Linda Tayah de Melo (Manaus, 13 de março de 1947) é uma ex-militante política brasileira que integrou a Ação Libertadora Nacional (ALN), organização de resistência armada atuante durante a ditadura militar no Brasil. Participou de ações clandestinas entre 1969 e 1971, tendo sido presa e submetida a tortura por órgãos de repressão do regime militar.CARVALHO, Luiz Maklouf. Mulheres que foram à luta armada. São Paulo: Editora Globo, 1998, pp. 241–263.

Biografia Linda Tayah de Melo nasceu em Manaus, capital do estado do Amazonas, em 13 de março de 1947. Era filha do sírio Salim Tayah e da turca Behiye Recuan. Aos 11 anos de idade, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro com a mãe e os irmãos, estabelecendo-se no bairro do Grajaú, onde a família passou a residir.CARVALHO, Luiz Maklouf. Mulheres que foram à luta armada. São Paulo: Editora Globo, 1998, pp. 241–246.

Ingressou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde cursou inicialmente História e, posteriormente, Ciências Sociais. Seu contato com a militância política intensificou-se por intermédio de seu companheiro José Milton Barbosa, estudante de Economia da UFRJ e ex-sargento do Exército Brasileiro, que havia ingressado na clandestinidade após ser expulso da corporação.«José Milton Barbosa - Comissão da Verdade» (PDF). Comissão da Verdade. Consultado em 14 de janeiro de 2019.

Militância na Ação Libertadora Nacional Em 1969, Linda foi recrutada para integrar a Ação Libertadora Nacional (ALN), organização fundada por Carlos Marighella e voltada à luta armada contra o regime militar brasileiro.CARVALHO, Luiz Maklouf. Mulheres que foram à luta armada. São Paulo: Editora Globo, 1998.

No final daquele ano, alugou um apartamento na Rua Sá Ferreira, em Copacabana, destinado a servir de abrigo para militantes clandestinos. Em 19 de dezembro de 1969, o imóvel foi descoberto por agentes da repressão, ocasião em que Linda foi presa e levada para interrogatório. Segundo relatos posteriores, foi submetida a choques elétricos, espancamentos e simulações de fuzilamento, sendo libertada em 29 de janeiro de 1970.CARVALHO, Luiz Maklouf. Mulheres que foram à luta armada. São Paulo: Editora Globo, 1998, pp. 250–251.

Presa novamente cerca de um mês depois, acabou revelando informações sobre integrantes da organização e, após nova liberação, ingressou definitivamente na clandestinidade. Passou a residir em aparelhos da ALN e a participar diretamente de ações armadas, entre elas assaltos a estabelecimentos comerciais, veículos e empresas, utilizados como meios de financiamento da organização.CARVALHO, Luiz Maklouf. Mulheres que foram à luta armada. São Paulo: Editora Globo, 1998, pp. 250–262.

Prisão em São Paulo e gravidez no cárcere Em 5 de dezembro de 1971, Linda Tayah de Melo, José Milton Barbosa e Gelson Reicher circulavam armados pela cidade de São Paulo em busca de um médico para atender a militante Lídia Guerlenda, ferida durante treinamento com explosivos. Ao perceberem uma operação policial na Avenida Sumaré, tentaram escapar, iniciando intensa perseguição policial e troca de tiros.MIRANDA, Nilmário; TIBÚRCIO, Carlos. Dos filhos deste solo – Mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado. São Paulo: Perseu Abramo/Boitempo, 1999.

Durante o confronto, José Milton Barbosa foi morto, Gelson Reicher conseguiu fugir e Linda foi baleada na testa, sendo capturada em seguida. Encaminhada inicialmente à Operação Bandeirante (OBAN), posteriormente incorporada ao DOI-CODI, foi submetida a sucessivas sessões de tortura, inclusive durante a gestação de seu primeiro filho, cuja gravidez foi constatada após sua prisão.CARVALHO, Luiz Maklouf. Mulheres que foram à luta armada. São Paulo: Editora Globo, 1998, pp. 250–262.

Segundo seu depoimento, sofreu choques elétricos, espancamentos, humilhações e nudez forçada. Relatou ainda a participação de agentes como Sérgio Paranhos Fleury e a supervisão de Carlos Alberto Brilhante Ustra nas dependências da repressão paulista.CARVALHO, Luiz Maklouf. Mulheres que foram à luta armada. São Paulo: Editora Globo, 1998, pp. 262–263.

Em 28 de agosto de 1972, foi retirada da prisão para dar à luz seu filho, José Milton, nomeado em homenagem ao companheiro morto. Após o parto, foi transferida para o Presídio Tiradentes, permanecendo encarcerada até 22 de março de 1974.

Vida após a prisão Após ser libertada, Linda Tayah de Melo retomou a vida acadêmica, concluindo formação em Ciências Sociais e Psicologia. Mudou-se posteriormente para Curitiba, onde se casou com o ex-guerrilheiro Viriato Xavier de Mello Filho, com quem teve outro filho.CARVALHO, Luiz Maklouf. Mulheres que foram à luta armada. São Paulo: Editora Globo, 1998, pp. 262–263.

Atuou profissionalmente como professora da rede municipal de ensino e manteve-se afastada da militância política armada.

Ver também

Ação Libertadora Nacional Ditadura militar no Brasil Operação Bandeirante DOI-CODI José Milton Barbosa

Referências

Categoria:Mulheres ativistas do Brasil Categoria:Ativistas de esquerda do Brasil Categoria:Naturais de Manaus Categoria:Professores do Amazonas Categoria:Brasileiros de ascendência turca Categoria:Brasileiros de ascendência síria Categoria:Opositores da ditadura militar no Brasil (1964–1985)