O setor terciário, também chamado de setor de serviços, é o setor econômico formado pelas atividades voltadas principalmente à prestação de serviços, ao comércio e à intermediação entre produtores, consumidores, empresas e instituições. Na teoria dos três setores, distingue-se do setor primário, associado à extração e produção de matérias-primas, e do setor secundário, associado à transformação industrial de bens.
O setor abrange atividades muito diversas, como comércio atacadista e varejista, transportes, armazenagem, alojamento, alimentação, comunicação, serviços financeiros, atividades imobiliárias, serviços profissionais, administração pública, educação, saúde, cultura, recreação e serviços pessoais. Em contas nacionais, sua importância costuma ser medida por indicadores como participação no Produto Interno Bruto (PIB), participação no valor adicionado e proporção do emprego total.
Conceito
O setor terciário reúne atividades nas quais o produto principal não é, em regra, um bem material novo, mas a prestação de um serviço, a circulação de bens, a intermediação econômica ou o atendimento de necessidades de pessoas, empresas e governos. Isso inclui tanto serviços destinados ao consumidor final, como comércio varejista, restaurantes, transportes de passageiros, educação e saúde, quanto serviços destinados a empresas, como consultoria, publicidade, tecnologia da informação, logística, seguros e intermediação financeira.
A distinção entre bens e serviços nem sempre é absoluta. Em algumas atividades, como alimentação fora do domicílio, manutenção, transporte e comércio, pode haver uso ou transformação de bens materiais, mas a atividade econômica é classificada como serviço porque o valor principal está na intermediação, no atendimento, na distribuição, no conhecimento aplicado ou na operação realizada.
Nas contas nacionais, o valor adicionado de uma atividade corresponde ao valor gerado pela produção depois de descontado o consumo intermediário. Esse indicador permite comparar a contribuição de diferentes ramos econômicos, como agropecuária, indústria, construção, comércio e demais serviços, para a produção total da economia.
Classificação
As classificações estatísticas nacionais e internacionais agrupam as atividades de serviços de forma padronizada para permitir comparações econômicas, tributárias, administrativas e estatísticas. O Banco Mundial, ao medir o indicador "serviços, valor adicionado (% do PIB)", associa o setor de serviços às divisões 45 a 99 da International Standard Industrial Classification (ISIC Rev. 4), incluindo comércio, reparação de veículos, alojamento, alimentação, transporte, comunicação, intermediação financeira, atividades imobiliárias, administração pública, educação, saúde, serviços sociais e outras atividades de serviços.
No Brasil, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), mantida pela Comissão Nacional de Classificação (CONCLA) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organiza as atividades econômicas em seções, divisões, grupos, classes e subclasses. Entre as seções associadas ao comércio e aos serviços estão:
comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas; transporte, armazenagem e correio; alojamento e alimentação; informação e comunicação; atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; atividades imobiliárias; atividades profissionais, científicas e técnicas; atividades administrativas e serviços complementares; administração pública, defesa e seguridade social; educação; saúde humana e serviços sociais; artes, cultura, esporte e recreação; outras atividades de serviços; serviços domésticos; organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais.
A depender do sistema estatístico utilizado, algumas atividades podem ser agrupadas de modo distinto. Por isso, a comparação entre países ou entre séries históricas exige atenção à metodologia adotada, ao ano-base e à classificação de atividades utilizada.
Desenvolvimento histórico
Na teoria dos três setores, a estrutura econômica tende a mudar ao longo do desenvolvimento: economias menos industrializadas concentram maior parcela da produção e do emprego no setor primário; economias em processo de industrialização ampliam o peso do setor secundário; e economias mais urbanizadas e complexas tendem a apresentar maior participação dos serviços. Essa interpretação é usada para descrever processos de transformação estrutural, embora não explique sozinha todas as diferenças entre países, regiões e períodos históricos.
O crescimento do setor terciário está relacionado a fatores como urbanização, aumento da renda, expansão do consumo, complexidade das cadeias produtivas, desenvolvimento do setor público, ampliação da educação e da saúde, avanço das tecnologias de informação e comunicação e crescimento de serviços especializados às empresas. Nas economias contemporâneas, os serviços também participam da produção industrial e agrícola, por meio de atividades como logística, financiamento, pesquisa, software, assistência técnica, publicidade e gestão.
Alguns autores e classificações propõem subdivisões internas do setor de serviços, como serviços pessoais, serviços distributivos, serviços sociais e serviços produtivos. Também existem propostas de distinção entre setor terciário, setor quaternário e setor quinário, especialmente para atividades intensivas em informação, conhecimento, pesquisa, tecnologia, educação e gestão. Essas divisões, contudo, não substituem necessariamente a classificação estatística tradicional, que frequentemente continua tratando tais atividades como parte do setor de serviços.
No Brasil
No Brasil, o setor de serviços é um dos grandes agregados das contas nacionais, ao lado da agropecuária e da indústria. O IBGE utiliza esse agrupamento para divulgar a evolução do PIB e do valor adicionado por atividade econômica.
Em 2025, segundo o IBGE, o PIB brasileiro cresceu 2,3% em relação a 2024. No mesmo período, os três grandes grupos de atividade econômica registraram crescimento: agropecuária, com alta de 11,7%; serviços, com alta de 1,8%; e indústria, com alta de 1,4%. O instituto informou ainda que todas as atividades do setor de serviços cresceram no ano, com destaque para informação e comunicação, atividades financeiras, transporte, armazenagem e correio, outras atividades de serviços, atividades imobiliárias, comércio e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social.
Além das contas nacionais, o IBGE acompanha segmentos específicos por meio de pesquisas como a Pesquisa Mensal de Serviços e outras estatísticas econômicas. Essas pesquisas permitem observar a evolução conjuntural de atividades como transporte, serviços profissionais, tecnologia da informação, serviços prestados às famílias e serviços administrativos.
Importância econômica
O setor terciário desempenha papel central nas economias contemporâneas por reunir atividades diretamente ligadas ao consumo, à circulação de mercadorias, ao funcionamento do Estado, à organização empresarial e à infraestrutura social. Serviços como educação, saúde, transporte, comunicação, administração pública, intermediação financeira e tecnologia da informação afetam tanto o bem-estar da população quanto a produtividade dos demais setores econômicos.
Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os serviços respondem por mais de dois terços do PIB mundial, atraem parcela expressiva do investimento estrangeiro direto em economias avançadas, empregam a maior parte dos trabalhadores e geram grande número de novos postos de trabalho. Ao mesmo tempo, a medição da produtividade e da informalidade em serviços pode ser mais difícil do que em setores produtores de bens, especialmente quando há grande número de trabalhadores autônomos, pequenos negócios e atividades não registradas.
Ver também
Hipótese dos três setores da economia Setor primário Setor secundário Setor quaternário Serviço (economia) Comércio Classificação Nacional de Atividades Econômicas
Categoria:Contabilidade nacional