miniaturadaimagem|Pelourinho de Alcântara.
A Capitania de Cumã foi uma divisão administrativa do Brasil Colonial, existente aproximadamente entre 1627 e 1754. Também conhecida como Capitania de Tapuitapera ou, ocasionalmente, apenas Alcântara, foi doada a Antônio Coelho de Carvalho.
A noção de colônia na historiografia Embora frequentemente descrita como parte do Brasil Colônia, as capitanias não eram compreendidas por seus contemporâneos como integrante de uma entidade político-administrativa denominada "colônia". Durante o século XVIII, os documentos oficiais da Coroa Portuguesa referiam-se aos territórios ultramarinos americanos como partes do Império Português, subordinadas ao Estado do Brasil ou diretamente à administração régia.
Na historiografia contemporânea, o termo colônia é utilizado como uma categoria analítica destinada a descrever as relações políticas, econômicas e administrativas estabelecidas entre as monarquias europeias e seus domínios ultramarinos. Nesse sentido, a expressão Brasil Colônia constitui uma construção historiográfica posterior, empregada para designar o período em que os territórios americanos sob domínio português encontravam-se subordinados à Coroa e integrados ao sistema imperial luso.
Contexto histórico Até 1612, a região de Tapuitapera era ocupada por diversas aldeias indígenas. Nesse período, os franceses, liderados por Daniel de La Touche, estabeleceram relações com as populações locais e teriam erguido a primeira capela da região.
Entre 1616 e 1618, após a expulsão dos franceses e a consolidação do domínio português, teve início o processo sistemático de colonização. Com a reorganização administrativa da região, Tapuitapera tornou-se sede da Capitania de Cumã.
Durante as invasões holandesas, em 1641, os portugueses perderam temporariamente o controle do território. Após a retomada, em 1648, Tapuitapera foi elevada à categoria de vila, passando a denominar-se Vila de Santo Antônio de Alcântara. Nessa fase, foram instituídas a Câmara Municipal, o pelourinho e a Igreja Matriz de São Matias.
No final do século XVII e início do século XVIII, Alcântara apresentou alguma relevância econômica, associada sobretudo à produção de açúcar e algodão. Contudo, as reformas administrativas promovidas pela Coroa portuguesa no século XVIII levaram à reincorporação de diversas capitanias donatárias, culminando na extinção da Capitania de Cumã por Carta Régia, por volta de 1754.
Localização A Capitania de Cumã abrangia a região compreendida entre a foz do rio Mearim, o rio Pindaré e o rio Turiaçu.
Após a extinção da capitania Após a extinção da capitania, Alcântara consolidou-se como um importante centro econômico do Maranhão. Durante o auge da produção de algodão e com o uso intensivo de trabalho escravo, a vila chegou a rivalizar economicamente com São Luís.
Em 1836, Alcântara foi elevada à categoria de cidade. A prosperidade do período refletiu-se na forte influência cultural europeia, uma vez que os filhos da elite local frequentemente realizavam estudos no continente europeu.
Patrimônio histórico miniaturadaimagem|Ruínas da Igreja Matriz de São Matias.|esquerda
Entre os principais símbolos históricos de Alcântara destaca-se a Igreja Matriz de São Matias, iniciada em 1622. Em 1875, a edificação foi atingida por um raio, ocasionando o desabamento do telhado e acelerando seu processo de ruína. Até o presente, há debates historiográficos acerca das circunstâncias de sua construção e destruição.
Centro histórico de Alcântara miniaturadaimagem|Ruínas do Palácio Real de Alcântara. Na segunda metade do século XIX, a cidade entrou em acentuado processo de decadência econômica. Apesar disso, permaneceu como testemunho do período áureo um expressivo conjunto arquitetônico colonial, posteriormente tombado pelo IPHAN em 1948.
Entre os bens tombados destacam-se a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, a Igreja e as ruínas do Convento do Carmo, as ruínas da Matriz de São Matias, a Ladeira do Jacaré, a Capela de Nossa Senhora do Desterro, a Fonte de Pedra, o Museu Casa Histórica de Alcântara, o Museu Histórico de Alcântara, as ruínas do Forte de São Sebastião de Alcântara, a antiga Casa de Câmara e Cadeia e a Casa do Divino, entre outros elementos de valor histórico e cultural.
Bibliografia
Ver também Capitanias do Brasil Estado do Maranhão e Grão-Pará Colonização portuguesa da América
Categoria:Capitanias do Brasil Categoria:História de Alcântara (Maranhão)