miniaturadaimagem|"O Oceano Cósmico revela Brahma, Vishnu e Shiva Um oceano cósmico ou rio celeste é um motivo mitológico encontrado na mitologia de muitas culturas e civilizações, representando o mundo ou o cosmos envolvido por águas primordiais.
Nos mitos da criação, as águas primordiais são frequentemente representadas como tendo originalmente preenchido todo o universo, sendo a primeira fonte do cosmos dos deuses ou Deus, com o ato de criação correspondendo ao estabelecimento de um espaço habitável separado das águas envolventes. Aparece entre as primeiras vezes na mitologia mesopotâmica antiga como Nammu em sumério, depois como Apsu e Tiamat babilônicos; e como Nun na mitologia egípcia. No Enuma Elish está escrito:O contato dos povos semíticos no Oriente Próximo com povos mesopotâmicos e egípcios influenciou a concepção israelita de águas primevas, e na primeira história da criação na Bíblia há apenas terra e água em um estado desorganizado: "E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas..." (Gênesis 1:2). O mundo também é criado como um espaço dentro da água e, por isso, é cercado por ela: "E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas." (Gênesis 1:6). Esse abismo de águas é designado pela palavra Tehom em hebraico e no judaísmo e religiões abraâmicas posteriores desenvolveu-se a teologia de que a matéria prima seria coeva com Deus.
Também foi influenciada a mitologia grega, em que algumas versões de teogonias narram os deuses que personificam as águas como os primeiros, o que é visto em Homero na Ilíada 14:201: "Okeanos, origem dos deuses, e mãe Tétis". Aristóteles e Platão fizeram referência a essa corrente. Platão, no entanto, afirma no Timeu que o estado pré-cósmico não é formado pelos elementos naturais como tais:Plutarco relata que os egípcios atribuem essa doutrina do princípio como a água, encontrada em Tales e Homero, como sendo originária deles:Plutarco. Ísis e Osíris 9-10.354D-E. In Wöhrle, Georg; McKirahan, Richard (29 de outubro de 2014). Thales (em inglês). [S.l.]: Walter de Gruyter GmbH & Co KG. ISBN 978-3-11-031525-7Beroso posteriormente compara a vertente grega com a narrativa babilônica e equivale Omorka (uma forma de título de Tiamat como "Ummu-Hubur", que significa Mãe-Rio do Submundo, ou derivado de "emaruukka", dilúvio) a Thalassa (mar).Na mitologia iraniana, Frāxkard (médio persa: plʾhwklt, avéstico: Vourukaša; também chamado Warkaš no persa médio) é o nome do oceano cósmico, conforme aparece no Bundahishn. Na mitologia hindu, o conceito aparece como a deusa Danu e seus filhos (Danava), ou como apas (águas). O indologista Alain Daniélou afirmou que se encontra nas tradições do hinduísmo:Na mitologia nórdica segundo a Edda poética, o derretimento de gelo primordial gera todas as criaturas do cosmos, originando a Ymir, de cujo suor surgiu seus ancestrais, e Audumbla, que lambeu o sincelo, dando forma ao humano.Assim como a parte norte estava congelada, o sul estava derretido e brilhante, mas o meio de Ginnungagap era tão suave quanto o ar em uma noite de verão. Lá, o hálito quente que vinha do norte de Muspell encontrou a geada de Niflheim; e relaram-se e brincaram sobre ele, e o gelo começou a derreter e a pingar. A vida acelerou naquelas gotas, que assumiram a forma de um gigante, chamado Ymir.A narrativa do Popol Vuh, atribuída aos povos maias quichés, foi registrada como um mito de criação maia que contém referência a águas primordiais:Christenson, Allan J. (2003). Popol Vuh: Sacred Book of the Quiché Maya People. Norman: University of Oklahoma Press. "A face da terra ainda não apareceu. Sozinha permanece a extensão do mar, junto com o ventre de todo o céu... Tz’aqol e B’itol, Tepeu e Serpente Quetzal (Gucumatz), Xmucane e Xpiyacoc. Luminosos eles estão na água, envoltos em plumagens quetzal e penas de cotinga. Portanto eles são chamados Serpente Quetzal... Que a água seja retirada, esvaziada, para que a placa de terra seja criada".No espiritismo, é atribuído aos espíritos o conceito de "fluido cósmico universal" ou "fluido universal" como substância fundamental de toda matéria e elemento único que recebe modificações, gerando propriedades do universo como as forças moleculares, a eletricidade e o magnetismo.Kardec, Allan (2017) . O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira. Em A Gênese é afirmado:A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade. Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz. Absolutamente não desapareceu essa substância donde provêm as esferas siderais; não morreu essa potência, pois que ainda, incessantemente, dá à luz novas criações e incessantemente recebe, reconstituídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno.Kardec, Allan (1944) . A Gênese. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira
Ver também
Referências
Categoria:Cosmogonias Categoria:Água e religião Categoria:Caos (cosmogonia) Categoria:Cosmologia bíblica