Mário Rui Valente Machado, geralmente conhecido como Mário Machado (1977), é um neonazi português. É um dos fundadores e antigo dirigente da Frente Nacional, antigo membro do grupo Hammerskins Portugal e fundador e ex-dirigente do movimento nacionalista Nova Ordem Social, suspenso em 2019.
Em 2005, assumiu a liderança do movimento bonehead em Portugal, sendo ainda em 2015 o nome principal dessa subcultura no país. Mário Machado era considerado o mais influente activista de extrema-direita em Portugal. A notoriedade nacional de Mário Machado enquanto líder nacionalista, bonehead e de extrema-direita tem sido auxiliada pela cobertura da imprensa portuguesa, em grande parte sensacionalista.
Mário Machado possui uma longa ficha criminal, que inclui discriminação racial, ofensas corporais, posse de armas ilegais, difamação, sequestro e extorsão. É umas das figuras do Grupo 1143. Já foi também suspeito do homicídio de Alcindo Monteiro.
Atividade nacionalista
Movimento de Ação Nacional e Ordem Lusa Mário Machado tomou contacto com a extrema-direita aos 13 anos.
Na década de 1980, militou nas associações nacionalistas Movimento de Acção Nacional e Ordem Lusa.
Irmandade Ariana Entre 1995 e 2001, nos presídios de Lisboa e Caxias, Mário Machado, em conjunto com outros neonazis, muitos dos quais cumprindo pena pela violência racial que levou à morte de Alcindo Monteiro, criou o capítulo português da organização internacional de supremacia branca e crime organizado Irmandade Ariana. Segundo Mário Machado, a organização operava num sistema de células, sem uma liderança central, com o objetivo de despistar o Governo de Ocupação Sionista.
À medida que os skinheads condenados em 1997 iam sendo libertados, a Irmandade Ariana foi tomando consistência e conquistando as ruas. Com recurso à violência, os outros grupos rivais, como a Ordem Lusa, foram sendo reduzidos e até suprimidos, dando à Irmandade Ariana a hegemonia na cena skinhead portuguesa.
Frente Nacional, Portugal Hammerskins e Partido Nacional Renovador
Em 2001, um grupo de boneheads neonazis portugueses ligados à Irmandade Ariana, liderados por Mário Machado, iniciou um movimento com o objetivo de criar uma sucursal portuguesa da Hammerskin Nation, uma das principais organizações neonazis e supremacistas brancas dos Estados Unidos, presente em pelo menos onze países (dados de 2012).
Os anos 2004 e 2005 são considerados um ponto de viragem para o movimento bonehead português, com Mário Machado a assumir a liderança do movimento em Portugal. Mário decidiu reintroduzir a estratégia do final da década de 1980, tentando colar o movimento skinhead a um partido da extrema-direita, o Partido Nacional Renovador (PNR), através do seu envolvimento no partido como militante. Para atingir este objetivo, Mário começou por conquistar o PNR, facilitando a ascensão à presidência do partido de José Pinto Coelho, militante nacionalista da década de 1970, contrário à corrente mais tradicionalista dentro do partido e favorável à colaboração com os skinheads.
Ao mesmo tempo, Mário Machado procurou manter a hegemonia dentro do movimento skinhead, primeiro com o lançamento da banda Hammerskin Ódio, em 2003, e depois com a integração da Irmandade Ariana na Hammerskin Nation, conseguida em 2005. A 29 de janeiro de 2005 foi anunciada a formação da Portugal Hamerskins (PHS), o capítulo português da Hammerskin Nation, fundado por Mário Machado. Em 2008, Mário ainda liderava a PHS, descrevendo-a como "totalmente apolítica". O movimento foi descrito pela organização antirracismo SOS Racismo como "um bando criminoso nazi, cujo ritual de iniciação se baseia no crime de sangue”.
Em 2004, em conjunto com o seu camarada Vasco Leitão, membro dirigente do PNR, Mário Machado criou o site Fórum Nacional, que viria a transformar-se num dos principais pontos de encontro dos neonazis portugueses na web. Um ano após a sua criação, o Fórum Nacional contava com três mil utilizadores registados e uma afluência mensal de seis mil e quinhentos internautas, com dez mil e quinhentas visualizações de páginas por mês.
Também em 2004, Mário criou a Frente Nacional, um movimento nacionalista com vista à intervenção política, com o objetivo de promover os ideais nacionalistas em Portugal. Segundo Mário, o movimento foi criado por alguns nacionalistas com ideias europeístas, numa altura em que o PNR tinha uma atitude demasiado saudosista, não organizando manifestações. Em 2008, o movimento contaria com cerca de quatrocentos adeptos. A partir de junho de 2005, com a eleição de José Pinto Coelho para a liderança do PNR, também a Frente Nacional passou gradualmente a aderir àquele partido.
Após um período inicial de tensão e conflito com o grupo rival Blood & Honour Portugal, Mário conseguiu obter a hegemonia do movimento skinhead em Portugal, deixando o campo aberto para a cooptação dos militantes skinheads pela base militante do PNR, através de projetos como o Fórum Nacional e a Frente Nacional, destinados a coordenar, tanto online como offline, militantes nacionalistas de diversas origens.
O ponto alto da colaboração entre skinheads e o PNR foi atingido na manifestação de 18 de junho de 2005 contra o crime ligado à imigração. A 10 de junho de 2005, notícias falsas veiculadas pela generalidade da comunicação social portuguesa davam conta dum grande arrastão, ou roubo por varrimento, alegadamente ocorrido nessa tarde na Praia de Carcavelos. As imagens que acompanhavam as reportagens na comunicação social mostravam sempre jovens negros correndo na praia, provocando uma implicação étnica e um clima de tensão e insegurança relacionado aos imigrantes, em particular os de origem africana. A Frente Nacional aproveitou a oportunidade para convocar uma manifestação para o dia 18 de junho desse ano, que teve lugar no Martim Moniz. À Frente Nacional juntaram-se outras organizações de extrema-direita, envolvendo também a Causa Identitária, o PNR e associações de antigos combatentes da Guerra Colonial. Apesar do carácter xenófobo e racista da manifestação, denunciado pela organização SOS Racismo, e dos protestos do Partido Ecologista Os Verdes, da Frente Anti-Racista, da Renovação Comunista, do CDS-PP e até do bispo das Forças Armadas, o pedido de realização da manifestação foi autorizado pelo Governo Civil de Lisboa. A manifestação congregou cerca de quinhentos nacionalistas, um número inédito em manifestações da extrema-direita desde a década de 1970. Durante a manifestação, Mário Machado afirmou à reportagem da SIC: "Nós queremos dizer aos portugueses que existem brancos que têm muito orgulho em ser brancos e estão aqui para atender aos interesses dos portugueses. Porque nós somos portugueses há 850 anos. Não somos portugueses há 30. (…) Eles não podem pensar que vêm aqui fazer o que querem. Isto é nosso."
No mesmo ano, Mário Machado foi distinguido pelo PNR como "militante ativista do ano" pela direção do partido. Na altura, José Pinto Coelho afirmou em entrevista ao jornal Sol: "Sou amigo do Mário, é um excelente nacionalista. Aprovo todos os tipos de nacionalismo, de toda a gente que ama a sua pátria. O Mário foi a face mais visível da fase impulsionadora do nacionalismo."
Num contexto de tensões crescentes entre os diversos grupos nacionalistas que orbitavam em torno do PNR, o projeto de cooperação entre a base skinhead e um partido político lançado por Mário Machado viria a colapsar com a vasta operação de repressão contra a extrema-direita portuguesa levada a cabo pela Polícia Judiciária em 2007. A operação policial foi motivada pelas atividades criminosas desenvolvidas pelo PHS, sob a liderança de Mário Machado, levando à detenção de vários dos seus membros mais proeminentes, entre os quais o líder e o vocalista da banda Ódio, então renomeada Bullet38. Mário seria posteriormente preso por discriminação racial, posse de arma ilegal, e uma série de ofensas corporais, ditando o fim abrupto do projeto de alargamento da base militante do PNR através da subcultura skinhead e expressões musicais a ela associadas.
Em novembro de 2007, fontes policiais afirmaram ao Correio da Manhã constar na transcrição das escutas telefónicas montadas durante meses pela Polícia Judiciária a Mário Machado que este teria dado “instruções ao presidente” do PNR, José Pinto Coelho, sobre a “estrutura orgânica, intervenções e iniciativas partidárias”. José Pinto Coelho negou categoricamente alguma vez ter recebido instruções partidárias de Mário Machado, afirmando que são apenas grandes amigos e que trocam impressões sobre tudo. No entanto, fontes ligadas à investigação asseguraram que o teor das várias conversas gravadas “não deixam dúvidas. Há instruções ao nível de intervenções públicas, iniciativas do partido e até distribuição de cargos dentro do PNR”. Segundo as fontes policiais, existiam autocolantes de propaganda com a frase “A coisa está preta, o PNR resolve”, numa “clara alusão aos africanos imigrados em Portugal”, estando envolvido o nome de um partido português num crime de discriminação racial.
Em abril de 2008, Mário Machado assegurou que a Frente Nacional já se havia dissolvido, afirmando ser agora militante do PNR, juntamente com outros nacionalistas, e que antigos elementos da Frente Nacional estavam agora no Conselho Nacional do PNR. Na mesma ocasião, José Pinto Coelho afirmou aos jornalistas que ele e Mário Machado eram "grandes amigos", e que "apesar de as nossas linhas políticas serem diferentes, considero-o um soldado político e um homem inteligente".
Em meados de 2014, Mário Machado anunciou o fim dos PHS, afirmando que o movimento já só era um caso de polícia, expressando a vontade de “expulsar” aqueles que chamou de “criminosos travestidos de nacionalistas”, reduzindo a organização a apenas dez membros.
Nova Ordem Social No início de 2014, Mário Machado, então detido na prisão de Alcoentre, afirmou o desejo de se distanciar do Partido Nacional Renovador, que havia apoiado enquanto líder do movimento de extrema-direita Frente Nacional, devido ao facto de partido ter abandonado a linha nacionalista em prol de uma ideologia de direita patriótica, ao mesmo tempo que anunciou o fim dos Hammerskins Portugal. Mário manifestou a vontade de criar um novo partido político, que denominou Nova Ordem Social (NOS). O primeiro encontro do novo movimento aconteceu a 26 de abril desse ano num hotel na zona de Peniche, durante uma saída precária de Mário da cadeia de Alcoentre, reunindo cerca de cinquenta pessoas, entre elas representantes dos partidos nacionalistas grego, Aurora Dourada, e alemão, Partido Nacional Democrático da Alemanha. A data foi propositadamente escolhida por forma a marcar a posição de que o grupo não festeja a Revolução de 25 de Abril de 1974, descrevendo-a como golpe e traição. O símbolo escolhido foi uma seta em frente, segundo Mário por o partido não estar posicionado “à esquerda ou à direita”.
Em 2015, a página de Facebook do movimento descrevia-o como uma estrutura “nacionalista e patriótica”: “Encontramo-nos a meio caminho entre a extrema-direita e a extrema-esquerda, por detrás do Presidente e de costas para a Assembleia da República”.
Em janeiro de 2015, Mário Machado apresentou uma queixa crime o Departamento Central de Investigação e Ação Penal contra José Sócrates, então em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora, por violação do segredo de justiça nas respostas a perguntas formuladas pela TVI, afirmando que Sócrates “conhecia os factos que lhe são imputados e pronunciou-se publicamente em sua defesa”. Foi ainda formulado um pedido pelo seu advogado para se constituir assistente no processo da Operação Marquês.
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