. Seu ativismo evoluiu para incluir outras causas, apoiando a Ucrânia, a Palestina e a Armênia em seus respectivos conflitos com a Rússia, Israel e Azerbaijão.
Sua repentina ascensão à fama mundial a tornou uma ativista líder, apesar dos criticismos crescentes. Sua influência no cenário mundial foi descrita pelo jornal The Guardian e outros jornais como o "efeito Greta". Ela recebeu inúmeras honrarias e prêmios, incluindo uma bolsa honorária da Royal Scottish Geographical Society, inclusão nas 100 pessoas mais influentes do Time, sendo a pessoa mais jovem do prêmio Pessoa do Ano da revista, inclusão na lista das 100 Mulheres Mais Poderosas do Mundo de acordo com a Forbes em 2019, e duas indicações consecutivas para o Prêmio Nobel da Paz (2019 e 2020).
Biografia Greta Thunberg nasceu em 3 de janeiro de 2003. Sua família tem uma ligação muito grande com o entretenimento e as artes. Sua mãe Malena Ernman é uma cantora de ópera do país e música pop, chegando a representar a Suécia no Festival Eurovisão da Canção de 2009, e seu pai é o ator Svante Thunberg, enquanto seus avós paternos são o ator e diretor Olof Thunberg e a também atriz Mona Andersson.Maëlle Brun, Greta Thunberg, la voix qui secoue la planète (L'Archipel, 2020), pp. 12–16 (in French)
Greta Thunberg foi diagnosticada com síndrome de Asperger (chamado de transtorno do espectro autista), TDAH, transtorno obsessivo-compulsivo, mutismo seletivo e depressão. Embora reconheça algumas dificuldades por causa de seu diagnóstico, Thunberg diz que dependendo das circunstâncias, "ser diferente é um superpoder".
Thunberg é vegetariana e ativista pelos direitos dos animais.
Ativismo thumb|esquerda|upright|Greta Thunberg segurando uma placa de protesto escrita "Greves escolares pelo clima"|alt= Em 20 de agosto de 2018, Greta Thunberg, cursando o nono ano na Suécia, decidiu não frequentar a escola até as eleições gerais de 2018 na Suécia, em 9 de setembro, depois de ondas de calor e incêndios na Suécia. Seus pedidos foram que o governo da Suécia reduzisse as emissões de carbono, de acordo com o Acordo de Paris, e protestou sentando-se do lado de fora do Riksdag, o parlamento de seu país, todos os dias, durante o horário escolar com o sinal de "Skolstrejk för klimatet" (de greve da escola pelo clima em português).
Após as eleições gerais, continuou a greve somente nas sextas-feiras, que ganhou atenção mundial. Protestos semelhantes foram organizados em outros países, como a Holanda, a Alemanha, a Finlândia e a Dinamarca. Na Austrália, milhares de estudantes foram inspirados por Thunberg a fazer greve na sexta-feira, ignorando os comentários do Primeiro-Ministro Scott Morrison que diziam "mais de aprendizagem nas escolas e menos ativismo".
No Twitter, usou hashtags e disseminou a consciência online. Thunberg participou na manifestação Rise for Climate (Erga-se pelo clima em português) em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, e a Declaração de Rebelião organizada pela Extinção Rebelião em Londres.
Em 4 de dezembro de 2018, Thunberg abordou a COP24 das Nações Unidas para a cúpula das alterações climáticas. Em sua declaração para o COP24 em 12 de dezembro de 2018 na assembleia plenária, observouːNo dia 17 de janeiro de 2023, foi presa durante um protesto contra a demolição de uma vila para a construção de uma mina de carvão, nas cercanias da cidade de Luetzerath, na Alemanha.
Discursos Extinction Rebellion
Em Londres em outubro de 2018, escreveu a 'Declaração de Rebelião' organizada pelo Extinction Rebellion, um movimento político-social que utiliza de formas não violentas sob o argumento de chamar a atenção sobre as ações governamentais em diversos países no combate as mudanças climáticas, se opondo aos parlamentos nacionais. Disse: "Estamos enfrentando uma crise sem precedentes que nunca foi tratada como uma crise e nossos líderes estão agindo como crianças. Nós precisamos acordar e mudar tudo".
TEDxStockholm thumb|Greta em Denver, Estados Unidos
Em 24 de novembro de 2018, falou no TEDxStockholm. Falou sobre quando percebeu, com 8 anos de idade, que as mudanças climáticas existiam e ficou imaginando o motivo de não ser manchete em todos os canais, como se tivesse uma guerra acontecendo. Disse que não foi à escola para se tornar uma cientista do clima, como alguns sugeriram, porque a ciência chegou ao seu fim e somente restaram a negação, ignorância e a inatividade. Especulando que nossos filhos e netos nos perguntariam o motivo pelo qual não agimos em 2018 enquanto ainda restava tempo, concluiu que "nós não podemos mudar o mundo jogando pelas regras, porque as regras precisam ser mudadas".
COP24 Greta enviou uma carta para à Conferência das Nações Unidas pelas Mudanças Climáticas, conhecida como COP24, em 4 de dezembro de 2018,Carrington, Damian (2018-12-04). "'Our leaders are like children', school strike founder tells climate summit". The Guardian. Archived from the original on 2019-01-02. Retrieved 2019-07-22. e também falou diante da plenária em 12 de dezembro de 2018.Thunberg, Greta (2018-12-13). "You Are Stealing Our Future: Greta Thunberg, 15, Condemns the World's Inaction on Climate Change". Democracy Now!. Archived from the original on 2019-01-04. Retrieved 2019-07-22. You only speak of a green eternal economic growth because you are too scared of being unpopular. You only talk about moving forward with the same bad ideas that got us into this mess, even when the only sensible thing to do is pull the emergency brake. You are not mature enough to tell it like it is. Even that burden you leave to us children. […] And if solutions within the system are so impossible to find, then maybe we should change the system itself."Thunberg, Greta (2019-12-15). "Greta Thunberg full speech at UN Climate Change COP24 Conference". Connect4Climate. Archived from the original on 2019-07-23. Retrieved 2019-07-22 – via YouTube. Durante a conferência, participou também em um painel falando junto aos representantes da fundação "We Don't Have Time" (fundação Nós Não Temos Tempo, em português), na qual falou sobre o início da greve escolar.
Críticas e respostas Críticas a Thunberg e sua campanha Greta Thunberg e sua campanha foram criticadas por políticos e outros; o primeiro-ministro da Austrália Scott Morrison, a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente russo Vladimir Putin, o presidente americano Donald Trump, o presidente da França Emmanuel Macron, o primeiro ministro italiano Giuseppe Conte, OPEP e alguns comentaristas da mídia. As críticas variam de ataques pessoais a alegações de que ela simplifica demais as questões complexas envolvidas.
Em Julho de 2019, a Agence France-Presse informou que o secretário-geral da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) Mohammed Barkindo "reclamou do que chamou de ataques 'não científicos' à indústria do petróleo por ativistas da mudança climática, chamando-os de 'talvez a maior ameaça para a nossa indústria daqui para frente'", e disse que estava aparentemente referindo-se "à recente onda de greves escolares inspiradas no movimento' Sextas-feiras para o Futuro' da adolescente sueca Greta Thunberg". Thunberg e outros ativistas climáticos responderam classificando tais comentários como uma distinção de honra.
Após a ação de Thunberg contra a França, a Alemanha e outros países que não cumpriram suas metas de redução de emissões do Acordo de Paris, Emmanuel Macron disse: "essas posições radicais (como as defendidas por Thunberg) antagonizam nossas sociedades... Ela deve se concentrar naqueles que estão postergando, os que estão mais longe... Não sinto que os governos franceses ou alemães estejam tentando postergar". A secretária de Estado francesa para a transição ecológica e inclusiva Brune Poirson também a criticou, dizendo que "ela não sabe que soluções está apresentando", acrescentando que "você não pode se mobilizar com base no desespero, ou até no ódio". Em uma coluna de opinião, Christopher Caldwell afirmou que a abordagem direta de Thunberg às mudanças climáticas colocará manifestantes em conflito com as complexidades da tomada de decisões nas democracias ocidentais. Madeline Grant, escrevendo no Daily Telegraph, disse que Thunberg é "uma santa do ambientalismo", enquanto Guillaume Larrivé, candidato à liderança dos republicanos na França, a chama de "Guru do Apocalipse".
Em Setembro de 2019, Donald Trump compartilhou um vídeo em que Thunberg fala sobre os líderes mundiais em tom agressivo, juntamente com uma citação dela de que "as pessoas estão morrendo, ecossistemas inteiros estão em colapso. Estamos no início de uma extinção em massa". Trump escreveu sobre Thunberg, twittando: "Ela parece uma jovem muito feliz, ansiosa por um futuro brilhante e maravilhoso. É tão bom ver isso!" Thunberg reagiu alterando sua biografia no Twitter para corresponder à sua descrição e afirmando que ela não podia "entender por que os adultos escolheriam zombar de crianças e adolescentes por apenas se comunicarem e agirem conforme a ciência quando poderiam fazer algo de bom".Fontes múltiplas:
Consultado em 14 de dezembro de 2019.
Em Outubro de 2019, Vladimir Putin descreveu Thunberg como uma "jovem gentil e muito sincera", enquanto sugeria que ela estava sendo manipulada para servir interesses obscuros. Putin a criticou por estar "mal-informada": "Ninguém explicou a Greta que o mundo moderno é complexo e diferente e as pessoas na África e em muitos países asiáticos querem viver com o mesmo nível de riqueza que na Suécia". Semelhante à sua reação a Trump, Thunberg atualizou sua biografia no Twitter para refletir a descrição de Putin.Fontes múltiplas:
Consultado em 14 de dezembro de 2019.
Em dezembro de 2019, Thunberg twittou "Os povos indígenas estão sendo literalmente assassinados por tentar proteger a floresta (sic) do desmatamento ilegal. Uma e outra vez. É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso". Ao ser questionado sobre esse assunto dois dias depois, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro respondeu: "Greta disse que os índios estão morrendo porque tentam proteger a Amazônia. É impressionante como a mídia dá voz a essa pirralha". No mesmo dia, Thunberg mudou sua descrição do Twitter para "pirralha", a palavra em português usada por Bolsonaro.
Críticas contra os ataques a Thunberg