thumb|Marcos de Noronha e Brito, 8.º Conde dos Arcos.png|Marcos de Noronha e Brito, 15º e último vice-rei do Brasil thumb|O Paço dos Vice-Reis (atualmente chamado Paço Imperial) foi a sede do governo-geral desde a transferência da capital para o Rio de Janeiro (1763) até a chegada de D. João VI. Esta é uma lista dos governadores-gerais e vice-reis do Estado do Brasil, durante época colonial. O título oficial do cargo era governador e capitão-general de mar e terra do Estado do Brasil.Carta régia a Vasco Fernandes César de Meneses, governador e capitão general de mar e terra do Estado do Brasil, louvando as providências que tomara para sossegar uma disputa entre o cabido da Bahia e os religiosos do Carmo, com a resposta, Biblioteca Digital Luso-Brasileira
O cargo de governador-geral foi criado pela primeira vez em 1548, pelo rei D. João III de Portugal, em favor de Tomé de Sousa, que o assumiu na recém-fundada cidade de Salvador. Mais tarde, a partir de 1640, alguns governadores-gerais passaram a ter o título de "vice-rei". O cargo era o mesmo, apenas o título era diferente para condizer mais com a dignidade dos escolhidos pelo Rei de Portugal. De 1720 em diante, todos os governadores-gerais passaram a ter o título "vice-reis". Em 1808, o príncipe regente D. João (futuro rei D. João VI) chegou ao Rio de Janeiro e instalou aí sua corte, pondo fim ao cargo de governador-geral.
A instituição de um governo-geral representou um esforço de centralização administrativa. O sistema de capitanias hereditárias, adotado anteriormente, não obtivera êxito na ocupação e proteção do território. Para isso, o rei de Portugal firmou o Regimento — documento considerado por muitos como a primeira Constituição do Brasil. O Regimento, entre muitas outras disposições, criava os cargos de governador (mais tarde renomeado para governador-geral), ouvidor-geral, provedor-mor da Fazenda e capitão-mor da costa. O ouvidor-geral cuidava da Justiça de toda a colônia, o provedor-mor, das finanças, e o capitão-mor, das forças militares de mar e terra. As capitanias não deixariam de existir, mas passariam a estar subordinadas ao governo central em Salvador. Ao longo do período colonial, o país teve diversos regimentos, sendo o de 1677 o último conhecido.
O Brasil teve governadores-gerais dos mais variados. Alguns tinham muito poder, enquanto outros eram mais fracos do que muitos governadores de capitanias. Cabe lembrar que as comunicações entre as diversas partes do território colonial era muito precária, o que limitava o raio de ação dos governadores. Os governadores-gerais, em sua maioria, ocuparam outros cargos, antes ou depois do governo-geral do Brasil. Uns foram governadores de capitanias, enquanto outros foram de outras colônias portuguesas, como as da Índia e Angola. Eles, com poucas exceções, eram nomeados pelo rei de Portugal (ou da Espanha, durante as décadas da União Ibérica).
Sobre as fontes utilizadas para a confecção da lista: para os períodos no cargo: Brazil - worldstatesmen.org (acessada em 25 de maio de 2021). Outras fontes podem apresentar datas diferentes. Portanto, as datas usadas nesta lista devem ser vistas como aproximações. para a contagem dos governadores, dos vice-reis, e para seus títulos nobiliárquicos: Mapa - Memória da Administração Pública Brasileira; para os destaques do governo e notas: a Enciclopédia Delta de História do Brasil (1969) e o livro Da Descoberta ao Império - Os Governantes que o Brasil Esqueceu (2020), entre outras. (Ver seção "Bibliografia".) para as imagens: ver descrição da imagem ao abri-la. __TOC__
NomeImagemTítuloPeríodo (aprox.)Destaques do governo e notasRef1Tomé de Sousa100pxgovernador29 de março de 1549até1 de maio de 1553 Chegou à Bahia trazendo colonos, jesuítas (entre eles Manuel da Nóbrega), funcionários e o Regimento. Fundou Salvador, capital da colônia. Construiu as edificações necessárias para o funcionamento da cidade. Visitou vilas da colônia. Mandou melhorar as fortificações de Ilhéus e São Vicente.2Duarte da Costa100pxgovernador1 de maio de 1553até3 de janeiro de 1558Desembarcou em Salvador junto de mais alguns jesuítas, como José de Anchieta. Teve de lidar com uma revolta indígena no recôncavo baiano contra a dominação. Em sua administração, invasores franceses ocuparam o Rio de Janeiro, e ele não possuía recursos para expulsá-los. Iniciaram-se as entradas para explorar o interior.3Mem de Sá100pxgovernador3 de janeiro de 1558até2 de março de 1572Tentou apaziguar os conflitos relacionados à escravização dos índios e expulsou os franceses do Rio de Janeiro. Na luta, perdeu o sobrinho Estácio de Sá, fundador do que seria a cidade do Rio de Janeiro. Transferiu gente para onde hoje é a cidade de São Paulo. Lidou com a peste e a fome na Bahia e deu continuidade às entradas e bandeiras.—Fernão da Silva100pxinterino2 de março de 1572 até
maio de 1573Ouvidor-geral e provedor-mor da Fazenda, governou interinamente após a morte de Mem de Sá. Depois de entregar o governo a seu sucessor, Luís de Brito e Almeida, este o designou para lutar contra os índios na Paraíba. Foi a primeira expedição para conquistar aquela terra dos índios potiguares, mas foi mal-sucedida.Repartição do Brasil: divisão em dois governos-gerais, um ao norte na Bahia e outro ao sul no Rio de Janeiro (1572)4Luís de Brito e Almeida100pxgovernador(na Bahia)maio de 1573até12 de abril de 1578Após o governo interino de Fernão da Silva, governou o Norte, a partir da capitania de Ilhéus. Continuou a lidar com os franceses e indígenas sem conseguir vencê-los definitivamente. Fundou a vila de Santa Luzia. A Carta Régia de 16 de dezembro de 1572 dividiu a colônia em duas, por questões de segurança e administração.—António Salema100pxgovernador (no Rio)11 de junho de 1574até29 de julho de 1577Administrou o Sul, cuja capital foi instalada no Rio de Janeiro. Os franceses, após terem sido expulsos do Rio, instalaram uma feitoria em Cabo Frio. O governador empreendeu uma expedição para combatê-los. Apesar de ter-lhes infligido uma derrota, com a ajuda de Arariboia, também não logrou vencê-los definitivamente.Reunificação do governo-geral na Bahia (1578)5Lourenço da Veiga100pxgovernador-geral12 de abril de 1578até17 de junho de 1581Primeiro governador-geral a ter oficialmente esse título. O governo voltou a ser unido na Bahia. Empreendeu algumas tentativas de conquistar a Paraíba dos índios, tendo feito pouco além disso. Durante sua administração, teve início, em 1580, a União Ibérica: após a morte de dois reis portugueses, Filipe II da Espanha assumiu a coroa portuguesa como Filipe I de Portugal.Início da União Ibérica (1580)—Cosme Rangel de MacedoAntónio Barreiros100pxjunta governativa17 de junho de 1581até11 de maio de 1582Após a morte de Lourenço da Veiga, o poder esteve com a Câmara de Salvador. Em seguida, uma junta governativa foi designada para governar. Seu mais importante membro foi o ouvidor-geral Cosme Rangel de Macedo. O outro foi o bispo Antonio Barreiros.6Manuel Teles Barreto100pxgovernador-geral11 de maio de 1582até9 de maio de 1587 Primeiro governador nomeado por Filipe I de Portugal e II da Espanha (devido à União Ibérica). Com ele, chegaram ao Brasil os jesuítas Fernão Cardim e Rodrigo de Freitas. Durante sua administração, houve uma intensificação dos ataques de corsários de países inimigos da Espanha. Conquistou-se a Paraíba.—Cristóvão de BarrosAntonio Barreiros100pxjunta governativa9 de maio de 1587até9 de junho de 1590Com a morte de Teles Barreto, seguiram-se dois governos provisórios: o do bispo Antonio Barreiros — que já havia governado na junta que precedeu Barreto — e o do provedor-mor da Fazenda Cristóvão de Barros. Este foi o administrador efetivo. Realizou a conquista definitiva do Sergipe e fundou aí a cidade de São Cristóvão.—Francisco Giraldes100pxgovernador-geral9 de março de 1588até9 de junho de 1590Viajou para o Brasil para ocupar o cargo, mas não conseguiu desembarcar, retornando para Lisboa.Francisco Giraldes, MAPA, 13 de Fevereiro de 2017| Última atualização em 30 de Julho de 20187Francisco de Sousa100pxgovernador-geral9 de junho de 1590até1 de abril de 1602Combateu diversos ataques de corsários, o mais notório dos quais sendo o do inglês Cavendish, entre 1591 e 1592. Deu auxílio oficial às entradas ao interior, iniciadas por Mem de Sá, visando encontrar riquezas nos sertões. Atribui-se a ele a criação da primeira grande bandeira. Conquistou-se o Rio Grande do Norte.8Diogo Botelho100pxgovernador-geral1 de abril de 1602até7 de janeiro 1608Com o apoio de índios liderados por Zorobabé, reprimiu um quilombo em Itapicuru. Investiu contra os índios Aimorés. Instalou-se em Pernambuco para ficar mais próximo dos locais a serem conquistados durante o processo de conquista do Norte iniciado por seus antecessores, mas não foi bem-sucedido.Repartição do Brasil: divisão em dois governos-gerais, um ao norte na Bahia e outro ao sul no Rio de Janeiro (1608)9Diogo de Meneses SequeiraDiogo de Menezes, (Meneses) Sequeira, P-1019, Base de Dados BRASILHIS: Redes pessoais e circulação no Brasil durante o periodo da Monarquia Hispânica (1580-1640). Data de acesso: 10/03/2026100pxgovernador-geral(na Bahia)1608até22 de agosto de 1612A colônia foi novamente dividida, desta vez por Filipe II de Portugal e III da Espanha, para facilitar a administração. O novo administrador governou o Norte. Antes de chegar à Bahia, passou por Pernambuco, onde melhorou fortificações. Na Bahia, uma de suas primeiras providências foi a instalação do Tribunal da Relação, instância máxima da colônia.—Francisco de Sousa100pxgovernador-geral(no Rio)1609-1611Trata-se do mesmo Francisco de Sousa que foi o sétimo governador-geral. Ávido por riquezas, passou a maior parte de seu tempo em São Paulo, onde deu continuidade à organização das bandeiras. Penetrou por diversas capitanias. Morreu em 1611, no interior.Reunificação do governo-geral na Bahia (1612)10Gaspar de Sousa100pxgovernador-geral1613até1 de janeiro de 1617Foi incumbido de expulsar os franceses do Maranhão, que tentavam criar a França Equinocial. Por isso, chegou não à Bahia, mas a Pernambuco, devido à maior proximidade ao local a ser conquistado. Uma frota chefiada por Jerônimo de Albuquerque Maranhão conseguiu expulsá-los em 1615.11Luís de Sousa <small>2º conde do Prado100pxgovernador-geral1 de janeiro de 1617até12 de outubro de 1621Foi sobrinho do governador-geral Francisco de Sousa. Como ele, continuou a explorar os sertões. Visando povoar a terra, incentivou casamentos entre colonos e indígenas. Ao voltar a Portugal, recebeu o título de conde do Prado. No último ano de sua administração, Filipe II de Portugal e III da Espanha decretou a autonomia do Maranhão.Autonomização da Capitania do Maranhão, elevada à dignidade de Estado do Maranhão (1621)12Diogo de Mendonça Furtado100pxgovernador-geral12 de outubro de 1621até26 de julho de 1624Prevendo um ataque dos holandeses, fortificou Salvador. De todo modo, acabou preso pelos holandeses. Conta-se que quis jogar fogo em barris de pólvora após a chegada dos invasores, mas foi convencido a desistir da ideia. O holandês Johan Van Dorth tornou-se governador do Brasil.—Matias de Albuquerque