O vale de Spiti é um vale desértico de montanha dos Himalaias ocidentais situado na parte nordeste do estado do Himachal Pradexe, Índia. Administrativamente é parte do distrito de Lahaul e Spiti. O seu nome significa "Terra do Meio", uma referência ao facto de ser a terra entre o Tibete e a Índia.
O rio Spiti nasce na cordilheira de Kunzum. Dois dos seus principais afluentes são os regatos Tegpo e Kabzian. O também faz parte da bacia hidrográfica do Spiti. Devido à localização "detrás" dos Himalaias, o vale não recebe as monções que causam grandes chuvadas em grande parte da Índia entre junho e setembro. O caudal máximo do Spiti ocorre no final do verão, devido à fusão de glaciares. Após percorrer o vale de Spiti, o rio conflui com o Sutlej em Namgia, no distrito de Kinnaur.
A população local segue uma forma de budismo vajrayana similar à praticada nas regiões vizinhas do Tibete e do Ladaque. O vale e as áreas circundante são uma das regiões menos populadas da Índia. O centro administrativo da região é Kaza, situada à beira do rio Spiti a uma altitude de cerca de .
O distrito de Lahaul e Spiti está rodeado de cordilheiras de altas montanhas. O passo de Rohtang (altitude: ) separa o distrito do . Os vales de Lahul e de Spiti estão separados um do outro pelo passo de Kunzum (). A estrada que passa por esta portela liga as duas partes do distrito, mas é ferquentemente cortada no inverno e primavera devido à queda de neve intensa. As comunicações pelo norte ao vale também chegam a estar cortadas oito meses por ano devido à neve e gelo. As comunicações terrestres a sul, nomeadamente via Shimla e o Sutlej, no distrito de Kinnaur, são periodicamente fechadas por breves períodos durante as tempestades de inverno que ocorrem entre novembro e junho, mas normalmente as estradas reabrem poucos dias após as tempestades.
Cultura O vale de Spiti é um polo cultural importante para os budistas. Nele se situam as gompas (mosteiros budista tibetanos) de e de Tabo, um dos mais antigos do mundo.
No há alguns dos poucos lamas Buchen ainda existentes, pertencentes à escola Nyingmapa.
A pequena cidade de Manali era o início duma antiga rota comercial para o Ladaque e daí para Iarcanda e Khotan, na bacia do Tarim, através do passo de Caracórum. No verão, Spiti torna-se o lar de centenas de pastores seminómadas Gaddi de cabras e ovelhas que trazem os seus animais a pastar desde as aldeias vizinhas e por vezes de distâncias de 250 km. Estes pastores entram no vale à medida que a neve derrete e saem poucos dias antes da queda das primeiras neves.
Transportes O vale de Spiti é acessível durante todo o ano desde Shimla, via Kinnaur, por uma estrada difícil com 412 km de extensão. Os turistas não indianos têm que ter permissões para entrara em Spiti através de Kinnaur. A fronteira de Spiti vai desde Samdo (a 74 km de Kaza). No verão pode chegar-se ao vale via Manali e do passo de Rohtang; Manali dista 200 km de Kaza.
Devido à grande altitude, é frequente os viajantes padecerem da doença das alturas. A rota a partir de Shimla é preferível para evitar essa doença, por envolver mais tempo de climatização à altitude. A abertura do túnel de Rohtang, por baixo do passo homónimo, irá permitir o acesso por estrada durante todo o ano e reduzir a distância em 48 km de terreno muito difícil.
Notas e referências
Bibliografia
Banach, Benti. (2010). 'A Village Called Self-Awareness, life and times in Spiti Valley'. Vajra Publications, Kathmandu. Ciliberto, Jonathan. (2013). "Six Weeks in the Spiti Valley". Circle B Press. 2013. Atlanta. Francke, A. H. (1914, 1926). Antiquities of Indian Tibet. Two Volumes. Calcutta. 1972 reprint: S. Chand, New Delhi. Kapadia, Harish. (1999). Spiti: Adventures in the Trans-Himalaya. 2nd Edition. Indus Publishing Company, New Delhi. . Spiti Valley - An enchanting land for the wanderer in you!
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