A Classe Bayern foi uma classe de couraçados operada pela Marinha Imperial Alemã, composta pelo , , e . Suas construções começaram pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial e os trabalhos foram afetados pelo andamento do conflito, consequentemente apenas os primeiros dois navios foram finalizados. Seu projeto foi uma reação a couraçados de outras marinheiras adotando canhões principais maiores, o que forçou os alemães a aumentar os seus também. Diferentes tamanhos de bateria principal foram considerados até a versão final ser escolhida. O Bayern e o Baden foram os últimos navios capitais da Marinha Imperial.
Os couraçados da Classe Bayern eram armados com uma bateria principal composta por oito canhões de 380 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas. Os dois primeiros navios tinham um comprimento de fora a fora de 180 metros, boca de trinta metros, calado de nove metros e deslocamento de mais de 32 mil toneladas, porém o Sachsen e o Württemberg seriam ligeiramente maiores. O sistema de propulsão, exceto no Sachsen, era de catorze caldeiras que alimentavam três turbinas a vapor, que por sua vez giravam três hélices até uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). Eram protegidos por um cinturão de blindagem de 350 milímetros de espessura.
O Bayern e o Baden foram comissionados na Frota de Alto-Mar em julho de 1916 e março de 1917, respectivamente, muito tarde para que qualquer um dos dois participasse da Batalha da Jutlândia ou de qualquer outra ação de grande escala. O Bayern foi designado para a força tarefa que expulsou a Marinha Imperial Russa do Golfo de Riga em outubro de 1917 durante a Operação Albion, porém ele foi seriamente danificado ao bater em uma mina e precisou retornar até Kiel a fim de passar por reparos. Já o Baden assumiu a posição de capitânia do almirante Franz von Hipper na Frota de Alto-Mar, entretanto não participou de combate algum antes do final da guerra em novembro de 1918.
As duas embarcações finalizadas foram internadas na base britânica de Scapa Flow na Escócia como parte dos termos do Armistício de Compiègne. O contra-almirante Ludwig von Reuter, comandante da frota alemã internada, ordenou em 21 de junho de 1919 que todos os navios fossem deliberadamente afundados. O Bayern afundou totalmente e foi depois levantado e desmontado na década de 1930, porém marinheiros britânicos conseguiram encalhar o Baden antes que também afundasse por completo. Ele foi recuperado, examinado e depois afundado como navio alvo em testes de artilharia. Os cascos incompletos do Sachsen e do Württemberg foram desmontados como sucata.
Desenvolvimento Trabalhos de projeto em uma nova classe de couraçados para a Marinha Imperial Alemã começaram no início de 1910, com grande consideração sendo dada para o armamento dos navios. Tinha ficado claro nessa época que outras marinhas estavam adotando canhões maiores que os 305 milímetros usados pelos alemães, assim o próximo couraçado também precisaria incorporar armas maiores. O Departamento de Armamentos sugeriu a adoção de um canhão de 320 milímetros, mas o almirante Alfred von Tirpitz, o secretário de estado do Escritório Naval Imperial, decidiu em uma reunião em 11 de maio de 1910 que limitações orçamentárias impediam a adoção de armas maiores. No ano seguinte, Tirpitz se aproveitou da indignação pública sobre o envolvimento britânico na Crise de Agadir para pressionar a Dieta Imperial a conceder mais dinheiro para a Marinha Imperial. Isto permitiu a possibilidade de couraçados mais poderosos, assim Tirpitz pediu dinheiro em meados de 1911 para um navio com canhões de 340 milímetros.
A equipe de projeto preparou em agosto estudos para navios armados com canhões de 350, 380 e 400 milímetros; este último foi estabelecido como o máximo porque foi presumido, incorretamente, que seria o tamanho máximo que os britânicos conseguiam produzir. Os projetos preferidos foram decididos em uma reunião um mês depois como um navio com dez canhões de 350 milímetros em cinco torres de artilharia ou oito de 400 milímetros em quatro torres. O Departamento de Armamentos defendeu a versão de 350 milímetros, destacando que teria uma chance 25 por cento maior de acertar o alvo. Tirpitz quis saber sobre a possibilidade de uma mistura de torres de artilharia duplas e triplas, mas foi determinado que torres triplas tinham muitos problemas depois dos alemães analisarem o projeto dos couraçados da Classe Tegetthoff da Marinha Austro-Húngara. Dentre as deficiências estava um aumento de peso, redução do suprimento de munição e cadência de tiro, e perda de capacidade de combate caso uma torre fosse incapacitada.
Os estudos de projeto sugeriram que o couraçado com armas de 350 milímetros teria um deslocamento de aproximadamente 29 mil toneladas e um custo de 59,7 milhões de marcos, enquanto a proposta com canhões de 400 milímetros custaria por volta de sessenta milhões de marcos e teria um deslocamento de toneladas. Ambas foram consideradas muito caras. O Departamento de Construção propôs um projeto de 28,1 mil toneladas armado com armas de 380 milímetros, o que reduziria o custo para 57,5 milhões de marcos por navio. Este projeto foi escolhido em 26 de setembro como a base para a próxima classe, com a decisão de adotar o canhões de 380 milímetros sendo tomada formalmente em 6 de janeiro de 1912. Os trabalhos de projeto continuaram pelo decorrer desse ano, incluindo desenvolver o esquema de blindagem que tinha sido adotado anteriormente na Classe König. Foi originalmente planejado que os couraçados recebessem oito canhões antiaéreos de 88 milímetros, porém nunca os receberam. Um sistema de propulsão com as tradicionais turbinas a vapor foi escolhido porque o desenvolvimento de motores a diesel estava mostrando-se problemático, porém a equipe de projeto tinha esperanças que motores a diesel confiáveis estivessem disponíveis quando chegasse a hora de começar a construção do terceiro membro da classe.
Financiamento para os navios foi proporcionado pela Quarta Lei Naval, que foi aprovada pela Dieta Imperial em 1912 e financiou três novos dreadnoughts, dois cruzadores rápidos e um aumento de quinze mil oficiais e marinheiros para o ano de 1912. Os navios capitais que tiveram sua construção iniciada em 1912 foram os cruzadores de batalha da Classe Derfflinger, com o financiamento para o Bayern e Baden sendo destinado para o ano seguinte. O financiamento do Sachsen foi para o orçamento de 1914, enquanto o Württemberg foi financiado pelas Estimativas de Guerra. O antigo pré-dreadnought da Classe Brandenburg, bem como os pré-dreadnoughts e , ambos da Classe Kaiser Friedrich III, seriam substituídos. O Baden foi encomendado com o nome provisório de Ersatz Wörth, o Württemberg como Ersatz Kaiser Wilhelm II e o Sachsen como Ersatz Kaiser Friedrich III; o Bayern foi considerado uma adição à frota e assim foi encomendado sob o nome "T".
Projeto Características thumb|esquerda|270px|Desenho da Classe Bayern O Bayern e o Baden tinham 179,4 metros de comprimento da linha de flutuação e 180 metros de comprimento de fora a fora. O Sachsen e Württemberg seria ligeiramente maiores: 181,8 metros de comprimento da linha de flutuação e 182,4 metros de comprimento de fora a fora. Os quatro tinham boca de trinta metros e um calado de 9,3 a 9,4 metros. Os dois primeiros navios tinham um deslocamento normal de toneladas e um deslocamento carregado de 32,2 mil toneladas. Os dois últimos navios seriam um pouco mais pesados, com 28,8 mil toneladas normalmente e 32,5 mil toneladas carregados. Foram construídos com armações de aço transversais e longitudinais sobre as quais as placas externas do casco foram rebitadas. O casco era subdividido em dezessete compartimentos estanques e tinham um fundo duplo que abrangia 88 por cento do comprimento.
A Marinha Imperial considerou que os dois couraçados finalizados tinham uma navegabilidade excelente, sendo muito estáveis e manobráveis. Sofria de uma pequena perda de velocidade em mares agitados e, com o leme totalmente virado, perdiam até 62 por cento de sua velocidade e alteavam em mais de sete graus. Tinham uma altura metacêntrica de 2,53 metros, mais elevada do que seus equivalentes britânicos, mais o que os faziam plataformas de disparo estáveis para as águas confinadas do Mar do Norte. Sua tripulação padrão consistia em 42 oficiais e marinheiros, mas quando atuavam como capitânias esses números aumentavam em catorze oficiais e 86 marinheiros. Levavam vários barcos menores, incluindo um barco de piquete, três barcas, duas lanchas, dois yawls e dois botes.
Propulsão O Bayern e o Baden foram equipados com onze caldeiras Schulz-Thornycroft que queimava carvão e três caldeiras Schulz-Thornycroft que queimavam óleo combustível divididas em nove salas de caldeiras. Elas alimentavam três conjuntos de turbinas a vapor Parsons, cada uma girando uma hélice de três lâminas com 3,87 metros de diâmetro. Foram projetados com uma potência indicada de 35 mil cavalos-vapor ( quilowatts) a 265 rotações por minuto, mas durante seus testes marítimos alcançaram cavalos-vapor ( quilowatts) e cavalos-vapor ( quilowatts), respectivamente. Ambos foram capazes de alcançar uma velocidade máxima de 22 nós (41 quilômetros por hora). Foram projetados para carregar novecentas toneladas de carvão e duzentas toneladas de óleo, porém com o uso de espaços adicionais de armazenamento o carregamento total crescia para 3,4 mil toneladas de carvão e 610 toneladas de óleo. Isto permitia uma autonomia de cinco mil milhas náuticas (9,3 mil quilômetros) a uma velocidade de doze nós (22 quilômetros por hora). Cada navio tinha oito geradores a diesel, cada um produzindo 2,4 mil quilowatts de energia elétrica a 220 volts.
O Sachsen e Württemberg seria um nó mais rápidos. O Württemberg receberia maquinários mais poderosos com uma potência indicada de 48 mil cavalos-vapor (35,3 mil quilowatts) para uma velocidade de 22 nós. O Sachsen seria equipado com um motor a diesel MAN que produziria 12 mil cavalos-vapor ( quilowatts) e seria o responsável por girar a hélice central, enquanto duas turbinas girariam as hélices externas. Entretanto, o motor a diesel ainda não estava pronto no final da guerra e só foi completado em 1919 para testes pela Comissão de Controle Naval Inter-Aliada. O sistema de propulsão combinado teria uma potência indicada de 54 mil cavalos-vapor (39,7 mil quilowatts).
Armamento thumb|250px|O Baden com seus canhões principais virados para bombordo Os couraçados da Classe Bayern eram armados com uma bateria principal composta por oito canhões calibre 45 de 380 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas do tipo C/1913. As armas originalmente podiam abaixar até oito graus negativos e elevar até dezesseis graus, mas precisavam voltar para um ângulo de 2,5 graus para serem recarregadas. Os britânicos foram capazes de abrir fogo primeiro na Batalha de Dogger Bank em janeiro de 1915 por terem um alcance maior que os alemães, assim as montagens foram modificadas para permitir uma elevação entre cinco graus negativos e vinte graus. Na configuração original, o alcance máximo era de 20,2 quilômetros, mas após as modificações ela passou a ser de 23,2 quilômetros. Cada torre foi equipada com um telêmetro estereoscópico. Disparavam projéteis de 750 quilogramas, leves para canhões desse tamanho, e tinham um carregamento de 720 projéteis, ou noventa por arma. Esse total de projéteis era dividido entre perfurantes e altamente explosivos, com sessenta do primeiro e trinta do segundo. A uma distância de vinte quilômetros, os projéteis perfurantes podiam penetrar até 336 milímetros de blindagem. A cadência de tiro era de um disparo a cada 38 segundos e a velocidade de saída era de 805 metros por segundo.