Maria Teresa de Bourbon e Vallabriga (nome completo em castelhano: María Teresa Josefa de Borbón y Vallabriga; Velada, 6 de março de 1779 – Paris, 24 de novembro de 1828), 15.ª Condessa de Chinchón e 1.ª Condessa de Boadilla del Monte por direito próprio, foi uma nobre espanhola, filha do infante Luís, Conde de Chinchón e, portanto, neta do rei Filipe V da Espanha. Casada com Manuel Godoy, também era conhecida como "Princesa da Paz" em referência ao título concedido ao marido.

Biografia esquerda|miniaturadaimagem|227x227px|Maria Teresa, quando criança. Obra de Francisco Goya, 1783. Maria Teresa nasceu em Velada, em 6 de março de 1779. Era filha do casamento morganático entre o infante Luís, Conde de Chinchón, irmão do rei Carlos III da Espanha, e Maria Teresa de Vallabriga, nobre de origem aragonesa e filha de um oficial de cavalaria. Em razão de uma Pragmática Real promulgada por Carlos III sobre casamentos desiguais, Maria Teresa e seus irmãos foram privados de honras e títulos, além de serem impedidos de usar o sobrenome Bourbon. Passou os primeiros cinco anos de vida em Arenas de San Pedro, onde foi retratada diversas vezes pelo pintor Francisco Goya. Após a morte do pai, em 1785, ela e sua irmã, Maria Luísa, foram enviadas ao Convento de San Clemente, em Toledo, permanecendo ali até 1797 sob a tutela do cardeal Francisco Antonio de Lorenzana, separadas da mãe.

Reabilitação e casamento miniaturadaimagem|247x247px|Manuel Godoy, Príncipe da Paz. Obra de Agustín Esteve, c. 1800. miniaturadaimagem|255x255px|Carlota Godoy (futura 2.ª Duquesa de Sueca), quando criança, única filha de Maria Teresa e Godoy, por autor desconhecido. Com a ascensão de Carlos IV da Espanha ao trono, as restrições impostas por seu pai foram revistas. O novo rei restituiu aos seus primos as honras e o direito de usar o sobrenome da família real. Devido ao seu vínculo com a Casa de Bourbon, Maria Teresa passou a desempenhar um papel estratégico na política matrimonial da Coroa. Em meio às tensões provocadas pela guerra contra a França, casou-se com Manuel Godoy, então o homem mais influente da corte espanhola, em 2 de outubro de 1797, no Mosteiro do Escorial. O casamento foi incentivado pela rainha Maria Luísa de Parma, que esperava afastar Godoy de sua amante, Pepita Tudó.

Conhecida na época como "Princesa da Paz", em referência ao título concedido ao marido, Maria Teresa tornou-se, em 1803, a 15.ª Condessa de Chinchón, título cedido por seu irmão Luís Maria, que incluía extensas propriedades ao sul de Madrid. Em 1806, herdou também o Palácio de La Mosquera, em Arenas de San Pedro, juntamente com uma importante coleção de arte, que incluía obras de Goya. No ano seguinte, o gabinete de história natural pertencente ao infante Luís foi igualmente transferido para Godoy.

Embora o relacionamento tenha se tornado mais harmonioso com o passar dos anos, o próprio Godoy afirmou em suas memórias que nunca desejou esse casamento. O casal teve apenas uma filha, Carlota, nascida em 7 de outubro de 1800. Nos primeiros anos do século XIX, o casamento entrou em declínio. As constantes obrigações políticas de Godoy o mantinham afastado da esposa e, devido à sua pouca experiência na vida social da corte, Maria Teresa passou a viver de forma cada vez mais reservada em seu palácio em Arenas de San Pedro, dedicando-se inteiramente à criação da filha. Enquanto isso, a relação extraconjugal de Godoy com Pepita Tudó tornou-se oficialmente reconhecida na corte.

Separação Com a queda de Godoy e o colapso do poder de Carlos IV, Maria Teresa separou-se do marido, a quem jamais voltaria a encontrar. Considerada uma vítima pelos participantes do Motim de Aranjuez, ela permaneceu na Espanha, estabelecendo-se em Toledo ao lado do irmão. Godoy e a filha do casal, Carlota, acompanharam os ex-monarcas no exílio. A partir desse período, abandonou o título de Princesa da Paz e passou a utilizar exclusivamente o de Condessa de Chinchón. Durante a Guerra da Independência Espanhola, acompanhou o irmão Luís Maria, que presidiu a regência responsável pela promulgação da Constituição de 1812. Com a restauração de Fernando VII da Espanha, ambos foram confinados em Toledo como punição por sua proximidade com os setores liberais.

Exílio e morte Maria Teresa manteve estreita relação com seu cunhado, Joaquín José Melgarejo, Duque de San Fernando de Quiroga, um dos principais colaboradores do governo de Fernando VII. Após a queda do Triênio liberal, em 1823, Melgarejo foi obrigado a partir para o exílio. Suspeita de simpatizar com o liberalismo em razão de seu círculo familiar, Maria Teresa recebeu ordem para acompanhar a irmã e o cunhado até Baiona, para onde partiu em 21 de março de 1824.

Posteriormente, estabeleceu-se em Paris, adotando o nome Teresa Drummond, utilizando o quarto sobrenome materno na tentativa de preservar o anonimato. Mudou de residência diversas vezes, mas permaneceu sob constante vigilância da polícia francesa, que monitorava rigorosamente os exilados espanhóis. Segundo relatórios policiais da época, Maria Teresa demonstrava simpatia pelas ideias liberais e ofereceu abrigo a diversos exilados espanhóis. Como seus bens haviam sido confiscados, sustentou-se durante anos com a venda de obras de arte pertencentes à sua coleção. Embora tenha recuperado parte dos bens de Godoy nos últimos meses de vida, faleceu em 24 de novembro de 1828, poucos dias após obter esses recursos. Seus bens foram herdados por sua única filha, Carlota.

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