upright=1.3|miniaturadaimagem|Casal de Australopithecus, uma das primeiras espécies a andar em pé, geralmente retratada em ambiente de savana. A hipótese da savana, em paleoantropologia, foi uma das principais hipóteses sobre como o ser humano evoluiu à sua conformação atual, sobretudo pelo andar ereto (bipedalismo), partindo de indivíduos ancestrais do meio de vida arbóreo em transição para o ambiente de savana.
Ideia bem mais difundida e aceita que as demais hipóteses que tratam do tema, sobretudo a hipótese do macaco aquático e outra que defende a escolha de parceiros saudáveis em razão de parasitas, ela contudo veio sofrendo um declínio em sua comprovação a partir da década de 1990.
Segundo esta hipótese, há entre cinco e dois milhões de anos os hominídeos partiram das florestas onde se desenvolveram entre seis e cinco milhões de anos, e se adaptaram a um novo habitat primeiro aprendendo a ficar em pé e, a seguir, a andar ereto.
Argumentos miniaturadaimagem|Pinturas de paisagens com campos abertos e poucas árvores seriam um comprovador da hipótese.Andreas Edvard Disen. Esta hipótese estava intimamente relacionada com aquela que fala da evolução para a nodopedalia (caminhar sobre os nós dos dedos), sob alegação de que os primeiros ancestrais humanos caminhavam de quatro quando partiram inicialmente para as savanas; tal fato se baseava na observação das características morfológicas encontradas em exemplares de Australopithecus anamensis e Australopithecus afarensis, e postulava que o andar sobre os dedos seria um exemplo de evolução convergente em chimpanzés e gorilas, que mais tarde desapareceu no gênero Homo. P. E. Wheeler sugeriu que outra vantagem estava na redução da quantidade de pele exposta ao sol, o que ajudava a regular a temperatura do corpo.
Os paleoantropólogos adeptos desta hipótese também postularam que a postura ereta teria sido vantajosa para os hominídeos que habitavam savanas também porque lhes permitia espreitar os predadores ou presas sobre a grama alta.
Segundo a hipótese a preferência dos ancestrais pela savana fez-se refletir no homem moderno, que manteve a predileção por paisagens abertas e com poucas árvores (onde, conjectura, seria mais fácil a coleta de vegetais e seguir os animais que caçava), o que pode ser verificado com a presença desse tipo de paisagem desde nas pinturas clássicas aos atuais parques urbanos; acresce, ainda, que testes realizados com fotografias de vários ambientes naturais apresentadas a voluntários, aquelas que exibiam imagens das savanas foram consideradas as mais atraentes; o fato de o homem não ser um animal de floresta se refletiria no atual comportamento avesso a elas, e portanto predatório: poucos os povos se estabeleceram em ambientes florestais, e seu desenvolvimento tecnológico ali restou prejudicado pois as matas impossibilitam aquilo que levou à civilização mais complexa: a agricultura e a criação de animais.
Histórico Embora as ideias fundamentais por trás da hipótese remontem a Darwin, ganhou proeminência com a descoberta do Australopithecus africanus por Raymond Dart em 1924. No artigo sobre a descoberta, publicado na revista Nature, Dart escreveu:
Nas décadas seguintes à descoberta de Dart, mais fósseis de hominídeos foram encontrados na África Oriental e Austral, o que levou as pesquisas a concluírem que esses também eram moradores da savana. Grande parte da discussão acadêmica da época deu como certo que a transição para as savanas era responsável pelo surgimento do bipedalismo e, assim, se concentrou em determinar os mecanismos específicos pelos quais isso aconteceu.
Declínio Nos últimos anos do século XX novas evidências fósseis começaram a surgir, colocando em cheque a hipótese da savana. Esses remanescentes recém-descobertos mostraram indícios de que os hominídeos estavam bem adaptados para subir em árvores, mesmo antes de já terem começado a andar em pé. Tanto os humanoides quanto os chimpanzés tendem a ficar eretos quando se movem ao longo dos galhos das árvores, aumentando assim o seu alcance. Tanto Lucy , o famoso Australopithecus afarensis, como "Little Foot", a coleção de ossos do pé de Australopithecus africanus, demonstram características consistentes com o arvorismo e a marcha ereta; o primeiro caso por possuir dedos curvos, e o segundo através de um dedo grande divergente. Além disso, o pólen antigo encontrado no solo perto de onde esses fósseis foram descobertos sugere que a área costumava estar muito mais molhada e coberta de vegetação espessa, só recentemente se tornando o deserto árido que é agora.
Ver também Linha do tempo da evolução humana
Categoria:Evolução humana Savana