O ruído ambiental é o resultado da poluição sonora proveniente do exterior, causada por transportes, atividades industriais e recreativas, sendo a segunda causa mundial de poluição.
O ruído é frequentemente descrito como "som indesejado" e, dentro desse contexto, o ruído ambiental geralmente está presente de alguma forma em todas as áreas da atividade humana, animal ou ambiental. Os efeitos da exposição ao ruído ambiental, em humanos, podem ser emocionais, fisiológicos e ou psicológicos.
O ruído em níveis baixos não é necessariamente prejudicial. O ruído ambiental também pode transmitir uma sensação de prazer em um ambiente e, portanto, não é sempre considerado "indesejado". No entanto, os efeitos adversos da exposição ao ruído, ou seja, poluição sonora, podem incluir sintomas auditivos (como perda auditiva temporária ou Perda Auditiva Induzida por Ruído, zumbido, plenitude auricular, tontura) e não auditivos (cefaleia, distúrbios gástricos, alterações transitórias na pressão arterial, problemas cardiovasculares relacionados ao estresse, ansiedade, além de distúrbios da visão, atenção e memória, do sono e do humor).
Sendo assim, o ruído ambiental é estudado, regulado e monitorado por órgãos governamentais e instituições civis e científicas. Isso cria inúmeras recomendações e normas diferentes. A base de todas as decisões é apoiada pela medição objetiva e precisa do ruído. O ruído é medido em decibels (dB) usando um medidor de nível de pressão sonora ou dosímetro, que é capaz de estabelecer a dose, o nível de ruído ao qual uma pessoa está submetida durante um período determinado. As medições são tipicamente realizadas ao longo de um período de semanas, sob todas as condições meteorológicas.
A propagação do som ao ar livre está sujeita a efeitos meteorológicos (por exemplo, vento, temperatura) que afetam a distância, velocidade e direção com que o ruído ambiental se propaga da fonte para o ouvinte.
Ruído ambiental e saúde Apesar de não causar diretamente problemas na saúde mental ou física da população, poluição sonora a longo prazo pode agravar sintomas relacionados a estresse, ansiedade, irritabilidade e alterações de humor. Em ambiente de trabalho, o ruído ambiental também é reportado como fator associado à hipertensão arterial, perda do sono, impotência sexual, surdez bilateral ou unilateral, podendo provocar acidentes de trabalho (torções, quedas e fraturas) além de um menor desempenho do profissional devido às dispersão e estresse que o ruído causa. As classes trabalhadoras atingidas pela poluição sonora são as mais diversas em diferentes escalas de exposição e níveis de ruído, como trabalhadores de usinas, da área da saúde, professores, operadores de tratores, motoristas de caminhões e ônibus, entre outros.
Ruído nas escolas A partir de um certo momento, o ruído passa a ser prejudicial à saúde e pode ser detectado em lugares bastante frequentados no dia a dia, como, por exemplo, as escolas, que aparentam ser um local inofensivo para os alunos e funcionários. A recomendação ideal é que os níveis de ruído dentro de sala de aula sejam de 35 a 45 dB, ruídos entre 50 a 65 dB podem ser aceitáveis porém provocam estresse de nível leve levando ao desconforto auditivo.
Em sala de aula, o estudante está exposto a dois tipos distintos de estímulos sonoros: a voz do professor, considerada o estímulo principal, para o qual deve direcionar sua atenção, e o ruído competitivo, que deve ser mantido em segundo plano. Entretanto, quando o nível de ruído ultrapassa os limites recomendados, essa diferenciação pode ser prejudicada, comprometendo a atenção e a compreensão do estudante . Sabe-se que a exposição a ruídos intensos constitui um fator de risco tanto para o desenvolvimento de alterações auditivas quanto para o agravamento de condições relacionadas à saúde vocal, além de poder interferir em aspectos psicossociais, como o estresse e a qualidade de vida .
Por ser um local de aprendizagem, o excesso de ruído na escola pode atrapalhar a concentração, impactar a aprendizagem e, principalmente, afetar a saúde auditiva daqueles que frequentam os espaços escolares. Professores são os sujeitos os mais afetados, já que a exposição ao ruído excessivo pode ocasionar afastamento do trabalho por problemas auditivos, estresse e exaustão. O ruído no ambiente escolar pode afetar, ainda, a saúde vocal dos professores, pois é necessário elevar o tom de voz para que a fala se sobreponha ao ruído, levando a alterações vocais, como rouquidão (ou disfonia) ou a complicações mais grave nas cordas vocais.
O indivíduo qualificado que auxilia na melhora do ruído em sala de aula é o profissional fonoaudiólogo. Para a resolução dessa adversidade, faz-se necessário estabelecer alguns pontos:
Medição da pressão sonora, para traçar um perfil médio de ruído no ambiente avaliado, além de obter os horários com maiores intensidades de ruído competitivo. Identificação do ruído predominante. Identificação das características da voz do professor. Verificar a distância entre o professor e seus alunos. Analisar aspectos estruturais da sala de aula, como piso, parede, ventilação, etc.
Após a avaliação de todos esses pontos, o fonoaudiólogo está apto a realizar ações dentro de sala de aula com o objetivo de melhorar o ambiente tanto para o aluno quanto para o professor. Além disso, o profissional, com seus conhecimentos em acústica, voz, processamento auditivo e etc., é capaz de contribuir para o desenvolvimento de programas de preservação auditiva em escolas, com a finalidade de conscientizar as crianças desde cedo a criar hábitos saudáveis a respeito da audição.
Ruído em transportes públicos O ruído do transporte é normalmente emitido pelo veículo (por exemplo, o motor ou o escapamento) e pelo ruído aerodinâmico (veja aerodinâmica e ruído da aeronave) causado pela compressão e fricção no ar ao redor da embarcação durante o movimento.
Apesar de parecer inofensivo, o ruído presente em transportes públicos pode ser prejudicial à saúde. Ruídos que ultrapassam 50 dB podem gerar problemas de concentração e produtividade; já aqueles que ultrapassam 65 dB podem gerar alterações na fisiologia do nosso corpo. Ruídos acima de 70 dB podem ocasionar problemas no sistema auditivo. Contudo, sabemos que, na maior parte dos casos, o ruído dentro de transportes públicos possui mais de 50 dB. Dessa maneira, a exposição prolongada a essa poluição sonora pode afetar a qualidade de vida.
Ruído industrial e recreativo O ruído industrial e recreativo pode ser gerado por uma multiplicidade de diferentes fontes sonoras ou atividades. O ruído industrial pode ser gerado por empresas (ou seja, fabricação ou montagem de produtos), geração de energia (hidroeletricidade ou turbinas eólicas), atividades de construção ou instalações de processamento agrícola e de pecuária. Fontes de ruídos recreativos variam muito, mas podem incluir festivais de música, tiro ao alvo, eventos esportivos, corridas de carro, marcenaria, bares, atividades de lazer na rua, entre outras.
O ruído industrial pode gerar vários tipos de danos ao trabalhador, desde problemas auditivos, estresse, irritabilidade, tonturas, dentre outros. Essas adversidades podem ser alterações passageiras e até mesmo graves danos irreversíveis. O Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da NR-15, (intitulada "Atividades operacionais insalubres") estabeleceu os limites de tolerância para o ruído contínuo ou intermitente nas empresas e indústrias, o qual é de 85dBNA para jornada diária de 8 horas. miniaturadaimagem|192x192px|Protetor Auricular ( EPI), utilizado nas indústrias Quando o nível de ruído ultrapassa os limites adequados estipulados pela NR-15, é necessário o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). Relacionados à audição, os principais equipamentos são os protetores auriculares do tipo plugue ou abafadores. Os EPIs devem ser fornecidos pela empresa ou indústria, assim como assegura a NR-6.
Além da preocupação com os níveis sonoros no local de trabalho, é necessário também o cuidado com as atividades de lazer ruidosas. O principal público a ser considerado nesse caso são os jovens, uma vez que participam frequentemente de atividades de lazer com música com grandes amplitudes sonoras.
No cotidiano, existem diversos sons que podem causar danos auditivos e, infelizmente, nem todos os ambientes têm uma regulamentação de nível sonoro adequado. +Principais Fontes de Ruído RecreativoLocalIntensidade (dBNA)Casa NoturnaAté 110 dBBaresAcima de 90 dBShows e Festivais120 a 140 dBCinemaAté 106 dBEventos EsportivosAté 110 dBRuído do Trânsito95 dB
Prevenção A maneira mais adequada de preservar a audição é por meio da prevenção. O ideal é que as campanhas sejam de cunho educacional e ofereçam informação em relação à exposição ao ruído, aos sinais de perda auditiva e às medidas preventivas, além de evidenciar os benefícios da saúde auditiva. A estratégia da campanha depende da fonte de ruído abordada e do público a ser alcançado.
Dia da Conscientização sobre o Ruído (INAD) O Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído (INAD) é uma campanha mundial que busca alertar a população sobre os impactos negativos da poluição sonora na saúde e na qualidade de vida. No Brasil, as ações do INAD começaram em 2008, com o apoio da Sociedade Brasileira de Acústica (Sobrac) e o engajamento de voluntários comprometidos com a causa.
O principal objetivo da campanha é promover a conscientização sobre os prejuízos causados pela poluição sonora e incentivar atitudes que contribuam para a redução do ruído no cotidiano. A proposta também busca fomentar a educação sonora, estimular a escuta consciente e valorizar o silêncio como parte essencial do bem-estar. A campanha ganhou ainda mais força com a participação de estudantes e profissionais das áreas de acústica e saúde, formando uma rede de apoio que contribui para o crescimento e impacto do INAD no Brasil.
Todos os anos, o INAD Brasil lança um tema e um lema específicos, com o objetivo de destacar os prejuízos causados pelo ruído e promover ações educativas sobre a importância da preservação do ambiente sonoro.
Histórico de Temas e Lemas AnoTemaLema2008Prejuízos do ruídoAh, se minha orelha falasse…2009Atenção à exposição ao ruídoNão faça de sua orelha uma lixeira!2010Ruído: inimigo invisívelO que os olhos não veem, a orelha sente.2011Ruído urbanoNão deixe o ruído invadir nossa cidade2012Políticas públicasBem-estar garantido é bem-estar sem ruído2013Apelos às mídias sociaisQuem compartilha o ruído compartilha o perigo2014Comemorações esportivas (copa do mundo)O mundo na torcida por menos ruído.2015Ruído no trânsitoRuído no trânsito, um vilão que ninguém presta atenção.2016Ruído nas escolasRuído: a solução está na educação2017Conforto acústico nas escolasConforto acústico e educação, um bem para você e sua audição.2018Legislação acerca do ruídoO legal do som: para a diversão não virar perturbação2019Cuidado com a audiçãoSua audição, merece atenção, cuide dela com o coração.2020Ruído ocupacionalTrabalho com o ruído, saúde em perigo2021Saúde auditivaProteja sua audição, proteja sua saúde2022Ruído na infânciaNa infância, diversão e proteção. Ruído não!2023Efeitos do ruído na comunicaçãoRuído na comunicação? Todos sem conexão2024Ruído no trabalho e seus efeitos sobre a saúdeRuído no trabalho? Prevenção é a solução!2025Inclusão – Por uma sociedade que escuta e respeitaEscuta que Acolhe, Som que Respeita
Política e regulação do ruído ambiental
Brasil No Brasil, o artigo 24 da Constituição Federal de 1988 diz que "Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: