Nacionalismo de esquerda refere-se a uma forma de nacionalismo baseada na igualdade social - não necessariamente igualdade política - soberania popular e autodeterminação nacional.Sa'adah 2003, 17-20. O nacionalismo de esquerda pode incluir o anti-imperialismo e movimentos de libertação nacional.Smith 1999, 30.Delanty, Gerard; Kumar, Krishan. The SAGE handbook of nations and nationalism. London, England, UK; Thousand Oaks, California, USA; New Delhi, India: Sage Publications, Ltd, 2006. Pp. 542.
Oposto ao nacionalismo de direita e geralmente contrário ao nacionalismo étnico, algumas formas de nacionalismo de esquerda incluem, no entanto, uma plataforma racialista, favorável a uma sociedade homogênea, com rejeição às minorias e oposição à imigração."Arthur Calwell, Leader of the Labor Party, Defender of White Australia."“Fact Sheet – Abolition of the 'White Australia' Policy , homeaffairs.gov.au“'How Sweden Became Multicultural'.”
Historicamente, alguns dos mais notáveis movimentos nacionalistas de esquerda foram o do Exército Nacional Indiano, de Subhas Chandra Bose, que promoveu a independência da Índia, então sob o domínio britânico; o Mukti Bahini, organizações armadas que lutaram pela independência de Bangladesh; o Sinn Féin, um partido republicanista irlandês; o nacionalismo basco e o partido Bildu; o independentismo catalão; a Liga dos Comunistas da Iugoslávia; o Nasserismo e o Baathismo, no Mundo Árabe, o Varguismo e o Peronismo na América Latina, além do Chavismo na Venezuela e o socialismo de Fidel Castro em Cuba, e o Congresso Nacional Africano, na África do Sul, de Nelson Mandela.
Na Europa, existem diversos movimentos nacionalistas de esquerda, com uma longa e bem estabelecida tradição.Frankel 1984 . O nacionalismo foi colocado à esquerda durante a Revolução Francesa e as guerras revolucionárias francesas (1792 - 1802). Os nacionalistas de esquerda originalmente apoiavam o nacionalismo cívico que definia a nação como um "plebiscito diário" formado pela "vontade de viver juntos."
Ideologias Os nacionalistas de esquerda têm normalmente uma formação socialista (democrática ou autoritária), social-democrata, progressista ou socialmente conservadora (esquerda conservadora) combinada com uma preferência pela soberania do estado-nação. Por conseguinte, os nacionalistas de esquerda esforçam-se por reduzir as disparidades de riqueza no país, manter o controlo ou nacionalizar os serviços públicos (como a saúde, a energia e os transportes públicos). Os movimentos nacionalistas de esquerda não tendem a defender supremacia racial, no entanto, certas formas de nacionalismo de esquerda adoptaram teses racialistas.“Fact Sheet – Abolition of the 'White Australia' Policy , homeaffairs.gov.au
Convém ter em conta que não existe apenas um tipo de nacionalismo de esquerda: a nação pode ser enquadrada de muitas formas diferentes, o que significa que a política de esquerda que recorre à identidade nacional pode fazê-lo de diferentes maneiras e com diferentes níveis de inclusão.
Assim sendo, os nacionalistas de esquerda rejeitam completamente ou em grande medida o neoliberalismo e interferência supranacional. Os nacionalistas de esquerda querem que sejam os países em si a decidir questões como a economia, a saúde e a defesa. Isto enquadra-se no direito à autodeterminação dos povos.
Social-nacionalismo ou social-democracia nacionalista O social-nacionalismo está fortemente difundido em alguns países em desenvolvimento, mas também em parte da Europa. Nas primeiras décadas após a Segunda Guerra Mundial, nacionalismo de tipo social democrata ganhou alguma influência na Europa Ocidental. Social-nacionalismo é definido por ligações sociais e culturais mais do que antepassados comuns e coloca ênfase no sentido de identidade nacional, comunidade e cultura, permitindo a estrangeiros que a integrem, mesmo que não partilhem a mesma etnia, desde que se identificarem com ela e adoptarem as suas normas sociais. É baseado em cultura nacional partilhada, logo mais inclusivo, distinguindo-se assim de nacionalismo de cariz étnico.
Como exemplo europeu, o SMER-SD (Direcção-Social Democracia) eslovaco apoiou uma concepção nacionalista moderada da social-democracia na década de 2020, que se traduziu numa clara rejeição da imigração. Insere-se isto numa lógica de defesa dos trabalhadores nacionais contra a estagnação salarial causada pela imigração e consequente exacerbamento da desigualdade mas também de defesa contra conflitos culturais.
Durante a campanha para as eleições presidenciais turcas de 2023, o Partido Popular Republicano e o seu candidato presidencial Kemal Kılıçdaroğlu adoptaram abertamente uma posição contra a imigração ilegal.
O Partido Trabalhista Australiano também assumira uma postura semelhante na no início do século XX.
Socialismo nacionalista Socialismo nacionalista é um conceito que se refere à combinação de socialismo com nacionalismo ou com alguma forma de sentimento nacional ou de nacionalidade. O termo contrasta com o internacionalismo do socialismo marxista e é geralmente aplicado a certas variantes não-marxistas do socialismo, como o peronismo argentino, a via birmanesa para o socialismo, o nasserismo pan-árabe e o baathismo, Socialismo africano e Neo-socialismo em França.
Formas influenciadas pelo marxismo, embora independentes do mesmo, incluem o sandinismo e chavismo.
O socialismo nacionalista é um produto recente do séc. XX. Motiva-o geralmente uma preocupação em salvaguardar marcos alcançados em política nacional contra quaisquer formas de internacionalismos, incluído socialismo internacional.
Os nacionalismos de esquerda não influenciados pelo marxismo são, na sua maioria, hostis aos princípios marxistas do internacionalismo proletário, da luta de classes e do ateísmo de Estado, em especial as formas de nacionalismo influenciadas por socialismos religiosos ou que defendem um laicismo moderado.
Entre outros exemplos de movimentos nacionalistas de esquerda, incluem-se o nacionalismo galego, o Nacionalismo brasileiro, o australiano,Ver: Luke Trainor, British Imperialism and Australian Nationalism: Manipulation, Conflict and Compromise in the Late Nineteenth Century (1994); David McKnight, Beyond Right and Left: New Politics and the Culture Wars (2005); Tim Soutphommasane, Reclaiming Patriotism (2009); Russell Marks, 'Labor No Longer Party of Progressive Nationalism', National Times, 19 de agosto de 2010. o escocês, o corso, o quebequense (durante a Revolução Tranquila)Milner 1973.Milner 1989, vii.Milner 1973, 9.Pask 2001.Milner 1973, 191. e o nacionalismo sardo. Figuras como José Martí eram nacionalistas e socialistasMany Happy Returns Fidel e houve muitos outros movimentos de libertação nacional derivados desse processoAleppo: the frenzied media response and the stakes for Syria como por exemplo o movimento pan-negro,“The Name Negro: It’s Origins and Evil Use”, published in 1960. (p. 92)The Black Bolsheviks o nacionalismo birmanês"The Burmese Way to Socialism e o mexicano.What new Mexican president Andres Manuel Lopez Obrador thinks about Donald Trump Quanto aos nacionalismos inspirados na cultura clássica norte-americana se opõe radicalmente ao comunismo e a China.China behaving like Nazi Germany in South China Sea, says Benigno AquinoNoam Chomsky and Edward S. Herman, The Washington Connection and Third World Fascism (South End Press, 1979); Gabriel Kolko, Confronting the Third World: United States Foreign Policy 1945-1980 (Pantheon Books, 1988); and Audrey R. Kahin and George McTurnan Kahin, Subversion as Foreign Policy: The Secret Eisenhower and Dulles Debacle in Indonesia (The New Press, 1995).; Jonathan Kwitny, Endless Enemies: The Making of an Unfriendly World (1984), p.57 Os partidos comunistas da Venezuela, Argentina, México e Cuba, mesmo se declarando nacionalistas chegaram a colaborar com o partido comunista ianque já nos anos 50.Office MemorandumOffice memorandumSOLO Part 01 of 125 Setores do PSOL praticam o nacionalismo socialista.
Etno-nacionalismo social O etno-nacionalismo social é uma doutrina que tem por objectivo promover o progresso social, defendendo simultaneamente os interesses étnicos dos diferentes povos, tanto a emancipação como a supremacia.
Por exemplo, o Partido Trabalhista Australiano teve uma forte componente nacionalista branca e, no passado, apoiou abertamente a política da Austrália Branca.
O nacionalismo árabe secular, defendido pelo baathismo e anteriormente pelo nasserismo, defende uma concepção etnocultural do nacionalismo, advogando o fim do imperialismo, do colonialismo, do sectarismo e do tribalismo, defendendo uma forma de socialismo árabe, de progresso social e de secularismo, que lhe permite integrar árabes cristãos, alauítas, drusos e outros.
Nos Estados Unidos, um certo nacionalismo negro destinado a defender os interesses dos afro-americanos teve grande influência na década de 1970, com grupos como o Partido dos Panteras Negras.
Os grupos indígenas sul-americanos também têm como base a defesa dos interesses étnicos dos ameríndios, promovendo simultaneamente o progresso social e a partilha da riqueza.Antonio Carlos de Souza Lima, « L'indigénisme au Brésil : migration et réappropriation d’un savoir administratif », Revue de synthèse, semestre, n°3-4, julho-dezembro 2000, p. 381-410.
Marxismo e nacionalismo No geral, Marx preferia o internacionalismo e a interação entre as nações na luta de classes, dizendo, no Prefácio à Contribuição para a Crítica da Economia Política, que "qualquer nação pode e deve aprender com as outras".Nimni 1991, 7. Da mesma forma, embora Marx e Engels tenham criticado a agitação irlandesa, por retardar a revolução operária na Inglaterra, eles acreditavam que a Irlanda era oprimida pela Grã-Bretanha, mas que o povo irlandês serviria melhor aos seus próprios interesses ao se juntar aos proponentes da luta de classes na Europa, considerando que os trabalhadores socialistas da Europa eram os aliados naturais da Irlanda.Schmitt 1997 , 169. Além disso, Marx e Engels acreditavam que era do interesse da Grã-Bretanha deixar a Irlanda, pois a questão da Irlanda estava sendo usada pelas elites para unir a classe trabalhadora britânica a essas mesmas elites, contra os irlandeses.
O marxismo identifica a nação como uma construção socioeconômica posterior ao colapso do sistema feudal e que foi utilizada para criar o sistema econômico capitalista.Nimni 1991, 14. Os marxistas clássicos afirmam que o nacionalismo é um fenômeno burguês,Nimni 1991, 16. mas, em certos casos, apoiaram os movimentos nacionalistas relacionados com a luta de classes, rejeitando outros, considerados como uma forma de desviar os trabalhadores de seu objetivo necessário de derrotar a burguesia.Nimni 1991, 4. Os marxistas avaliaram certas nações como progressistas e outras como reacionárias. Estaline, por exemplo, apoiou interpretações de Marx, tolerando o uso do nacionalismo proletário, que promoveu a luta de classes dentro de uma estrutura internacionalista.van Ree 2002, 49. A Primeira Guerra Mundial foi causada pela intenção das elites de desviar o foco das críticas efetuadas pelo movimento socialista e para isso usaram o nacionalismo como substituto, segundo Pawels.The Great Class War 1914-1918 ;Jacques R. Pauwels
Karl Marx e Friedrich Engels interpretaram questões relativas à nacionalidade numa base evolutiva social. Marx e Engels afirmam que a criação do Estado-nação moderno é o resultado da superação das relações de produção feudais pelo modo de produção capitalista.Nimni 1991, 18. O capitalismo requeria unificar e centralizar a cultura e a linguagem das populações nos estados, a fim de criar condições propícias a uma economia de mercado em termos de uma linguagem comum para coordenar a economia conter uma população grande o suficiente no estado a fim de assegurar uma divisão interna do trabalho conter um território grande o suficiente para assegurar uma economia viável.